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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Jovens no divã: da escolha profissional à saída da Universidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Sep 2024 12:14:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[contemporâneo]]></category>
		<category><![CDATA[escolha profissional]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>*Aula proferida para os alunos do curso de Ciências Farmacêuticas da USP-Ribeirão Preto (FCFRP) em 24 de setembro de 2024 &#160; É com enorme alegria que venho lhes falar hoje, pois, voltar a esta Universidade que me acolheu tão generosamente entre os anos de 1999 e 2011 em que fiz graduação, mestrado e doutorado, é, &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/jovens-no-diva-da-escolha-profissional-a-saida-da-universidade/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Jovens no divã: da escolha profissional à saída da Universidade</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/jovens-no-diva-da-escolha-profissional-a-saida-da-universidade/">Jovens no divã: da escolha profissional à saída da Universidade</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><img decoding="async" class="alignleft" src="https://www.fundacaoroge.org.br/hs-fs/hubfs/social-suggested-images/dicas-escolha-profissao-feira2015-g-2.jpg?width=1000&amp;name=dicas-escolha-profissao-feira2015-g-2.jpg" alt="12 Dicas imperdíveis para te ajudar na escolha da profissão" width="319" height="150" />*Aula proferida para os alunos do curso de Ciências Farmacêuticas da USP-Ribeirão Preto (FCFRP) em 24 de setembro de 2024</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span id="more-2993"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É com enorme alegria que venho lhes falar hoje, pois, voltar a esta Universidade que me acolheu tão generosamente entre os anos de 1999 e 2011 em que fiz graduação, mestrado e doutorado, é, uma forma de expressar a imensa gratidão por tudo o que recebi e aprendi, e também de relembrar o quanto fui feliz aqui.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao preparar minha fala, indaguei-me o que um psicanalista teria a dizer a jovens estudantes de um curso de Farmácia, que pudesse ser interessante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E imediatamente fui me lembrando de cada um dos meus pacientes jovens e jovens-adultos que passaram pelo meu divã em busca de auxílio, seja para atravessarem o angustiante e importantíssimo momento de decisão por um curso, os deliciosos  e difíceis anos na universidade, até o momento vitorioso, mas também difícil, em que a deixavam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falarei, portanto, de tudo o que aprendi e observei nestes anos de atendimento psicanalítico, com estes jovens e jovens adultos em suas buscas por consolidarem suas identidades profissionais e sociais, estabelecendo mais ou menos um quem se é neste mundo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, seguindo o mesmo percurso em minha fala, dividirei-a em três tópicos, sendo eles, o momento da escolha de um curso, os anos na universidade e a saída dela. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Procurarei enfocar em cada um destes tópicos aquilo que é circunscrito ao saber do psicanalista, e que de alguma forma, imagino, poderá ampliar ou trazer insights sobre vocês mesmos, a saber, as ambivalências, conflitos, angústias, perdas e ganhos inerentes à cada uma destas importantes fases da vida. </span></p>
<h3><b>A decisão por um curso de graduação</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Começo ressaltando que a escolha profissional é um momento crucial da vida, sendo a profissão um elemento constituinte de quem nós somos, para os outros e para nós mesmos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dito isso, o momento da escolha por um curso, que os adolescentes costumam fazer entre os dezessete e dezenove anos, tende a ser de grande intensidade emocional para eles, pois, se de um lado muitos tendem a se sentir despreparados e imaturos para fazê-lo, de outro, alegram-se ante a primeira perspectiva concreta de se sentirem, num futuro próximo, mais autônomos e independente dos pais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Determinarão aqui a maior satisfação do adolescente com este momento, coisas como ter tido ou não o apoio dos pais, estar bem informado sobre sua escolha, sobre o mercado de trabalho e sobre suas inclinações vocacionais e não se sentir pressionado nem inibido em relação às próprias inclinações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, do ponto de vista psicanalítico, considera-se o momento da escolha profissional angustiante e difícil para o adolescente, haja vista as inúmeras incertezas que ele experimenta em relação a si mesmo e ao futuro. </span></p>
<p>Início de um longo percurso de construção do si mesmo, que o jovem só terminará de firmar no fim da vida adulta.</p>
