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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Artigo científico revista Estilos da clínica (USP. Impresso) 2014</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-revista-estilos-da-clinica-usp-impresso-2014/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Oct 2017 17:14:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos científicos publicados]]></category>
		<category><![CDATA[configuração familiar]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acesse o meu artigo científico intitulado Ressonâncias do inconsciente materno e familiar na sintomatologia infantil e no setting analítico, publicado na revista Estilos da clínica em 2014. Referência: MARTINEZ, A. L. M. Ressonâncias do inconsciente materno e familiar na sintomatologia infantil e no setting analítico à luz de um caso clínico. In: Estilos da clínica. (USP. Impresso), v. &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-revista-estilos-da-clinica-usp-impresso-2014/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Artigo científico revista Estilos da clínica (USP. Impresso) 2014</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-revista-estilos-da-clinica-usp-impresso-2014/">Artigo científico revista Estilos da clínica (USP. Impresso) 2014</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-1007 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download-150x150.jpg" alt="download" width="150" height="150" /></a></p>
<p>Acesse o meu artigo científico intitulado <i><a href="http://www.revistas.usp.br/estic/article/view/81004/84650">Ressonâncias do inconsciente materno e familiar na sintomatologia infantil e no setting analítico</a>, </i>publicado na revista Estilos da clínica em 2014.</p>
<p>Referência: MARTINEZ, A. L. M. Ressonâncias do inconsciente materno e familiar na sintomatologia infantil e no setting analítico à luz de um caso clínico. In: <em>Estilos da clínica. </em>(USP. Impresso), v. 19, p. 91-110, 2014.</p>
<p><span id="more-1006"></span></p>
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<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-revista-estilos-da-clinica-usp-impresso-2014/">Artigo científico revista Estilos da clínica (USP. Impresso) 2014</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Grande Sertão: Veredas &#8211; uma experiência estética e psicanalítica sobre o processo de vir a ser quem se é.</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/grande-sertao-veredas-uma-experiencia-estetica-e-psicanalitica-sobre-o-processo-de-vir-a-ser-quem-se-e/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Oct 2013 19:00:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[análise]]></category>
		<category><![CDATA[grande sertão: veredas]]></category>
		<category><![CDATA[Guimarães Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu intuito neste texto é tecer algumas reflexões acerca da obra-prima Grande Sertão: Veredas, escrita por Guimarães Rosa (psicanalista nato por intuição profunda sobre a vida) quando este contava com mais ou menos quarenta anos de idade. A saga épica A saga sertaneja versa sobre a trajetória de Riobaldo em direção a ser quem ele &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/grande-sertao-veredas-uma-experiencia-estetica-e-psicanalitica-sobre-o-processo-de-vir-a-ser-quem-se-e/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Grande Sertão: Veredas &#8211; uma experiência estética e psicanalítica sobre o processo de vir a ser quem se é.</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSscDhRRLWoDdbWtK4rCTNVN7oki38vZKRrBPUt8jqGky9O7q1oKg" alt="" width="291" height="173" />Meu intuito neste texto é tecer algumas reflexões acerca da obra-prima Grande Sertão: Veredas, escrita por Guimarães Rosa (psicanalista nato por intuição profunda sobre a vida) quando este contava com mais ou menos quarenta anos de idade.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-775"></span></p>
<h2 style="text-align: justify;">A saga épica</h2>
<p style="text-align: justify;">A saga sertaneja versa sobre a trajetória de Riobaldo em direção a ser quem ele era, ou melhor, em direção a si mesmo em um casamento profundo com suas percepções sobre a realidade trágica que rege a vida humana. Neste caso, penso que a alegoria do sertão nos remete ao sertão que é a vida humana, com suas misérias, encantos, feiuras e belezas.</p>
<p style="text-align: justify;">No início de sua longa saga, Riobaldo perambula pelo sertão sem saber muito bem quem ele era. Pula de um bando para o outro, sem convicções próprias, recebendo os mandos dos chefes sobre o que devia fazer e pensar. Neste instante, Riobaldo passava pela vida, simplesmente passava, assujeitado de si mesmo. Em termos psicanalíticos, podemos considerar que ele não havia podido realizar até aquele momento um casamento profundo com suas dimensões mentais inconscientes, as únicas que poderiam auxiliá-lo a fertilizar o sertão que é a vida e a dar algum sentido à sua existência e passagem por este mundo tão carente de sentido e de lógica.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Diadorim: através de</h2>
<p style="text-align: justify;">Mas, em suas andanças, Riobaldo conhece Diadorim. Diadorim em grego (vejam como Guimarães Rosa sabia das coisas!) significa através de (<i>dia </i>– de, <i>dorim</i> – através). A partir do instante em que Riobaldo conhece este menino de olhos vivos, conhece o amor. Neste sentido, podemos pensar que Diadorim foi o meio através do qual Riobaldo pôde se encontrar consigo mesmo. Notem que o meio através do qual isso foi possível foi um meio amoroso, fruto de uma relação de beleza poética e fertilizante quando comparado ao sertão que é a vida e ao sertão ao qual Riobaldo estava mergulhado internamente. Seria esta uma metáfora de Guimarães que nos alerta para o fato de que nós só podemos vir a ser o melhor da gente através de uma relação amorosa, conosco e com o outro? Penso que sim.</p>
