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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Reflexões sobre a escolha pelo curso de psicologia.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 17:29:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[escolha profissional]]></category>
		<category><![CDATA[Graduação em Psicologia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Costumo receber muitos e-mails de estudantes de psicologia e de pessoas que têm interesse na área me perguntando como é atuar como psicólogo. Desta forma, achei que seria relevante produzir um texto sobre o tema e para isso vou me basear em algumas percepções que pude ir acumulando durante os meus anos de experiência como &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-escolha-pelo-curso-de-psicologia/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Reflexões sobre a escolha pelo curso de psicologia.</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-escolha-pelo-curso-de-psicologia/">Reflexões sobre a escolha pelo curso de psicologia.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-700 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo-300x240.jpg" alt="psicologo" width="180" height="144" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo-300x240.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicologo.jpg 400w" sizes="(max-width: 180px) 100vw, 180px" /></a>Costumo receber muitos e-mails de estudantes de psicologia e de pessoas que têm interesse na área me perguntando como é atuar como psicólogo. Desta forma, achei que seria relevante produzir um texto sobre o tema e para isso vou me basear em algumas percepções que pude ir acumulando durante os meus anos de experiência como docente em cursos de psicologia.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-699"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Toda vez que assumo uma turma nova, tenho o costume de perguntar a cada um dos alunos o que motivou a sua escolha. Apesar de cada um ter uma motivação particular, chama minha atenção o número grande de alunos que respondem que buscaram o curso para ajudar um membro “doente” da família. Outros, também em número considerável, respondem que buscaram o curso porque eles próprios já estiveram ou estão deprimidos e apresentam algum tipo de sofrimento emocional, para os quais desejam obter respostas através da Psicologia. Ainda, uma pequena parcela responde que é para compreender o ser humano e os mistérios da mente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>A escolha profissional para a Psicanálise</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista da Psicanálise, sabemos que estas respostas se configuram como falas, manifestações de desejos que precisam ser lidas a partir da ótica do inconsciente. Desta maneira, estes alunos buscam, através da ciência, respostas racionais para questões emocionais e que, portanto não podem ser respondidas a partir daí.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta constatação – a de que muitos alunos têm buscado no conhecimento racional respostas para questões que são de ordem  inconsciente – leva a algumas consequências que vou procurar elencar agora, algumas de ordem pessoal, ou seja, para a vida e saúde mental do aluno, e outras de ordem profissional, podendo acarretar num sentimento de falta de identificação com a profissão do psicólogo, algo que tenderá a eclodir nos últimos anos de formação.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-704 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2-300x217.jpg" alt="portas2" width="240" height="174" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2-300x217.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/portas2.jpg 640w" sizes="(max-width: 240px) 100vw, 240px" /></a>Vamos à primeira. Sabemos pela Psicanálise que toda escolha tem significados inconscientes. Sabemos, portanto, que a escolha pela psicologia, assim como a escolha de qualquer outra profissão, tem ressonância direta com desejos e fantasias do inconsciente que precisam ser analisadas caso a caso. Sabemos também que o trabalho (no sentido de realizar um ofício) pode ser compreendido em termos psicanalíticos como uma forma de sublimação, ou, dito em termos kleinianos, de reparação aos nossos objetos internos danificados, algo que penso ser verdadeiro no caso de muitas profissões que visam oferecer algum auxílio ao outro, dentre elas a profissão de psicólogo. Lembro-me de uma conferência de Psicanálise em que a palestrante alertava para o fato de que, no inconsciente de todo psicanalista, havia uma culpa inconsciente que precisava ser reparada através do fazer psicanalítico. Outra motivação muito comum, esta encontrada sobretudo na profissão médica, liga-se a um desejo inconsciente de vencer a morte, desejo que se não puder ser elaborado, pode trazer grandes doses de angústia para o profissional que inevitavelmente “perderá” pacientes em sua carreira. O problema é que estas significações inconscientes só podem ser conhecidas em uma análise e não nos bancos universitários!</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, chegamos à segunda consequência, de ordem profissional. Quando um estudante de psicologia tem como motivação fundante para sua escolha questões inconscientes assentadas em problemáticas pessoais, pode haver com isso uma confusão no que se refere ao  papel de um profissional da Psicologia.</p>
