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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Fri, 11 Nov 2022 12:31:06 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Crônica de um casal quase moderno</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Jun 2017 15:51:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[desmesura feminina]]></category>
		<category><![CDATA[erotismo]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[masculino]]></category>
		<category><![CDATA[modernidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexões sobre a relação entre a mulher e o homem moderno tendo como mote a cena cotidiana de um casal. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/cronica-de-um-casal-quase-moderno/">Crônica de um casal quase moderno</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/06/breve.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1805 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/06/breve-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>O casal unido há quase vinte anos, com uma convivência tão satisfatória quanto pode ser a convivência entre dois seres humanos, acaba de ter uma relação sexual.</p>
<p>Com o auxílio de um vibrador, a esposa chega ao orgasmo e com isso se sente animada para continuar aproveitando a penetração. Satisfaz-se de novo. Terminado o jogo erótico, levantam-se, banham-se e vão à cozinha. Há uma louça a ser lavada e como um bom casal quase moderno, que divide todas as contas da casa igualmente, a esposa, entre ingênua e curiosa, pergunta:</p>
<p>&#8211; Quem vai lavar a louça hoje? Eu ou você?</p>
<p>&#8211; Você. Eu te fiz gozar&#8230;</p>
<p><em>Silêncio magoado e constrangido.</em></p>
<p>&#8211; Eu também te fiz gozar. Então, você lava a louça hoje!</p>
<p><span id="more-1804"></span></p>
<p>O meu leitor, filho ou neto da modernidade, certamente irá se identificar ou um dia se identificará com esta pequena crônica do cotidiano de um casal. Pois, como um bom filho ou neto da modernidade, toma-se como um sujeito livre para gozar de que modo for. Além disso, sente-se já despido das romantizações e dos pudores passados em que a presença de um vibrador no meio do casal poderia ser interpretada como falência da potência masculina. Como um bom sujeito moderno ainda, ele aceita jogar o jogo da vida, sem tantas idealizações, com mais liberdade, inclusive, para transitar entre papeis de gênero há muito superados. Será?</p>
<p>Minha pergunta neste texto é: como os homens têm se sentido frente à maior liberdade sexual que as mulheres vêm conquistando desde a década de 60? Penso que esta pequena crônica do quotidiano de um casal qualquer nos ajuda a pensar sobre isso.</p>
<p>É inegável que a desmesura feminina frente ao próprio gozo sempre causou temor e insegurança nos homens. Como argumenta a psicanalista Maria Rita Kehl, como a mulher porta-se diante da castração como aquela que não tem mais nada a perder, sua posição de gozo diante da vida tende a ser mais livre e mais solta.</p>
<p>Não estou dizendo que isso seja uma regra entre as mulheres, mas sobretudo entre aquelas que já puderam transitar pelas dores e prazeres de sua posição, a liberdade de que não há mais nada a perder ou a provar é impagável. Esta mulher também já descobriu algo que suas avós não sabiam, ou que foram impedidas de pensar: que a responsabilidade pelo seu gozo e pelo seu cuidado é sua e não do homem. Logo, a esposa de nossa crônica poderia responder ao seu marido que quem a fez gozar, ou melhor, quem a autorizou a gozar na vida foi ela mesma e não ele. O que, aliás, requer muita coragem.</p>
<p>A cultura falocêntrica encontrou historicamente muitas maneiras de domesticar o gozo feminino: deixar as mulheres analfabetas, não dar a elas o direito de votar e de escolher o próprio destino, aprisioná-las a uma única e empobrecida forma de realização fálica que é a maternidade, tornar o seu adultério crime, condená-la pelo desejo de divórcio, fazê-la queimar na fogueira como bruxa perigosa e, na aurora do século XX, tomá-la como histérica, ou seja, louca e sem razão. Há maneira mais brutal de fazer calar a voz de alguém do que a tomá-la por louca?</p>
<p>É bem verdade que muitas mulheres, por falta de outros modelos identificatórios ou por um ressentimento irado, ocuparam bem este lugar e se perderam para sempre. Mas muitas outras, puderam encontrar maneiras lógicas e razoáveis de expressarem sua indignação por serem tratadas como mero objeto de decoração.</p>
<p>Freud, que foi um homem revolucionário, mas também um homem burguês de seu tempo, oscila entre perceber o difícil lugar ocupado pela mulher de seu tempo e naturalizar algo que seria uma dita “essência feminina”.</p>
<p>No texto “Sobre o narcisismo: uma introdução”, há passagens interessantes que revelam este conflito entre o psicanalista revolucionário e o homem burguês. Em determinado momento ele diz que as mulheres tendem a amar apenas a si mesmas, o que ele chama de amor narcísico, colocando-se na prática erótica como aquela que almeja ser amada, muito mais do que aquela que ama (generosamente) o seu homem. Por outro lado, em certa passagem ele diz:</p>
<p><em>“As mulheres, especialmente se forem belas ao crescerem desenvolvem certo autocontentamento que <u>as compensa pelas restrições sociais que lhes são impostas em sua escolha objetal</u>. ” (p. 95)</em></p>
<p>Ou seja, o psicanalista compreendia que o casamento impunha fortes restrições sociais à mulher, e que a beleza (para sorte das belas e azar das feias) poderia ser utilizada por esta como uma espécie de compensação, ou pelo menos como uma mínima possibilidade de escolha, frente às duras restrições do casamento.</p>
<p>Na prática isso poderia significar, por exemplo, uma mulher bela ter um número maior de pretendentes, o que significava ela poder escolher um homem que, ainda que não amasse, pelo menos que lhe fosse suportável. As feias não teriam esta possibilidade, já que as ofertas de casamento lhe seriam escassas. Além disso, as belas poderiam exercitar seu poder de atração com outros homens, fora do casamento, alimentando o seu amor próprio, algo que uma mulher destruída por cinco ou seis gestações seguidas, abandonada de si mesma e pelo marido, não teria mais chance de realizar.</p>
<p>Como homem burguês, ele continua dizendo que, ainda que a mulher insistisse em amar apenas a si mesma (sobretudo as belas), ainda havia uma chance de ela conhecer o “verdadeiro amor objetal”. Seria na experiência da maternidade quando a mulher teria que acolher o estranho que seria o filho, algo que a abriria para amar alguém além de si mesma. Mas, ainda assim, Freud reconsidera que a mãe ainda manteria vivo em si o anseio de se realizar por um ideal masculino, o que seria conquistado através do seu marido ou, sobretudo, do filho homem.</p>
<p>Do que Freud estava falando? Não me agrada uma leitura psicanalítica a-histórica que culpalizaria as mulheres por uma incurável “inveja do pênis”. Cabe, ao contrário, nos perguntarmos: porque razão uma mulher teria inveja do pênis? Resposta: porque ela sabe que o detentor do pênis pode realizar, na cultura, aquilo que ela nunca pôde por não ter este símbolo fálico. Esta seria a verdadeira razão da tão famigerada “inveja do pênis”.</p>
<p>Mas, voltemos à nossa crônica. O marido quase moderno, assim como o Freud homem de seu tempo, possivelmente se sentem inseguros diante da possibilidade de indagarem, afinal, o que deseja uma mulher, para além deles próprios? Ora, se nos deixarem falar a resposta que daremos será: &#8220;Sim, nós queremos vocês como maridos, namorados e amantes, mas não queremos só isso. Queremos também nos realizar profissionalmente, queremos gozar a vida e a liberdade como vocês, queremos aprender a ser responsáveis por nós mesmas, queremos poder negociar o nosso destino, de modo que o seu desejo e o meu possam ser contemplados. E queremos fazer tudo isso sem que vocês imediatamente se sintam inúteis em nossas vidas.&#8221;</p>
<p>No caso do nosso casal hipotético, na medida que a esposa não aceita entrar no jogo erótico de ser ele o portador do falo responsável por dar prazer e não se coloca, ela mesma, como escrava (objeto), que em troca de prazer e proteção, cuidará dele e da casa como forma de pagamento e adoração venerável, algo se desarticula e se tensiona na relação. Papeis que no imaginário deste casal, ou pelo menos deste homem, estavam solidamente instaurados e já designados pela cultura, sofrem um abalo e são questionados. O que acontece a partir daí é que o homem se sente ameaçado: se eu não sirvo para ser o seu provedor de prazer, o macho-alfa, para que eu sirvo então? No imaginário deste homem, os papeis masculinos e femininos estão designados já pela natureza: eu, com meu pênis, sirvo para dar prazer e em troca você cuida de mim e da louça. Eu sou o senhor e você a escrava (do ponto de vista do imaginário, bem entendido). Mas, a resposta da esposa, de que ela também, com seu corpo feminino-castrado,  o faz gozar, levam-no a uma crise identitária, que ele tenta resolver recorrendo a conhecidos papeis: eu dou prazer, você lava a louça.</p>
<p>A resposta da esposa o leva a uma outra crise, ainda mais dramática, porque toca no âmago da problemática da castração masculina e do horror frente ao feminino. Pois, para o imaginário deste homem, lavar a louça pode significar, para ele, feminilizar-se, ou seja, perder o seu pênis e se tornar &#8220;mulherzinha&#8221;, algo que é insuportável para o psiquismo de muitos homens.</p>
<p>Daí que a crise se instaura e nela estão tensionados o conhecido e o naturalizado a respeito do que é ser homem e do que é ser mulher, mas também aquilo que é aberto para a indagação e o questionamento bem-humorado (com alguma sorte e inteligência entre os parceiros). E assim se dá a dança da cultura: entre o velho e o novo, entre a continuidade e a disruptura, sempre um pouco dramática enquanto se a vivencia.</p>
<p>Penso que diálogos como este, que o analista colhe em sua clínica e em suas observações do mundo em que vive, representam a própria riqueza e efervescência dos sujeitos em mutação, no confronto com aquilo que lhe foi transmitido pela inércia da cultura, e com aquilo a partir do qual o seu desejo fala, e que tende sempre à transformação e ao novo. Na medida em que estes discursos circulam e se confrontam entre si, com alguma elegância e inteligência na vida à dois, os caminhos são interessantes. Interessante também é o endereçamento do sujeito acerca de sua angústia de castração à uma análise, em que se pode confrontar, o tão famigerado horror ao feminino.</p>
<p>Ou seja, as saídas criativas para esta arte erótica à dois  estão sempre à espera de serem descobertas e não há caminhos definidos <em>a priori</em>. Caberá às possibilidades inventivas de cada casal negociar cotidianamente com suas mínimas diferenças, de certo modo, irredutíveis.</p>
<p>O que eu penso que não se sustenta mais no jogo da cultura, nem para homens nem para mulheres, é a supremacia do maior ou menor valor humano, associado a um pedaço de carne que, se para a criança é signo de diferenciação entre grandes e pequenos, entre machos e fêmeas, para o adulto apequenam e empobrecem as possibilidades de encontro genuíno com o Outro que pode vir a ser fonte de muito prazer e enriquecimento nas trocas afetivas humanas, desde que esteja preservado o respeito à sua subjetividade de cada um.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Inscrições abertas para Grupo de estudo em psicanálise para 2023</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/grupo-de-estudo-em-psicanalise/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2016 13:00:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[Grupo de estudo em Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Ribeirão Preto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já estão abertas as inscrições para Grupos de Estudo em psicanálise com início em 2023 Por que estudar psicanálise em grupo? O estudo da psicanálise é árduo e envolve muita dedicação individual. Leituras sistematizadas feitas individualmente são imprescindíveis para aqueles que querem conhecer o método de tratamento e o conjunto teórico criado por Sigmund Freud &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/grupo-de-estudo-em-psicanalise/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Inscrições abertas para Grupo de estudo em psicanálise para 2023</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2012/01/download-8.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1105 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2012/01/download-8-150x150.jpg" alt="download (8)" width="150" height="150" /></a>Já estão abertas as inscrições para <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/brasil-alem-dos-tropicos-a-experiencia-de-psicanalisar-brasileiros-residentes-no-exterior/">Grupos de Estudo em psicanálise</a> com início em 2023</p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong>Por que estudar psicanálise em grupo?</strong></h2>