<p style="text-align: justify;">O livro segue e Riobaldo sofre por não conseguir compreender o seu amor por outro homem. Diadorim – seu grande amor &#8211; havia se embrenhado pelas jagunçagens do sertão para vingar a morte do pai Joca Ramiro, cometida pelo maldoso Hermógenes – representação exemplar da pura maldade que habita os recônditos da mente humana. Neste sentido, Diadorim é uma alegoria da coragem humana necessária para transitarmos por esta vida. Em meio à crueldade e violência da jagunçagem, Diadorim enfrenta todo tido de dificuldades para lutar por algo em que acreditava e para, finalmente, poder vingar a morte do pai. Com isso, mostra-se forte para enfrentar a maldade, mantendo uma postura digna e corajosa frente à vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Em muitos momentos da saga, Diadorim alerta Riobaldo sobre a necessidade de tomar as rédeas de sua própria vida e de agir por convicção própria. Também diz a ele que ele teria condições de liderar o bando (ser o líder de si mesmo), desde que pudesse vencer o medo paralisante e a insegurança aterradora que o assolava. São passagens belíssimas que nos remetem a esta verdade inexorável da vida humana – a que diz que um ser humano só pode se assenhorar de si mesmo, encontrando alguma autoria de pensamento no mundo, quando é capaz de vencer corajosamente o medo de pensar por si mesmo e fazer um casamento fértil com a dimensão do seu inconsciente. É só isso que nos salva da paralisia mental, da mesmice e da repetição estéril.</p>
<p style="text-align: justify;">Este caminhar no sentido de tomar contato com o real da vida humana, trágica por excelência, faz com que Riobaldo possa fazer reflexões como estas:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>            Vivendo, se aprende; mas, o que se aprende, mais, é só a fazer outras maiores perguntas.</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>            Natureza da gente não cabe em nenhuma certeza.</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>            Eu tinha medo de homem humano.</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>            O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais. </i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>            Assaz a gente vive, assaz alguma vez raciocina.</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>            Os fatos passados obedecem à gente; os em vir também. Só o poder do presente é que é furiável? Não. Esse obedece igual – é o que é. </i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><i>            O ódio – é a gente se lembrar do que não deve-de; o amor é a gente querendo achar o que é da gente.</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"><i> </i>São percepções belíssimas e de profundo impacto estético e emocional sobre o leitor porque falam da humanidade de cada um de nós, da imprevisibilidade e da falta de controle que marcam a vida humana, ao mesmo tempo em que também apontam para a importância de podermos transitar por esta vida em um estado amoroso, querendo encontrar o que é da gente, e só da gente – única condição que faz com que a vida humana possa encontrar algum sentido.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O encontro com o inconsciente</h2>
<p style="text-align: justify;">Retomando a saga, depois de muitas perambulações pelos sertões, e, Riobaldo, cada vez mais decidido a tomar contato com as profundezas da sua existência, certa noite, assustado com aquelas sensações novas que o invadiam porque algo já estava em transformação dentro de si, decide procurar o demônio, fazendo um pacto com ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso que o demônio representa exatamente as forças dionisíacas &#8211; como diria Nietzche – ou, em termos psicanalíticos, as forças do inconsciente para as quais um ser humano não pode dar às costas, não sem pagar um preço alto por isso – o preço de monotonia, da repetição, da ausência de sentido na vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, Riobaldo, em um ato de plena coragem e determinação – que lembra muito o processo vivido por um sujeito em análise quando este deixa de ser dominado e controlado pelas forças inconscientes, para se apossar delas, através do conhecimento íntimo e profundo de si – vai em direção ao demônio e se casa com ele.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Associações com o dionisíaco de Nietzsche</h2>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignleft" src="http://elementochao.files.wordpress.com/2012/07/dioniso.jpg" alt="" width="345" height="440" />Aqui vale uma reflexão interessante. Porque nesta e em tantas outras obras (só para citar uma delas, temos o caso de Fausto de Goethe) as forças vitais do inconsciente são associadas ao demônio, ao diabo? Penso que isso se relaciona a algo que Nietzsche formulou tão bem sobre as forças apolíneas e dionisíacas que regem a vida humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Para este filósofo, as forças dionisíacas – as únicas que levam à desacomodação, à ruptura, ao novo – são também muito impactantes e causam temor exatamente pela sua força disruptiva. Daí ser considerada por muitas pessoas algo perigoso e nefasto – exatamente como a imagem mítica do demônio.  Nietzsche associava estas forças dionisíacas às forças da natureza e dizia que o homem não pode se apartar delas – das forças que o lembram de que é um ser da natureza, antes de ser social e cultural – sem pagar um preço alto por isso. Esta concepção do filósofo é muito semelhante à concepção de inconsciente, desenvolvida por Freud.</p>
