<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Blog de Psicanálise</title>
	<atom:link href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/tag/generosidade/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/tag/generosidade/</link>
	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Sat, 06 Jan 2018 12:54:48 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	
	<item>
		<title>Amar o humano em cada homem</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/amar-o-humano-em-cada-homem/</link>
					<comments>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/amar-o-humano-em-cada-homem/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jan 2018 14:29:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[compaixão]]></category>
		<category><![CDATA[generosidade]]></category>
		<category><![CDATA[humildade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/?p=1859</guid>

					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexões sobre a importância de se resgatar os valores fundamentais à vida, tais como, compaixão, respeito ao próximo e senso de dignidade humana. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/amar-o-humano-em-cada-homem/">Amar o humano em cada homem</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/01/empatia-simpatia-compaixc3a3o.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1860 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/01/empatia-simpatia-compaixc3a3o-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>O poeta e escritor D. W. Lawrence trabalha com uma ideia, resgatada da filosofia, muito interessante àqueles que gostam de exercitar o pensamento.</p>
<p>Diz ele que a forma de amor mais elevada é aquela em que somos capazes de amar e tratar com dignidade e respeito a cada ser humano em particular porque nele está contida a humanidade inteira.</p>
<p>Acabo de fazer uma linda viagem em que pude sentir e vivenciar o que propõe Lawrence. Conheci e conversei com muita gente nesta viagem; ouvi histórias dramáticas e lindas; enxerguei sonhos e frustrações; vi beleza e feiura de espírito; encantei-me com um homem corajoso e viúvo que viaja só em busca de experiências estéticas; emocionei-me com um humilde e nobre pescador preocupado em cuidar do lixo de sua comunidade; conheci pessoas generosas que me trataram com acolhimento e calor humano; também enxerguei olhares perdidos, gente confusa e atormentada; gente raivosa e sem brilho nos olhos.</p>
<p><span id="more-1859"></span></p>
<p>Emocionei-me com a generosidade de milhares de desconhecidos que tocaram minhas mãos durante o percurso da São Silvestre e que, eu sentia, torciam genuinamente por mim. Lembro-me particularmente do olhar brilhante de um garotinho que estendeu sua pequena mãozinha enquanto eu passava, e que me olhava com admiração e respeito, coisas que só se pode sentir quando se tem um nobre coração. Nesta experiência da prova senti que carregava comigo, rumo à linha de chegada, a difícil missão de manter vivo o sonho de esperança de todas aquelas pessoas que saíram de suas casas na manhã de um domingo chuvoso do último dia do ano para compartilharem comigo seus melhores sentimentos.</p>
<p>Nesta viagem vi muita simplicidade material acompanhada de nobreza de espírito; também vi o oposto: abundância material e falta de verdade no espírito; conheci pessoas de olhar translúcido em que a alma se apalpa e se revela com generosidade e sem medo; conheci outras ressabiadas, desconfiadas e temerosas; conheci um ex-durissimo militar que nunca se recuperou de ter sujado suas mãos com sangue alheio, embora ele não saiba que carrega esta dor dilacerante no peito; encantei-me com sua linda esposa, mulher sofrida e marcada por uma tradição machista, e que encontrou na maternidade sua única forma de expressão no mundo. De alma lutadora, esta mulher simples e generosa, nascida na mais terrível miséria, conseguiu formar “doutoras” suas duas filhas, ainda que isso lhe custe doses insuportáveis de saudades.</p>
<p>Mais do que a lembrança de belas paisagens naturais, trouxe desta vez em minha bagagem de memórias o olhar de cada um destes seres humanos fantásticos que se abriram generosamente para mim. Amei em cada um deles a humanidade inteira, da qual me apiedei, por mim e por eles.</p>
