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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Wed, 11 Jul 2018 21:44:47 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Maria, Maria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Jul 2018 14:11:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[herança psíquica]]></category>
		<category><![CDATA[prosa poética]]></category>
		<category><![CDATA[transmissão psíquica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexão, a partir de uma prosa poética, sobre o feminino. A partir da morte de minha avó materna busco neste texto elaborar a condição sempre errante do feminino, que é missão de cada mulher que nasce elaborar a partir de sua herança psíquica. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/maria-maria/">Maria, Maria</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Casamento-Diguim-100-MT-ed-390.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1899 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/07/Casamento-Diguim-100-MT-ed-390-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Recentemente enterrei minha avó materna. Ela se chamava Maria. A mesma Maria da música de Milton Nascimento e Fernando Brant: uma mulher que merecia ter vivido e amado como outra qualquer do planeta. Mas, como comportada Maria que era a minha Maria ria quando devia chorar e estava mais habituada a aguentar do que a viver. Por isso se despediu da vida com os mesmos olhinhos tristonhos  com os quais eu me lembro dela em grande parte da vida.</p>
<p><span id="more-1897"></span></p>
<p>No ataúde, vestiram-na de cor-de-rosa, pintaram seus lábios de rubro como se lhe tentassem reparar uma feminilidade que a minha Maria nunca conseguiu realizar em vida, no prazer estonteante de ser mulher. Como todas as Marias do planeta, a minha Maria também trazia no corpo a marca. Mas a ela não foi ensinado, por outra Maria já iniciada nos mistérios, que a marca que lhe cingia o corpo era estado de pura poesia e de puro amor, capaz de curar as feridas do mundo todo, caso ela assim quisesse.</p>
<p>A esta Maria, pobre Maria, foi transmitido que se devotar ao homem amado era conduta humilhante e não sábia; que ter prazer sexual junto ao  seu corpo, era ser puta e não santa; que não desejar uma nova gravidez, era pecado e não inteligência; que ser despudoradamente feliz e sensual, como se em estado de gestação perene do mundo inteiro, era falta de educação com todas aquelas Marias que, por covardia ou medo, desistiram de si mesmas pelo caminho.</p>
<p>Mas agora tudo findou. Sua existência sobrevivente, de mulher Maria sofrida, finalmente chegou ao fim. Resta dela a missão, herdada por suas filhas e netas, de elaborar o nunca completamente elaborado mistério do que é, afinal, ser uma mulher. Como herdeira de minha querida Maria, orgulho-me de estar no caminho, à procura, não de respostas, mas de entendimentos. Faço-o por ela, por minha querida mãe, e por todas as minhas companheiras Marias que habitam este planetinha azul. Descubro quotidianamente junto de minhas pacientes, de minhas queridas alunas e, por que não, das filhas que nunca terei, que ser mulher-Maria é ter guarra, mas sem nunca perder a graça; é dizer a palavra certa, mas sem perder a doçura; é ter entranhas de ferro para carregar as dores do mundo e, ainda assim, nunca perder a estranha mania de ter fé na vida.</p>
<p>No frenesi do último instante em que sabia tocar seu corpo frio de menina nunca nascida pela última vez, coloquei junto aos seus dedos hirtos uma foto de nossa família e lhe cantei bem baixinho no ouvido, agora já surdo para as dores e alegrias do mundo, uma prece de gratidão.</p>
<p>Cada mulher tem uma sina, uma missão destinada a cumprir. A de minha Maria foi dar ao mundo quatro Marias boas e honestas, e nisso ela cumpriu sua meta. Ficou a se realizar a tarefa mais árdua e também a mais arriscada: parir indefinidamente a si mesma. Por isso, prometo-lhe: farei isso por nós todas! Viverei a cada instante como uma mística santa, indo à cata de cada fragmentozinho meu espalhado por entre as terras, as formigas, os bosques densos, as luas grávidas de luz; buscar-me-ei incansavelmente nas águas das chuvas, dos rios e dos mares quentes, no sol poente de cada dia que morre e no sol nascente de cada dia que brota. Lançarei meu espírito em cada um destes seres miraculosos, copularei com eles, e, nesta cópula, parirei a mim mesma muitas e muitas vezes. Desta, nascerá um lindo ser híbrido, meio-jovem, meio-velho, meio -sábio, meio-criança, meio-vivo, meio-morto. Porque eu sei que é lá, no entre-mundos, entre o passado e o futuro, que eu ei sempre de encontrar a minha doce Maria.</p>