<p style="text-align: justify;">Em ambos os casos &#8211; no do filósofo Nietzsche com as forças dionisíacas e no caso do inconsciente freudiano &#8211; a ideia é a mesma. Trata-se das forças pulsionais (representante psíquico dos instintos, ou seja, da nossa ligação mais primitiva com a nossa condição animal) que desacomodam a mente e que por isso são associadas com forças do demônio, por desarrumarem tudo, deixarem tudo fora do lugar. Entretanto, são estas forças que tiram tudo fora do lugar &#8211; a força do inconsciente &#8211; que definem intimamente a nossa vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Afinal, enquanto estamos vivos, há desacomodação, movimento, subidas e descidas. Exatamente como um ecocardiograma. São as forças de morte (pulsão de morte para Freud) que nos levam a querer a inércia, a ausência de movimento, a ausência de conflitos e tensões. Ou seja, podemos conjecturar que foram as forças de vida de Riobaldo que o levaram a se encontrar com o demônio, ou seja, com aquilo que tira tudo fora do lugar, que desacomoda. E, por outro lado, eram suas forças mortíferas ou, sua pulsão de morte, que regia sua vida até o seu encontro com o demônio, pois, neste caso, para não viver a desacomodação de estar vivo, Riobaldo se submetia ao seu próprio medo&#8230;da vida.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O demônio no pensamento judaico-cristão:</h2>
<p style="text-align: justify;">Em nossa sociedade, regida pelo pensamento judaico-cristão, a imagem do demônio é frequentemente associada a algo negativo, em parte porque exatamente o demônio é aquele que desarruma, desaloja, incita a transgressão. Lembra vocês que a figura de Satã, descrita por Milton em &#8220;O paraíso perdido&#8221;, que reconta o mito de criação de Adão e Eva da perspectiva do diabo, é uma das figuras mais interessantes da história. Ele fora expulso do paraíso e invadido por um ódio e inveja terrível pela figura de Deus-todo poderoso, vai até o paraíso, onde nós homens vivíamos tranquilos e sem conflito algum, e nos incita a comer a maça, o fruto proibido que representa o conhecimento. Ou seja, desde que comemos o fruto do conhecimento e passamos a ter consciência de nossa própria existência, de nossa condição mortal e finita, nunca mais tivemos sossego&#8230;porque assim é a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltando à saga épica. Depois que Riobaldo se encontra com o anjo caído – aquele que não se diz o nome – sua mente e seu modo de estar no mundo sofrem profundas transformações. Ele se torna mais corajoso e aquilo que o assolava no sertão (do seu mundo interno) não lhe mete mais medo. E ele faz o que precisa ser feito: segue sertão (vida) adentro. Agora na condição de líder de seu próprio bando. Sua voz agora sai firme de sua garganta porque ele pôde vencer o pior medo, o mais paralisante medo que um ser humano pode ter: o medo de enfrentar a si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste momento, as passagens do livro se tornam épicas e muito inspiradoras. Riobaldo ordena, antevê situações de perigo, organiza e cuida de seu bando, não com um ar de superioridade sobre eles, mas como alguém que conseguiu atingir um estado mental de sabedoria profunda diante da vida. Com isso, todos o ouvem e o respeitam, porque ele próprio aprendeu a ouvir as vozes silenciosas que o habitaram desde sempre. Então, ele parte em caçada ao maldoso Hermógenes, não para humilhá-lo, mas para resgatar sua honra e a de seu amado Diadorim.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu percurso pela vida, pelo sertão, Riobaldo nos inspira, assim como Diadorim, a poder realizar e se desenvolver apesar do medo. No caso de Riobaldo, foi somente depois de ter se apossado firmemente de quem ele era, em um casamento com as dimensões profundas de sua mente inconsciente, é que pôde encontrar sua voz.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, Guimarães demonstrou, neste livro, ter conseguido acessar, por meio de sua forte sensibilidade, verdades profundas sobre a vida humana. Por exemplo: que o único caminho possível ao homem é aquele que o leva dele até ele mesmo. Sem este encontro – às vezes tão temido e evitado pelas pessoas – estamos, de certa forma, condenados como Riobaldo no início da saga, a temer os próprios desejos. E aí, não podemos desejar nada. Nem mesmo podemos desejar viver.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O encontro consigo mesmo na análise</h2>
<p style="text-align: justify;">Na <a href="http://http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">análise</a>, algo muito parecido com o que vivenciou Riobaldo em seu encontro consigo mesmo (e com o diabo) se dá, pois, passamos a perceber cada vez mais a nossa profunda responsabilidade sobre o que nos acontece, e sobre o que não nos acontece na vida. Também aprendemos que a maior coragem que um ser humano pode ter na vida é a de se conhecer em profundidade, apesar do medo. Aprendemos também que, quando o medo pode ser suportado com a coragem típica de um bravo sertanejo, ele aos poucos se enfraquece e aquela forte luz que ameaçou nos cegar o olhar – a luz de tanta verdade nos olhos – passa a ser uma espécie de lampadazinha a nos guiar, agora como verdadeiros sábios, pela vida afora.</p>
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		<title>Antígona e a ética trágica da vida.</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/antigona-e-a-etica-tragica-da-vida/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Aug 2013 13:09:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Antígona]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