<p>Pois não importa se habitamos um palácio ou uma casa de tapera; estamos todos submetidos à mesma condição desamparada neste mundão-de-meu-deus. Todos nós sentimos fome e frio, medo e desamparo; temos necessidade de sonho e de coisas que nos façam sentido; todos nos emocionamos com a bondade e com um sorriso aberto e caloroso vindo de outro ser humano. Não importa onde estejamos, que sobrenome tenhamos, ansiamos todos por sermos tratados com amor, respeito e dignidade. O que quero dizer é que, se o conforto material que o avanço da sociedade nos proporciona é importante e deve ser desfrutado, ele não pode nos deixar perder de vista os verdadeiros valores da vida.</p>
<p>Antes de sair de férias, vivi uma experiência muito tristonha e que serve de contraponto ao que proponho aqui. Descrevo-a não para fazer o papel de juiz acusador, mas simplesmente para mostrar como é fácil para o homem sério da ciência (categoria na qual o psicanalista facilmente se insere) defender-se de sua condição humana através de seu arsenal de saberes e de sua posição social privilegiada.</p>
<p>Estava em uma farmácia e presenciei o modo distante, frio e arrogante com que uma pessoa que trabalha com psicanálise na cidade tratou os funcionários que lhe atenderam. Vestida impecavelmente, do alto de seu salto alto e de sua bolsa de grife, protegida do suor calorento da humanidade por seu sofisticado arsenal de conhecimentos psicanalíticos, que pretensamente a colocam em uma posição superior, esta pessoa, por cansaço, arrogância ou dor, não conseguiu naquele instante sustentar docilidade e gentileza de coração para com aqueles que lhe atendiam e que, é bem possível, sentissem todo o distanciamento frio daquela figura imponente.</p>
<p>A perigosa dissociação entre o saber e a humildade pode levar a este tipo de situação desastrosa na qual a pessoa dotada de um saber privilegiado cai vítima da arrogância e passa a se considerar superior aos outros seres humanos. Um antídoto contra este tipo de armadilha é podermos relembrar a bela citação bíblica que diz que &#8220;a quem muito é dado, muito será exigido&#8221;. Costumo interpretar esta citação considerando que se à mim foram dadas maiores chances pela vida de me instruir e de me desenvolver como ser humano, isso me torna mais responsável por ser tolerante, compassiva e terna com aqueles que não tiveram a mesma sorte que eu. Sim, pois, a vida é uma equação complicada de talento e sorte&#8230; Nós não somos aquilo que queremos ser, mas aquilo que podemos ser, dadas as nossas condições genéticas e psíquicas herdadas!</p>
<p>Por outro lado, amar o humano em cada homem e sentir compaixão por nossa condição miserável (embora também grandiosa) não significa tudo desculpar e tudo compreender.</p>
<p>A proposta é mais singela e mais dura que isso. Trata-se de, como certa vez colocou Nietzsche, fazer do nosso coração um pequeno oásis em que os portões estejam sempre entreabertos para aqueles que desejarem se arejar e se reabastecer do poeirento e difícil caminho da vida. Como se constrói este oásis? Com amor e com verdade.</p>
<p>Um olhar amistoso e vibrante, um sorriso singelo e cortês, um silêncio prenhe de compreensão e de verdade; tudo isso faz construir o oásis. Lá o homem nu e descalço; aquele que só viaja com o que realmente lhe é necessário será sempre bem-vindo e encontrará companhia; lá aquele que sabe fazer vibrar as notas do seu coração, ecoando lindas melodias ao luar, e que sabe dançar com sensualidade e calor, sem moralismos nem meias-verdades, poderá sempre entrar. Juntos, eles irão dançar freneticamente a dança da vida, que escapa sempre por entre os dedos, e que por isso mesmo é mágica. Dançando, eles suarão juntos e ficarão descabelados, porque há mais sabor de verdade no desalinho dos fios do que nas madeixas engomadas da soberba.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/amar-o-humano-em-cada-homem/">Amar o humano em cada homem</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/amar-o-humano-em-cada-homem/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