<p style="text-align: justify;">O estudo da psicanálise é árduo e envolve muita dedicação individual. Leituras sistematizadas feitas individualmente são imprescindíveis para aqueles que querem conhecer o método de tratamento e o conjunto teórico criado por Sigmund Freud no final do século XIX. Além disso, é altamente desejável que o interessado tenha tido ou esteja tendo alguma experiência como analisando.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-128"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, para se apreender a lógica da psicanálise também é necessária a troca em grupo. Nele, o contato e a troca com o igual / diferente favorece o fortalecimento da identidade de cada um dos participantes já que, no fim das contas, o que se espera de cada um que se dedica ao estudo da psicanálise é que ele possa  encontrar seu próprio modo de apreender e elaborar a teoria e a clínica.  E o grupo favorece isso.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Quais são os objetivos do grupo?</h2>
<p style="text-align: justify;">Apresentar e sistematizar junto aos participantes os conceitos fundamentais da teoria psicanalítica, a saber, o inconsciente, o recalcamento, a resistência e a transferência, a sexualidade e o Complexo de Édipo, respeitando-se a evolução histórica dos mesmos dentro da obra freudiana.</p>
<h2 style="text-align: justify;">A quem se destina?</h2>
<p style="text-align: justify;">Estudantes dos últimos anos de graduação em Psicologia, psicólogos e psiquiatras.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Como funciona?</h2>
<p style="text-align: justify;">O texto escolhido será lido previamente pelos integrantes do grupo que trarão suas questões e elaborações para serem debatidas presencialmente com os demais integrantes e com a coordenadora. Ao final de cada texto poderá ser proposto que cada um faça uma síntese daquilo que a leitura lhe evocou.</p>
<h2>Frequência, dia e horário dos encontros</h2>
<p>Há vários horários e dias. Dependem do grupo de estudo escolhido. Podem acontecer de forma presencial mas o método a distância é o que mais tem ocorrido, sobretudo após a pandemia de 2021.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Como participar?</h2>
<p style="text-align: justify;">Para participar, o interessado deve entrar em contato pelo telefone (16) 3024 1686 ou pelo e-mail contato@psicologiaribeiraopreto.com.br e agendar uma entrevista com a coordenadora.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Conteúdo programático</h2>
<ul>
<li>Esquema básico do funcionamento psíquico</li>
<li>O recalcamento e os três tipos de obtenção de descarga</li>
<li>As formações do inconsciente</li>
<li>Definição do inconsciente do ponto de vista descritivo, sistemático e dinâmico</li>
<li>O conceito psicanalítico de sexualidade</li>
<li>As fases da sexualidade infantil e o Complexo de Édipo</li>
<li>Necessidade, desejo, amor</li>
<li>Os três principais destinos da pulsão sexual: recalcamento, fantasia, sublimação</li>
<li>O conceito de narcisismo</li>
<li>Pulsão de vida e de morte</li>
<li>A segunda teoria do aparelho psíquico</li>
<li>O conceito psicanalítico de identificação</li>
</ul>
<h2>Mini-currículo da coordenadora</h2>
<ul>
<li>Doutora em psicanálise pela FFCLRP-USP</li>
<li>Mestre e psicóloga pela FFCLRP-USP</li>
<li>Docente e supervisora do Curso de Pós-Graduação em Psicoterapias de Abordagem psicanalítica do Centro Universitário Barão de Mauá</li>
<li>Docente convidada do Curso de Pós-Graduação em Teorias e Técnicas Psicanalíticas do Instituto de Estudos Psicanalíticos (IEP-RP)</li>
<li>Escritora</li>
</ul>
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			</item>
		<item>
		<title>Não se adoece mentalmente por estresse! Contribuições de Freud para o entendimento do padecer mental</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/nao-se-adoece-mentalmente-por-estresse-contribuicoes-de-freud-para-o-entendimento-do-padecer-mental/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Dec 2015 16:46:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pergunte ao psicanalista]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[estresse]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[hereditariedade]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
		<category><![CDATA[neuroses]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu objetivo neste texto é problematizar uma concepção recorrente: a de que causas banais e atuais da vida quotidiana provocam o que em psicanálise chamamos de neuroses e outras desordens mentais. Uma pessoa procura um analista e lhe diz na entrevista, quando indagada sobre o que ela pensa a respeito das motivações que a fizeram &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/nao-se-adoece-mentalmente-por-estresse-contribuicoes-de-freud-para-o-entendimento-do-padecer-mental/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Não se adoece mentalmente por estresse! Contribuições de Freud para o entendimento do padecer mental</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/nao-se-adoece-mentalmente-por-estresse-contribuicoes-de-freud-para-o-entendimento-do-padecer-mental/">Não se adoece mentalmente por estresse! Contribuições de Freud para o entendimento do padecer mental</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2012/01/download-9.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1111 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2012/01/download-9-150x150.jpg" alt="download (9)" width="150" height="150" /></a>Meu objetivo neste texto é problematizar uma concepção recorrente: a de que causas banais e atuais da vida quotidiana provocam o que em psicanálise chamamos de neuroses e outras desordens mentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma pessoa procura um analista e lhe diz na entrevista, quando indagada sobre o que ela pensa a respeito das motivações que a fizeram produzir determinados sintomas, que é por causa do estresse no trabalho ou por algum trauma vivido recentemente, ou ainda, por um dissabor no trabalho ou no casamento ou a perda de um ente querido.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O que o analista pensa disso?</h2>
<p>Ele pensa que esta pessoa está somente parcialmente do lado da verdade. Vejamos o porquê.</p>
<p><span id="more-1690"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em “A hereditariedade e a etiologia das neuroses” (Freud, data) ele é enfático ao dizer que há três classes de causas que produzem uma neurose: as <u>pré-condições </u>que é a carga hereditária de uma pessoa para desenvolver determinada neurose; as <u>causas concorrentes</u> que são as motivações atuais que levam à eclosão dos sintomas (estresse, dissabor emocional, trauma, etc.) e as <u>causas específicas</u>, que são as únicas que verdadeiramente importam ao psicanalista. Por causas especificas ele compreende a vida sexual infantil que continua a ser reeditada nas relações atuais deste indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece que é corrente o pensamento que apregoa que são os males da vida moderna que levam o homem a produzir sintomas. Não é incomum encontrarmos teorias psicológicas que advogam que são as condições sociais que levam o ser humano a adoecer psiquicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">A psicanálise não compartilha desta visão! Se assim fosse, como explicar o fato de duas pessoas submetidas à mesma experiência traumática (por exemplo, a morte do pai) em que uma desenvolve neurose e outra não. Como explicar isso sem recorrer à teorias psicologizantes?</p>
<p style="text-align: justify;">Para dar continuidade ao meu raciocínio, peguemos esta mesma pessoa que perdeu o pai. Suponhamos que depois disso ela desenvolveu sintomas obsessivos e fóbicos. Mais especificamente ela não consegue mais sair às ruas, pois teme que algo de mal lhe aconteça. Por exemplo, teme ser assaltada e morta em seguida. Esta cena – a do assalto seguido de morte – não lhe sai mais da mente como um pensamento intrusivo que aparece a qualquer momento do dia ou da noite.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, explicações psicologizantes que expliquem tais sintomas pela via do trauma pela perda ou pelo excesso de violência real na vida quotidiana não seriam suficientes nem tão pouco eficientes para ajudar o paciente a se desvencilhar do seu padecer. Também não seria eficiente a explicação de que esta pessoa tem uma tendência hereditária ao desenvolvimento de neurose.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Que hipótese levantará o analista frente a escuta de tais sintomas?</h2>
<p style="text-align: justify;">Seguindo à risca o que nos legou Freud, esta pessoa desenvolveu sintomas neuróticos porque a morte do pai fez reavivar nela conflitivas edípicas infantis que estavam latentes no seu inconsciente. O psicanalista sabe que a morte do pai faz reacender no inconsciente do indivíduo a chama do desejo parricida e incestuoso (matar o pai para finalmente possuir a mãe) que habita o inconsciente de todos nós. Se esta pessoa for homem provavelmente se sentirá culpada por ter concretizado, na realidade, o seu desejo inconsciente de matar o pai e ter sua mãe para si. Estamos, portanto, dentro do drama hamletiano de Shakespeare.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale lembrar que o inconsciente não discrimina desejo e realidade. Ou seja, para ele pouco importa que não fui eu quem matou meu pai, mas sim o câncer ou um acidente de carro.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, a culpa pelo desejo parricida realizado é sempre atuante no psiquismo e deriva dos imperativos supernegócios, o que explica por exemplo a necessidade de leis religiosas também imperativas como “honrarás pai e mãe e não desejará a mulher do próximo (do pai)”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no nosso exemplo hipotético, o pensamento obsessivo de ser assaltado e morto na rua pode ser explicado pelo viés da culpa e da necessidade de expiação pelo desejo parricida. Assim diz o inconsciente do pobre paciente: “Se você matou seu pai e agora finalmente pode deitar-se com sua mãe, nada mais justo que você seja punido por estes seus desejos abjetos pagando com sua própria vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrevendo agora sobre isso acabo de me lembrar que no filme Amadeus (1984) que retrata a vida e obra de Amadeus Mozart fica bastante claro que após a morte de seu pai, por quem nutria uma profunda admiração e rivalidade edipiana, Mozart encontrou dificuldade em manter sua produção criativa, envolvendo-se cada vez mais com bebidas e situações bizarras; situação que o levou prematuramente à doença e à morte.</p>
