Quero possuir o mundo!

Os tolos e os ingênuos dizem ser insatisfação.

Pobres seres, analfabetos do bem-viver.

Minha ânsia de mundo é uma chaga erótica

Insistência em ser que me leva mais-além.

Fracasso do verbo

Êxtase do espírito

Condição de vida.

 

Periclitante entre o mar e o abismo, eu sigo só.

Meus pés inchados marcam o caminho

Por onde passa a humanidade toda.

Irmãos de sangue, que choram aflitos.

A dor do mundo e as suas próprias.

 

Não chores, ó pobre tolo.

Simplesmente caminha.

Entrega-se ao heroísmo que culmina em fim.

Porque é pó, nada mais que pó.

Sua existência já nasceu fracassada.

E tudo o que lhe resta é caminhar sereno.

 

Caminha, pois, com bravura extrema.

Cumpre a sina do vivente ser.

E chegada a hora do crepúsculo eterno

Deixa ir porque nada é seu.