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		<category><![CDATA[responsabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[tragédia grega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Já faz um tempo que venho me dedicando a estudar as tragédias gregas, produzidas e encenadas na pólis durante o século V a.C. – período áureo e próspero vivido em Atenas que, nesta época era governada pelo tirano Pisístrato. Apesar de os gregos terem escrito muitas tragédias, muito deste material se perdeu no tempo, chegando &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/antigona-e-a-etica-tragica-da-vida/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Antígona e a ética trágica da vida.</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRHhC3-ZQ2EEUEDyXTO1nVuKx3A0GiwV3fTDihcWVWyv08XhXkhiw" alt="" width="202" height="250" />Já faz um tempo que venho me dedicando a estudar as tragédias gregas, produzidas e encenadas na <i>pólis </i>durante o século V a.C. – período áureo e próspero vivido em Atenas que, nesta época era governada pelo tirano Pisístrato. Apesar de os gregos terem escrito muitas tragédias, muito deste material se perdeu no tempo, chegando até nós algumas das produções de três autores – Ésquilo, Sófocles e Eurípedes.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-758"></span></p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong>O nascimento das tragédias</strong></h2>
<p style="text-align: justify;">Os helenistas (estudiosos que se debruçam sobre o período clássico da história) afirmam que a tragédia grega é fruto de um período histórico, social e cultural muito específico de Atenas – marcado por um período áureo com intenso desenvolvimento econômico, cultural e artístico. Quando Atenas entra em declínio, as tragédias desaparecem, embora deixem o seu valor imorredouro até os dias de hoje, para nossa sorte!</p>
<p style="text-align: justify;">As tragédias derivaram dos mitos, sobretudo aqueles descritos por Homero, na Ilíada e na Odisseia, mas havia uma diferença marcante entre eles. Em Ilíada e Odisseia, por exemplo, a condição humana é exaltada e as dificuldades encontradas por eles eram relacionadas aos deuses.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="http://4.bp.blogspot.com/_2cOT04uzTLg/TPe8xR5IzCI/AAAAAAAAAPM/OCyqLR_vuU4/s1600/pintura+de+troia.jpg" alt="" width="236" height="214" /></p>
<p style="text-align: justify;">Nas tragédias, a conduta humana bem como suas escolhas e consequências são trazidas para o primeiro plano, cabendo ao humano a responsabilidade pelo seu destino e por suas decisões. É o homem, portanto, que deve arcar com suas escolhas, aceitando o seu sofrimento não como algo determinado pelos deuses, mas como fruto de suas decisões individuais. E é aí que está a riqueza das tragédias.</p>
<p style="text-align: justify;">Notem que se trata de uma visão muito diferente daquela empreendida pelo pensamento religioso que apregoa que o sofrimento é uma forma de purificação da mente para se chegar ao paraíso. Neste caso, existe, em última instância, uma visão esperançosa e otimista sobre o destino humano, já que no final todos nós poderemos ascender aos céus, se formos bons.</p>
<p style="text-align: justify;">No caso dos gregos, eles acalentavam uma visão do humano bem diferente disso. Para eles, o sofrimento é parte integrante da condição humana. Também não há uma dimensão de justiça neste sofrimento – ele arrebata a todos, inclusive os bons – algo que é diametralmente oposto à visão religiosa, muito arraigada em nossa sociedade. Para o pensamento religioso, os bons serão exaltados e os maus serão julgados e punidos e, se aos bons existe o sofrimento, é para ensinar-lhes algo, para lhes purificar a alma.</p>
<h2 style="text-align: justify;">A consciência filosófica &#8211; &#8220;Penso, logo existo&#8221;</h2>
<p style="text-align: justify;">Um pouco mais tarde, com o desenvolvimento da filosofia, sobretudo com Descartes e Platão, a busca pela consciência humana se tornou mais teórica, mais especulativa e menos vivencial, como era apresentada nas tragédias. É por isso que Lacan diz que as tragédias representavam aquilo que o humano não consegue alcançar com a razão. Em suas próprias palavras, a tragédia “pensa com os pés” (Lacan, 1974/2002).</p>
<p style="text-align: justify;">Nós sabemos, filhos como somos da modernidade, que herdamos em nosso modo de conceber a nós próprios muito desta visão racionalizante e filosófica sobre o humano – algo que se resume bem na máxima de Descartes “penso, logo existo”. Mas, para os gregos, sobretudo durante o período trágico, a condição humana não é para ser pensada, é para ser colocada em ato, vivida e levada até as últimas consequências – algo que Lacan irá retomar, correlacionando isso com a ética da psicanálise, assunto que trataremos adiante.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Antígona e a ética trágica</h2>
<p style="text-align: justify;">Levando-se em conta que há muitas miríades de possibilidades para discutirmos as tragédias, escolherei uma que considero fundamental que é a questão da responsabilidade diante das próprias escolhas, levada às últimas consequências, algo que se relaciona fortemente à dimensão ética do humano – algo que chamo de ética trágica diante da vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/08/antigona.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-759 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/08/antigona.jpg" alt="antigona" width="223" height="226" /></a>Para discutir esta questão tomarei como modelo a heroína trágica Antígona, apresentada na peça de mesmo nome escrita por Sófocles. Junto de Antígona, temos Édipo Rei e Édipo em Colono – todas escritas por Sófocles – compondo o que se conhece por trilogia tebana. A meu ver, todas elas tratam desta questão da responsabilidade para com as próprias escolhas e de uma conduta ética trágica diante da vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Para quem não conhece a tragédia, vou relatá-la brevemente.</p>
