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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>O falo como condição de alienação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jan 2018 19:25:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[angústia existencial]]></category>
		<category><![CDATA[falo]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Sigmund Freud]]></category>
		<category><![CDATA[Simone de Beauvoir]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Partindo da ideia de que a eleição do pênis como falo se deve à necessidade humana de alienar-se de sua própria existência, conforme argumenta Simone de Beauvoir, o texto busca fazer reflexões a respeito de onde adviria este impulso a evadir-se de si mesmo. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-falo-como-condicao-de-alienacao/">O falo como condição de alienação</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/01/2008-07-16_IMG_2008-07-16_1216220135389_efe_20080716_161334.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1868 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/01/2008-07-16_IMG_2008-07-16_1216220135389_efe_20080716_161334-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Em psicanálise, uma forma de definir o falo é qualquer símbolo com função imaginária de suturar<a href="#_ftn1" name="_ftnref1">[1]</a> nossas faltas existenciais. Freud descobriu que o pênis, órgão corporal masculino, tem para crianças de ambos os sexos, a função privilegiada de um falo.</p>
<p>Esta significação do pênis como falo é, obviamente, determinada pela cultura, o que significa dizer que não se trata de um mero acaso que as coisas tenham se arranjado assim. Em uma sociedade matrilinear e não patrilinear como é nossa, o falo bem poderia estar do lado feminino sendo, por exemplo, os seios intumescidos de leite ou o útero.</p>
<p><span id="more-1867"></span></p>
<p>E embora Freud tenha chegado à descoberta do pênis como símbolo fálico em nossa cultura não conseguiu explicar as origens disso. Por que o falo esteve sempre do lado do homem e não da mulher ao longo da história humana, não se sabe bem ao certo dizer.</p>
<p>Mas, voltando à questão do falo, para a filósofa Simone de Beauvoir a importância fálica que o pênis adquire na configuração subjetiva da cria humana, só pode ser explicada pela tendência, no humano, em se alienar de si mesmo.</p>
<p>Diz ela:</p>
<p style="text-align: right;">“<em>A angústia frente à sua liberdade, conduz o sujeito a refugiar-se nas coisas, o que é uma maneira de fugir de si mesmo</em>” (p. 76).</p>
<p>Seguindo o seu pensamento, somos levados a nos indagar: por que o homem desejaria fugir de si mesmo? O que haveria em sua condição de sujeito que o levaria ao insuportável da angústia, de onde ele tentaria se evadir a qualquer custo, pagando com isso o duro preço da alienação? Porque o homem precisaria recorrer às garantias ilusórias do falo para proteger-se de sua existência?</p>
<p>Ora, no cerne do sujeito há a falta, o furo, o vazio. A cria humana, na medida em que se desprende do Todo no ato do nascimento, angustia-se frente ao seu enorme desamparo. Agarra-se e erotiza as carnes maternas não porque esteja condenada a desejar a mãe, mas porque este contato a coloca de volta como o centro vital de alguém, que ela também acredita ser Toda. Assim, a liberdade angustia porque ela nos lembra de que estamos à deriva em um mundo <em>a priori </em>destituído de qualquer sentido e ordem pré-estabelecida. O exercício da liberdade em um mundo onde não sabemos para onde nossas escolhas nos levarão, causa vertigens. É como se caminhássemos cegos em uma floresta densa, repleta de perigos, e tivéssemos que decidir a cada instante, para onde seguir a partir de cada passo dado.</p>
<p>Agarrar-se ao falo é, portanto, agarrar-se a uma tábua de salvação que, ainda que não me leve adiante, pelo menos não me deixa afundar no abismo das incertezas.</p>
<p>O sujeito masculino tem um caminho seguro, mas perigoso, de alienação de si, e é disso que Freud fala o tempo todo. Ele diz “Eu sou um homem dotado de um órgão viril”, e acredita que isso lhe basta para garantir o seu sentido de existência.</p>
<p>Lembro-me de um homem bastante falicizado que, na clínica, mostrava-se irritado e constrangido por estar entediado, o que ele não entendia, tendo em vista “que tinha tudo o que um homem poderia querer”. Obviamente, ele referia-se a um carro zero quilômetro, uma linda mulher, um ótimo trabalho e uma bela casa. Todos estes objetos, uma vez falicizados pela cultura de massa, são vistos pelo sujeito como acessos garantidos a uma vida feliz e sem conflitos. Este mesmo homem, já em análise, costumava dizer, indignado e arrogante: “Precisamos resolver logo os meus sentimentos.” Neste caso, seu próprio discurso era revestido, para ele, de um significado fálico, pois através de suas colocações categóricas deixava pouco espaço à reflexão e à indagação curiosa de si mesmo.  Ou seja, tudo o que produzia em termos discursivo vinha carregado de certezas, modo muito astuto de calar as dúvidas. Ao longo de alguns anos de trabalho analítico, o desmonte da falácia de sua completude foi sendo possível, abrindo espaço para a angústia, mas também para a criação e para uma vida dotada de real sentido. Neste período do trabalho, trouxe muitos sonhos em que seus objetos fálicos (computadores, o próprio pênis, dinheiro, escritório, etc.) sofriam avarias de toda ordem; até que finalmente, passou a precisar cada vez menos deles para suportar sua vacilante existência.</p>