<p><iframe title="Elis Regina - Maria Maria" width="660" height="371" src="https://www.youtube.com/embed/7Jcc9LOipRg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/maria-maria/">Maria, Maria</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Minhas primeiras jabuticabas</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/minhas-primeiras-jabuticabas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Nov 2017 19:03:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[jardim como metáfora da vida]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[realidade]]></category>
		<category><![CDATA[superação]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto utiliza o cuidado de um jardim e a observação atenta do ritmo da natureza como metáfora para a vida humana.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/minhas-primeiras-jabuticabas/">Minhas primeiras jabuticabas</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/11/IMG-1115.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1851 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/11/IMG-1115-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Que feliz aprendizado estou tendo ao poder cuidar de meu jardim e observar o ritmo próprio da natureza. Tenho me impressionado ao pensar como o cuidado das plantas e a observação atenta do ritmo da Terra podem ser uma rica metáfora da própria vida e de como devemos buscar vivê-la.</p>
<p>Mudamos para nossa casa no mês de maio deste ano e iniciamos nossa jornada nela com um difícil e árido outono. Neste momento, as plantas recém-plantadas e, portanto, ainda muito frágeis, começavam a perder suas folhas, em um processo que parecia de destruição, mas que, no fundo eu sabia ser de renovação. Enfrentando uma dura estiagem, lembro-me de como me senti exigida em minha capacidade de espera pela realidade inóspita porque meus olhos me levavam a crer que aquelas plantas não iriam sobreviver, por mais água que lhe déssemos.</p>
<p><span id="more-1850"></span></p>
<p>Como elas ainda eram jovens e não tinham vigor suficiente para exibir frutos maduros (que é o que acontece no outono), não tinha a gravidez à mostra para me reassegurar de que a vida estava a salvo. Eram jovens plantas e precisariam de algum tempo para poder frutificar e o que me restava fazer era esperar pacientemente e regá-las todos os dias.</p>
<p>O solo seco fazia a água rapidamente ser sugada e eu a imaginava indo direto para as raízes sedentas pela fonte da vida. Num exercício imaginativo (porque eu que eu via estava seco e se despregando num ritmo frenético) eu apostava na força vital daquelas raízes que, longe dos meus olhos, estariam se espraiando por debaixo do solo e encontrando em si mesmas a força necessária para se desenvolverem e lutarem pela vida.</p>
<p>O difícil neste momento era acreditar que, através da paciência e do exercício diário de rega, algum milagre iria acontecer num futuro longínquo. Portanto, confiar mais no coração esperançoso do que no que os meus olhos viam foi o grande exercício da ocasião. Acreditar também na capacidade inata daquelas plantinhas de receberem e utilizarem bem os nutrientes que eu estava lhes dando era fundamental.</p>
<p>A chegada do inverno foi ainda mais difícil e exigente em termos de esperança. Os animais desapareceram da vista e eu sabia que eles estavam guardando suas últimas forças para chegarem vivos à primavera. A fonte de alimento para eles rareava porque o solo estava seco e sem água nada vive.</p>
<p>Os primeiros lampejos de inverno foram anunciados com ventos violentos que me faziam pensar que a terra estava em uma furiosa ebulição transformadora que, ainda que eu não enxergasse, podia intuir. Era como se grandes massas energéticas estivessem sendo transportadas de um lado para o outro. Como se os deuses estivessem se retesando e lutando nos céus fazendo tudo vibrar em um rancor endurecido.</p>
<p>As noites frias caiam rapidamente e os períodos de luz eram curtos. Em um piscar de olhos tudo ficava tenebrosamente escuro e eu me via em um movimento natural de buscar abrigo e luz dentro de casa. Sentia um medo irracional de sair na noite densa, exceto nos dias de lua cheia que, como mulher grávida, inundava de luz o negrume absoluto. Movimentos de esperança e desesperança, de medo e espera tensa se alternaram em meu coração nestes seis meses iniciais.</p>
<p>Entendi a partir daí porque o homem do campo ou o homem primitivo interpretavam os fenômenos climáticos como fúria ou benevolência dos deuses.</p>
<p>Um dia, relendo “O Evangelho segundo Jesus Cristo” de José Saramago encontrei a seguinte frase:</p>