<p style="text-align: justify;">A figura aterrorizadora do pai castrador e assassinado é, inclusive, o mote da ópera Don Giovanni ou o Libertino Punido, criada logo após a sua perda.  Resumidamente a trama se centra nas peripécias amorosas do libertino Don Giovanni, um nobre que seduz donzelas prometendo-lhes casamento, ainda que no final às abandone. Don Giovanni se engraça com Donna Anna, cujo pai era o Comendador. Por fim, este é assassinado por Don Giovani em uma situação em que ele tentava proteger a filha das investidas amorosas do sedutor incorrigível. Ao final da peça, Don Giovanni é arrastado para o inferno pelas mãos do Comendador que volta do mundo dos mortos para exigir vingança.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota-se como a presença da temática da triangulação edipiana está presente na peça. Nela Mozart revela seus anseios parricidas com relação ao pai &#8211; Comendador e seu desejo sexual desmedido com relação à mãe &#8211; Donna Anna. Levando-se em conta que a peça foi escrita logo após a morte do pai de Mozart podemos hipotetizar que nela o compositor realiza sua necessidade de expiação para sua culpa inconsciente pela morte do pai e pelos desejos libertinos dirigidos à mulher. É a vingança do pai pela libertinagem do filho que Mozart realiza em sua obra magistral.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero ter conseguido demonstrar que para a psicanálise o evento traumático e atual – a morte do pai, por exemplo – não tem qualquer importância pelo fato em si. Sua importância para o psicanalista reside na significação fantasmática que ele evoca, ou melhor, no desejo inconsciente ao qual ele responde ou faz reavivar.</p>
<p style="text-align: justify;">Explicações psicologizantes, nesses casos, apesar de oferecerem algum conforto momentâneo ao ego do indivíduo não têm qualquer eficácia real. Diz-se, por exemplo, ao nosso sujeito hipotético: “Não fique assim. É natural você estar deprimido. Afinal seu pai morreu!” Mas o próprio sujeito sabe, e o psicanalista também, que este tipo de placebo para a alma tem vida curta e nenhuma eficácia real para o seu padecer. É como querer tratar um câncer com água com açúcar ou benzedeiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda seguindo Freud a única saída realista para o sujeito que sofre com seus sintomas é que alguém minimamente corajoso (espera-se que o psicanalista o seja) possa ajudá-lo a se confrontar com seus próprios desejos. Estes mesmos desejos sexuais que a humanidade reluta em aceitar em si mesma, por considerá-los abjetos e imundos, mas que são parte inerente da nossa natureza; estes mesmos desejos sexuais que, quando negados, podem tornar a vida humana degradante e miserável, mas que também são motor para as realizações humanas mais sublimes e nobres, como é o caso da arte.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde Freud há uma tentativa do discurso médico, disseminado na cultura, de sobrevalorizar os aspectos orgânicos e hereditários e de subestimar os aspectos subjetivos e psíquicos do adoecimento mental. A presença da psicanálise no meio cultural humano há pouco mais de um século tem modificado esta perspectiva, trazendo novo e ricos elementos para o homem interpretar e compreender o seu sofrimento não com base em fatores externos e, portanto, alheios ao seu poder de ingerência, mas voltando-se para si mesmo. Para a psicanálise a máxima socrática Conhece-te a ti mesmo nunca deixará de ser atual.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Referência bibliográfica</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>Freud, S. (1996). A hereditariedade e a etiologia das neuroses. In. Freud, S. <em>Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira. </em>Vol. III. Pp. 141 – 158. Rio de Janeiro: Imago. (Artigo original publicado em 1896.)</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/nao-se-adoece-mentalmente-por-estresse-contribuicoes-de-freud-para-o-entendimento-do-padecer-mental/">Não se adoece mentalmente por estresse! Contribuições de Freud para o entendimento do padecer mental</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>O paciente obsessivo e a psicanálise</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2015 12:21:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pergunte ao psicanalista]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[Homem dos Ratos]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[sintomas obsessivos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Na semana passada recebi o contato da Aline pedindo-me para comentar sobre como a psicanálise pode contribuir para compreender o paciente que apresenta sintomas obsessivos. Ela escreveu: Olá, Ana. Gostaria de saber um pouco mais em relação ao paciente diagnosticado com TOC. Como são estruturadas as sessões? Qual o olhar da psicanálise em relação a &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-paciente-obsessivo-e-a-psicanalise/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">O paciente obsessivo e a psicanálise</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/09/download.png"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1524 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/09/download-150x150.png" alt="download" width="150" height="150" /></a>Na semana passada recebi o contato da Aline pedindo-me para comentar sobre como a psicanálise pode contribuir para compreender o paciente que apresenta sintomas obsessivos. Ela escreveu:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Olá, Ana. Gostaria de saber um pouco mais em relação ao paciente diagnosticado com TOC. Como são estruturadas as sessões? Qual o olhar da psicanálise em relação a esse sujeito? E por último o que fazer quando esse sujeito demonstrar resistência principalmente à associação livre?</em></p>
<h2 style="text-align: justify;">Meus comentários:</h2>
<p><span id="more-1594"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Aline, em primeiro lugar é importante lembrar que, para a psicanálise, os sintomas são a manifestação econômica entre o conflito pulsional e a defesa. Nesse sentido, ainda que tragam sofrimento ao sujeito são importantes para manter sua economia psíquica. Por exemplo, o sujeito histérico produz o sintoma conversivo porque em algum momento ele teve que se a ver com um conflito: ou aceitava o desejo sexual como fazendo parte do seu ego ou recalcava-o, produzindo o sintoma. Com o obsessivo, a mesma coisa se passa, embora os mecanismos de defesa que ele utiliza são diferentes do histérico e do fóbico, por exemplo. Normalmente, o sujeito obsessivo está tendo que se a ver com uma grande carga pulsional agressiva e sexual (sua sexualidade é iminentemente agressiva) que ameaça irromper em seu ego fragilizado, que tem que se defender contra o risco de uma fragmentação psicótica. Para isso ele utiliza mecanismos de defesa mais primitivos, tais como, a formação reativa, a identificação projetiva e a negação.</p>
<p style="text-align: justify;">No texto &#8220;O homem dos ratos &#8211; notas sobre um caso de neurose obsessiva&#8221; publicado em 1909 Freud considerou explicitamente que a problemática do obsessivo está centrada na dialética entre medo e desejo, dialética que cria um curto-circuito entre a realização do desejo e a necessidade imediata de anulá-lo, por meio de rituais obsessivos. Por exemplo, um paciente obsessivo que passa horas de seu dia atuando rituais obsessivos de limpeza e ordem está, no seu inconsciente, tendo que lidar com desejos sexuais que ele considera sujos e imorais. Cabe ao analista ir ao encontro de conhecê-los e de nomeá-los ao paciente. Esta espécie de dicotomia pode ser explicada pelo paciente como se ele tivesse dois &#8220;eus&#8221;: um ordeiro e &#8220;bom&#8221;e outro que se sente possuído por desejos sexuais e agressivos intensos, normalmente de cunho perverso. Segundo Freud, este &#8220;eu&#8221; impulsivo e atormentado por desejos sexuais intensos corresponde exatamente ao que o paciente experimentava em sua sexualidade infantil ao qual o paciente permaneceu fixado. Ainda neste texto Freud é enfático ao dizer: o paciente obsessivo vivenciou na infância uma atividade sexual precoce e intensa. Esta atividade sexual masturbatória vem acompanhada de fantasias perversas exibicionistas e/ou voyeristas e sádicas.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista do desenvolvimento psicossexual, a psicanálise compreende que estes pacientes permaneceram fixados na etapa do desenvolvimento sádico-anal em que as condutas de controle das fezes / outro se faz presente e onde o sadismo estava no auge. Outro ponto importante é que estas pessoas não atingiram as vivências edípicas genitais em que a percepção traumática da diferença entre os sexos e a realidade edipiana com sua cena primária não pôde ser devidamente sustentada.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista estrutural, considera-se que a capacidade de representar psiquicamente a pulsionalidade nestas pessoas é bastante precária, por isso tende-se a pensar que o obsessivo está mais próximo do psicótico do que o fóbico e o histérico. Poderíamos dizer que o obsessivo usa as palavras como se fossem coisas. O “como se” na mente deles não existe. Uma pessoa saudável pode perfeitamente desejar que alguém que a irritou ou lhe fez mal morra porque ela pôde elaborar a contento a experiência de ser separada do outro e de que seu mundo interno e o mundo externo são coisas distintas. Nos sujeitos obsessivos esta aquisição não pôde se dar por algum motivo que precisa ser compreendido em análise. Daí que todos os seus pensamentos, atos e desejos tem o caráter de realidade externa. Agora vamos às questões da prática.</p>
<p style="text-align: justify;">Com relação à estruturação das sessões, as mesmas devem ser estruturadas da mesma forma que com qualquer outro paciente. Aliás, para este tipo de paciente com sintomas obsessivos, a estruturação do setting é ainda mais fundamental porque na medida em que o trabalho transcorre e, na medida em que as defesas obsessivas vão afrouxando, o risco da fragmentação psicótica é presente, fazendo com que o setting tenha a fundamental importância de oferecer um continente ao ego extremamente fragilizado do paciente.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão que se faz mais evidente é que o tratamento deste tipo de paciente é uma grande carga para o analista. Espera-se, portanto, que ele tenha conseguido elaborar em suas próprias análises suas vivências sádico-anais e tenha conseguido acessar em si mesmo suas partes psicóticas, algo fundamental para ele conseguir sustentar a transferência.</p>
<p style="text-align: justify;">Com relação a sua última questão, eu não compreenderia se tratar de resistência à associação livre o que eles apresentam em sessão. Na verdade, como estes pacientes graves estão muito próximos da psicose e, como eu disse, usam as palavras como coisas (e não como algo que representa a coisa em si), eles não conseguem associar livremente. Não é que estejam resistindo. É que eles não podem. Não sabem o que é utilizar as palavras para comunicar alguma coisa. A premissa básica da associação livre de ideias, segundo Freud, é que com o fluir livre de ideias, o psicanalista conseguiria chegar ao sentido latente do que está sendo comunicado, e este sentido latente seria a porta de entrada para o inconsciente.</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece que no caso da mente psicótica, não há sentido latente e sentido manifesto. Esta separação entre consciente e inconsciente, entre manifesto e latente, entre dentro e fora, entre interno e externo não existe. Esta diferenciação precisará ser criada no trabalho de análise. Por isso não há nada para ser descoberto ou desvelado em sua fala que tende a ser repetitiva, monótona e provocar tédio e sonolência ou irritação e rechaço no analista.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, se não há sentido latente para ser interpretado, com o que trabalhará o analista?</p>
<p style="text-align: justify;">Ele trabalhará utilizando sua própria contratransferência.</p>
<p style="text-align: justify;">Com este tipo de paciente, falas “como se” não tem qualquer tipo de eficácia porque eles estão em outro registro que não o neurótico. O analista terá que se oferecer e à sua mente para serem a mente do paciente, que nunca pôde aprender a representar seus conteúdos pulsionais. Com isso a capacidade de rêverie do analista é posta a prova e ele precisará buscar instrumentos em sua própria análise, em supervisões e em leituras que enfoquem o dinamismo das mentes mais primitivas. Outro elemento importante com este tipo de pacientes é a sobrevivência do analista. Parte do trabalho analítico é o de permanecer vivo e com uma mente funcionando, algo que irá sendo tomado com um modelo saudável de psiquismo para o paciente. Com estes pacientes é bastante frequente que eles se sintam surpresos com o fato de o analista ter conseguido sobreviver aos primeiros e difíceis anos de trabalho sem enlouquecer ou sem expulsá-lo das sessões.</p>
