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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 29 Jul 2014 21:22:43 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A dor inevitável do crescimento.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 Jun 2013 21:53:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Condição humana]]></category>
		<category><![CDATA[dor]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Sofrimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>     Crescer, do ponto de vista mental, não é inevitável! Crescer, do ponto de vista físico, é. Todos os anos nós fazemos aniversário e ficamos mais velhos. Mas, não necessariamente, ficamos mais sábios, crescidos e amadurecidos do ponto de vista mental. Por que isso acontece? Ou seja, por que o crescimento mental não avança &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-dor-inevitavel-do-crescimento-e-o-sofrimento-evitavel-do-nao-crescimento/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A dor inevitável do crescimento.</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-dor-inevitavel-do-crescimento-e-o-sofrimento-evitavel-do-nao-crescimento/">A dor inevitável do crescimento.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/06/download4.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-748 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/06/download4.jpg" alt="download4" width="180" height="200" /></a>     Crescer, do ponto de vista mental, não é inevitável! Crescer, do ponto de vista físico, é.</p>
<p style="text-align: justify;">Todos os anos nós fazemos aniversário e ficamos mais velhos. Mas, não necessariamente, ficamos mais sábios, crescidos e amadurecidos do ponto de vista mental.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que isso acontece? Ou seja, por que o crescimento mental não avança na mesma medida que o nosso crescimento físico ou que o correr dos anos?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-747"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em poucas palavras, porque crescer implica em suportar a dor, esta sim, inevitável do processo.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas, o que quero dizer com crescer do ponto de vista mental?</h2>
<p style="text-align: justify;">Significa, em primeira instância, podermos realizar o luto pela nossa identidade infantil. Implica em conseguirmos tolerar a realidade sempre mais ou menos frustrante, complexa, inexata e contraditória que nos abarca. Implica em nos responsabilizarmos pelas nossas escolhas e não mais culpabilizarmos terceiros por elas. Implica em conseguirmos olhar o mundo de maneira mais realista e menos cor de rosa, mas também menos preto e branco.</p>
<p style="text-align: justify;">Crescer implica, portanto, em suportarmos a dor de crescer. A de nos lançarmos no desconhecido, em ousarmos termos pensamentos que nunca foram pensados, em nos diferenciarmos dos nossos pais externos e internos, para podermos ter alguma mente própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Implica em olharmos o mundo com alguma autoria de pensamento e nos responsabilizarmos por ele. Implica em suportarmos doses às vezes altas de culpa, pelo fato de nossos entes queridos não terem tido a mesma coragem de crescer, os mesmos entes que muitas vezes irão nos olhar com um misto de desdém e inveja e dizer: você pensa muito!</p>
<p style="text-align: justify;">Implica também em suportarmos altas doses de inveja alheia pelo nosso crescimento genuíno e espontâneo. E também a de suportarmos a nossa própria inveja pelo nosso crescimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Por fim, implica em suportarmos enxergar o fato de nós seres humanos, apesar de sermos sociais, somos sempre absolutamente sós e isso é, obviamente, um grande paradoxo para o qual não há resolução.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Então, vocês devem estar a se perguntar: Por que crescer, então? Se vou ter que suportar doses tão grandes de dor, pra que?</h2>
<p style="text-align: justify;">É verdade! Crescer é, de fato, uma escolha e não algo inevitável! É possível fazermos a escolha, mais ou menos consciente, de não crescermos, mas (e este é outro paradoxo da vida), quem pensa que com esta escolha estará evitando a dor tão temida se engana. Porque a escolha de não crescer, não é menos difícil que a de crescer.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/06/download-3.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-749 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/06/download-3.jpg" alt="download (3)" width="160" height="200" /></a>   A escolha de não crescer é sempre desastrosa. Não sei muito bem explicar porque, mas eu penso que existe algo no ser humano que o impulsiona ao crescimento, no limite daquilo que cada um pode chegar, e quando se trai esta ordem natural das coisas, o preço a ser pago é muito, muito alto. É como se estivéssemos traindo a nossa própria natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês já pensaram se Freud, por medo de suportar a dor de pensar coisas tão incríveis e inéditas como pensou, relutasse e não fundasse a Psicanálise? Que culpa ele sentiria por não ter usufruído de todo o potencial de sua mente? E certamente, ele teria uma grande conta com a humanidade&#8230; Ainda bem que ele foi corajoso o suficiente.</p>
<p style="text-align: justify;">Crescer implica, portanto, em suportar a dor de se diferenciar. Não crescer implica em gerar sofrimentos terríveis, angústias sem nome, já que quando se decide não crescer, o que se ataca é a própria mente – a única que nos serviria para pensar o que está havendo e dar nome aos bois.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, a dor do crescimento não é cega. É sábia, astuta, clara e límpida. Eu sei por que estou sofrendo, porque estou enxergando com toda a minha capacidade de enxergar a realidade. É como uma velha sábia que nos norteia, com astúcia e compreensão profunda da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">O sofrimento do não crescimento é cego, surdo e irracional. Este sofrimento não serve para nos orientar, como a dor, porque ele funciona como um touro bravo, desgovernado. Ele não auxilia o pensar, como a dor.</p>
