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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Mitos sobre o atendimento psicológico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Sep 2015 08:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dúvidas frequentes sobre o atendimento]]></category>
		<category><![CDATA[mitos]]></category>
		<category><![CDATA[mitos sobre o atendimento psicológico]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[sessão de terapia GNT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>É bastante compreensível que as pessoas não tenham um conhecimento realista do que se passa dentro de uma sala de psicanálise, algo que é facilmente explicado pela ausência de experiências reais com a situação. Também é compreensível que as pessoas julguem a situação &#8220;real&#8221; a partir da experiência de parentes ou colegas que fizeram ou &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/mitos-e-verdades-sobre-o-atendimento-psicologico/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Mitos sobre o atendimento psicológico</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/mitos-e-verdades-sobre-o-atendimento-psicologico/">Mitos sobre o atendimento psicológico</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2010/03/images-3.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1145 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2010/03/images-3-150x150.jpg" alt="images (3)" width="150" height="150" /></a>É bastante compreensível que as pessoas não tenham um conhecimento realista do que se passa dentro de uma<a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php"> <strong>sala de psicanálise</strong></a>, algo que é facilmente explicado pela ausência de experiências reais com a situação.</p>
<p style="text-align: justify;">Também é compreensível que as pessoas julguem a situação &#8220;real&#8221; a partir da experiência de parentes ou colegas que fizeram ou fazem <strong>terapia</strong>, o que é complicado uma vez que a experiência do outro está sempre perpassada por suas próprias emoções.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-6"></span></p>
<h2 style="text-align: justify;">Vamos dar um exemplo:</h2>
<p style="text-align: justify;">Suponhamos, por exemplo, que a terapeuta da sua vizinha mostrou a ela algo de si mesma que a tenha deixado desconfortável e com raiva. Por um mecanismo muito usual chamado <strong>projeção</strong>, a vizinha passará a achar a sua terapeuta incompetente e incapaz de ajudá, algo que se estenderá a todos os terapeutas do planeta e (o que não é incomum) e à terapia como um todo.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, pode ser que a vizinha, naquele momento, esteja idealizando (endeusando) a sua terapeuta. Nesse caso, não só a vizinha estará &#8220;amando&#8221; a sua terapeuta, falando bem dela para todo mundo e recomendando a terapia como a melhor coisa que existe.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Por que isso acontece?</h2>
<p style="text-align: justify;">Eu contei estas duas estórias  para explicar algo muito simples: <strong>os julgamentos e percepções do ser humano sobre um fato não são nada confiáveis</strong>; ao contrário, são tendenciosos e mudam de acordo com os sentimentos de amor ou de ódio predominantes no momento.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O melhor jeito de conhecer como funciona uma <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php">psicanálise</a> é fazendo:</h2>
<p style="text-align: justify;">Por isso, o melhor jeito de conhecer como é uma terapia é fazendo e não ouvindo a experiência dos outros. Este é o melhor remédio para que os mitos sejam desmistificados.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Os mitos:</h2>
<p style="text-align: justify;">O que são mitos? Mitos são estórias que o ser humano inventa desde sempre para dar um sentido ou explicação para algo que não conhece.</p>
<p style="text-align: justify;">Por exemplo, o homem antigo não sabia explicar porque o sol aparecia toda a manhã e desaparecia toda a noite. Então, criou o mito de que havia um deus que carregava o sol em sua carruagem, fazendo-o aparecer e desaparecer a cada dia. Note, portanto, que o mito  em sua definição mais coerente é uma <strong>explicação fantasiosa e irreal</strong> sobre um fato que transcende ou extrapola nossa capacidade de compreensão racional (pelo menos naquele momento). Voltando à estória do sol, depois da ciência ter descoberto que o sol &#8220;aparece&#8221; e &#8220;desaparece&#8221; porque a Terra gira ao redor do sol não fazia mais o menor sentido continuar acreditando no mito do deus-sol.</p>
<p>Certo?</p>
<p style="text-align: justify;"> Essa questão dos mitos é interessante porque se pensarmos em termos evolutivos, o homem primitivo (que acreditava no deus-sol) equivaleria, em termos ontogenéticos, à criança que acredita em monstros, não porque seja tola, mas porque ainda não está psiquicamente madura para compreender que o monstro é uma criação fantasiosa sua para explicar e lidar com o seu ódio.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O pensamento animista do homem:</h2>