<p style="text-align: justify;">Se você quiser aprofundar sua leitura, sugiro duas referências para você. A primeira é a do caso “Homem dos Ratos” de Freud. E a segunda é um livro lançado em 2002 por um casal de analistas franceses chamados César e Sara Botella. Neste livro eles apontam caminhos para que o psicanalista possa trabalhar com estes pacientes graves para os quais o método psicanalítico clássico não alcança seus objetivos a contento porque seus psiquismos estão fundamentados para além ou aquém da representação de objeto.</p>
<h2>Referências:</h2>
<p style="text-align: justify;">César, Botella &amp; Sara, Botella. (2002). <em><strong>O irrepresentável: mais além da representação</strong>. </em>Porto Alegre: Criação Humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Freud, Sigmund. (1996). Notas sobre um caso de neurose obsessiva. In: Freud, Sigmund. <em><strong>Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud.</strong> (pp.137-277). Vol. X. Rio de Janeiro: Imago. (Trabalho original publicado em 1909). </em></p>
<p><strong>            </strong></p>
<p><strong> </strong></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Cinquenta tons de cinza: a perversão à luz da psicanálise.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2015 13:51:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[cinquenta tons de cinza]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[perversão]]></category>
		<category><![CDATA[sadomasoquismo]]></category>
		<category><![CDATA[sexualidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recebi nos últimos meses alguns pedidos de leitores para que eu comentasse o filme lançado no início do ano “Cinquenta tons de cinza”, baseado no livro de mesmo nome. Confesso que não costumo fazer posts por encomenda, já que a motivação para a minha escrita nasce do desejo, de algo que eu vejo, leio ou &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/cinquenta-tons-de-cinza-a-perversao-a-luz-da-psicanalise/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Cinquenta tons de cinza: a perversão à luz da psicanálise.</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/07/images.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1324 size-medium" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/07/images-300x156.jpg" alt="images" width="300" height="156" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/07/images-300x156.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/07/images.jpg 311w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Recebi nos últimos meses alguns pedidos de leitores para que eu comentasse o filme lançado no início do ano “Cinquenta tons de cinza”, baseado no livro de mesmo nome. Confesso que não costumo fazer posts por encomenda, já que a motivação para a minha escrita nasce do desejo, de algo que eu vejo, leio ou escuto e que me intriga gerando uma espécie de “comichão interno” que só passa quando eu me ponho diante da tela do computador e deixo o meu inconsciente trabalhar. E dentro de mim não havia nenhum desejo de ver o filme ou de ler o livro. Mas, pensando um pouco melhor a respeito, fiquei curiosa para saber o que, neste filme, havia atraído tantas pessoas. Por isso decidi assisti-lo e averiguar o que seria capaz de comentar sobre ele.</p>
<p><span id="more-1322"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei se o livro é do mesmo teor do filme, mas assisti-lo me provocou um grande mal-estar e meu intuito neste texto é pensar por que. Depois será meu intuito refletir sobre a qualidade das vivências contidas neste filme e o que elas possivelmente evocam no espectador (ou no leitor).</p>
<p style="text-align: justify;">A história é a seguinte: Anastasia era uma jovem de 21 anos que até o presente instante não havia tido qualquer tipo de experiência sexual. Era, como ela mesma se descrevia, uma jovem romântica à espera de um grande amor para descobrir os prazeres do sexo. Trabalhava em uma loja de ferragens e morava em uma espécie de república com uma amiga que, nós poderíamos pensar, era o seu alter-ego. Esta sua amiga era concretamente o outro eu de Anastasia, ou seja, um aspecto dela própria que ela desconhecia em si mesma e que começará a se manifestar no seu encontro com o jovem sádico Christian. Esta sua amiga era atraente e mantinha relações promíscuas com os rapazes. Em suma, ela realizava os desejos sexuais perversos que, é provável, Anastasia negasse em si mesma.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Então, podemos nos perguntar: o que é uma pessoa romântica?</h2>
<p style="text-align: justify;">Uma pessoa romântica, numa reflexão psicanalítica, é alguém que nega a existência das pulsões agressivas e sexuais, em si mesma e no outro. Uma pessoa romântica quase sempre está esperando o melhor do outro, ela não enxerga os perigos da vida porque, em seu universo ideal, ela nega que o outro possa ser fonte de perigo, por causa de sua violência e crueldade ou por causa de sua sexualidade perversa. Uma pessoa romântica também costuma negar sua própria violência e sexualidade perversa, por isso tem muita dificuldade para se proteger das invasões e folgas das pessoas e acaba, quase sempre, metendo-se em enrascadas sem perceber sua parcela de responsabilidade nisso.</p>
<p style="text-align: justify;">E é assim que o filme se inicia: Anastasia vai entrevistar Christian no lugar de sua amiga alter-ego. Fica bastante claro que a amiga folgada a usa nesta situação, diante da qual a romântica Anastasia mostra-se sem defesas. Em suma, ela se deixa ser usada pelo outro e é bastante provável que extraia algum tipo de prazer masoquista frente a estas situações. Anastasia, então, apresenta-se nesta entrevista ao sádico Christian (também seu alter-ego) com toda sua “docilidade” e “ingenuidade”. Pelo menos é assim que ela acredita ser; por isso uso as aspas.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que Christian pressente, cheira que aquela jovem é uma potencial vítima sua. Ele cheira que ela é uma masoquista. Ele pressente que Anastasia sente prazer em ser submissa e dominada. Já ele, Christian, é a sua cara-metade. Ele é alguém que tem sua sexualidade fixada no sadismo. Ele é alguém que só sente prazer e só sabe se “relacionar” com o outro por meio da dominação e da violência. Deste encontro, fecha-se o vínculo: o sádico encontra a masoquista e eles começam a se “relacionar”. Christian dá vários indícios à Anastasia de que ela corre perigo. Ela, romântica, ingênua e negando o perigo bem como seus próprios desejos masoquistas, diz que ele pode se transformar pelo amor. Dá a entender que, no fundo, ele nunca pôde ser diferente porque nunca amou de verdade alguém. Movida por este engodo, sobre si mesma e sobre a sexualidade doentia de Christian, ela não o escuta. Ele apresenta a ela as regras contratuais, caso venham a se relacionar: ela não pode beber, ele não pode perdê-la de vista, ela tem que colocar o limite sobre o que ele pode ou não fazer com ela (introduzir objetos no ânus, dedo na vagina, amarrar, queimar, furar, etc.), eles não terão encontros “normais”, como se fossem namorados e, o mais importante, nunca vão dormir juntos (isso seria muito íntimo para ele).</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, Christian diz a ela que só consegue ficar ao seu lado se ela se apresentar a ele como um objeto e não como uma pessoa. Ela deve se submeter a ele. Depois de muito vai-e-vem, ela aceita. Há um diálogo interessante entre eles quando ela, já tentando se desvencilhar do controle sufocante de seu “amado”, vai até a casa de sua mãe (também uma romântica) e ele a segue até lá. Ele diz assim: “Você vai gostar do que vai acontecer com você. Deixar-se ser dominada é um modo de não assumir responsabilidades, não fazer escolhas. É só se deixar levar”. Ela, mais uma vez, aceita.</p>
<p style="text-align: justify;">A coisa vai seguindo até que Anastasia começa a perceber a gravidade da situação. Christian mostra-se frio, distante, não pode ser um namorado para ela, levá-la para jantar, não pode deixar que ela o toque. Em suma, não está psiquicamente disponível para ela. Então, a jovem diz: “Tudo bem, me mostre o que de pior você pode fazer comigo”. Em resumo, ela diz: “Ok, vamos parar com este jogo de faz-de-conta. Seja quem você é de verdade”. Ele mostra: leva-a a sala de tortura e bate violentamente nela.</p>
<p style="text-align: justify;">Anastasia-cinderela acorda de seu conto de fadas. Contando com seus recursos internos (seu aspecto que não cedeu ao prazer masoquista que ela sentia em ser dominada), Anastasia se dá conta de que não havia uma relação entre ela e Christian e que nunca poderia haver. Christian era uma pessoa doente, muito doente. Alguém que nunca pôde (e talvez nunca pudesse vir a) apreender o que era uma mulher. O único modo de “relação” que podia estabelecer era o da superioridade-inferioridade, do dominador-dominado, do mais (homem) e do menos (mulher). Christian era um perverso. A sexualidade de Anastasia também era animada por elementos perversos (masoquistas), como é animada a de todos nós, mas ela tinha mais recursos internos para não sucumbir à doença. Por isso partiu.</p>
<p style="text-align: justify;">Façamos agora um<a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/01/imagem-curso-psicanalise.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1300 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/01/imagem-curso-psicanalise-150x150.jpg" alt="imagem-curso-psicanalise" width="150" height="150" /></a>a pausa para alguns alinhavos com a teoria psicanalítica das perversões.</p>
<p style="text-align: justify;">A primeira vez que Freud sistematizou seu pensamento acerca das perversões foi no seu célebre artigo “Três ensaios sobre a sexualidade”, publicado pela primeira vez em 1905. Curiosamente este texto, junto de “Interpretação dos sonhos” (1900) foi o que Freud mais modificou ao longo de sua obra. Em parte isso se deveu ao fato de que a teoria sexual elaborada por ele – cerne da psicanálise – foi fruto de muitas reelaborações posteriores por parte do autor.</p>
<h2 style="text-align: justify;"> Mas, o que ele diz neste texto sobre as perversões e mais especificamente sobre o sadismo / masoquismo?</h2>
<p style="text-align: justify;">Freud descobriu em suas investigações clínicas que a sexualidade infantil é orientada pelo que ele chamou de sexualidade perverso-polimorfa. O que seria isso?</p>
<p style="text-align: justify;">Sexualidade perverso-polimorfa é toda forma de manifestação da sexualidade que não se relaciona aos órgãos genitais (pênis e vagina).</p>
<p style="text-align: justify;">Então, Freud descobriu que a criança sente prazer sexual de várias formas: ela sente prazer em sugar o seio da mãe, ela sente prazer em ser tocada em sua pele, em evacuar com violência, depois de reter as fezes, fazendo-as passar com volúpia pelo ânus, em ver os órgãos genitais alheios e em exibir os seus próprios.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela também sente prazer em provocar dor no outro. Esta forma de obtenção de prazer Freud chamou de sádica. Sua explicação para isso resume-se a uma espécie de fusão ou confluência entre a pulsão sexual (libido) e a agressiva. O auge da manifestação desta forma de prazer sexual se dá por volta dos dois anos, quando a criança, no auge do seu sadismo, sente prazer em controlar o outro (normalmente a mãe) com suas vontades e desejos. A mãe diz: “Vai tomar banho.” A criança responde triunfante: “Não”. Nesta fase a criança também sente prazer em maltratar animais e outras crianças. E também sente prazer em se provocar dor. A esta reversão do sadismo para o próprio ego Freud chamou masoquismo. Importante aqui é considerar que estas formas perversas da sexualidade sempre comparecem aos pares, como é bem descrito no filme. Então, temos o par sadismo-masoquismo e o par exibicionismo-voyeurismo. Dito em termos mais simplistas, onde há a pulsão sádica, há seu reverso, o masoquismo. Onde há o desejo de se ver o genital alheio, há o desejo de exibir o seu próprio.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda algo importante a ser dito. Para Freud, a expressão da sexualidade perversa, no caso, a sádica, não pode ser considerada doença enquanto se manifesta de forma plural (ou seja, de várias maneiras) na infância e nem de forma compulsiva / exclusiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Para ele, a perversão passa a ser considerada uma doença quando ela se manifesta na vida adulta: 1) de forma exclusiva e compulsiva, ou seja, a pessoa só sente prazer submetendo o outro ou sentindo dor, por exemplo; 2) quando esta forma de prazer substitui o prazer genital. Por isso dizemos que Anastasia era menos doente que Christian.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, na medida em que pulsão sádica se expressa, digamos, como uma forma preliminar de obtenção de prazer que culminará no encontro sexual-genital com o outro, isso não pode ser considerado doença. No senso-comum vemos a manifestação desta pulsão sádica, de forma não exclusiva, por exemplo, no dito popular: “Um tapinha não dói”, dito este que frequentemente vemos evocar músicas que fazem as pessoas dançarem mobilizadas por este tipo de fantasia sádica.</p>