<p style="text-align: justify;">O sentimento que move os poetas a criar coisas belíssimas e os pensadores e terem pensamentos próprios é a dor e não o sofrimento, embora as pessoas costumem se enganar com relação a isso. O sofrimento não cria nada. Só destrói porque ele é filho de uma escolha de morte – a do não crescimento, da estagnação mental.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas, vocês devem estar a se perguntar: o que isso tudo tem a ver com a família? Afinal, não estamos discutindo questões familiares?</h2>
<p style="text-align: justify;">Isso tudo tem a ver com famílias sim. Vou explicar por que.</p>
<p style="text-align: justify;">Quando somos mais jovens julgamos nossos pais e dizemos a eles que não nos ensinaram o caminho das pedras (leia-se: não nos ensinaram como viver sem sentir dor). Depois, passamos a reconhecer que eles também não tinham o caminho das pedras e que, muitas vezes, pela impossibilidade de suportarem a dor do crescimento, eles próprios se perderam pelo caminho e não sabem mais onde ele está. Muitas vezes, eles já desistiram de encontrá-lo ou porque se acham muito velhos e sem tempo mais para serem felizes ou porque, de fato, têm poucas condições internas de suportar as agruras do desenvolvimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos ideais, seria maravilhoso pensarmos em uma família em que se pudesse valorizar o pensamento independente, o julgamento próprio das ideias, o livre debate de opiniões, em que os pais estimulariam o crescimento e independência emocional dos filhos e que este desprender-se não trouxesse angústia a eles. Mas, isso faz parte do ideal e não do real.</p>
<p style="text-align: justify;">O que vemos muitas vezes é que os pais se apegam aos filhos exatamente para não terem que lidar com a dor de estarem vivos, esta mesma que estou tentando descrever aqui! Então, quando os filhos fazem movimentos no sentido de crescer, este crescimento é sentido como ameaça: O que vou fazer sozinha, eu e meu marido, sem o meu filho querido?</p>
<p style="text-align: justify;">Isso implicaria, obviamente, em rever escolhas e sentimentos: Como anda meu casamento? Eu estou realmente feliz? O que fiz com minha vida até o momento? E por aí vai&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">No geral o que vemos então é um jogo de culpas: você não cresce e eu também não. Afinal, eu fiz tanto por você! Ficamos todos aqui, imersos no sofrimento, em um pacto terrível de morte e destruição. Só para não termos que lidar com a dor de estarmos vivos e não termos que nos implicar no processo (sempre individual) de crescer!</p>
<h2 style="text-align: justify;">Isso é muito sério e penso ser um dilema universal!</h2>
<p style="text-align: justify;">Mas, crescer também implica em perdoarmos nossos pais pelo que eles puderam e pelo que eles não puderam fazer. Implica também em constatarmos que o crescimento é sempre uma escolha individual. Obviamente, um ambiente livre de culpas em que cada um possa suportar sua quota de dor na difícil tarefa de estar vivo, auxiliaria e muito.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/06/images.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-750 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/06/images.jpg" alt="images" width="250" height="201" /></a>    Mas, no final das contas, a conclusão é esta: cada um de nós tem sempre a responsabilidade individual de abrir o caminho das pedras por si mesmo. E isso não é culpa de ninguém. A vida é assim!</p>
<p style="text-align: justify;">Então, que possamos quotidianamente fazer a escolha corajosa de abrirmos o caminho das pedras, para podermos traçar nossa própria rota. Obviamente, ficaremos cansados nesta difícil e incansável tarefa que, acreditem, não tem fim. Quando isso acontecer, sugiro que se sentem em uma sombra pelo caminho. Se não houver sombra, tratem de plantar uma árvore.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, mãos à obra! Trabalhemos arduamente para podermos acolher a dor inerente à vida. Por que sem trabalho duro nesta vida nada de verdadeiro e sólido pode ser construído.</p>
<p style="text-align: justify;">O oásis tão sonhado e desejado não existe. Aquele lugar em que um dia poderemos descansar e relaxar da labuta da vida&#8230; Este? Só na morte!</p>
<p style="text-align: justify;">E se pudermos questionar e enxergar com muita profundidade estas verdades da vida, a trajetória ficará menos árida e o transitar pelo caminho (das pedras) poderá ser mais prazeroso e cheio de boas surpresas.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Por que, afinal, nem só de dor é feita a vida. Não é?</h2>
<p style="text-align: justify;">Para terminar, presenteio-os com um texto lindo da Clarice Lispector, presente de uma querida amiga minha, e que tem tudo a ver com estas reflexões:</p>
<p><strong><i>Tenho em casa uma pintura do italiano Savelli &#8211; depois compreendi muito bem quando soube que ele fora convidado para fazer vitrais no Vaticano.</i></strong></p>
<p><strong><i>Por mais que olhe o quadro, não me canso dele. Pelo contrário, ele me renova. Nele, Maria está sentada perto de uma janela e vê-se pelo volume de seu ventre que está grávida. O arcanjo, de pé ao seu lado, olha-a. E ela, como se mal suportasse o que lhe fora anunciado como destino seu e destino para a humanidade futura através dela, Maria aperta a garganta com a mão, em surpresa e angústia.</i></strong></p>
<p><strong><i>O anjo, que veio pela janela, é quase humano: só suas longas asas é que lembram que ele pode se transladar sem ser pelos pés. As asas são muito humanas: carnudas, e o seu rosto é o rosto de um homem.</i></strong></p>
<p><strong><i>É a mais bela e cruciante verdade do mundo.</i></strong></p>
<p><strong><i>Cada ser humano recebe a anunciação: e, grávido de alma, leva a mão à garganta em susto e angústia. Como se houvesse para cada um, em algum momento da vida, a anunciação de que há uma missão a cumprir.</i></strong></p>
<p><strong><i>A missão não é leve: cada homem é responsável pelo mundo inteiro. </i></strong></p>
<p><i> </i></p>
<p><strong><i>Clarice Lispector. </i></strong></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-dor-inevitavel-do-crescimento-e-o-sofrimento-evitavel-do-nao-crescimento/">A dor inevitável do crescimento.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
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