<p style="text-align: justify;">Nessa perspectiva, quando um paciente vem à análise pela primeira vez, ele vem como o homem primitivo ou como a criança: aterrorizado por uma série de falsas crenças, amedrontado por monstros e desejoso por encontrar um deus bom (ou um analista-deus) capaz de livrá-lo daquilo que ele sente mas não compreende. Não faz isso porque seja tolo, mas porque ainda não foi capaz de desenvolver condições internas para encontrar um sentido lógico àquilo que ele sente e vive.</p>
<p style="text-align: justify;">Tal como a <strong>criança</strong> ou como o <strong>homem primitivo</strong>, sentira medo do analista quando estiver tomado pelo ódio e esperança de se encontrar com um analista bondoso e compreensivo quando estiver tomado por sentimentos amorosos. Na psicanálise, chamamos este pensamento de <strong>animista. </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Por isso grande parte de um <strong><a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php">trabalho de análise</a></strong> é ajudar o paciente a encontrar um sentido humano e não místico para aquilo que ele sente e vive internamente.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Seriado Sessão de terapia:</h2>
<p style="text-align: justify;">Para finalizar, lembro-me que em 2012 começou a ser exibido no Brasil um seriado chamado &#8220;<strong>Sessão de terapia</strong>&#8221; que fez muito sucesso na época. Na ocasião pensei que seria algo interessante para aproximar um pouco mais o público desta realidade. Também pensei na ocasião que o grande sucesso do seriado era explicado pela imensa curiosidade que as pessoas têm sobre o que se passa em uma sala de análise.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, para meu desagrado o seriado acabou por retratar algo que está muito, mais muito distante do que acontece realmente em uma sala de terapia (pelo menos na minha; não posso falar pelos outros).</p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro porque o terapeuta do seriado estava em um momento ruim de sua vida pessoal e não conseguindo separar seus próprios dramas dos dramas de seus pacientes. Isso não significa que terapeutas não passem por maus momentos, mas, diferentemente do que acontecia no seriado, um bom terapeuta precisa saber realizar uma divisão entre o que está vivendo em sua vida pessoal e o seu trabalho com os pacientes. E isso ele não estava conseguindo fazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo, ele não era psicanalista.</p>
<p style="text-align: justify;">Terceiro, porque a sessão com cada paciente acaba sendo mais um campo de guerra do que uma relação terapêutica propriamente dita. Na prática cotidiana, não é assim que acontece. Obviamente que se vive momentos difíceis e turbulentos com um paciente, mas esta não é a regra.</p>
<p style="text-align: justify;">Em linhas gerais, a relação terapêutica é uma relação profundamente estética pautada na <strong>busca pela verdade</strong> e na <strong>compaixão.</strong></p>
<h2 style="text-align: justify;">Ficou curioso para saber o que se passa em uma sala de psicanálise?</h2>
<p>Não perca o precioso tempo de vida que passa sempre tão rápido (embora o homem, como a criança, imagine ter todo o tempo do mundo). Viva a experiência de conversar com um psicanalista em sua cidade.</p>
<p>Agora, se você estiver na região de Ribeirão Preto, estou à disposição para recebê-lo em minha <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">clínica de psicologia em Ribeirão Preto.</a> Conheça minha <a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/psicologa-ana-laura-moraes-martinez/">formação</a> e <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/contato.php">agende</a> uma entrevista. Conheça mais sobre a <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php">abordagem teórica da psicanálise. </a></p>
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		<title>O feminino na Psicanálise e na tragédia grega.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 06 Apr 2013 16:46:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[diferenciação sexual]]></category>
		<category><![CDATA[falo]]></category>
		<category><![CDATA[feminino]]></category>
		<category><![CDATA[mitos]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[tragédia grega]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em suas elaborações sobre o feminino, Freud lançou a seguinte questão, para ele enigmática e difícil de ser respondida: “O que quer uma mulher?”. Para mim, há ainda outra questão anterior a esta e talvez mais importante: “O que é uma mulher?”. Freud foi duramente criticado por analistas que se seguiram a ele e também &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-feminino-na-psicanalise-e-na-tragedia-grega/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">O feminino na Psicanálise e na tragédia grega.</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-727 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1-150x150.jpg" alt="Femininity_1" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/Femininity_1-120x120.jpg 120w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Em suas elaborações sobre o feminino, <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br">Freud </a>lançou a seguinte questão, para ele enigmática e difícil de ser respondida: “O que quer uma mulher?”