<h3><b>Os anos de graduação</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Os anos de graduação são marcados, em geral, por uma fase de intensa socialização, promovida tanto pelo clima universitário quanto pelo intenso contato com os colegas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também difere a experiência dos jovens adultos que cursam universidade residindo na casa dos pais, dos que os que deixam sua cidade natal, rompimento familiar que estimulará ao jovem se lançar na instigante descoberta de si mesmo, longe do controle vigilante dos pais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> J</span><span style="font-weight: 400;">ovens em fase de graduação costumam buscar o psicanalista  quando não conseguem se socializar com colegas, por excessiva timidez, insegurança ou rigidez moral, por dificuldade de se separar dos pais ou então por dificuldades acadêmicas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros motivos ainda são uso abusivo de álcool e outras drogas, conflitos ligados à identidade sexual e, mais recentemente, vício em redes sociais e jogos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra percepção minha é que os primeiros anos de graduação tendem a ser mais difíceis em relação aos últimos, graças à progressiva adaptação do jovem à instituição escolar, com suas regras próprias, e pelo aumento de identificação com o curso, que tende a ir progredindo ano a ano, quando o jovem está convicto de sua escolha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abandonos e transferências de curso também costumam ser decisões muito difíceis, causadoras de alívio ou angústia a depender da situação. Neste último caso, em grande parte pelo sentimento de fracasso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando, considera-se os anos na universidade como de intensos contrastes, pois, de um lado, vê-se neles “</span><i><span style="font-weight: 400;">os melhores anos da vida</span></i><span style="font-weight: 400;">” com sua liberdade máxima em um espaço relativamente protegido das duríssimas responsabilidades da vida adulta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E de outro, vive-se nele momentos bastantes solitários, repleto de angústias, indefinições e inseguranças próprias da idade, que o jovem quase sempre sofrerá em segredo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formatura e saída da universidade marcarão o término deste período de intensas transformações e aprendizagens, delimitando a passagem da juventude à vida adulta, momento que pode ou não ser acompanhado por estados de </span>luto<span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Momento de hiato no qual a identidade antiga foi perdida, sem que a nova já tenha se estabelecido. </span></p>
<h3><b>A saída da universidade</b><span style="font-weight: 400;">  </span></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">O desligamento da universidade que pode se dar logo após a formatura ou uns anos após, em cujo marco se tem o primeiro emprego, costuma ser, ao mesmo tempo, de euforia e luto. O </span><span style="font-weight: 400;"> que os estágios fora da universidade costumam aplacar um pouco, por ser uma espécie de ponte entre a antiga vida juvenil e a nova vida adulta.    </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formando-se, perde-se o contato com os amigos e colegas, as idas às festas e a identidade estudantil. Muitos, inclusive, têm que retornar, por escolha ou falta de opção, a residir na casa dos pais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a primeira vez, portanto, que se experimenta cruamente que se está envelhecendo e adentrando para sempre “</span><i><span style="font-weight: 400;">na engrenagem do sistema</span></i><span style="font-weight: 400;">”, algo que os muito jovens ainda sonham um dia poder driblar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre isso, o escritor francês Michel Houellebecq, em seu extraordinário livro “Submissão” de 2015, retrata assim a perda da vida estudantil:</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;As ocasiões de socialização, tão frequentes na vida estudantil, desaparecem ao se entrar na vida profissional, mergulhando os seres humanos numa solidão tão espantosa quanto radical.&#8221;</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-25-at-09.33.37.jpeg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-3000 size-thumbnail" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-25-at-09.33.37-150x150.jpeg" alt="" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-25-at-09.33.37-150x150.jpeg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-25-at-09.33.37-300x300.jpeg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-25-at-09.33.37-120x120.jpeg 120w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/09/WhatsApp-Image-2024-09-25-at-09.33.37.jpeg 720w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Esta solidão da vida adulta, penso eu, não se deve ao fato de que o adulto não terá mais pessoas por perto, mas porque as relações adultas tenderão cada vez a se adequar aos códigos de etiqueta social. Diferentemente das relações juvenis, marcadas pela descontração e espontaneidade do puro instante presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é a tal ponto verdadeiro que muitas sólidas amizades feitas na universidade tenderão a se esfriar com o passar dos anos, na medida em que os amigos, por exemplo, se casam e têm filhos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As necessidades afetivas tenderão agora ser satisfeitas com o parceiro amoroso, sendo precisamente no início da vida adulta que casais mais duráveis tendem a se formar, protegendo as pessoas do sentimento de solidão que começará a se intensificar com o fim da vida adulta e chegada da meia idade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Apesar disso, segundo meus pacientes jovens, em tempos de Tinder tem sido cada vez mais difícil encontrar alguém, em parte, segundo eles, pelo excesso de oferta, que sempre deixa as pessoas perdidas e confusas.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Finalizando, a fase pós-universidade é o tempo de vida no qual o jovem adulto ganhará experiência, se especializará e trabalhará bastante, firmando-se no mercado de trabalho e em sua identidade profissional, na qual se estabelecerá pelos próximos anos.  </span></p>