<p style="text-align: justify;">Outra coisa problemática do estabelecimento da sexualidade perversa de forma compulsiva e exclusiva (na psicanálise, dizemos que houve uma fixação) é que, por ela se dar no período do sadismo anal, a pessoa não pôde atingir em seu desenvolvimento aquilo que chamamos de uma relação de objeto total. Para a pessoa fixada na sexualidade perversa o outro não é uma pessoa, diferente dela. O outro é visto como um objeto (parte de si mesmo). Como nesta etapa a criança ainda não compreende a diferença entre os sexos, pessoas fixadas neste período acabarão por ver a mulher como um ser inferior (sem pênis) e o homem como um ser superior (com pênis). A única diferenciação possível aqui é entre o ativo e o passivo, o superior e o inferior. O respeito à alteridade não está presente neste tipo de vivência. Esta questão é bastante evidente no filme: Christian nutria desprezo pela figura feminina. Em seu inconsciente a figura feminina estava associada a um menos. Só servia para ser submissa e mandada. Foi isso que Anastasia não suportou e é por isso que o filme evoca mal-estar.</p>
<p style="text-align: justify;">O mal-estar advém do fato de que o que vemos se desenrolar na tela não é uma história de amor (um homem e uma mulher, com funções diferentes e complementares). O que vemos é algo doentio, sufocante. É como se fossemos adentrando uma espécie de bolha no qual os dois personagens matam e deixam-se matar. Digo isso porque o sofrimento do perverso é evidente: ele está condenado a não poder se relacionar de verdade, exceto se o outro se adequar exatamente às suas premissas, o que é impossível numa relação humana. Ficamos felizes no final por Anastasia conseguir partir. Só ficamos curiosos para saber o que ela fará a partir de agora com aquilo que descobriu sobre si mesma: sua atração pelo universo mórbido das perversões, seu irrefreável desejo de ser submissa e dominada pelo homem.</p>
<p style="text-align: justify;">A relação retratada no filme entre Anastasia e Christian está longe de ser uma criação distanciada do que acontece na realidade. Ao contrário. São inúmeros os casais que se destroem por causa de suas pulsões sadomasoquistas. Não é incomum que a mulher, nutrida pelo ingênuo desejo de transformar o homem (“ele vai me amar”, “eu vou transformá-lo”), como Anastasia, permaneça na relação destruindo a si mesma com uma ferocidade terrível. O homem, por seu turno, vence quando derrubar a parceira, quando transformá-la em menos que nada. Muitos crimes passionais eu penso que estejam animados por estes desejos sexuais ferozes. É o aspecto doentio da sexualidade humana que se apresenta com toda sua complexidade e sofrimento repetitivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Resta ainda cumprir minha segunda meta: Por que as pessoas se sentem tão atraídas por filmes (livros) com este tipo de temática?</p>
<p style="text-align: justify;">A resposta mais óbvia, mas também a menos simpática é: por que o filme retrata desejos sexuais que habitam o inconsciente de todos nós. Todos nós carregamos moções de sexualidade perversa, sádico-masoquistas, voyeristas-exibicionistas. Se assim não fosse porque dançar freneticamente ao som da música: “Dói, um tapinha não dói”? E este não é o problema, pois como alertava Freud: “O normal sonha à noite com aquilo que o perverso realiza”. O problema é estarmos desavisados sobre estes desejos inconscientes, que só podem ser conhecidos na análise. Era o caso de Anastasia. Em uma análise, ela certamente iria descobrir-se uma pessoa muito diferente daquilo que ela imaginava ser. Por trás de sua ingenuidade romântica o que haveria? Que desejos encontraríamos aí?</p>
<p style="text-align: justify;">Acho, então, que as pessoas se sentem atraídas e seduzidas por algo que retrata aquilo que elas sentem, mas que não conseguem nomear. Não conseguem sequer localizar que o que o filme exibe não faz parte de um universo de relações saudáveis entre um homem e uma mulher. Não conseguem localizar que o que é retratado é o indigesto e sombrio universo das relações perversas. De alguma forma, as pessoas se vêem retratadas na Anastasia e no Christian, sem poderem discriminar muito bem o que é saudável do que não é.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha conclusão sobre o filme é: este não é um filme pornô-soft como ouvi dizer na mídia. Este é um filme sobre como a sexualidade humana pode adotar características bizarras, doentias e empobrecedoras. Este é um filme sobre como a relação homem-mulher pode adquirir características bizarras quando os dois parceiros estão inconscientemente envolvidos num conluio sadomasoquista.</p>
<p style="text-align: justify;">Como dizia Freud em “Três ensaios” (1905), a sexualidade perversa humana é a que mais resiste ao trabalho civilizatório e a “normalidade” no que tange à sexualidade humana está longe de ser um fato incontestável. Trocando em miúdos, na intimidade de um casal, desejos perversos do tipo sadomasoquistas podem ligar as pessoas muito mais do que elas imaginam. Ou você nunca reparou quanto casais extraem um prazer incrivelmente mórbido de suas brigas violentas?</p>
<p style="text-align: justify;">Se você quiser conhecer outro filme que trata do mesmo tema com uma carga de dramaticidade interessante e onde são retratadas várias perversões, inclusive o fetiche, pode assistir “Veludo azul” de David Lynch.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/cinquenta-tons-de-cinza-a-perversao-a-luz-da-psicanalise/">Cinquenta tons de cinza: a perversão à luz da psicanálise.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Homem: sal da terra.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 20 May 2015 15:17:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes comentados]]></category>
		<category><![CDATA[documentário]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[posição depressiva]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Sal da Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Sebastião Salgado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>As reflexões que farei a seguir se baseiam no documentário “Sal da Terra” (2015), produzido pelo cineasta Wim Wenders e por Juliano Ribeiro Salgado em comemoração aos quarenta anos de carreira do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. Minha proposta é estabelecer um paralelo entre a experiência emocional vivida por Salgado, e que nós vamos conhecendo por &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/homem-sal-da-terra/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Homem: sal da terra.</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/homem-sal-da-terra/">Homem: sal da terra.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/download1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1315 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/download1.jpg" alt="download" width="275" height="183" /></a>As reflexões que farei a seguir se baseiam no documentário “Sal da Terra” (2015), produzido pelo cineasta Wim Wenders e por Juliano Ribeiro Salgado em comemoração aos quarenta anos de carreira do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado.</p>
<p style="text-align: justify;">Minha proposta é estabelecer um paralelo entre a experiência emocional vivida por Salgado, e que nós vamos conhecendo por meio do que ele escolhe fotografar, e o que acontece em um processo de análise. Em ambos os casos, penso que o que está em jogo não é a capacidade de ver, o que fazemos com o órgão do sentido (olho), mas a condição interna de se enxergar ou não aquilo que vemos.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1314"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Enxergar o outro (nosso semelhante-diferente), para a psicanálise, é um processo muito mais complexo e sofisticado do ponto de vista psíquico. Implica em termos, de fato, uma experiência emocional com o outro e para isso é necessário que tenhamos condição interna de conter as emoções provocadas pelo contato. Enxergar requer capacidade de tolerância e de continência com a miríade de emoções que o encontro humano provoca. Requer ainda que tenhamos adquirido, em nosso desenvolvimento emocional, condição de apreender que o outro não é uma extensão de nós mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltando a Sebastião Salgado, podemos tentar nos indagar: o que é que ele buscava apreender ou enxergar com suas fotos?</p>
<p style="text-align: justify;">No início do documentário, o narrador diz: “<em>O fotógrafo é aquele que desenha com sua luz. Ele escreve e reescreve o mundo com luzes e sombras</em>”. Diante disso, podemos considerar que Sebastião buscava por meio de suas lentes melhor compreender o seu mundo externo (e também o seu mundo interno) com suas luzes e sombras. Ao fotografar pessoas Sebastião estava em busca de apreender a sua condição humana por meio da captura da imagem de seu igual / diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste belo processo de captura da imagem viva da pessoa humana, criatura e criador se transformam pelo olhar de mútuo interesse, algo parecido com o que ocorre com o olhar amoroso e interessado da mãe pelo seu bebê. Em ambas as duplas, o olhar ou a lente transformadora é aquela que demonstra interesse real pela pessoa humana que está ali, sendo cuidada (no caso do bebê) ou sendo fotografada (no caso de Sebastião Salgado).</p>
<p style="text-align: justify;">Salgado explica esta relação de troca entre ele e a pessoa fotografada de um modo muito bonito. Ele diz que para que uma foto aconteça, não basta o fotógrafo querer. A pessoa fotografada tem que entregar algo de si. O que ele quer dizer é que deve haver uma troca, um ato de generosidade mútua para que um encontro frutífero aconteça.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso não é semelhante ao que se passa (ou pelo menos deveria se passar) em uma sala de análise? Para que o processo aconteça (para que a foto tenha um potencial transformador) ambos devem entregar seus corações, um ao outro. Neste processo ambos se modificam. Ambos aprendem algo sobre suas condições humanas. Obviamente na sala de análise isso se passa de uma forma assimétrica, o que significa que se espera que o analista tenha avançado mais na compreensão de sua condição humana do que o analisando. Significa também que o analista estará ali na função de mostrar ao analisando aquilo que ele ainda não consegue enxergar de si mesmo. Mas, para que isso ocorra, pressupõe-se que alguém também tenha feito isso pelo analista. Esta cadeia transformadora na qual eu ofereço ao meu analisando o auxílio que me foi oferecido por alguém, julgo ser uma das coisas mais bonitas do método inventado por Freud.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/images-1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1317 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/images-1-150x150.jpg" alt="images (1)" width="150" height="150" /></a>Mas, agora passemos à segunda questão que eu gostaria de comentar, que é o que Sebastião escolhia mirar com suas lentes. Ao todo, o fotógrafo realizou seis trabalhos, desde que iniciou em 1997. Em cinco deles Sebastião parecia ser motivado por um desejo de denunciar a que ponto de degradação e miséria nós humanos podemos chegar como espécie. Nestes trabalhos, que ele chamava de jornalísticos, denunciou de forma contundente cenas impactantes de miséria extrema, de mortes violentas provocadas por guerras, a migração forçada de populações inteiras por conflitos armados e a degradação humana provocada pelo excesso de ganância.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, ao final de seu último trabalho intitulado “O fim da Pólio” (2001) em que ele chama a atenção do mundo para a importância das campanhas de vacinação contra a pólio na Somália, no Sudão, na República Democrática do Congo e no Paquistão, ele diz: “<em>Estou doente. Não é uma doença física que me acometeu. É minha alma que adoeceu. Não vejo mais sentido naquilo que eu faço</em>”.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de cair neste terrível estado melancólico, Sebastião ficou onze anos sem produzir nada em termos fotográficos. Recolheu-se na propriedade dos pais, em Minas Gerais, num intenso trabalho de reflorestamento da mata nativa que havia sido devastada para a criação de gado.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, nos perguntamos: de que é que Sebastião adoeceu?</p>