<p style="text-align: justify;"><i>A tragédia começa com um diálogo entre as irmãs Antígona e Ismênia, filhas de Édipo com Jocasta (sua mãe) sobre a ordem dada por Creonte (tio delas) referente ao sepultamento de seus dois irmãos – Etéocles e Polinice – que se matam em uma disputa pelo trono de Tebas. Ocorre que Creonte decretou que somente Etéocles fosse sepultado como um cidadão digno enquanto Polinice foi proibido de ser sepultado, tendo seu corpo jogado para ser comido por aves carniceiras. Isso porque, segundo ele, Etéocles lutou bravamente em prol da cidade e morreu com inigualável bravura, enquanto Polinice retornou do exílio com o propósito de destruir Tebas e ansiando derramar o sangue de seus parentes e reduzi-los a escravidão. Julgado por Creonte como criminoso, o corpo de Polinice foi proibido de receber as honras fúnebres e de ser enterrado dignamente. Antígona recusa esta ordem de Creonte e tenta pedir o auxílio de Ismênia para enterrar o irmão, sangue do seu sangue. Ismênia, preocupada com a lei de Creonte e temendo as represálias pelo seu não cumprimento, decide não ajudar Antígona que, sozinha, enterra o irmão, contrariando a ordem de Creonte.  Quando sabe que a sobrinha teve a audácia e a coragem de contrariar sua ordem – interpretada por ele como visando ao bem comum de Atenas – manda prender Antígona para deixá-la morrer enterrada viva. Seu filho Hémon, que iria se casar com Antígona, ao saber da ordem do pai, tenta dissuadi-lo, mas não consegue. Ele está cego com o seu desejo de fazer o bem! Diante disso, Antígona se enforca, em um ato de extrema coragem e Hémon, seu futuro marido, mata-se com uma espada. Por fim, Euridíce, esposa de Creonte e mãe de Hémon, ao saber do suicídio do filho, tira a própria vida com uma faca. Creonte, ao saber das mortes que sua busca incessante pelo bem comum gerou, suplica que lhe venha a morte, pois não poderá ver clarear outro dia ao que o coro responde, em um belo e profundo diálogo sobre o humano:</i></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b><i>Coro: Oh, Mas isso já é futuro! Pensemos no presente, ó rei! Que cuidem do futuro os que no futuro viverem.</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b><i>Creonte: Tudo o que eu quero está resumido nesta súplica (de morrer)&#8230; Ouvi!</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b><i>Coro: Não formules desejos&#8230; Não é lícito aos mortais evitar as desgraças que o destino lhes reserva!</i></b></p>
<p style="text-align: justify;" align="center"><b><i></i></b>Obviamente esta precária descrição da tragédia não consegue transmitir ao leitor a beleza da peça, com seus diálogos repletos de significados e de compreensões profundas sobre o humano. Por isso, sugiro que a leiam na íntegra!</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos começar por este diálogo final entre o coro e Creonte. Diante do fato de ter que lidar com as consequências funestas dos seus atos (o suicídio de três pessoas, sendo duas delas seu filho e sua esposa), Creonte quer morrer. Não quer permanecer vivo para ter que arcar com as responsabilidades por seus atos! Quer que chegue logo o futuro, quer que o tempo passe para não ter que lidar com aquilo, ao que o coro responde sabiamente: “que cuidem do futuro os que vivem no futuro”. Qual a ideia central contida neste belíssimo diálogo? Estaria o coro remetendo Creonte (e a todos nós) a inelutável necessidade de nos responsabilizarmos pelas consequências de nossos atos? E por quais convicções Creonte agiu como agiu? Estaria ele cego pela necessidade de fazer o bem, de preservar o bem comum da <i>pólis</i>?</p>
<p style="text-align: justify;">Renato Trachtenberg em um interessante artigo intitulado “Cesuras e des-cesuras: as fronteiras da (na) complexidade” publicado na Revista de Psicanálise n. 2, vol. 47, escreveu que o bem em excesso se torna um mal, problematizando as concepções tão fortemente arraigadas que temos sobre o bem e o mal.</p>
<p style="text-align: justify;">Creonte estava convicto de sua decisão que era a de não conceder privilégios a pessoas de seu próprio sangue, pois, segundo ele, um governante que faz isso não é justo com o povo. Também considerava não poder conceder privilégios a um criminoso. Dentro de sua lógica, ele acreditava ter razão! Mas, como o bem levado às últimas consequências, torna-se um mal, ele acaba por ter que se responsabilizar pelo seu bem – mal cometido. Acredito que Creonte é um belíssimo modelo para problematizarmos e relativizarmos o que é o bem e o que é mal, sobretudo quando a decisão cega de seguir as regras pelo “bem comum” impede o humano de relativizar suas posições.</p>
<h2 style="text-align: justify;">E Antígona? O que faz ela diante da lei de Creonte?</h2>
<p style="text-align: justify;">Ela não recua. Solitária e contando somente com seu lastro interno – suas verdades, das quais ela não poderia abrir mão, pois aí sim estaria morta em vida – parte para realizar o que precisa. E não recua, mesmo diante da morte – aquela que todo ser humano teme, por excelência. Segundo Lacan, Antígona é o modelo máximo daquela que arca com os custos do seu desejo, mesmo que isso lhe custe a vida. É aquela que rompe com o discurso da lei e da ordem para surgir como um indivíduo que deseja e paga pra ver! Por isso, seu brilho chega a ser quase intolerável, dado o seu primitivismo e contato com o real. (Lacan, 1969-70/1988).</p>
