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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Thu, 10 Sep 2020 15:01:37 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Minhas aventuras em Minas Gerais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jul 2019 14:25:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Brumadinho]]></category>
		<category><![CDATA[desastre psíquico]]></category>
		<category><![CDATA[Guignard]]></category>
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		<category><![CDATA[relato de viagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Milton Nascimento tem razão. Minas Gerais tem uma melancolia poética bonita demais. Estive visitando Inhotim e Ouro Preto e voltei cheia de reminiscências, desejosa de poder expressar um sentimento evanescente difícil de ser posto em palavras. Em Ouro Preto, encantei-me com a exuberância das paisagens montanhosas contrastada com as pequenas igrejinhas e casarios antigos, salpicadas &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/minhas-aventuras-em-minas-gerais/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Minhas aventuras em Minas Gerais</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/minhas-aventuras-em-minas-gerais/">Minhas aventuras em Minas Gerais</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-2008 size-thumbnail" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/Guignard-150x150.jpg" alt="Guignard" width="150" height="150" />Milton Nascimento tem razão. Minas Gerais tem uma melancolia poética bonita demais. Estive visitando Inhotim e Ouro Preto e voltei cheia de reminiscências, desejosa de poder expressar um sentimento evanescente difícil de ser posto em palavras.</p>
<p><span id="more-2007"></span></p>
<p>Em Ouro Preto, encantei-me com a exuberância das paisagens montanhosas contrastada com as pequenas igrejinhas e casarios antigos, salpicadas aqui e acolá por entre os morros.</p>
<p>Mas, foi vendo Ouro Preto sob os delicados pinceis de <a href="http://www.museuguignard.mg.gov.br/">Guignard</a> que me dei conta do quanto o contorno emoldurante daquelas montanhas altíssimas estava me trazendo uma enorme sensação de conforto e bem-estar. E talvez porque Guignard também se sentisse acolhido lá é que pôde dar à sua pintura o ar ao mesmo tempo festivo e bucólico que conseguimos captar em suas telas.</p>
<p>E que enorme contraste foi voltar a Belo Horizonte e percorrer suas avenidas rápidas e enormes e avistar, de um lado condomínios de luxo e de outro, favelas e pessoas vivendo em condições desumanas.</p>
<p>As mesmas montanhas altíssimas, o mesmo horizonte belo, mas, quanto aos sentimentos, uma distância vertiginosa entre eles.</p>
<p>De um lado, o homem enraizado em sua terra; de outro, o desenraizamento total; o homem abortado e cuspido como resto, a ser triturado dia-a-dia pela construção de mais um Shopping Center, a grande Meca dos nossos tempos.</p>
<p>Sim, decididamente Minas Gerais é uma terra de contrastes.</p>
<p>Em <a href="https://www.inhotim.org.br/mobile/">Inhotim</a> aprendi o que é, de fato, uma experiência.</p>
<p>Trata-se de um lugar maravilhoso do qual a gente não quer ir embora nunca mais. Fiquei muito intrigada com o que senti lá porque não conseguia definir ao certo o que é que era tão bom.</p>
<p>O conjunto harmonioso dos amplos jardins? Os lagos verdíssimos? As galerias de arte? Tudo isso junto? Mas, nenhum destes elementos sozinhos me ajudavam a precisar o que havia em Inhotim de tão interessante.</p>
<p>Pensei então que talvez fosse exatamente esta zona de indeterminação e, portanto, o convite à criação de novos sentidos que fizesse da experiência em Inhotim algo tão interessante.</p>
<p>E parece que eu estava certa.</p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-2009 size-medium" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/inho-300x246.jpg" alt="" width="300" height="246" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/inho-300x246.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/inho-768x631.jpg 768w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/inho.jpg 800w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Vim a descobrir depois que Inhotim é filho de um desastre moral: a ruína de um homem muito rico, explorador de minérios, que a certa altura perdeu tudo.</p>
<p>Por isso talvez eu tenha sentido que havia um desespero em Inhotim: o desespero em poder recriar um mundo bom, uma espécie de novo Éden, mas agora sem pecado nem queda.</p>
<p>Um novo Éden em que um Deus bondoso não tivesse, como no primeiro, criado filhos fracos de espírito e carne e tão afeitos às tentações, mas perfeitos e incorruptíveis como ele próprio.</p>
<p>Em suma, um novo Éden confiante na plena capacidade de inteligência humana; um lugar de celebração da vida e do ser humano, da arte e da cultura, do pensamento lúcido e da beleza, tal como Nietzsche concebera certa vez.</p>