<p style="text-align: right;">                 “(&#8230;) o mais eram as acostumadas e consabidas repetições duma terra que nos inverno parece morrer-nos     nos braços e nas primaveras ressuscitar, observação falsa, engano grosseiro dos sentidos, que a força da       primavera não seria nada se o inverno não tivesse dormido.”</p>
<p style="text-align: left;">Então, confirmei em uma escrita poética aquilo que estava sentindo. Tratava-se de um erro grosseiro dos meus sentidos acreditar que tudo estava morto. O dormitar invernal, ao contrário do que me diziam meus os olhos, era acúmulo de energia para a fecundidade primaveril. Assim como o organismo feminino se extenua a cada mês, em uma luta colossal, para preparar seu óvulo; assim como o bravo guerreiro acumula forças para triunfar na batalha, também a natureza se aquietava e se entesava para depois explodir em vida.</p>
<p style="text-align: left;">E eis que, então, os primeiros raios da primavera começaram a dar seus sinais. Os bichinhos hibernadores saíram de suas tocas, a chuva milagrosa começou a cair do céu e a vida se refez mais uma vez.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/11/IMG-1113.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1852 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/11/IMG-1113-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Desde então meu coração se enche de alegria a cada manhã quando, sob um céu límpido e azulíssimo, as flores coloridas salpicam o meu querido jardim de beleza; as borboletas coloridas correm de um lado pro outro, os animais se alimentam em abundância, e o meu coração se enche de enorme fé na vida.</p>
<p style="text-align: left;">Olhando para trás, sinto que cada momento vacilante de espera foi importante para meu deslumbramento de agora.</p>
<p style="text-align: left;">Extrai desta rica experiência um significado profundo. Penso que temos muito a aprender com o ritmo próprio da natureza.</p>
<p style="text-align: left;">Quando se trata de nosso semelhante, tal como as árvores e plantas, acredito que se os ajudamos a ser o melhor que podem, na dedicação e no trabalho diário do cuidado, na enorme maioria das vezes eles respondem com exuberância.</p>
<p style="text-align: left;">Como analista, a cada pessoa que recebo, busco confiar que suas raízes serão resistentes e generosas o suficiente para receberem e utilizarem bem os nutrientes que eu lhes dou. E embora nunca haja garantia sobre isso, prefiro apostar sempre que há recursos, ainda que eles tenham ficado muito judiados pela vida ou pelos impulsos de ódio e inveja.</p>
<p style="text-align: left;">E então, assim como a planta, se você cuida com respeito e dignidade, a pessoa responde se tornando um ser humano melhor.</p>
<p style="text-align: left;">Penso ser assim com qualquer coisa viva pela qual nos responsabilizemos por cuidar. Um filho, um bichinho, uma planta devolvem para nós aquilo que damos a eles. Se dermos amor, respeito e cuidado dignificante, respondem bem; se respondemos a eles reclamando do trabalho que nos dão, se os insultamos por nos serem cansativos e incapazes, se nos frustramos por não terem nascido perfeitos e acabados, ou, ao contrário, se o mimamos em demasia, tornar-se-ão plantas fracas e não belas.</p>
<p style="text-align: left;">No caso dos seres humanos, a tragédia pela falta de amor ou pelo excesso de mimos e de proteção (que não pode ser chamado amor) é ainda mais terrível porque, ao contrário das plantas e dos bichos, nós somos muito mais dependentes do que recebemos de fora.</p>
<p style="text-align: left;">Portanto, o aprendizado que esta experiência me dá leva-me a pensar no verdadeiro amor, no amor-dom.</p>
<p style="text-align: left;">O amor-dom sabe que o esforço diário, a rega quotidiana, a poda corriqueira é o verdadeiro ato amoroso. Amar só na beleza e quando está tudo pronto é fácil. Difícil é amar na dificuldade; difícil é amar quando tudo está seco, quando há tanto trabalho a fazer, quando quase falta a esperança. Mas é aí, e só aí, que o verdadeiro amor se exerce.</p>
<p style="text-align: left;">Aquele que só consegue amar uma planta quando ela está bonita e florida, na verdade, não a ama. Está apaixonado por sua falsa miragem. Aquele que ama seu filho só quando ele está cheiroso, mas que se queixa do trabalho quando tem que educá-lo, contar-lhe estórias sobre a vida, amparar do medo e ensiná-lo a ser gente de verdade, não ama verdadeiramente seu filho. Está apaixonado por sua própria perfeição. Aquele que só ama seu companheiro quando ele está feliz e bem sucedido, da mesma forma, não o ama verdadeiramente.</p>