<p style="text-align: justify;">Em nenhum momento da peça vemos Antígona recuar ou se lamentar pelo seu destino funesto – a morte. Também não sente que isso é um castigo vindo dos deuses. Ela sabe que está pagando pela sua audácia – a de problematizar o que já está dito e escrito – aquilo que não pode ser colocado em diálogo. Só que ela já tem a morte como companheira, como diz Rubem Alves, e, portanto, não a teme. Sente não poder trair suas próprias leis – as leis do sangue – as únicas que podem lhe dar algum lastro de sentido à existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, se trata de um caminhar absolutamente só – uma responsabilidade solitária e ética com a condição trágica da nossa existência. Podemos hipotetizar: e se Antígona não fosse Antígona? E se ela recuasse diante da lei de Creonte? Como viveria a partir dali? Estaria realmente viva? Ou morta em vida? Pois, ao que tudo indica, a concepção de vida expressa nesta belíssima peça nos remete àquilo que precisa ser feito por cada um de nós para que não nos tornemos meros expectadores da nossa própria existência.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, para isso é preciso muita coragem!</p>
<p style="text-align: justify;">Para terminar, gostaria de relacionar esta peça com o que nos propõe a ética da psicanálise. Lacan considerou que Antígona personifica a própria ética da psicanálise. Eu acrescentaria, a ética trágica da psicanálise.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas, qual a relação que podemos fazer entre estas duas coisas?</h2>
<p style="text-align: justify;">Quando Freud criou a psicanálise, mais do que criar um método de tratamento, ele criou uma nova ética. Uma ética trágica da vida que reside no seguinte: Nós seres humanos somos absolutamente responsáveis por aquilo que desejamos, mesmo que desconheçamos, em absoluto, que desejos são estes! Radicalizando esta ideia, o destino não existe, pois a vida é consequência das nossas escolhas (muitas delas inconscientes). O único destino inelutável é a morte.</p>
<p style="text-align: justify;"> É por isso que o coro diz a Creonte que ele não pode fugir para o futuro e que tem que arcar com o que o destino (a psicanálise diria, com o inconsciente) lhe reserva! Disso nenhum de nós pode fugir. Só que esta é uma máxima délfica difícil de ser acessada e colocada em prática porque se conhecer é trágico, embora não se conhecer seja catastrófico.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/08/grego.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-760 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/08/grego.jpg" alt="grego" width="200" height="112" /></a>Então, a ideia de Freud e de Lacan (lembro que Freud não ampliou sua psicanálise a esta dimensão ética do humano) é a de que todos nós devemos, como fez Antígona, nos responsabilizar pelo que desejamos e arcarmos com as consequências disso. Saibamos disso ou não. Foi assim também com Creonte, embora ele tenha tido que sofrer mais para compreender isso.</p>
<p style="text-align: justify;"> Desta forma, quando uma pessoa procura análise, mais do que ser informada sobre si mesma, sobre seus sintomas, ela deverá poder tomar contato com esta ética trágica da vida, devidamente representada pela função do analista – a de que se conhecer é doloroso, mas a de que não se conhecer é mais!</p>
<p style="text-align: justify;">Não há como escaparmos disso. Por isso, trata-se de uma ética trágica. Não se trata de uma ética voltada para o bem comum (como a filosofia discute a ética), mas uma ética profundamente arraigada no humano e nas leis inexoráveis da vida!</p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente há muito mais a ser dito e de forma alguma pretendi esgotar esta discussão profunda e complexa que o contato com a peça pode nos proporcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">Meu intuito com este texto foi o de estimular o leitor para conhecer um pouco melhor deste legado cultural incrível que nos foi deixado pelos gregos!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Referências bibliográficas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Lacan, J. (1959-60). O seminário livro 7: <i>A ética da psicanálise. </i>Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 1988.</p>
<p style="text-align: justify;">Lacan, J. (1974). A terceira. In: <i>Cadernos Lacan. </i>Vol. II, 2002.</p>
<p style="text-align: justify;">Trachtenberg, R. Cesuras e des-cesuras: fronteiras da (na) complexidade. In <i>Revista Brasileira de Psicanálise, </i>Vol. 47, no. 2, 2013. P. 55-66.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/antigona-e-a-etica-tragica-da-vida/">Antígona e a ética trágica da vida.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Reflexões sobre o amor maduro.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Jun 2012 12:00:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[Desejo]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que faz reflexões sobre o amor</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/cronicas-e-reflexoes-sobre-o-amor-maduro/">Reflexões sobre o amor maduro.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">          <img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-529" title="Deus Eros (Deus do amor)" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/06/Deus-Eros-Deus-do-amor-220x300.jpg" alt="" width="153" height="209" />     Este não é um ensaio sobre o amor na velhice ou algo parecido. Trata-se mais de algumas das minhas reflexões que são possíveis por eu estar viva no mundo, como protagonista e observadora.</p>