<p style="text-align: justify;">Lembro-me de inúmeras situações de supervisão de estágio em que alunos, carentes de um espaço psicoterapêutico para poderem sonhar suas próprias experiências e dores, tinham muita dificuldade para enxergar o paciente como alguém com questões, necessidades e dramas próprios. Ou seja, a angústia destes alunos, a falta da psicoterapia, somada à alta angústia gerada pela proximidade da formatura, impedia-os de conseguirem delimitar o que eram suas próprias angústias e o que eram angústias do paciente.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, em muitos momentos, ou o paciente interrompia o processo levando o estagiário a pensar no contexto da supervisão sobre a sua participação nesta interrupção, ou continuava, embora sem a perspectiva de se criar verdadeiramente uma relação terapêutica, baseada numa relação assimétrica de ajuda em que um (o terapeuta-estagiário) está  um pouco mais amadurecido em termos emocionais para oferecer ajuda ao outro (o paciente).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Características de personalidade importantes para ser um psicólogo</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acho importante clarificarmos que quando a escolha pela psicologia baseia-se no anseio de se &#8220;resolver&#8221; questões emocionais de ordem pessoal, uma espécie de crise profissional provavelmente será vivida pelo estudante ou pelo profissional em seus primeiros anos de atuação, pois, para se atuar com relativo sucesso nesta área, espera-se que o profissional tenha podido avançar um pouco mais que o seu paciente no conhecimento de sua própria mente.  Diante disso, tentarei elencar algumas das características humanas ou de personalidade que eu considero fundamentais para se exercer o ofício de maneira satisfatória e prazerosa para o futuro profissional.</p>
<p style="text-align: justify;">Falarei baseando-me no fazer clínico / psicanalítico que é o único que eu conheço mais a fundo, embora eu considere que a atuação do psicólogo, independente do contexto, deva se guiar por tais habilidades que se congregam, todas elas, em um desejo genuíno de auxiliar o outro a suportar melhor suas dores mentais, amparando-se em uma abordagem científica X ou Y.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, acredito que dentre as características importantes para se exercer este bonito, mas árduo ofício, uma pessoa deve ter:</p>
<p style="text-align: justify;">1) <b>Profundo respeito pela condição humana,</b> que marca a todos nós de igual modo.  Além de ser profissional, ele deve ser capaz de ser um humano, no sentido mais amplo do termo, com capacidade para fazer companhia a dores humanas que às vezes beiram o indescritível. Para isso, é importante poder manter uma atitude de não arrogância e superioridade com relação ao semelhante, embora podendo manter uma relação assimétrica e respeitosa com relação aos limites da relação terapêutica.  Para isso, ele precisa gostar de ser humano e gostar de outros humanos.</p>
<p style="text-align: justify;">2<b>) Amor à verdade.</b> É importante que esta pessoa seja íntegra, algo que não tem a ver com moralismo. Assim, ela deve ser uma guardiã atenta, sem dogmatismo, mas com acolhimento das verdades humanas, das quais todos nós, em algum momento, tendemos a fugir. Algumas destas verdades essenciais são a de que somos seres absolutamente dependentes e frágeis, a de que somos mortais, porém potentes para fazermos algo pelo bem comum enquanto estamos vivos, a de que somos essencialmente diferentes, mas semelhantes, a de que somos essencialmente sós, mas sociais, a de que não somos nem só bons, nem só maus.</p>
<p style="text-align: justify;">3) <b>Gosto pela palavra.</b> O psicólogo deve ter prazer em utilizar palavras, pois, em muitos momentos a nossa função será colocar em narrativas possíveis o que às vezes parece escapar de qualquer compreensão verbal e humana. Associo o psicólogo / psicanalista a um pintor que pinta um quadro do que se passa numa relação humana específica utilizando como tintas as palavras.</p>