<p>Este falso amor, no humano, está fadado à desilusão, à prisão pelo ódio, à falsidade e à hipocrisia. Apesar do amor-dom ser algo de difícil realização no humano, é algo que podemos e devemos buscar como propósito.</p>
<p>Além desta aprendizagem, minhas árvores e plantas me ensinaram ainda outra coisa.</p>
<p>Que o verdadeiro sentido da vida está nestas pequenas tarefas quotidianas, no trabalho miúdo com a vida; que é só podendo acolher com carinho o esforço diário que implica viver, é que a vida passa a ter sentido.</p>
<p>Pessoas insatisfeitas e infelizes no mundo todo se asfixiam com ilusões de ganhar na loteria, de mudar de país ou de planeta, quando na verdade não percebem que o verdadeiro heroísmo está em aceitar a realidade tal como ela é, sem ficções, sem fantasias.</p>
<p>Minha alegria de agora só é possível porque abracei todo o esforço angustiante do outono-invernal. Por não tê-las abandonado (e a mim mesma) à própria sorte é que posso agora me alegrar com o que me aconteceu hoje pela manhã.</p>
<p>Acordei e, como toda manhã faço, fui ao jardim e eis que avistei minhas primeiras filhas-jabuticabas, lindas e robustas, nascidas dos três pezinhos que plantamos lá.</p>
<p>Estas filhas-jabuticabas que agora me dão tanto orgulho são fruto do meu casamento sólido com a realidade, à qual, com toda sua ambiguidade, me preenche de esperas e de sonhos possíveis.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/minhas-primeiras-jabuticabas/">Minhas primeiras jabuticabas</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>O amor está em extinção?</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-amor-esta-em-extincao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Aug 2012 21:23:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[Melanie Klein]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que faz reflexões sobre o amor na atualidade. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-amor-esta-em-extincao/">O amor está em extinção?</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-605" title="casal Shrek" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/08/images.jpg" alt="" width="273" height="185" /></h2>
<p style="text-align: justify;">Outro dia falava sobre o amor em sala de aula e fiquei surpresa com a descrença de meus jovens alunos neste sentimento tão sublime e belo. Perguntavam-me eles se o amor ainda existe porque em suas concepções, o amor, principalmente entre os casais, é item em extinção.</p>
<p style="text-align: justify;">Tranquilizei-os dizendo que o amor existe sim entre casais, mas, acrescentei, que para experimentá-lo é preciso tolerância, maturidade e muito amor.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-604"></span></p>
<h2 style="text-align: justify;">Para amar é necessário&#8230;.amor:</h2>
<p style="text-align: justify;">Pode parecer redundante dizer que para experimentar o sentimento amoroso numa relação a dois é necessário muito amor, mas não é. Vejo hoje muitos casais desistindo facilmente de uma relação, sobretudo nos momentos em que o outro “não corresponde exatamente aquilo que eu desejo”. Este é um grande problema e é por isso que este sentimento tão sublime é difícil de ser atingido e requer uma alta dose de maturidade emocional.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que não existe nenhuma relação, e isso inclui uma relação amorosa, em que o outro vai corresponder exatamente às minhas expectativas e não vai me frustrar nunca. Acredito que existe uma grande idealização em torno de uma relação amorosa e, sobretudo, do casamento. Acho que muitas pessoas imaginam que, ao se casarem ou ao construírem uma relação estável com alguém, nunca mais se sentirão sós, inseguras ou incompletas. Elas passam a acreditar numa espécie de ilusão – a de que se eu tiver alguém sempre ao meu lado, nunca mais terei que me deparar com estes sentimentos humanos tão incômodos.</p>
<h2 style="text-align: justify;">A nossa incompletude é inerente à condição humana:</h2>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-607" title="incompletude humana" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/08/imagesCA9YYL8M1.jpg" alt="" width="118" height="89" />O problema (e isso nem é um problema) é que estes “sentimentos incômodos” são constitucionais de todos nós e o casamento, uma amizade ou mesmo filhos não podem ser vistos como antídotos que vão, finalmente, nos fazer ficar livre destas dores.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que muitas vezes podemos cair na armadilha de buscar uma parceira amorosa, um filho, uma amizade ou um trabalho para evitarmos nos deparar com quem de fato somos – com nossas incompletudes, imperfeições, frustrações e limitações e aí fica fácil porque passamos a culpar o outro por tudo o que nos falta.