<p style="text-align: justify;">                Feito este preâmbulo, vamos ao que interessa. Vejo, tanto em minha vida privada, quanto na minha prática de consultório, casais. Casais sofrendo, se engalfinhando, se odiando, se apaixonando, brigando, se reconciliando, mas, vejo raros casais se amando.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-528"></span></p>
<p style="text-align: justify;">                Você pode me dizer que sou uma pessimista convicta e talvez tenha razão, mas, depois que eu defender a minha perspectiva do que é um amor maduro, talvez vá concordar comigo e passar a observar a realidade com um olhar mais criterioso.</p>
<p style="text-align: justify;">                Primeira coisa – amor maduro não tem a ver com idade. Vejo pessoas muito vividas em tempo de vida cronológico que não sabem nada ou quase nada sobre o que é amar. Lembro-me de uma mulher nada jovem me dizendo que, em sua perspectiva, nenhum homem presta. Sua grande meta como mulher na vida parece ter sido se anular para viver a vida de seus homens e isso fez com que ela perdesse todos eles para outras. As defensoras das mulheres poderão me dizer: Tá vendo como homem nenhum presta? Eu, bancando o advogado do diabo, proporia outra questão: Até que ponto esta mulher não deixou de ser desejável para seus homens porque sua única meta na vida era servir ao desejo deles?</p>
<h2 style="text-align: justify;">Onde está o meu desejo?</h2>
<p style="text-align: justify;">                Explico melhor: acredito que uma mulher ou um homem é extremamente desejável quando deseja por si próprio. Não há nada mais brochante que uma “mulher Amélia”. Acredito que o que torna um ser humano desejável é ele poder ser “senhor do seu próprio desejo”. O problema é que nós mulheres fomos criadas por nossas avós e mães para servir ao desejo do outro (normalmente do Homem com H maiúsculo) e isso nos dificultou muito a vida.</p>
<p style="text-align: justify;">                Escrevo “senhor do próprio desejo” entre parênteses porque esta frase é um pouco descabida. Explico: os desejos são derivados do<a href="http://http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php"> inconsciente</a> e, portanto, não são passíveis de ser controlados. Podemos, isso sim, nos responsabilizar pelo que fazemos com eles, na medida em que os conhecemos. Mas, não podemos nos responsabilizar pelo que há no nosso inconsciente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">                Mas, voltando à questão do amor maduro. O que quero dizer com amor maduro não tem nada a ver com aqueles clichês que estamos carecas de ouvir: saiba aceitar as diferenças; releve; seja companheiro&#8230; Tudo isso é verdadeiro, mas também é muito simplista e pronto demais.</p>
<p style="text-align: justify;">                Eu acho que o amor maduro está em outro lugar. O amor maduro é aquele capaz de suportar o risco e a constatação de que não há garantias. Como diz Vinícius de Moraes: “que seja eterno enquanto dure”. Quem me garante que o meu marido não vai conhecer alguém super interessante na esquina? Quem me garante que eu não vá conhecer alguém que me faça questionar se o que eu tenho em casa é suficiente para mim? Ninguém. E por quê? Porque não há garantias.</p>
<p style="text-align: justify;">              Há uma música do Chico Buarque chamada &#8220;Mil perdões&#8221; em que ele fala disso. A música diz assim: &#8220;Te perdôo por pedires perdão. Por amares demais (&#8230;) Te perdôo por te trair&#8221;. A música é belíssima porque fala exatamente de como amar demais e pedir perdão o tempo todo pode ser um peso não só para quem o faz, mas para o ser amado. Além disso, chama a atenção para a responsabilidade do ser traído no desejo que o parceiro tem de trair&#8230;</p>
<h2 style="text-align: justify;">Como estar junto então?</h2>
<p style="text-align: justify;">                Mas, então, caro leitor, você pode estar se perguntando: como podem duas pessoas firmarem o compromisso de estarem juntas? E eu respondo. A saída é estar antenado com o próprio desejo: quem é esta pessoa que está ao meu lado? Eu enxergo o meu companheiro como ele de fato é ou deposito nele projeções, idealizações e frustrações que, na verdade, são minhas?</p>
<p style="text-align: justify;">                Só o fato de nos perguntarmos isso já nos faz sermos desejáveis porque nos tornamos menos previsíveis. Já pararam para observar o quanto as pessoas se escravizam numa relação, seja pelo medo de ficarem sozinhas ou pelo medo de se arriscar e encontrar alguém melhor? Ou então, como podem passar anos e às vezes uma vida toda punindo e culpando o (a) parceiro (a) por sonhos e desejos abandonados?</p>
<h2 style="text-align: justify;">Escravizados pelo &#8220;amor&#8221;:</h2>
<p style="text-align: justify;">                Eu acho que é esta escravização – aquela que vivemos quando deixamos de ter coragem para nos fazermos esta pergunta – que leva muitos casais a se tornarem casais velhos, embolorados e sem vida. É isso que leva as mulheres a se rastejarem por um pouco de atenção. É isso que leva os homens a temerem casamento que nem gato teme água fria.</p>
<p style="text-align: justify;">                Outro problema: quando somos jovens temos ainda muito tempo para nos distrairmos, para passarmos o tempo contando carneirinho. Mas, na medida em que o tempo passa, pelo menos isso é real para mim, sinto cada vez mais a urgência de viver – viver de verdade, não de mentira.</p>