<p>Já a mulher, uma vez percebendo a ausência do pênis em si, recorre com frequência à falicização de seu próprio corpo para fazer frente à sua angústia existencial. Superinveste libidinalmente seu próprio corpo, sua beleza, suas vestes, seus cabelos, acreditando com isso poder garantir o sentido de sua existência, embora com isso, tudo o que consiga é se alienar no olhar do outro e em uma vida entediante e sem projetos reais de superação. Um bom exemplo desta situação é a personagem Emma Bovary de Flaubert. Ensaiando entrar em contato com a falta de sentido de sua vida, a única saída que Emma encontrava para responder à sua angústia existencial era se endividar com móveis novos, sonhar com bailes de princesa e lindos vestidos, e devanear ser salva por um grande amor. O que Emma não sabia era que o destino de sua história estava em suas mãos e estava para ser inventado por ela, e por mais ninguém. Investindo móveis, vestidos, homens e amores proibidos de valor fálico, esta profunda personagem caiu no engodo de que, nestas coisas, encontraria o verdadeiro sentido de sua existência. Outro objeto eleito como símbolo fálico para a mulher é costumeiramente um filho que, no seu inconsciente, destinará ao pai, tanto para lhe devotar seu amor infantil, mas, sobretudo, para ser reparada de seu ressentimento com o mundo masculino, tornando-se tão potente quanto ele<a href="#_ftn2" name="_ftnref2">[2]</a>.</p>
<p>O fato é que homens e mulheres ao se depararem com a falta de sentido de suas vidas recorrem aos objetos fálicos acreditando que ali encontrarão o sentido que buscam, quando na verdade deveriam fazer o caminho inverso, ou seja, voltar-se para dentro, e não para fora de si. É quando ele se volta para fora, e suporta mal as contingências de sua existência, que o homem se apega às falácias sinuosas da mentira e da hipocrisia, com as quais tenta se convencer a qualquer custo de estar fazendo um ótimo negócio. Tudo para se defender da impermanência conflituosa que é viver.</p>
<p>Para terminar, cito na íntegra uma passagem ilustrativa da filósofa que sintetiza bem algo com que lida cotidianamente o psicanalista e que é a atitude oscilante do humano em relação a si mesmo, que transita entre a covardia e o heroísmo:</p>
<p style="text-align: right;">“<em>O homem acha-se permanentemente em perigo; sua vida é uma empresa difícil que nunca se encontra assegurada. Mas ele não aprecia a dificuldade e teme o perigo. Contraditoriamente, aspira a vida e ao repouso, à existência e ao não ser. Sabe que a inquietação do espírito é o preço que terá que pagar pelo seu desenvolvimento; que sua distância em relação ao objeto é o que lhe custa sua presença consigo mesmo, mas ele sonha com a quietude na inquietude e com a plenitude opaca que sua majestosa consciência habitaria.”(p. 37)</em></p>
<p>Assim, apesar de esta filósofa ter tido uma má compreensão dos propósitos éticos do método analítico, pois deu ênfase excessiva aos elementos pulsionais da teoria freudiana como determinantes do destino humano e desconsiderou o aspecto ético e transformador do método, Simone de Beauvoir, a meu ver, faz contribuições elegantes e muito vivas ao pensamento freudiano. Ambos encontram-se imbuídos de um sincero desejo de desamarrar o sujeito de suas alienações e recolocá-lo em contato consigo mesmo para, só então, poder inventar seu modo próprio de viver.</p>
<p><strong>Referência bibliográfica:</strong></p>
<p>Beauvoir, Simone de. <em>O segundo sexo: fatos e mitos</em>. Tradução de Sérgio Milliet – 3 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2016.</p>
<p><a href="#_ftnref1" name="_ftn1">[1]</a> Suturar: operação que consiste em coser ou costurar as bordas de uma ferida para fechá-las.</p>
<p><a href="#_ftnref2" name="_ftn2">[2]</a> Esta não é a única significação inconsciente encontrada na maternidade; tão somente são as significações mais infantis e mais recalcadas.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>O feminino na Psicanálise e na tragédia grega.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Apr 2013 16:46:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[diferenciação sexual]]></category>
		<category><![CDATA[falo]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[mitos]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[tragédia grega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em suas elaborações sobre o feminino, Freud lançou a seguinte questão, para ele enigmática e difícil de ser respondida: “O que quer uma mulher?”. Para mim, há ainda outra questão anterior a esta e talvez mais importante: “O que é uma mulher?”. Freud foi duramente criticado por analistas que se seguiram a ele e também &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-feminino-na-psicanalise-e-na-tragedia-grega/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">O feminino na Psicanálise e na tragédia grega.</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-727 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1-150x150.jpg" alt="Femininity_1" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1-120x120.jpg 120w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Em suas elaborações sobre o feminino, <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br">Freud </a>lançou a seguinte questão, para ele enigmática e difícil de ser respondida: “O que quer uma mulher?”