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O que significa, verdadeiramente, amar alguém?</h2>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltando à questão do amor, o que significa verdadeiramente amar alguém? Segundo Klein, o verdadeiro sentimento de amor deriva da capacidade de suportarmos ficar na posição depressiva que nada mais é do que percebermos que aquela mesma pessoa que nos frustra é aquela que nos traz imensas alegrias.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro aspecto inerente à posição depressiva liga-se à possibilidade de a pessoa poder se responsabilizar pelos seus próprios sentimentos, inclusive, os sentimentos de raiva e de ódio. Isso implica numa grande conquista em termos do desenvolvimento porque, conquistada esta condição, eu não preciso mais dizer que é o outro que esta estragando o meu dia, mas eu posso dizer que são os meus sentimentos (o meu ódio, a minha raiva, a minha dor) que está estragando tudo naquele momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale ressaltar que esta condição interna “sublime” não é conquistada e nunca mais perdida, mas, é perdida e (re) conquistada a cada momento da nossa vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, eu acredito que poder amar verdadeiramente alguém implica, em primeiro lugar, em reconhecer que aquela pessoa que eu amo e que me alegra o dia irá, inevitavelmente, me frustrar em outro momento. Ou seja, implica em não idealizar esta relação. Em segundo lugar, amar alguém (não como criação minha, mas como alguém diferente – uma alteridade) implica em eu poder me responsabilizar “pela dor e pela delícia” de ser quem eu sou.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro dia, só para me distrair, estava assistindo a um filme estilo comédia romântica americana chamado “Não sei como ela consegue”. A estória é simples e banal: uma mulher moderna casada com um homem compreensivo e amoroso, bem sucedida e com dois filhos. Está no auge da carreira e exatamente por isso imensamente culpada e dividida entre família e trabalho. Eis que ela conhece seu novo chefe: um homem jovem, belo e SOLTEIRO. Ou seja, representação de tudo o que ela almejava naquele momento, simplesmente porque era completamente diferente de sua realidade familiar caótica e cheia de conflitos.</p>
<h2 style="text-align: justify;">A escolha de Sofia:</h2>
<p style="text-align: justify;">Esta é a escolha de Sofia – escolherá ela, iludida pelo aceno de uma vida perfeita e feliz, pelo prazer de estar ao lado de um homem jovem, belo e solteiro? Ou conseguirá perceber que esta escolha se trata muito mais de uma ilusão já que, na medida em que este homem perfeito, belo e solteiro virar seu namorado ou marido, grande parte dos conflitos vividos anteriormente vão ressurgir porque assim é a vida?</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda bem que o autor foi coerente e permitiu à mocinha escolher a realidade e não uma ilusão. Deve ser por isso que todos os contos de fada terminam exatamente no momento em que o príncipe encontra a princesa – linda, penteada e cheirosa – e a estória termina com um belo FELIZES PARA SEMPRE.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Felizes para sempre?</h2>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-606" title="contos de fadas" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/08/download.jpg" alt="" width="186" height="139" />Mas, será que se a estória continuasse, esta ilusão conseguiria se manter? Penso que não. Penso que aí teríamos que nos deparar, inevitavelmente com uma princesa com olheiras, cansada e às vezes muito estressada e um príncipe que às vezes ronca, às vezes solta pum e outras tantas adora ver o futebol no momento em que a princesa quer discutir a relação.</p>
<p style="text-align: justify;">Poderíamos começar a pensar em reivindicar estórias infantis com finais mais reais ou pelo menos começar a discutir com nossas crianças que a realidade é muito diferente dos contos de fadas, pois, aí, com certeza, teríamos adultos muito mais preparados para lidar com a realidade, que é sempre &#8220;mais ou menos daquilo que nós queremos, pois, só nós somos iguais a nós próprios, como diria Fernando Pessoa.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Reflexões sobre o amor maduro.