<h3><b>Considerações finais</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Meus vinte anos ouvindo jovens e adultos no divã me levaram a concluir que o conflito entre as gerações, que sempre existiu e vai continuar existindo, decorre, da parte do jovem, de sua tendência a ser muito crítico e até cruel com os mais velhos, a começar pelos pais. E, da parte de nós adultos, de que nos esquecemos muito facilmente que também fomos jovens um dia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembro-me sobre isso de um pai que analisei, extremamente crítico e severo com o filho adolescente, em quem se descobriu que sua severidade devia-se ao fato dele próprio ter sido viciado em bebidas quando jovem, o que ele temia também acontecer com o filho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, não existe imparcialidade nos nossos julgamento, nossos preconceitos sendo quase sempre a gente fugindo das nossas próprias sombras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra conclusão que extraio da minha clínica é que a revolução digital que se operou entre 1990 e 2010, cujos impactos se seguem até hoje têm trazido consequências psicológicas e sociais que ainda não somos capazes de avaliar muito bem, o que talvez só possamos fazer num futuro distante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre elas, citam-se quadros de grave isolamento social e afetivo pelo uso excessivo de internet e redes sociais, aumento significativo das depressões, tentativas de suicídio e os atuais </span><i><span style="font-weight: 400;">self cuttings</span></i><span style="font-weight: 400;">, prática em que o jovem se automutila, o que eu não via no consultório há dez ou quinze anos atrás.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além destas, transformações mais estruturais dizem respeito aos valores éticos destes jovens em relação a seus pais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, jovens na faixa dos 20 aos 30 anos demonstram não almejarem acumular bens, dinheiro e ter uma carreira estável, preferindo a isso coisas como viajar, cuidar do planeta  e viver com menos; também observo neles que desejam cada vez menos fundar famílias e deixar descendentes, considerando imoral, por exemplo, “ter filhos só por ter”. E por fim, problematizam duramente os papéis de gênero tradicional, homem-mulher, preferindo a estes, formas de identificação mais fluídas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À que sociedade tais mudanças de valores levarão, só o correr do tempo vai dizer.</span></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Reflexões sobre a escolha pelo curso de psicologia.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 17:29:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[escolha profissional]]></category>
		<category><![CDATA[Graduação em Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Costumo receber muitos e-mails de estudantes de psicologia e de pessoas que têm interesse na área me perguntando como é atuar como psicólogo. Desta forma, achei que seria relevante produzir um texto sobre o tema e para isso vou me basear em algumas percepções que pude ir acumulando durante os meus anos de experiência como &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-escolha-pelo-curso-de-psicologia/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Reflexões sobre a escolha pelo curso de psicologia.</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-700 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo-300x240.jpg" alt="psicologo" width="180" height="144" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo-300x240.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo.jpg 400w" sizes="(max-width: 180px) 100vw, 180px" /></a>Costumo receber muitos e-mails de estudantes de psicologia e de pessoas que têm interesse na área me perguntando como é atuar como psicólogo. Desta forma, achei que seria relevante produzir um texto sobre o tema e para isso vou me basear em algumas percepções que pude ir acumulando durante os meus anos de experiência como docente em cursos de psicologia.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-699"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Toda vez que assumo uma turma nova, tenho o costume de perguntar a cada um dos alunos o que motivou a sua escolha. Apesar de cada um ter uma motivação particular, chama minha atenção o número grande de alunos que respondem que buscaram o curso para ajudar um membro “doente” da família. Outros, também em número considerável, respondem que buscaram o curso porque eles próprios já estiveram ou estão deprimidos e apresentam algum tipo de sofrimento emocional, para os quais desejam obter respostas através da Psicologia. Ainda, uma pequena parcela responde que é para compreender o ser humano e os mistérios da mente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A escolha profissional para a Psicanálise</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista da Psicanálise, sabemos que estas respostas se configuram como falas, manifestações de desejos que precisam ser lidas a partir da ótica do inconsciente. Desta maneira, estes alunos buscam, através da ciência, respostas racionais para questões emocionais e que, portanto não podem ser respondidas a partir daí.