<p>Sai de lá pensando por que é tão difícil se manter em constante estado de espírito Inhotim. E a resposta é que talvez um homem precise ser muito forte e muito competente para aguentar não estragar sua alegria de crescer e a esperança de sustentar os próprios sonhos, e isso a clínica psicanalítica ensina, muito poucos conseguirão.</p>
<p>O fato de Inhotim estar tão próxima de Brumadinho tornou este trecho da viagem particularmente difícil para mim, pois senti falta de um espaço em que eu pudesse ir fazendo a transição entre estes dois lugares tão contrastantes, mas infelizmente não pude contar com este recurso.</p>
<p>Estava vivendo, então, uma cesura radical e profunda: uma ilha de desenvolvimento em meio à estagnação total.</p>
<p>Penso agora com alguma alegria em quem está tecendo a ponte: jovens sonhadores de Brumadinho que Inhotim emprega como seus colaboradores e que assim podem finalmente sonhar o futuro.</p>
<p>E lá vão eles, todos os dias pra lá e pra cá, caminhando com seus próprios e rápidos pés; pés de quem sabe que cada minuto da vida é valioso e que não há tempo a perder.</p>
<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-2013 size-medium" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/BLOG_arte-e-cultura_Inhotim-Jovens-Agentes-Ambientais-300x113.png" alt="jovens agentes ambientais em Inhotim" width="300" height="113" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/BLOG_arte-e-cultura_Inhotim-Jovens-Agentes-Ambientais-300x113.png 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/BLOG_arte-e-cultura_Inhotim-Jovens-Agentes-Ambientais-768x289.png 768w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/07/BLOG_arte-e-cultura_Inhotim-Jovens-Agentes-Ambientais.png 908w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />Ao percorrerem o caminho Brumadinho-Inhotim a cada dia costuram as bordas do vazio, do tédio, do medo e da ignorância com os fios dos sonhos, em busca de realizarem seus próprios Inhotins.</p>
<p>Escapam assim da perigosa anti-realização de Brumadinho, que, coisa curiosa, não me deu pena e sim raiva.</p>
<p>Mas, de onde vinha esta violência? Seria a violência dos revoltosos, talvez? Mas, não! Não havia sinal de revolta ali. Tudo o que havia eram uns tímidos cartazes religiosos dizendo “<em>Deus reza por nós</em>” e a dignidade da pobreza humana comprada ao preço de mil reais por mês, por cada morador da cidade, o que eles pareciam agradecer.</p>
<p>Seriam então os mortos? Os duzentos e quarenta e três mortos que me assombravam e contra cuja realidade mortífera eu me rebelava? Mas isso também não me convencia.</p>
<p>Afinal, eu não tenho medo da morte e já ajudei algumas pessoas a morrerem. Portanto, a realidade da morte nunca me gerou revolta e sim piedade.</p>
<p>Mas, então, onde eu podia me fiar em busca de elementos para entender o ódio que eu sentia? E a resposta só me veio um tempo depois e ela estava em um caminhão.</p>
<p>Sim, era de um caminhão enorme que passava pra lá e pra cá e que parecia perfurar o meu cérebro com seus sons horrorosos que eu tive tanto ódio. E era contra ele que eu queria me lançar. Mas ele era tão grande e eu tão pequena&#8230;</p>
<p>Me dei conta então, de que era contra a dor da impotência que eu me rebelara com algum heroísmo. Era, portanto, um ódio mudo e impotente o que eu tentava expressar através do meu sofrer.</p>
<p>O ódio dos pequenos contra os grandes, dos inocentes contra os brutos, dos frágeis contra os poderosos, das crianças contra os adultos.</p>
<p>Mas esta dor muda e quase insuportável eu tive que elaborar sozinha. Através dela cheguei a compreender em profundidade, tempos depois, o sentido inaugural da vingança que é a fúria impotente do agredido contra o seu algoz, a quem quase nunca se pode fazer um mal efetivo por se ser mais fraco que ele.</p>
<p>Assim, aprendi em Brumadinho, ao preço de horas terríveis de angústia, que a fúria muda pode matar alguém, e o que o morto nunca é aquele que merecia morrer.  Lei sórdida esta da vida.</p>
<p>Não agradeço ao caminhão por esta amarga aprendizagem. Na verdade, ele não devia existir, pois só faz macular a inocência das coisas. Mas ele existe. E não há nada que se possa fazer contra ele a não ser aprender a se desviar, o que já é um estrondo.</p>
<p>Quem quiser esmagá-lo de frente, será morto. Como Tiradentes, que achou que podia derrubar o rei e acabou perdendo a cabeça.</p>
<p>Prefiro ser Copérnico. Minto e me faço de boba, digo que sou estúpida, quando na verdade, sou é muito esperta. Preservo minha cabeça e minha vida porque sou mais útil e irritante viva  do que morta!</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/minhas-aventuras-em-minas-gerais/">Minhas aventuras em Minas Gerais</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
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