. Para mim, há ainda outra questão anterior a esta e talvez mais importante: “O que é uma mulher?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Freud foi duramente criticado por analistas que se seguiram a ele e também por correntes feministas que consideraram sua teoria falocêntrica. Explico-me. Todo o embasamento teórico que Freud deu no que se refere à construção das identidades masculinas e femininas foi assentada na presença ou ausência do pênis, ou seja, no modo como cada ser humano vivência e se coloca diante da castração.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-726"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong><em>Explicações dadas por Freud: </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Para ele, o menino renuncia ao seu objeto amoroso, no caso a mãe, por medo de perder o seu pênis, parte do corpo fortemente investida narcisicamente pelo pequeno infante. É assim que ele abandona seu objeto de amor primordial e introjeta o superego, herdeiro direto do Complexo de Édipo e fonte das regras e normas sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">Para a menina, este processo se dá, segundo Freud, de maneira diferente. No caso dela, é pelo ressentimento de ter sentido que foi a mãe que a privou de ter o órgão tão desejado – o pênis – e por ser ela mesma castrada, que a menina passa a dirigir agora não mais o seu amor, mas o seu ódio à mãe e seu amor pelo pai. Neste caso, Freud também diz que a menina não só desejará ter o pênis do pai para si, mas também desejará ter um filho dele, o que, em termos inconscientes, continua representando o seu desejo de ter um pênis, já que no início a criança faz equivalências entre pênis, fezes e bebês. É por isso que, segundo ele, muitas mulheres adultas abdicam de suas relações com os maridos, quando estes lhes dão um lindo bebê do sexo masculino, detentor do pênis outrora tão desejado. É só neste momento que a menina ingressa no Complexo de Édipo.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O que disse Melanie Klein sobre isso?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Melanie <a href="http://http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br">Klein</a> fez importantes críticas a esta teoria falocêntrica freudiana e assegurou que a primeira parte do corpo invejada por meninos e meninas não seria o pênis, mas sim o seio, fonte por excelência de nutrição e amor. Ou seja, seria a figura feminina e não a masculina, detentora do pênis, a ser invejada inicialmente pela criança pequena. Ressalta-se que esta questão, fortemente assentada em um fundo ideológico de “guerra entre os sexos” nunca foi devidamente resolvida pela Psicanálise.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O misterioso do feminino:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Fato também a ser considerado é que, no caso do<a href="http://http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br"> feminino</a>, muito já foi dito e escrito a respeito, embora se tenha a impressão de que sempre algo de misterioso e não acessível transite pelas questões da feminilidade. Melanie Klein explicou esta dificuldade em apreender o feminino da seguinte forma: para ela, como os órgãos femininos são todos internos e não externos como no caso do menino, que tem fácil acesso visual ao seu pênis, a menina terá mais dificuldade em apreender o que se passa dentro dela. Vale lembrar, por exemplo, o difícil e angustiante momento vivido pela menina em sua primeira menstruação, quando a visualização do sangue menstrual liga-se a profundas angústias e temores inconscientes de ataques e danos a seus órgãos sexuais, vivência que não tem equivalente no menino. É por isso, continua Klein, que os processos introjetivos e consequentes sentimentos culposos são mais presentes em meninas, e processos projetivos em meninos.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark.jpg"><img decoding="async" class=" wp-image-730 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-300x300.jpg" alt="joana-dark" width="180" height="180" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-300x300.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark-120x120.jpg 120w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/joana-dark.jpg 360w" sizes="(max-width: 180px) 100vw, 180px" /></a>Fazendo uma retrospectiva histórica, vale lembrar também como a figura feminina esteve fortemente associada à imagem de bruxas, feiticeiras, demônios e figuras perigosas, imagens estas normalmente elaboradas por homens. Desta forma, não podemos nos esquecer das dificuldades que se impõem quando se trata de um homem (mesmo genial como era Freud) que tenta responder o que é uma mulher.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, considero que responder o que é uma mulher é algo profundamente complexo que passa por questões culturais, sociais, históricas e percepções individuais, estas também afetadas por conflitivas inconscientes. Ressalto ainda que em nossa cultura ocidental, embora isso esteja sofrendo profundas modificações, ser uma mulher ainda parece estar muito associado à experiência da maternidade, algo que também foi fruto de contextos históricos específicos.</p>