<p style="text-align: justify;">4) <b>Condição mental para suportar altas cargas emocionais, mantendo a capacidade para sonhar. </b>O psicólogo será submetido, em seu trabalho quotidiano, a altas doses de emoções intensas (amor, ódio, inveja, rivalidade, ciúme, persecutoriedade, além das emoções que ainda não foram nomeadas pela dupla) e é importante que ele tenha um continente preparado para acolhê-las sem perder a capacidade para pensar. O lugar privilegiado de construção deste continente é a análise. Sem isso, ele não só não conseguirá auxiliar seu paciente, como também poderá criar confusões geradas pelas suas próprias emoções ainda não desenvolvidas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A idealização do trabalho clínico</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Observo entre os alunos uma espécie de idealização do trabalho do psicólogo, sobretudo do clínico, idealização talvez criada a partir da imagem clichê de um terapeuta tranquilamente sentado em seu consultório ouvindo pessoas em sua sala ricamente decorada, com o seu ar condicionado. Esta é uma visão muito parcial do trabalho. Mesmo que tenhamos o privilégio  de passarmos o dia em uma sala bonita, com ar condicionado ouvindo os dramas e histórias das pessoas que toparam confiar em nós, a realidade do trabalho não é tão colorida assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-705 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista-300x226.jpg" alt="psicanalista" width="270" height="203" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista-300x226.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/psicanalista.jpg 320w" sizes="(max-width: 270px) 100vw, 270px" /></a>Apesar de ser um trabalho extremamente enriquecedor do ponto de vista humano, pois, pelo menos isso é real para mim, a cada nova sessão me sinto diferente, modificada em minha forma de compreender o mundo a partir daquela interação, o trabalho clínico é extremamente solitário, silencioso e difícil. Um psicólogo / terapeuta, portanto, deve gostar imensamente da sua companhia e saber ouvir a voz do silêncio, sem se angustiar com isso. Deve gostar de ler poesia e ser curioso sobre os seus próprios pensamentos. Associo a função de um terapeuta interessado em descobrir as verdades emocionais penosas do paciente à figura de Virgílio que acompanha o poeta Dante em sua dolorosa descida ao inferno e purgatório.</p>
<p style="text-align: justify;">Enfim, como todo trabalho criativo há belezas e dramas, assim como tudo na vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Responsabilidade dos cursos univeristários que formam psicólogos</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acredito que todo docente de psicologia deva estar preparado para discutir estas questões fundamentais com os seus alunos, questões estas que serão o alicerce de sua formação. Acho muito positivo que os cursos de psicologia estejam repletos de alunos, pois, isso é sinal de que muita gente tem se interessado pelas questões mentais. Entretanto, também acho importante clarificarmos e fazermos discriminações junto aos alunos entre o que é ser psicólogo e o que é buscar a ciência psicológica para entender a si próprio, pois, penso que são coisas muito distintas, conforme tentei mostrar aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Caso contrário, corremos o risco de banalizarmos o conhecimento psicológico transformando-o em uma espécie de jargão mágico que tudo pode explicar. Com isso, pervertemos o uso do conhecimento, que passa a ser usado como um atalho, utilizado para se fazer o trabalho necessário com o mínimo de esforço, já que se deitar no divã ou fazer uma boa psicoterapia costuma ser mais custoso, pelo menos emocionalmente, do que frequentar os bancos escolares. Em tempos de solução mágica e rápida para quase tudo, a busca por um curso ao invés do auxílio psicológico pode estar a serviço de desejos onipotentes e mágicos de cura rápida, evitando-se passar pelo sofrimento necessário a qualquer transformação emocional verdadeira.</p>
<p style="text-align: justify;">Para uma discussão mais aprofundada sobre as características de personalidade necessárias a um terapeuta, sugiro o bonito livro de Contardo Calligaris “Cartas a um jovem terapeuta”. <a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/cartas-a-um-jovem-terapeuta.gif"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-702 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/02/cartas-a-um-jovem-terapeuta-196x300.gif" alt="cartas a um jovem terapeuta" width="110" height="168" /></a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-escolha-pelo-curso-de-psicologia/">Reflexões sobre a escolha pelo curso de psicologia.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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