</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/cronicas-e-reflexoes-sobre-o-amor-maduro/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jun 2012 12:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Desejo]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que faz reflexões sobre o amor</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/cronicas-e-reflexoes-sobre-o-amor-maduro/">Reflexões sobre o amor maduro.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">          <img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-529" title="Deus Eros (Deus do amor)" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/06/Deus-Eros-Deus-do-amor-220x300.jpg" alt="" width="153" height="209" />     Este não é um ensaio sobre o amor na velhice ou algo parecido. Trata-se mais de algumas das minhas reflexões que são possíveis por eu estar viva no mundo, como protagonista e observadora.</p>
<p style="text-align: justify;">                Feito este preâmbulo, vamos ao que interessa. Vejo, tanto em minha vida privada, quanto na minha prática de consultório, casais. Casais sofrendo, se engalfinhando, se odiando, se apaixonando, brigando, se reconciliando, mas, vejo raros casais se amando.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-528"></span></p>
<p style="text-align: justify;">                Você pode me dizer que sou uma pessimista convicta e talvez tenha razão, mas, depois que eu defender a minha perspectiva do que é um amor maduro, talvez vá concordar comigo e passar a observar a realidade com um olhar mais criterioso.</p>
<p style="text-align: justify;">                Primeira coisa – amor maduro não tem a ver com idade. Vejo pessoas muito vividas em tempo de vida cronológico que não sabem nada ou quase nada sobre o que é amar. Lembro-me de uma mulher nada jovem me dizendo que, em sua perspectiva, nenhum homem presta. Sua grande meta como mulher na vida parece ter sido se anular para viver a vida de seus homens e isso fez com que ela perdesse todos eles para outras. As defensoras das mulheres poderão me dizer: Tá vendo como homem nenhum presta? Eu, bancando o advogado do diabo, proporia outra questão: Até que ponto esta mulher não deixou de ser desejável para seus homens porque sua única meta na vida era servir ao desejo deles?</p>
<h2 style="text-align: justify;">Onde está o meu desejo?</h2>
<p style="text-align: justify;">                Explico melhor: acredito que uma mulher ou um homem é extremamente desejável quando deseja por si próprio. Não há nada mais brochante que uma “mulher Amélia”. Acredito que o que torna um ser humano desejável é ele poder ser “senhor do seu próprio desejo”. O problema é que nós mulheres fomos criadas por nossas avós e mães para servir ao desejo do outro (normalmente do Homem com H maiúsculo) e isso nos dificultou muito a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">                Escrevo “senhor do próprio desejo” entre parênteses porque esta frase é um pouco descabida. Explico: os desejos são derivados do<a href="http://http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php"> inconsciente</a> e, portanto, não são passíveis de ser controlados. Podemos, isso sim, nos responsabilizar pelo que fazemos com eles, na medida em que os conhecemos. Mas, não podemos nos responsabilizar pelo que há no nosso inconsciente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">                Mas, voltando à questão do amor maduro. O que quero dizer com amor maduro não tem nada a ver com aqueles clichês que estamos carecas de ouvir: saiba aceitar as diferenças; releve; seja companheiro&#8230; Tudo isso é verdadeiro, mas também é muito simplista e pronto demais.</p>
<p style="text-align: justify;">                Eu acho que o amor maduro está em outro lugar. O amor maduro é aquele capaz de suportar o risco e a constatação de que não há garantias. Como diz Vinícius de Moraes: “que seja eterno enquanto dure”. Quem me garante que o meu marido não vai conhecer alguém super interessante na esquina? Quem me garante que eu não vá conhecer alguém que me faça questionar se o que eu tenho em casa é suficiente para mim? Ninguém. E por quê? Porque não há garantias.</p>
<p style="text-align: justify;">              Há uma música do Chico Buarque chamada &#8220;Mil perdões&#8221; em que ele fala disso. A música diz assim: &#8220;Te perdôo por pedires perdão. Por amares demais (&#8230;) Te perdôo por te trair&#8221;. A música é belíssima porque fala exatamente de como amar demais e pedir perdão o tempo todo pode ser um peso não só para quem o faz, mas para o ser amado. Além disso, chama a atenção para a responsabilidade do ser traído no desejo que o parceiro tem de trair&#8230;</p>
<h2 style="text-align: justify;">Como estar junto então?</h2>