<p style="text-align: justify;">Ele adoeceu porque submeteu seu aparelho psíquico a um excesso de cenas desumanizadoras, terrificantes e de uma violência indizível, situações que o fizeram perder a esperança. Por isso ele dizia que o seu trabalho não tinha mais sentido. Podemos tentar hipotetizar que Sebastião talvez fosse motivado inconscientemente por um desejo utópico de mudar a miserável conduta humana por meio de suas fotos. Fracassado em seu intento, adoeceu. Também é possível que tenha se contaminado por um excesso de situações emocionais indigestas, que não conseguiu metabolizar a tempo. Nós sabemos o quanto situações degradantes e desumanizadoras, geradas pelo excesso de inveja, de voracidade e de destrutividade, são danosas ao psiquismo humano. Deriva daí a ideia de que tanto o artista quanto o psicanalista, pelo contato intenso e íntimo que estabelecem com o mais belo e o mais degradante do humano, exercem ofícios muito exigentes em termos mentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Para citar um exemplo do que quero dizer, lembro o fotógrafo sul-africano Kevin Carter (1960-94) que se suicidou semanas depois de ganhar notoriedade com a imagem de uma criança famélica do Sudão, prestes a morrer, sendo rondada por um abutre.  Obviamente não podemos precisar os fatores internos que o levaram ao suicídio, mas não posso deixar de pensar no quanto o contato com este excesso de Real talvez tenha sido insuportável para ele (e talvez o fosse para qualquer um de nós).</p>
<p style="text-align: justify;">Chamo excesso de Real aquilo que os olhos humanos não podem ver. Nós não temos aparelho mental suficientemente desenvolvido para vermos a cena de uma criança faminta ser devorada, ainda viva, por um abutre também faminto. A morte, ainda mais nestas condições desumanas, não é algo com que possamos travar contato sem mediações simbólicas e imaginárias. Por mediações simbólicas me refiro, por exemplo, a todos os rituais fúnebres que mediam o nosso contato com o Real da morte, do corpo sendo comido pelos vermes ou pelo abutre, da carne fétida apodrecendo, etc. Decididamente não acho que tenha sido coincidência que Carter se suicidou depois de avistar esta cena.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas voltando, então, a Sebastião, do ponto de vista da psicanálise, ele adoece sua alma por ter travado contato com o Real. Mas, diferentemente de Carter – e nisso está a beleza de seu processo de revitalização interna – Sebastião retorna onze anos depois fazendo, em seu último trabalho, uma belíssima homenagem à vida. Batizou este trabalho de “Da minha terra a Terra”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que de diferente aconteceu entre ele e Carter? Por que Sebastião conseguiu voltar a criar enquanto Carter não viu outra saída exceto colocar um fim ao drama que é o viver humano?</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que Sebastião, depois de simbolicamente conseguir revitalizar sua mata nativa interna que havia sido destruída pela sua própria ambição de salvar o mundo por meio de suas imagens, realizou aquilo que em psicanálise chamou-se de posição depressiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta posição, o sujeito toma consciência de seu real tamanho e capacidade no mundo, assim como redimensiona suas expectativas idealizadas com relação aos outros. No caso de Sebastião, talvez ele tenha conseguido perdoar a humanidade por ser tão miserável e por causa disso passou a não precisar mais denunciar as atrocidades que nós cometemos como espécie. Seu estado de espírito transformou-se e ele passou a reverenciar o milagre da vida, com as contradições e misérias que lhe são inerentes. Ao ver a transformações de suas fotos, diria que seu olhar foi ficando mais amoroso e capaz de sustentar não só a dor gerada pela percepção do nosso potencial destrutivo, mas também a presença da beleza e da bondade. Pois, em última instância, vida é contato com contradição permanente.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/images.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1316 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/images-150x150.jpg" alt="images" width="150" height="150" /></a>Assim, vemos neste belíssimo trabalho, Sebastião reverenciar o tempo – agora não mais um tempo absoluto em que tudo tem que ser resolvido de uma vez, mas um tempo em que a espera e a tolerância às limitações de si e do outro são respeitadas. É talvez a presença de um Sebastião mais sábio e mais tolerante com as misérias humanas. É talvez um Sebastião mais consciente de que a maldade humana continuará a existir, porque ela é inerente a nós, mas que também tem olhos para a bondade e para a beleza. Não quero dizer com isso que não tenhamos a preciosa função de denunciar o Mal. O que estou frisando é que, se há coisas para as quais não há perdão, também é importante que reconheçamos que o nosso poder de transformação é limitado.</p>
<p style="text-align: justify;">Não posso deixar de pensar na semelhança entre o percurso vivido por Sebastião – e que acompanhamos por meio de seus trabalhos – e o percurso que se vive em uma análise. Depois de um percurso analítico, esperamos que o sujeito se torne mais tolerante consigo mesmo e com o seu semelhante-diferente, que ele lute para alterar o que pode mudar, mas que aceite aquilo que não é da sua alçada transformar, que ele saiba conversar melhor com sua parte exigente e infantil que deseja mudar as pessoas e o mundo e que possa aceitar aquilo que Guimarães disse com tanta propriedade: “que a colheita é comum, mas o capinar é sozinho”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não acho que tenha sido à toa que Sebastião só pôde viver este processo depressivo depois de encontrar a sua própria terra, as suas próprias origens. Não penso que nenhum tipo de transformação externa possa ser feita sem que antes passemos por uma profunda e dolorosa transformação interna e que isso passa necessariamente pelo encontro com aquilo que nós somos.</p>
<p style="text-align: justify;">E, para terminar, não posso deixar de me lembrar da belíssima entrevista que Freud concedeu ao jornalista americano George Sylvester Viereck  já no final de sua vida. Questionado sobre desejava a imortalidade, Freud respondeu: <em>“</em><em>Eu não me rebelo contra a ordem universal. Afinal, já vivi mais de setenta anos. Tive o bastante para comer. Apreciei muitas coisas – a companhia de minha mulher, meus filhos, o pôr do sol. Observei as plantas crescerem na primavera. De vez em quando tive uma mão amiga para apertar. Vez ou outra encontrei um ser humano que quase me compreendeu. Que mais posso querer?”. </em></p>
<p style="text-align: justify;">Para ler a entrevista na íntegra, clique <a href="http://www.psiconet.org/freud/bibliografia/entrevista.htm">aqui</a>.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/homem-sal-da-terra/">Homem: sal da terra.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>A morte é um borrão na natureza.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Dec 2014 19:05:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalhadores do Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Hugo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em “Os trabalhadores do mar”, de Vitor Hugo, diz o narrador sobre o desespero de Gilliatt, diante do risco de sua própria morte:             O homem diante da noite reconhece-se incompleto. O céu negro é o homem cego. Com a noite o homem abate-se, ajoelha-se, arrasta-se para um buraco ou procura asas. Quase sempre quer &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/morte-e-um-borrao-na-natureza/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A morte é um borrão na natureza.</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/download.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1278 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/download.jpg" alt="download" width="300" height="168" /></a>Em “Os trabalhadores do mar”, de Vitor Hugo, diz o narrador sobre o desespero de Gilliatt, diante do risco de sua própria morte:</p>
<p style="text-align: justify;">            <em>O homem diante da noite reconhece-se incompleto. O céu negro é o homem cego. Com a noite o homem abate-se, ajoelha-se, arrasta-se para um buraco ou procura asas. Quase sempre quer fugir a essa presença informe do desconhecido. Pergunta: O que é; treme, curva-se, ignora; às vezes, quer ir lá. Todo o número é zero diante do infinito. Dessa contemplação solta-se um fenômeno sublime: o crescimento da alma pelo assombro. Mas, este prodígio universal não se realiza sem atritos e os atritos é o que chamamos de Mal. O Mal desconcerta a vida, que é uma lógica. Faz devorar a mosca pelo pássaro e o planeta pelo cometa. O Mal é um borrão na natureza.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1277"></span></p>
<p style="text-align: justify;">De que nos fala Vitor Hugo nesta bela passagem?</p>
<p style="text-align: justify;">O que quer dizer ele com: O Mal é aquilo que atrita este prodígio universal chamado vida? Ou ainda, o Mal desconcerta a vida, que é uma lógica. O Mal é um borrão na natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Para refletir sobre esta questão, partirei de algo que estou vivendo neste momento. Tenho acompanhado de perto uma pessoa da família com diagnóstico de câncer.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso que é deste Mal que nos fala Vitor Hugo. Ele não fala do mal que o homem causa, consciente ou inconscientemente, a si mesmo por causa de sua própria miopia. Vitor Hugo, na voz de Gilliatt fala do Mal que vem bagunçar a lógica e a estética da vida, sobre o qual nós não temos nenhum controle: a doença, a nossa impotência diante da força da natureza (por exemplo, nas grandes catástrofes naturais), a fome, a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Para começar, o homem anseia deste sempre a perfeição e a imortalidade. Freud chegou a dizer que para o inconsciente o tempo não existe. Por isso olhamos com tanto estranhamento e até um pouco de desdém a desgraça dos outros, o envelhecimento dos outros, a morte dos outros. Lá no fundo de nossas almas nós pensamos: isso nunca vai acontecer comigo! Eu nunca vou ficar doente! Eu nunca vou envelhecer. Certo dia uma pessoa já velha me disse com pesar que sentia que seus filhos a desprezavam, algo que ela relacionava com o fato dela própria estar velha e próxima da morte. Acho que ela está certa em sua percepção. Nós seres humanos não gostamos da velhice e da doença porque ela nos sinaliza a proximidade da nossa própria morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, Vitor Hugo não nos ensina somente que o Mal – estas coisas que nos acontecem sobre as quais não temos o menor controle – atrita a lógica da vida. Ele nos ensina mais. Fala que diante do Mal o homem tem pelo menos duas saídas: ou ele se ajoelha e se arrasta para o buraco, acovardando-se em sua luta, ou ele cria asas. Se ele pode criar asas e ficar frente a frente com o desconhecido, algo sublime acontece: sua alma cresce pelo assombro.