. Para mim, há ainda outra questão anterior a esta e talvez mais importante: “O que é uma mulher?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Freud foi duramente criticado por analistas que se seguiram a ele e também por correntes feministas que consideraram sua teoria falocêntrica. Explico-me. Todo o embasamento teórico que Freud deu no que se refere à construção das identidades masculinas e femininas foi assentada na presença ou ausência do pênis, ou seja, no modo como cada ser humano vivência e se coloca diante da castração.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-726"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Explicações dadas por Freud: </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para ele, o menino renuncia ao seu objeto amoroso, no caso a mãe, por medo de perder o seu pênis, parte do corpo fortemente investida narcisicamente pelo pequeno infante. É assim que ele abandona seu objeto de amor primordial e introjeta o superego, herdeiro direto do Complexo de Édipo e fonte das regras e normas sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a menina, este processo se dá, segundo Freud, de maneira diferente. No caso dela, é pelo ressentimento de ter sentido que foi a mãe que a privou de ter o órgão tão desejado – o pênis – e por ser ela mesma castrada, que a menina passa a dirigir agora não mais o seu amor, mas o seu ódio à mãe e seu amor pelo pai. Neste caso, Freud também diz que a menina não só desejará ter o pênis do pai para si, mas também desejará ter um filho dele, o que, em termos inconscientes, continua representando o seu desejo de ter um pênis, já que no início a criança faz equivalências entre pênis, fezes e bebês. É por isso que, segundo ele, muitas mulheres adultas abdicam de suas relações com os maridos, quando estes lhes dão um lindo bebê do sexo masculino, detentor do pênis outrora tão desejado. É só neste momento que a menina ingressa no Complexo de Édipo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O que disse Melanie Klein sobre isso?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Melanie <a href="http://http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br">Klein</a> fez importantes críticas a esta teoria falocêntrica freudiana e assegurou que a primeira parte do corpo invejada por meninos e meninas não seria o pênis, mas sim o seio, fonte por excelência de nutrição e amor. Ou seja, seria a figura feminina e não a masculina, detentora do pênis, a ser invejada inicialmente pela criança pequena. Ressalta-se que esta questão, fortemente assentada em um fundo ideológico de “guerra entre os sexos” nunca foi devidamente resolvida pela Psicanálise.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O misterioso do feminino:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Fato também a ser considerado é que, no caso do<a href="http://http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br"> feminino</a>, muito já foi dito e escrito a respeito, embora se tenha a impressão de que sempre algo de misterioso e não acessível transite pelas questões da feminilidade. Melanie Klein explicou esta dificuldade em apreender o feminino da seguinte forma: para ela, como os órgãos femininos são todos internos e não externos como no caso do menino, que tem fácil acesso visual ao seu pênis, a menina terá mais dificuldade em apreender o que se passa dentro dela. Vale lembrar, por exemplo, o difícil e angustiante momento vivido pela menina em sua primeira menstruação, quando a visualização do sangue menstrual liga-se a profundas angústias e temores inconscientes de ataques e danos a seus órgãos sexuais, vivência que não tem equivalente no menino. É por isso, continua Klein, que os processos introjetivos e consequentes sentimentos culposos são mais presentes em meninas, e processos projetivos em meninos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-730 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-300x300.jpg" alt="joana-dark" width="180" height="180" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-300x300.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-120x120.jpg 120w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark.jpg 360w" sizes="(max-width: 180px) 100vw, 180px" /></a>Fazendo uma retrospectiva histórica, vale lembrar também como a figura feminina esteve fortemente associada à imagem de bruxas, feiticeiras, demônios e figuras perigosas, imagens estas normalmente elaboradas por homens. Desta forma, não podemos nos esquecer das dificuldades que se impõem quando se trata de um homem (mesmo genial como era Freud) que tenta responder o que é uma mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, considero que responder o que é uma mulher é algo profundamente complexo que passa por questões culturais, sociais, históricas e percepções individuais, estas também afetadas por conflitivas inconscientes. Ressalto ainda que em nossa cultura ocidental, embora isso esteja sofrendo profundas modificações, ser uma mulher ainda parece estar muito associado à experiência da maternidade, algo que também foi fruto de contextos históricos específicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Winnicott, a meu ver, foi o que mais propôs uma solução interessante para esta questão. Para ele, o feminino e o masculino são elementos da personalidade que estão presentes em homens e mulheres. O feminino está ligado ao ser, ou seja, vincula-se ao campo do sentir, e o masculino, ao fazer, ou seja, ao campo da ação. Para ele, todos nós temos porções de elementos masculinos e femininos em nossa personalidade, independente de sermos homens ou mulheres, embora sempre haja o predomínio de um elemento sobre o outro.