<p style="text-align: justify;">                Mas, então, caro leitor, você pode estar se perguntando: como podem duas pessoas firmarem o compromisso de estarem juntas? E eu respondo. A saída é estar antenado com o próprio desejo: quem é esta pessoa que está ao meu lado? Eu enxergo o meu companheiro como ele de fato é ou deposito nele projeções, idealizações e frustrações que, na verdade, são minhas?</p>
<p style="text-align: justify;">                Só o fato de nos perguntarmos isso já nos faz sermos desejáveis porque nos tornamos menos previsíveis. Já pararam para observar o quanto as pessoas se escravizam numa relação, seja pelo medo de ficarem sozinhas ou pelo medo de se arriscar e encontrar alguém melhor? Ou então, como podem passar anos e às vezes uma vida toda punindo e culpando o (a) parceiro (a) por sonhos e desejos abandonados?</p>
<h2 style="text-align: justify;">Escravizados pelo &#8220;amor&#8221;:</h2>
<p style="text-align: justify;">                Eu acho que é esta escravização – aquela que vivemos quando deixamos de ter coragem para nos fazermos esta pergunta – que leva muitos casais a se tornarem casais velhos, embolorados e sem vida. É isso que leva as mulheres a se rastejarem por um pouco de atenção. É isso que leva os homens a temerem casamento que nem gato teme água fria.</p>
<p style="text-align: justify;">                Outro problema: quando somos jovens temos ainda muito tempo para nos distrairmos, para passarmos o tempo contando carneirinho. Mas, na medida em que o tempo passa, pelo menos isso é real para mim, sinto cada vez mais a urgência de viver – viver de verdade, não de mentira.</p>
<p style="text-align: justify;">                E sabem de outra coisa: conheço um montão de pessoas mais velhas que fica tão sem coragem de se fazer essa pergunta nessa altura do campeonato e de se dar conta, talvez tarde demais, de que pegou o caminho errado, que foge, literalmente. Por que às vezes pode ser terrível e doloroso demais se deparar com o fato de que vinte, trinta, quarenta anos da vida foram simplesmente jogados fora, ou seja, foram vividos “empurrados com a barriga”.</p>
<p style="text-align: justify;">                Por isso é que eu discordo daquela ideia tão comum de que, quanto mais velhos, mais aprendemos com as experiências. Acho esta uma visão muito idealizada do ser humano. No geral, o que observo é que pessoas mais velhas estão sempre muito assustadas para este tipo de pergunta. Acho muito corajoso quando vejo um paciente meu de idade avançada olhar pra trás e se dar conta de que “ele poderia ter sido melhor naquele casamento” ou “de que eu poderia ter dado mais atenção aos meus filhos”.</p>
<p style="text-align: justify;">                Os mais otimistas poderiam dizer: “Antes tarde do que nunca”. Mas eu diria: já imaginou a dor que é se deparar com isso sem poder fazer o tempo rebobinar? Estes costumam ser momentos de mudanças catastróficas e de verdadeiras reestruturações da personalidade&#8230;</p>
<h2 style="text-align: justify;">O amor incondicional:</h2>
<p style="text-align: justify;">                Contrapondo-se a isso que chamo de amor maduro (tentei encontrar outro nome porque maduro pode trazer a ideia de linearidade – antes era imaturo, agora é maduro – mas, confesso que não achei termo melhor), há o amor incondicional, algo que está no campo do ideal. Não conheço ninguém, nem pais e mães, nem filhos, nem amantes ou esposos que consigam amar o tempo todo e incondicionalmente. Inclusive eu acho que esta obrigação de ter que amar o tempo todo pode nos escravizar e trazer muita culpa inútil. Além disso, acredito que este sentimento “incondicional” não corresponde em nada à intensidade dos sentimentos humanos que costumam ser apaixonados tanto na capacidade de amar quanto na capacidade de odiar. O que quero dizer é que amamos e odiamos com intensidade. Todos nós. E isso faz com que a nossa espécie seja interessante e muito complexa.</p>
<p style="text-align: justify;">                O fato é que não há receita de bolo porque estar vivo é muito, muito angustiante. Fico muito chateada quando escuto colegas terapeutas falando da angústia de um paciente sem esboçarem, minimamente, alguma angústia. Por quê? Porque eu acho que viver é sempre perigoso demais para quem está realmente vivo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E você? Está vivo?</p>
<p style="text-align: justify;">Abraços a todos e até a próxima.</p>
<p style="text-align: justify;">Ana Laura</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/cronicas-e-reflexoes-sobre-o-amor-maduro/">Reflexões sobre o amor maduro.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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