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltemos agora a esta pessoa diagnosticada com câncer. O que ela pode fazer diante deste Mal, deste borrão da natureza, deste atrito que vem retirar dela a ilusão narcísica de que com ela isso nunca aconteceria, de que ela tinha um tempo infinito para realizar-se como ser humano?</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhando Vitor Hugo, ela pode ajoelhar-se e meter-se em um buraco negro e sombrio. Estamos aqui no campo dos sentimentos depressivos e melancólicos, que tem como raiz a revolta, filha do ódio. Em termos poéticos, neste caso a dor se transformou em ódio, como nos ensinou Guimarães Rosa na voz de Riobaldo. O desconhecido é evitado e nada de sublime acontecerá. Sua alma não crescerá e não poderá aprender nada sobre a vida pelo assombro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, há outra saída. Diante do Mal-borrão-da-natureza, sua mente pode criar asas. Esta pessoa pode, em um casamento profundo com as forças de vida, dançar de perto com o abismo, repensar sua própria vida, fazer um balanço, reencontrar novos sentidos, transformar-se profundamente. É verdade que para isso é preciso ter muita coragem. É verdade que para isso é preciso já se ter alguma familiaridade com esta lógica ilógica que é a vida-morte. Caso contrário, o choque é muito grande e talvez ela não possa sobreviver a ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Se ela pode criar asas e perceber que, na natureza, a mosca é devorada pelo pássaro (não há violência nem intencionalidade nisso) e que o nosso planeta pode, a qualquer momento, ser destruído por um cometa qualquer, ou seja, que somos poeira cósmica diante do infinito, sua mente se torna também infinita e aberta para pensar pensamentos nunca antes sonháveis. Eis aqui o milagre!</p>
<p style="text-align: justify;">Penso, portanto, que Vitor Hugo nos alerta para algo crucial na vida: o corpo que envelhece, adoece só é sentido como prisão quando o que se está aprisionada é a mente. Uma mente dotada de asas não se abate diante do perecimento do corpo. Ela se solta, deixa ir quando for a hora. Ela aceita que tudo que é vivo, perece; que nós estamos morrendo sempre um pouco por dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Para isso é preciso ter alma antiga, algo que não depende da idade cronológica, mas do quanto já se pôde crescer pelo espanto!</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma música linda feita por Raul Seixas que diz assim:<em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Eu sei que determinada rua que eu passei</em><br />
<em>Não tornará a ouvir o som dos meus passos</em><br />
<em>Tem uma revista que eu guardo há muitos anos</em><br />
<em>E que nunca mais eu vou abrir.</em><br />
<em>Cada vez que me despeço de uma pessoa</em><br />
<em>Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez</em><br />
<em>A morte, surda, caminha ao meu lado</em><br />
<em>E eu não sei em que esquina ela vai me beijar.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Com que rosto ela virá?<br />
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?<br />
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?<br />
Na música que eu deixei para compor amanhã?<br />
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?<br />
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,<br />
E que está em algum lugar me esperando<br />
Embora eu ainda não a conheça?</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Vou te encontrar vestida de cetim,<br />
Pois em qualquer lugar esperas só por mim<br />
E no teu beijo provar o gosto estranho<br />
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar<br />
Vem, mas demore a chegar.<br />
Eu te detesto e amo morte, morte, morte<br />
Que talvez seja o segredo desta vida<br />
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Qual será a forma da minha morte?<br />
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.<br />
Existem tantas&#8230; Um acidente de carro.<br />
O coração que se recusa a bater no próximo minuto,<br />
A anestesia mal aplicada,<br />
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida<br />
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,<br />
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio&#8230;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Oh morte, tu que és tão forte,<br />
Que matas o gato, o rato e o homem.<br />
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar<br />
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva<br />
E que a erva alimente outro homem como eu<br />
Porque eu continuarei neste homem,<br />
Nos meus filhos, na palavra rude<br />
Que eu disse para alguém que não gostava<br />
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite&#8230;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Vou te encontrar vestida de cetim,<br />
Pois em qualquer lugar esperas só por mim<br />
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar<br />
Vem, mas demore a chegar.<br />
Eu te detesto e amo morte, morte, morte<br />
Que talvez seja o segredo desta vida<br />
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Paradoxalmente ou não, Raul Seixas morreu jovem, pelo menos em termos cronológicos. Morreu dormindo. Ou seja, a vida foi generosa com ele e lhe enviou a morte vestida em uma bonita roupa. Enquanto vivo Raul parece ter podido dançar de perto com o abismo, com o desconhecido, algo que sempre traz um imenso prazer, mas também uma imensa dor. Para ele, o véu do Real se descortinou e ele pôde olhar para aquilo que cega, de tanta beleza, de tanta dor, de tanto assombro.</p>
<p style="text-align: justify;">É neste universo mítico, representado pelo mar em Vitor Hugo, e pela &#8220;metamorfose ambulante&#8221; de Raul Seixas que encontramos o inconsciente, o pulsional, aquilo que está além ou aquém da representação, fonte de energia criativa e de angústia, pela proximidade com o inanimado. Neste caos mítico, o mergulho é silencioso, profundo e alto, denso, escuro, sinistro, criativo e doloroso como um parto. Deste mergulho, nunca sabemos bem o que irá nascer. É espantosa a transformação.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/morte-e-um-borrao-na-natureza/">A morte é um borrão na natureza.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Futebol: agressividade e paixão em busca de representação.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Nov 2013 16:02:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[instinto]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[pulsão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Recentemente vivi a interessante experiência de estar em uma partida de futebol, em uma final de campeonato; algo completamente inusitado e novo para mim. Descreverei minhas sensações, impressões e sentimentos diante da experiência para, em seguida, propor uma análise sobre a função que  jogos como futebol e outros esportes competitivos podem ocupar em uma sociedade. &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/futebol-agressividade-paixao-busca-representacao/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Futebol: agressividade e paixão em busca de representação.</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/futebol-agressividade-paixao-busca-representacao/">Futebol: agressividade e paixão em busca de representação.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;" align="center"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/11/download-6.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1066 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/11/download-6-150x150.jpg" alt="download (6)" width="150" height="150" /></a>Recentemente vivi a interessante experiência de estar em uma partida de futebol, em uma final de campeonato; algo completamente inusitado e novo para mim.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center">Descreverei minhas sensações, impressões e sentimentos diante da experiência para, em seguida, propor uma análise sobre a função que  jogos como futebol e outros esportes competitivos podem ocupar em uma sociedade. Para isso, irei embasar meu pensamento nas contribuições de Freud e da psicanálise no que se refere ao papel da repressão dos impulsos, sobretudo os agressivos, para que um projeto de sociedade seja viável.</p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><span id="more-787"></span></p>
<p style="text-align: justify;"> Também mostrarei como, em minha perspectiva, ao contrário do que se diz sobre o futebol ser o ópio do povo, destacarei como este tipo de atividade catártica pode ter uma importante função de escoamento de impulsos agressivos, particularmente em sociedades como a brasileira em que a possibilidade de sublimação dos impulsos pela via intelectual é dificultada pela baixa escolaridade de grande parte da população. Isso explicaria, em parte, a imensa paixão que os brasileiros têm pelo futebol. Minha hipótese é a de que este tipo de vivência pode ser fundamental para a economia das pulsões, embora seja verdade também que o limiar entre o escoamento da pulsionalidade e a eclosão das pulsões pela via da ação seja tênue – o que explicaria as constantes brigas violentas que acontecem em estádios.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, antes de irmos à análise, descreverei minhas sensações e impressões vivenciais, que foram vitais para que eu pudesse entrar em contato analiticamente com a situação.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A chegada ao estádio</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Logo ao chegar ao estádio percebi uma grande agitação no ar. Estava com o meu marido e obviamente isso me deixou muito mais segura, mas podia captar a imensa carga de pulsionalidade presente ali. Grande parte dos torcedores era do sexo masculino. Vendo aquela multidão de homens e vendo o meu marido me protegendo pensei imediatamente que estávamos entrando “na selva”, ou seja, no mundo da animalidade e do primitivismo. Notem que uso aqui primitivismo não no sentido negativo, mas no sentido de algo que é anterior ao civilizado.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de entrarmos no estádio houve certa demora na abertura dos portões e a sensação de “panela de pressão” era evidente. Homens de todas as idades gritavam, agitavam o portão e esbravejavam contra os policiais. Ameaçavam “arrombar”. Lembrei-me do texto “Totem e tabu” de Freud e da horda primitiva que ameaça matar o pai / policial. Neste instante pude entrar em contato com a experiência real de como a civilidade que nos constitui é apenas uma frágil casca de ovo e como estamos muito mais próximos do primitivismo do que supõe nossa vã filosofia.</p>
<p style="text-align: justify;">Este tipo de consideração é importante, pois, se pudermos apreender do que é feita a nossa natureza primitiva  podemos acolher um pouco melhor os fatos humanos e não nos chocar tanto com as constantes rebeliões, brigas violentas e assassinatos que cometem homens e mulheres de todas as sociedades humanas, mas mais particularmente aquelas que como a nossa carecem de possibilidades de sublimação da violência pela via da cultura.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ou seja, estamos muito mais próximos da selva do que pensamos!</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTlLkBciNbRuvMlLXJ21TvXl7R4T9XfxM-IXat250vLDytPCbuwTA" alt="" width="225" height="225" />Fica evidente nesta experiência de estádio / selva a presença das duas qualidades de pulsões descritas por Freud: a agressividade e a pulsão sexual. Disso deriva a minha sensação de estar em uma “panela de pressão” prestes a explodir e a captação intuitiva do meu marido de que tinha que me proteger dos rivais. Lembro a vocês que no mundo animal há duas coisas básicas que regem a preservação das espécies: a luta pela sobrevivência pela via da agressividade e a necessidade de acasalamento com o maior número de fêmeas possível. Agressividade e sexo são, portanto, os instintos básicos que regem a nossa existência.</p>