<p style="text-align: justify;">Winnicott, a meu ver, foi o que mais propôs uma solução interessante para esta questão. Para ele, o feminino e o masculino são elementos da personalidade que estão presentes em homens e mulheres. O feminino está ligado ao ser, ou seja, vincula-se ao campo do sentir, e o masculino, ao fazer, ou seja, ao campo da ação. Para ele, todos nós temos porções de elementos masculinos e femininos em nossa personalidade, independente de sermos homens ou mulheres, embora sempre haja o predomínio de um elemento sobre o outro.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Recorrendo aos mitos e tragédias gregas: </strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Diante das dificuldades que o conhecimento psicanalítico encontra para apreender o que é o feminino, considero que uma importante fonte de compreensão profunda sobre esta temática possa ser encontrada nos mitos e tragédias gregas. Segundo Freud, os mitos equivalem, em termos de dinâmica e funcionamento, aos sonhos, ou seja, são manifestações diretas de desejos inconscientes. Além disso, são um arsenal cultural disponível e extremamente rico do ponto de vista simbólico para se compreender como o homem primitivo, não no sentido linear, mas no sentido do primitivo que nos habita, lida com os dramas humanos – morte e vida, destino ou escolha, paixões e instintos, etc.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-728 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste-187x300.jpg" alt="250px-Aischylos_Büste" width="131" height="210" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste-187x300.jpg 187w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/250px-Aischylos_Büste.jpg 250w" sizes="auto, (max-width: 131px) 100vw, 131px" /></a>Como não é possível considerar o feminino de um ponto de vista geral, por ser temática ampla e complexa demais, elencarei dois aspectos do feminino – esposa / amante e mãe – retratados respectivamente nas tragédias gregas Orestéia, trilogia escrita por Ésquilo, e Medéia, escrita por Eurípedes, para investigar como estes componentes do feminino são compreendidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Na trilogia Orestéia, temos a personagem Clitemnestra como figura central. Esposa de Agamêmnon, mata o marido para vingar a morte da filha Ifigênia, que fora morta em sacrifício à deusa Artêmis pelo próprio pai. Já em Medéia, encontramos uma mulher que, pelo terrível ciúme do marido Jasão que a troca por Créusa, mata os próprios filhos para se vingar dele. Deixa sua terra natal Cólquida e se desenraiza por “amor”, amor este que transcende a ela própria.</p>
<p style="text-align: justify;">Intensidades amorosas, pulsões violentas marcam a ambas. Seria este um elemento do feminino, não pelo vértice somente pejorativo da loucura, mas da intensidade necessária à vida, ao crescimento? E qual seria o limite entre intensidades amorosas que fazem vigorar o novo, o criativo e aquela que curto-circuita o desejo, o narcisismo de vida? Medéia amava mais a Jasão que a ela própria. Por isso, aceita deixar suas raízes que a definem e lhe dão lastro, em nome do amor, fazendo uma alusão à expressão atual tão conhecida das “mulheres que amam demais”. Cega por este amor-paixão mata os filhos dele, mas que também são filhos dela. Seria esta uma referência à impossibilidade de se criar algo novo (filhos) em uma relação em que a economia pulsional pende mais ao lado do objeto do que do próprio ego? Penso que a compreensão mais profunda desta tragédia pode nos ajudar a compreender mais a fundo, e sem uma visão pejorativa, os cada vez mais comuns crimes amorosos passionais que envolvem tanto mulheres quanto homens.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-729 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia-209x300.jpg" alt="medeia" width="146" height="210" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia-209x300.jpg 209w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/medeia.jpg 223w" sizes="auto, (max-width: 146px) 100vw, 146px" /></a>No caso de Clitemnestra, vemos uma mulher que faz a escolha pela filha e não só mata o marido, mas toma dele o trono, junto de seu amante. Seria este o outro lado da moeda de Medéia? Mulheres que amam demais, mulheres que amam de menos. Mulheres que, enlouquecidas, são tomadas por paixões violentas e às vezes mortíferas que lhe tomam tudo, sugam seus egos e às colocam num vazio sem fim. Lembro-me das inúmeras mulheres que pude atender em meu consultório e que traziam uma queixa muda, às vezes expressa no corpo e que precisava ser colocada para falar, mas que muitas vezes eram compreendidas pelo seu entorno como “frescura”, “histeria” e “falta do que fazer”.</p>
<p style="text-align: justify;">Qual é esta incômoda falta de sentido da qual se queixam as mulheres e que muitas vezes é tão difícil de ser compreendida de uma forma positivada, sem clichês pejorativos? Penso que os mitos e tragédias podem nos ajudar a compreender esta dimensão profunda do feminino – para além da ausência do falo e da castração, que me parecem explicações pobres – e que comumente é rechaçada, inclusive pelas próprias mulheres, não encontrando lugar para serem gestadas e transformadas em algo pensável e criativo.</p>
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