<p style="text-align: justify;">                E sabem de outra coisa: conheço um montão de pessoas mais velhas que fica tão sem coragem de se fazer essa pergunta nessa altura do campeonato e de se dar conta, talvez tarde demais, de que pegou o caminho errado, que foge, literalmente. Por que às vezes pode ser terrível e doloroso demais se deparar com o fato de que vinte, trinta, quarenta anos da vida foram simplesmente jogados fora, ou seja, foram vividos “empurrados com a barriga”.</p>
<p style="text-align: justify;">                Por isso é que eu discordo daquela ideia tão comum de que, quanto mais velhos, mais aprendemos com as experiências. Acho esta uma visão muito idealizada do ser humano. No geral, o que observo é que pessoas mais velhas estão sempre muito assustadas para este tipo de pergunta. Acho muito corajoso quando vejo um paciente meu de idade avançada olhar pra trás e se dar conta de que “ele poderia ter sido melhor naquele casamento” ou “de que eu poderia ter dado mais atenção aos meus filhos”.</p>
<p style="text-align: justify;">                Os mais otimistas poderiam dizer: “Antes tarde do que nunca”. Mas eu diria: já imaginou a dor que é se deparar com isso sem poder fazer o tempo rebobinar? Estes costumam ser momentos de mudanças catastróficas e de verdadeiras reestruturações da personalidade&#8230;</p>
<h2 style="text-align: justify;">O amor incondicional:</h2>
<p style="text-align: justify;">                Contrapondo-se a isso que chamo de amor maduro (tentei encontrar outro nome porque maduro pode trazer a ideia de linearidade – antes era imaturo, agora é maduro – mas, confesso que não achei termo melhor), há o amor incondicional, algo que está no campo do ideal. Não conheço ninguém, nem pais e mães, nem filhos, nem amantes ou esposos que consigam amar o tempo todo e incondicionalmente. Inclusive eu acho que esta obrigação de ter que amar o tempo todo pode nos escravizar e trazer muita culpa inútil. Além disso, acredito que este sentimento “incondicional” não corresponde em nada à intensidade dos sentimentos humanos que costumam ser apaixonados tanto na capacidade de amar quanto na capacidade de odiar. O que quero dizer é que amamos e odiamos com intensidade. Todos nós. E isso faz com que a nossa espécie seja interessante e muito complexa.</p>
<p style="text-align: justify;">                O fato é que não há receita de bolo porque estar vivo é muito, muito angustiante. Fico muito chateada quando escuto colegas terapeutas falando da angústia de um paciente sem esboçarem, minimamente, alguma angústia. Por quê? Porque eu acho que viver é sempre perigoso demais para quem está realmente vivo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E você? Está vivo?</p>
<p style="text-align: justify;">Abraços a todos e até a próxima.</p>
<p style="text-align: justify;">Ana Laura</p>
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		<title>Palestra em Psicanálise promovida pelo Instituto de Estudos Freudianos (IEF) e Barão de Mauá</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/evento-o-inconsciente-promovido-pelo-instituto-de-estudos-freudianos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 May 2012 22:00:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Barão de Mauá]]></category>
		<category><![CDATA[Evento]]></category>
		<category><![CDATA[IEP]]></category>
		<category><![CDATA[inconsciente]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No próximo dia 05 de maio (sábado) acontecerá no Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, o evento &#8220;A clínica psicanalítica  &#8211; sobre o funcionamento do inconsciente&#8221; promovido pelo Instituto de Estudos Freudianos &#8211; IEF. Elaborado em parceria com o Centro Universitário, o evento terá como propósito discutir e refletir sobre o inconsciente freudiano &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/evento-o-inconsciente-promovido-pelo-instituto-de-estudos-freudianos/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Palestra em Psicanálise promovida pelo Instituto de Estudos Freudianos (IEF) e Barão de Mauá</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-519" title="evento psicanálise IEP Barão de Mauá" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/05/cartaz-evento-inconsciente-maio-2012-maua-email-256x300.jpg" alt="evento psicanálise IEP Barão de Mauá" width="186" height="218" />No próximo <strong>dia 05 de maio (sábado)</strong> acontecerá no Centro Universitário Barão de Mauá, em Ribeirão Preto, o evento &#8220;A clínica psicanalítica  &#8211; sobre o funcionamento do inconsciente&#8221; promovido pelo Instituto de Estudos Freudianos &#8211; IEF.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-518"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Elaborado em parceria com o Centro Universitário, o evento terá como propósito discutir e refletir sobre o inconsciente freudiano e compreender sua aplicabilidade na <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br" target="_blank">clínica</a> freudiana atual.</p>
<p style="text-align: justify;">Os palestrantes serão o psicólogo Guilherme Caserta e Carlos H. Barros e Silva.</p>
<p style="text-align: justify;">O evento será gratuito e terá início às 8:30 horas.</p>
<p style="text-align: justify;">As inscrições serão feitas no local.</p>
<p style="text-align: justify;">Não percam!</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/evento-o-inconsciente-promovido-pelo-instituto-de-estudos-freudianos/">Palestra em Psicanálise promovida pelo Instituto de Estudos Freudianos (IEF) e Barão de Mauá</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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