<p style="text-align: justify;"><b>Agressividade contra o &#8220;inimigo&#8221;</b></p>
<p style="text-align: justify;">Depois que entramos no estádio houve certo “esfriamento” pulsional, mas só aparentemente. O que aconteceu é que a agressividade agora tinha um alvo mais definido: a torcida adversária. Penso ser esta uma função crucial, embora primitiva, do futebol e de outros jogos e lutas em que a competitividade entre dois times e duas torcidas é ponto central: a possibilidade de voltar a mira da agressividade para o inimigo, para o outro, para a torcida adversária.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, até antes de entrarmos no estádio, a agressividade estava difusa e não havia ainda a possibilidade de se canalizar toda a violência contra o time adversário. No máximo ela eclodia contra o policial, mas também podia acontecer entre os membros difusos do grupo. Desde o instante que o jogo teve início, o time “de fora da casa” fora vaiado muitas e muitas vezes, situação que explicita a extrema violência e crueldade dos instintos humanos voltados contra o inimigo. Ressalto que este tipo de dinamismo é algo presente também em guerras contra países e povos considerados “inimigos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar de o psicanalista estar habituado a lidar <i>in loco </i>com a força disruptiva da pulsionalidade em seu trabalho cotidiano no consultório, há uma diferença fundamental entre isso que ele faz na clínica e o contato com o primitivismo que estou descrevendo em minha experiência. A diferença fundamental é que na clínica, a dupla analítica trabalha para inserir a pulsionalidade nas tramas dos significados simbólicos, ou melhor, na fala, para que esta não seja simplesmente descarregada e, portanto, se torne inútil para produzir pensamentos.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso da vivência do estádio / selva, a situação é bruta, primitiva e carece de qualquer possibilidade representacional na mente daquelas pessoas. Apesar disso, conforme estou argumentando aqui, esta vivência ainda assim me parece ter a importante função de dar algum contorno, ainda que primitivo, a alta carga de destrutividade presente em nós. Neste sentido, acredito que a imersão do psicanalista no “campo” é fundamental para que ele apreenda do que se trata realmente o que dizia Freud.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQidQNxpp8IoXGP3bSNrrn_mNuiBwsRPO3txyEi0l4KSvgQKH2m" alt="" width="255" height="198" />Isso me fez lembrar uma história que certa vez ouvi do escritor moçambicano Mia Couto. Contava ele em uma conferência que sempre fora contrário à matança de animais selvagens, situação muito comum na África. Mas este discurso um tanto ingênuo só se manteve até o dia em que se viu diante de um imenso leão vociferando para ele e para os nativos com os quais acampava em uma expedição de pesquisa. Neste momento, fala Mia, ele se deu conta de que somos todos bichos em busca da sobrevivência. Neste dia ele também pôde perceber como somos frágeis diante das leis da natureza. Eu acrescentaria: das leis da natureza externa (do leão) e das leis da nossa natureza interna (da nossa pulsionalidade).</p>
<p style="text-align: justify;">Em “Mal-estar na civilização”, talvez um dos textos mais conhecidos de Freud, ele argumenta que nós tivemos que abrir mão dos nossos instintos, pelo menos até certo ponto, para podermos nos organizar em sociedade. Quando falamos de instintos é possível ficarmos com a sensação ingênua (como Mia Couto) de que se trata de coisas um tanto quanto inofensivas. Mas isso não é verdadeiro! E foi isso que pude apreender em minha experiência no campo.</p>
<p style="text-align: justify;">Os instintos, que no humano se transformam em pulsões (representações mentais dos instintos), são intensos e, quando não contidos, são perigosos para o sujeito e para os demais seres humanos já que tendem imediatamente à ação, ou melhor, à descarga. No caso da violência, se ela não encontra representação dentro da mente, o risco é de ela ser evacuada sob a forma de ações contrárias ao próprio sujeito ou ao seu “semelhante”. É necessário um longo, penoso e constante trabalho civilizatório para que estas pulsões sejam contidas dentro da mente. Daí a minha sensação de “panela de pressão”. E foi exatamente sobre a precariedade com que a civilização consegue fazer este trabalho de representação mental dos instintos que Freud tratou neste texto.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo ele, uma das saídas mais interessantes para que as pulsões sejam transformadas é a sublimação, sobretudo pela via do desenvolvimento cultural de uma civilização.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, como fazer isso em um país como o nosso? Em que a grande maioria da população, desde seus primeiros anos de vida, não é estimulada intelectual e culturalmente com boas escolas e com boa educação? Não estou usando aqui “boa educação” no sentido do senso comum que normalmente é atrelado a práticas  repressoras. Refiro-me à boa educação como uma prática humana que possibilita que o sujeito em formação possa ser informado com qualidade, clareza e verdade, sobre quem é, sobre sua condição humana e sobre as implicações disso para sua vida. A seguir darei exemplos mais claros do que quero dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta tarefa árdua é função dos governantes, dos educadores, dos pais e da sociedade em geral, que deve se ocupar com a formação integral de seus partícipes. Ou seja, um ser humano precisa ser educado por pais e governantes responsáveis e precisa ser auxiliado por estes no delicado e difícil processo de contenção pulsional. A educação, ou melhor, a cultura tem um papel fundamental nisso; algo que os gregos descobriram há mais de vinte e cinco séculos.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, não idealizemos os gregos que também encontravam formas de escoamento de sua agressividade através das guerras contra povos inimigos! Eles foram, inclusive, um dos povos que mais se desenvolveu em termos bélicos!</p>
<p style="text-align: justify;">Mas há uma diferença fundante entre nós e os gregos: eles, representados por seus governantes (chamados tiranos) valorizavam e se dedicavam à formação e educação integral do homem. Platão, por exemplo, considerava que o jovem deveria ser informado desde muito cedo sobre a sua condição humana, pois só assim poderia realizar satisfatoriamente os propósitos da sociedade e vir a ser um sujeito ético e valoroso.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, cada povo, cada um a seu modo, necessita encontrar formas de representação mental da violência, intrínseca ao humano. Quando este trabalho de representabilidade não acontece, a violência é evacuada sob diversas formas. Neste caso, não é possível se fazer nada com esta violência porque, uma vez evacuada, não serve aos propósitos de aprendizagem e de transformações mentais.</p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, é meta da sociedade, de cada povo e de cada comunidade humana encontrar formas de se  lidar com este incômodo fato de sermos animais!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Futebol: ópio do povo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No Brasil &#8211; contexto que estou discutindo aqui &#8211; talvez pelo caráter extremamente lúdico de seu povo, pela nossa história de colonização (feita para fins de exploração) e pela carência educacional da grande maioria da população, o futebol tenha uma função muito importante. Mas, também é verdade que em países desenvolvidos jogos considerados violentos também são fortemente estimados pelas pessoas. Por isso é arriscado dizer que o gosto pelo futebol se dá porque nos falte cultura ou algo que o valha! Pode ser que sim, mas eu tenho dúvidas de que um povo como o nosso se deleitasse mais em ouvir música clássica (modelo erudito importado da Europa) do que assistindo a uma eletrizante partida de futebol. Por isso acho arriscado dizermos que o futebol é o ópio do povo.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos psicanalíticos, digamos que o futebol é uma das formas possíveis de descarga pulsional. Mas, há milhares de outras: guerras, disputas entre grupos, bairros ou países rivais, bulling, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito se refletiu sobre como foi possível que o povo alemão, tão erudito, tenha se sujeitado a ser protagonista da violência nazista.  Ora, quem diz isso não conhece a natureza humana! Não sabe que independente da erudição de um povo (casca civilizatória) somos animais!</p>
<p style="text-align: justify;">E eu não digo animais no sentido pejorativo. Digo no sentido realista da coisa, de que descendemos diretamente dos nossos parentes não racionais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Educação para a mente e para a alma</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se isso pudesse ser ensinado com seriedade nas escolas, talvez em uma disciplina que poderia se chamar &#8220;Educação para a mente e para a alma&#8221; ao invés de &#8220;Educação moral e cívica&#8221;, nos moldes que eu tive esta disciplina, quem sabe pudéssemos nos ver com mais naturalidade. Sem tanta pompa nem hipocrisia.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta disciplina professores ensinariam seus alunos que todos nós somos seres que temos instintos agressivos e que somos naturalmente violentos e que esta violência pode se voltar tanto contra nós mesmos como para os nossos “semelhantes”. Nesta toada, poderíamos discutir também o duvidoso mandamento religioso “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, demonstrando às crianças como isso é contrário à nossa natureza mais primitiva.</p>
<p style="text-align: justify;">Também poderíamos discutir abertamente com as crianças e jovens que os impulsos sexuais fazem parte da nossa natureza desde que nascemos, embora, é verdade, não possamos fazer tudo o que desejamos (nem em termos de sexo, nem de agressão) sem colocar em risco a nossa sociedade.</p>
<p style="text-align: justify;">E – isso seria a cereja do bolo – quem sabe pudéssemos ainda discutir seriamente se realmente a sociedade que estamos construindo é aquela que queremos e se vale mesmo a pena pagar o preço que ela nos exige. Tudo isso com muita racionalidade e clareza. Sem enganações, nem hipocrisias.</p>
<p style="text-align: justify;">Este projeto de sociedade, educativo e formador de valores por excelência, seria a prioridade dos governantes que, em nosso caso, por ora, estão muito ocupados discutindo a pena e os embargos infringentes do mensalão.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim como é responsabilidade dos pais desenvolver e estimular valores elevados em seus filhos, também é responsabilidade dos governantes de um país desenvolver isso em seu povo, assim como nos ensinou Platão em “A república”.</p>
<p style="text-align: justify;">Na falta disso, o futebol continuará a manter a importante função de dar contornos, ainda que precários, a isso que nos constitui – a nossa animalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso não quero dizer que o futebol ou outros jogos com alta carga catártica deixarão de ter sua função nas sociedades humanas. Ao contrário! Podemos observar como em muitos países desenvolvidos o futebol e outros jogos competitivos são mantidos e possuem alta estima entre a população. Isso se deve ao fato, conforme mostrei acima, de que estes jogos tem a importante função de propiciar espaços de catarse para a agressividade.</p>
<p style="text-align: justify;">O que pretendi mostrar aqui é que pelo menos no caso da sociedade brasileira, na falta de um projeto de sociedade que estimule a formação integral do humano, algo que só se conquista pela verdade, o futebol e a copa do mundo continuarão a ter a importante função de dar sentido às nossas vidas. E isso, realmente, é muito menos do que podemos fazer como indivíduos e como sociedade.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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