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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Gestantes no divã</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Jan 2024 18:45:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[gestantes]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A autora propõe um olhar realista sobre a gestação, a partir do que tem aprendido com suas pacientes grávidas. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/um-olhar-realista-sobre-a-gestacao/">Gestantes no divã</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><img decoding="async" class="alignleft" src="http://2.bp.blogspot.com/-CRezYicY4Q0/Uk3lpF8NpQI/AAAAAAAAABw/Cb0Zm8Kc1uU/s1600/primeiro-mes-de-gesta%C3%A7%C3%A3o1.jpg" alt="" width="212" height="181" />A vida tem uma necessidade férrea por existir e impõe duras provas ao corpo que a hospeda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o que tenho aprendido nestes últimos anos acompanhando mulheres grávidas que se deitam em meu divã. </span></p>
<p><span id="more-2846"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São enjôos, cólicas, cansaço, sono, alterações cognitivas e metabólicas que as grávidas enfrentam, sobretudo no primeiro trimestre da gestação; sintomas naturais provocados pela reação de  adaptação do organismo materno ao novo hóspede. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na contramão disso, o ditame de que a gravidez é sempre uma dádiva, faz com que muitas mulheres se sintam culpadas por não estarem gostando de passar mal. </span></p>
<h3>Sentimentos variados</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre isso, conforme observei em minha clínica, os sentimentos são variados, havendo mulheres que gostam de estar grávidas, enquanto outras julgam a gravidez um momento fisicamente difícil e de grandes restrições. </span></p>
<p>Outro sentimento comum é o estranhamento em relação ao feto.</p>
<p>Do ponto de vista psicanalítico, engravidar pode ser uma vivência  estruturante ou desestruturante para o psiquismo de uma mulher, a depender das experiências precoces de cada uma.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Observa-se, nesse aspecto, que mulheres que passam melhor durante a gravidez tendem a gostar mais de estarem grávidas, o oposto disso sendo também verdadeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, ainda se observa ideias como enjôos &#8220;significando rejeição ao feto&#8221; e coisas do gênero, c</span><span style="font-weight: 400;">omo se não gostar de estar grávida significasse um indicativo futuro de que a mulher não iria gostar de ser mãe. </span></p>
<p>Em minha clínica, tal correlação não se mostrou correta, na medida em que três ou quatro pacientes minhas não gostaram da gravidez, embora hoje gostem muito de ser mães.</p>
<p>Interpretações deste tipo evidenciam o quão submetidas à culpa se encontram as mães, graças às expectativas irrealistas e ingênuas que circulam  sobre a maternidade.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre isso, penso que o máximo que se pode afirmar é </span>que  mulheres que desejam muito uma gravidez, talvez estejam melhor preparadas para suportar seus incômodos, embora também seja verdade que, quanto mais as mulheres tendem a idealizar a maternidade, mais propensas estarão a se frustrar com ela.</p>
<h3>As restrições impostas pela gravidez</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre as restrições impostas pela gravidez, cita-se: não poder tomar quase nenhuma medicamento, não poder tingir os cabelos, ter que restringir café e bebida alcóolica, ser forçada à imobilidade por longos períodos, graças à uma gravidez de risco, e, por fim, mas não menos importante, ser lançada à força no &#8220;tedioso mundo das grávidas&#8221; (sic) onde só se fala de bebês e do amor incondicional a eles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra situação incômoda bastante descrita é sentir-se vigiada em relação à saúde pelo companheiro, parentes, médicos e outras grávidas, perdendo-se a autonomia frente o próprio corpo.  </span></p>
<h3>Fatores de conexão ou desconexão com o feto</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Observei sobre isso que se as mulheres relaxam e aceitam, sem julgarem-se severamente, que podem não estarem gostando da gravidez, o sentimento de conexão com o feto naturalmente tende a começar a aparecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros fatores que propiciam o paulatino crescimento de conexão com o feto é o crescimento da barriga e o aumento dos momentos interativos com o bebê, por exemplo, nos ultrassons e com o bebê chutando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já mulheres que fantasiam uma gravidez e maternidade idílicas tenderão a se frustrar e ter dificuldade de se conectar com o feto. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A persistência de tal idealização depois do parto, dificultará à mulher, por exemplo, sentir-se autorizada a experimentar cansaço  e irritação, sentimentos negativos que ela procurará supercompensar sendo a mãe perfeita, e exigindo, de volta, um bebê perfeito. Ou, no outro extremo, exacerbarão seus sentimentos de raiva, culpabilizando o bebê por isso. </span></p>
<h3>Maternidade ética</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">De outro lado, conforme tenho observado, encontra-se genuíno prazer na geração e cuidado de uma vida em mulheres  que já percorreram algum amadurecimento interno no sentido da elaboração posição depressiva, que lhes dotam de uma inquebrantável capacidade de tolerância e fé na vida, além da competência para experimentarem ternura e compaixão por tudo o que é vivo e estranho a si, o que inclui um filho, mas não só. </span></p>
<p>Esta perspectiva aponta para uma maternidade  ética, na medida em que a mãe é capaz de transcender as limitadas fronteiras de seu amor narcísico pelo filho, que mesmo saído dela, nunca será completamente seu, nem capaz de amá-la na mesma medida que ela o ama.</p>
<p>Tal falta de reciprocidade na relação entre eles ocorre porque a dependência extrema do filho pequeno em relação à mãe é tão perturbadora que o força, assim que possível, a se afastar dela com ódio, na mesma medida do seu amor.</p>
<p>Assim, quanto mais a mãe puder conhecer este aspecto ingrato da maternidade, mais ajudará seu filho a se desligar dela, pois não verá nele um devedor.</p>
<h3>Considerações finais</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando, sobre aquelas que engravidam sem contar com tal amadurecimento prévio, é trabalho do psicanalista, por exemplo, ajudá–las a discriminar que estar grávida/ter um filho  e &#8220;gostar de ser mãe&#8221; são coisas distintas entre si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois, enquanto procriar é um ato biológico, o &#8220;gostar de ser mãe&#8221; dependerá da maior ou menor capacidade do cuidador primário de suportar os duros encargos, físicos e psicológicos, que a dedicação exclusiva ao pequeno humano requerá nos primeiros tempos de vida. </span></p>
<p>*Dedico este artigo à todas as minhas pacientes, com quem sempre aprendo tanto.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/um-olhar-realista-sobre-a-gestacao/">Gestantes no divã</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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