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Recorrendo aos mitos e tragédias gregas: </strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Diante das dificuldades que o conhecimento psicanalítico encontra para apreender o que é o feminino, considero que uma importante fonte de compreensão profunda sobre esta temática possa ser encontrada nos mitos e tragédias gregas. Segundo Freud, os mitos equivalem, em termos de dinâmica e funcionamento, aos sonhos, ou seja, são manifestações diretas de desejos inconscientes. Além disso, são um arsenal cultural disponível e extremamente rico do ponto de vista simbólico para se compreender como o homem primitivo, não no sentido linear, mas no sentido do primitivo que nos habita, lida com os dramas humanos – morte e vida, destino ou escolha, paixões e instintos, etc.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-728 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste-187x300.jpg" alt="250px-Aischylos_Büste" width="131" height="210" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste-187x300.jpg 187w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste.jpg 250w" sizes="auto, (max-width: 131px) 100vw, 131px" /></a>Como não é possível considerar o feminino de um ponto de vista geral, por ser temática ampla e complexa demais, elencarei dois aspectos do feminino – esposa / amante e mãe – retratados respectivamente nas tragédias gregas Orestéia, trilogia escrita por Ésquilo, e Medéia, escrita por Eurípedes, para investigar como estes componentes do feminino são compreendidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na trilogia Orestéia, temos a personagem Clitemnestra como figura central. Esposa de Agamêmnon, mata o marido para vingar a morte da filha Ifigênia, que fora morta em sacrifício à deusa Artêmis pelo próprio pai. Já em Medéia, encontramos uma mulher que, pelo terrível ciúme do marido Jasão que a troca por Créusa, mata os próprios filhos para se vingar dele. Deixa sua terra natal Cólquida e se desenraiza por “amor”, amor este que transcende a ela própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Intensidades amorosas, pulsões violentas marcam a ambas. Seria este um elemento do feminino, não pelo vértice somente pejorativo da loucura, mas da intensidade necessária à vida, ao crescimento? E qual seria o limite entre intensidades amorosas que fazem vigorar o novo, o criativo e aquela que curto-circuita o desejo, o narcisismo de vida? Medéia amava mais a Jasão que a ela própria. Por isso, aceita deixar suas raízes que a definem e lhe dão lastro, em nome do amor, fazendo uma alusão à expressão atual tão conhecida das “mulheres que amam demais”. Cega por este amor-paixão mata os filhos dele, mas que também são filhos dela. Seria esta uma referência à impossibilidade de se criar algo novo (filhos) em uma relação em que a economia pulsional pende mais ao lado do objeto do que do próprio ego? Penso que a compreensão mais profunda desta tragédia pode nos ajudar a compreender mais a fundo, e sem uma visão pejorativa, os cada vez mais comuns crimes amorosos passionais que envolvem tanto mulheres quanto homens.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-729 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia-209x300.jpg" alt="medeia" width="146" height="210" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia-209x300.jpg 209w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia.jpg 223w" sizes="auto, (max-width: 146px) 100vw, 146px" /></a>No caso de Clitemnestra, vemos uma mulher que faz a escolha pela filha e não só mata o marido, mas toma dele o trono, junto de seu amante. Seria este o outro lado da moeda de Medéia? Mulheres que amam demais, mulheres que amam de menos. Mulheres que, enlouquecidas, são tomadas por paixões violentas e às vezes mortíferas que lhe tomam tudo, sugam seus egos e às colocam num vazio sem fim. Lembro-me das inúmeras mulheres que pude atender em meu consultório e que traziam uma queixa muda, às vezes expressa no corpo e que precisava ser colocada para falar, mas que muitas vezes eram compreendidas pelo seu entorno como “frescura”, “histeria” e “falta do que fazer”.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual é esta incômoda falta de sentido da qual se queixam as mulheres e que muitas vezes é tão difícil de ser compreendida de uma forma positivada, sem clichês pejorativos? Penso que os mitos e tragédias podem nos ajudar a compreender esta dimensão profunda do feminino – para além da ausência do falo e da castração, que me parecem explicações pobres – e que comumente é rechaçada, inclusive pelas próprias mulheres, não encontrando lugar para serem gestadas e transformadas em algo pensável e criativo.</p>
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