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta constatação – a de que muitos alunos têm buscado no conhecimento racional respostas para questões que são de ordem  inconsciente – leva a algumas consequências que vou procurar elencar agora, algumas de ordem pessoal, ou seja, para a vida e saúde mental do aluno, e outras de ordem profissional, podendo acarretar num sentimento de falta de identificação com a profissão do psicólogo, algo que tenderá a eclodir nos últimos anos de formação.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-704 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2-300x217.jpg" alt="portas2" width="240" height="174" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2-300x217.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 240px) 100vw, 240px" /></a>Vamos à primeira. Sabemos pela Psicanálise que toda escolha tem significados inconscientes. Sabemos, portanto, que a escolha pela psicologia, assim como a escolha de qualquer outra profissão, tem ressonância direta com desejos e fantasias do inconsciente que precisam ser analisadas caso a caso. Sabemos também que o trabalho (no sentido de realizar um ofício) pode ser compreendido em termos psicanalíticos como uma forma de sublimação, ou, dito em termos kleinianos, de reparação aos nossos objetos internos danificados, algo que penso ser verdadeiro no caso de muitas profissões que visam oferecer algum auxílio ao outro, dentre elas a profissão de psicólogo. Lembro-me de uma conferência de Psicanálise em que a palestrante alertava para o fato de que, no inconsciente de todo psicanalista, havia uma culpa inconsciente que precisava ser reparada através do fazer psicanalítico. Outra motivação muito comum, esta encontrada sobretudo na profissão médica, liga-se a um desejo inconsciente de vencer a morte, desejo que se não puder ser elaborado, pode trazer grandes doses de angústia para o profissional que inevitavelmente “perderá” pacientes em sua carreira. O problema é que estas significações inconscientes só podem ser conhecidas em uma análise e não nos bancos universitários!</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, chegamos à segunda consequência, de ordem profissional. Quando um estudante de psicologia tem como motivação fundante para sua escolha questões inconscientes assentadas em problemáticas pessoais, pode haver com isso uma confusão no que se refere ao  papel de um profissional da Psicologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro-me de inúmeras situações de supervisão de estágio em que alunos, carentes de um espaço psicoterapêutico para poderem sonhar suas próprias experiências e dores, tinham muita dificuldade para enxergar o paciente como alguém com questões, necessidades e dramas próprios. Ou seja, a angústia destes alunos, a falta da psicoterapia, somada à alta angústia gerada pela proximidade da formatura, impedia-os de conseguirem delimitar o que eram suas próprias angústias e o que eram angústias do paciente.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, em muitos momentos, ou o paciente interrompia o processo levando o estagiário a pensar no contexto da supervisão sobre a sua participação nesta interrupção, ou continuava, embora sem a perspectiva de se criar verdadeiramente uma relação terapêutica, baseada numa relação assimétrica de ajuda em que um (o terapeuta-estagiário) está  um pouco mais amadurecido em termos emocionais para oferecer ajuda ao outro (o paciente).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Características de personalidade importantes para ser um psicólogo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acho importante clarificarmos que quando a escolha pela psicologia baseia-se no anseio de se &#8220;resolver&#8221; questões emocionais de ordem pessoal, uma espécie de crise profissional provavelmente será vivida pelo estudante ou pelo profissional em seus primeiros anos de atuação, pois, para se atuar com relativo sucesso nesta área, espera-se que o profissional tenha podido avançar um pouco mais que o seu paciente no conhecimento de sua própria mente.  Diante disso, tentarei elencar algumas das características humanas ou de personalidade que eu considero fundamentais para se exercer o ofício de maneira satisfatória e prazerosa para o futuro profissional.</p>
<p style="text-align: justify;">Falarei baseando-me no fazer clínico / psicanalítico que é o único que eu conheço mais a fundo, embora eu considere que a atuação do psicólogo, independente do contexto, deva se guiar por tais habilidades que se congregam, todas elas, em um desejo genuíno de auxiliar o outro a suportar melhor suas dores mentais, amparando-se em uma abordagem científica X ou Y.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, acredito que dentre as características importantes para se exercer este bonito, mas árduo ofício, uma pessoa deve ter:</p>
<p style="text-align: justify;">1) <b>Profundo respeito pela condição humana,</b> que marca a todos nós de igual modo.  Além de ser profissional, ele deve ser capaz de ser um humano, no sentido mais amplo do termo, com capacidade para fazer companhia a dores humanas que às vezes beiram o indescritível. Para isso, é importante poder manter uma atitude de não arrogância e superioridade com relação ao semelhante, embora podendo manter uma relação assimétrica e respeitosa com relação aos limites da relação terapêutica.  Para isso, ele precisa gostar de ser humano e gostar de outros humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">2<b>) Amor à verdade.</b> É importante que esta pessoa seja íntegra, algo que não tem a ver com moralismo. Assim, ela deve ser uma guardiã atenta, sem dogmatismo, mas com acolhimento das verdades humanas, das quais todos nós, em algum momento, tendemos a fugir. Algumas destas verdades essenciais são a de que somos seres absolutamente dependentes e frágeis, a de que somos mortais, porém potentes para fazermos algo pelo bem comum enquanto estamos vivos, a de que somos essencialmente diferentes, mas semelhantes, a de que somos essencialmente sós, mas sociais, a de que não somos nem só bons, nem só maus.</p>
<p style="text-align: justify;">3) <b>Gosto pela palavra.</b> O psicólogo deve ter prazer em utilizar palavras, pois, em muitos momentos a nossa função será colocar em narrativas possíveis o que às vezes parece escapar de qualquer compreensão verbal e humana. Associo o psicólogo / psicanalista a um pintor que pinta um quadro do que se passa numa relação humana específica utilizando como tintas as palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">4) <b>Condição mental para suportar altas cargas emocionais, mantendo a capacidade para sonhar. </b>O psicólogo será submetido, em seu trabalho quotidiano, a altas doses de emoções intensas (amor, ódio, inveja, rivalidade, ciúme, persecutoriedade, além das emoções que ainda não foram nomeadas pela dupla) e é importante que ele tenha um continente preparado para acolhê-las sem perder a capacidade para pensar. O lugar privilegiado de construção deste continente é a análise. Sem isso, ele não só não conseguirá auxiliar seu paciente, como também poderá criar confusões geradas pelas suas próprias emoções ainda não desenvolvidas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A idealização do trabalho clínico</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Observo entre os alunos uma espécie de idealização do trabalho do psicólogo, sobretudo do clínico, idealização talvez criada a partir da imagem clichê de um terapeuta tranquilamente sentado em seu consultório ouvindo pessoas em sua sala ricamente decorada, com o seu ar condicionado. Esta é uma visão muito parcial do trabalho. Mesmo que tenhamos o privilégio  de passarmos o dia em uma sala bonita, com ar condicionado ouvindo os dramas e histórias das pessoas que toparam confiar em nós, a realidade do trabalho não é tão colorida assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-705 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista-300x226.jpg" alt="psicanalista" width="270" height="203" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista-300x226.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista.jpg 320w" sizes="auto, (max-width: 270px) 100vw, 270px" /></a>Apesar de ser um trabalho extremamente enriquecedor do ponto de vista humano, pois, pelo menos isso é real para mim, a cada nova sessão me sinto diferente, modificada em minha forma de compreender o mundo a partir daquela interação, o trabalho clínico é extremamente solitário, silencioso e difícil. Um psicólogo / terapeuta, portanto, deve gostar imensamente da sua companhia e saber ouvir a voz do silêncio, sem se angustiar com isso. Deve gostar de ler poesia e ser curioso sobre os seus próprios pensamentos. Associo a função de um terapeuta interessado em descobrir as verdades emocionais penosas do paciente à figura de Virgílio que acompanha o poeta Dante em sua dolorosa descida ao inferno e purgatório.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, como todo trabalho criativo há belezas e dramas, assim como tudo na vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Responsabilidade dos cursos univeristários que formam psicólogos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que todo docente de psicologia deva estar preparado para discutir estas questões fundamentais com os seus alunos, questões estas que serão o alicerce de sua formação. Acho muito positivo que os cursos de psicologia estejam repletos de alunos, pois, isso é sinal de que muita gente tem se interessado pelas questões mentais. Entretanto, também acho importante clarificarmos e fazermos discriminações junto aos alunos entre o que é ser psicólogo e o que é buscar a ciência psicológica para entender a si próprio, pois, penso que são coisas muito distintas, conforme tentei mostrar aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Caso contrário, corremos o risco de banalizarmos o conhecimento psicológico transformando-o em uma espécie de jargão mágico que tudo pode explicar. Com isso, pervertemos o uso do conhecimento, que passa a ser usado como um atalho, utilizado para se fazer o trabalho necessário com o mínimo de esforço, já que se deitar no divã ou fazer uma boa psicoterapia costuma ser mais custoso, pelo menos emocionalmente, do que frequentar os bancos escolares. Em tempos de solução mágica e rápida para quase tudo, a busca por um curso ao invés do auxílio psicológico pode estar a serviço de desejos onipotentes e mágicos de cura rápida, evitando-se passar pelo sofrimento necessário a qualquer transformação emocional verdadeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Para uma discussão mais aprofundada sobre as características de personalidade necessárias a um terapeuta, sugiro o bonito livro de Contardo Calligaris “Cartas a um jovem terapeuta”. <a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/cartas-a-um-jovem-terapeuta.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-702 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/cartas-a-um-jovem-terapeuta-196x300.gif" alt="cartas a um jovem terapeuta" width="110" height="168" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-escolha-pelo-curso-de-psicologia/">Reflexões sobre a escolha pelo curso de psicologia.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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