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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Uma neurose masculina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 May 2024 17:12:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidade]]></category>
		<category><![CDATA[neurose]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A partir da escuta de homens na clínica psicanalítica, o artigo busca apresentar o machismo como uma forma de neurose tipicamente masculina. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/uma-neurose-masculina/">Uma neurose masculina</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/05/homem-inseguro.jpg"><img decoding="async" class="wp-image-2979 alignleft" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/05/homem-inseguro-300x169.jpg" alt="" width="256" height="144" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/05/homem-inseguro-300x169.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2024/05/homem-inseguro.jpg 720w" sizes="(max-width: 256px) 100vw, 256px" /></a>Evidencia-se na clínica psicanalítica de alguns pacientes homens importantes conflitos na sua relação com o sexo oposto, causada por um tipo de neurose masculina bem específica. </span></p>
<p><span id="more-2978"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal neurose, que Freud associou à neurose obsessiva, começará a ser visível na adolescência, quando os rapazes voltam a se interessar por mulheres, após o período de dormência sexual da latência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, enquanto um garoto saudável se interessará por mulheres nuas e ficará ereto ao vê-las, o garoto neurótico, em sua luta deliberada contra o desejo sexual, poderá desenvolver nesta fase sintomas como timidez excessiva e desconfiança em relação ao valor moral das mulheres, sobretudo das mais populares e bonitas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse aspecto, a desconfiança da reputação de uma mulher bonita é uma defesa que ele usa para encobrir sua própria insegurança em relação aos rivais, que ele deve superar para tê-la, problemática que remete sempre à competição edipiana que o menino tem com o pai, na infância, pela posse da mãe</span><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que explica, por exemplo, porque uma mulher (ou homem) compromissada(o) se torna sempre mais interessante para tais pessoas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o que se estabelece dentro destes homens é uma relação bastante conflituosa e ambivalente com as mulheres onde, de um lado, ele conscientemente ele às cobiça e deseja, e de outro, sente raiva e desprezo por elas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Analisando os motivos ocultos desta raiva, o que se encontra é a revolta do rapazinho contra o fato de caber aos homens a iniciativa da conquista, posição narcisicamente muito perigosa para eles pelo risco da rejeição, e uma inveja inconsciente da posição passiva da mulher, a quem cabe simplesmente aceitar ou recusar o pretendente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse aspecto, observa-se ser muito angustiante para os homens a arte de saber interpretar nas entrelinhas se uma mulher realmente está receptiva a ele ou não. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro temor de fundo que se observa em muitos casos é o medo que estes rapazinhos sentem de virem a enlouquecer de tanto desejo sexual, o que os força a recalcá-lo brutalmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É o que se viu num homem bastante neurótico que, na juventude, sentia-se muito excitado com sua namorada, o que o levou a terminar com ela e se casar com uma mulher que não lhe despertava nada.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, tais jovenzinhos neuróticos, quando adultos, acabarão se casando com mulheres que não desejam ou, caso as deseje, assim que se casem ou se tornem pais, deixarão de desejá-las. Ocasião na qual, recorrerão à amantes, pornografia, sonhos adúlteros; ou ainda, à masturbação, aos exercícios físicos ou ao</span><span style="font-weight: 400;"> trabalho compulsivo, de modo a deslocarem a libido insatisfeita.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra saída que estes jovens neuróticos encontram para canalizarem a libido represada é se apegarem, de modo fanático, à crenças religiosas e/ou políticas, que servirão, a um só tempo, como forma de extravasá-la e, ao mesmo tempo, defender-se moralmente dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, é muito comum encontrar na fase da adolescência destes homens, períodos cíclicos em que oscilaram entre uma obediência cega à alguma figura de autoridade idealizada, substituta do pai, e condutas delinquenciais graves como colocar fogo em coisas, furtar, envolver-se em brigas e acidentes, mentir, dar cavalos de pau em automóveis, etc. Condutas que representarão, em nível inconsciente, exibições de superioridade e força em relação ao pai. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concluindo, timidez e insegurança excessivas, a autopercepção de se ser feio e desinteressante para o sexo oposto bem como decepções amorosas sérias na puberdade, estarão entre alguns dos motivos que predisporão o jovem rapaz, mas também a garota, se excessivamente fálica, à neuroses sexuais graves no futuro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Espero assim ter demonstrado que muitos dos maus sentimentos que homens neuróticos nutrem pelas mulheres advém de fontes inconscientes profundas, nunca acessadas fora do âmbito de uma análise, indo muito além do que se apregoa vulgarmente como machismo. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Impactos da neurose nas relações conjugais à luz do filme A difícil arte de amar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 14 Dec 2015 13:18:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[a difícil arte de amar]]></category>
		<category><![CDATA[complexo de édipo]]></category>
		<category><![CDATA[neurose]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[relações conjugais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu objetivo neste texto é demonstrar como a presença de neurose em cada um dos membros de um casal pode impactar negativamente a relação conjugal e, muitas vezes, inviabilizá-la. Para tanto utilizarei como estímulo para refletir sobre o tema o filme “A difícil arte de amar”, lançado em 1986 sob a direção do norte-americano Mike &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/impactos-da-neurose-nas-relacoes-conjugais-a-luz-do-filme-a-dificil-arte-de-amar/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Impactos da neurose nas relações conjugais à luz do filme A difícil arte de amar</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/12/dvd_8331.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1682 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/12/dvd_8331.jpg" alt="dvd_8331" width="150" height="200" /></a>Meu objetivo neste texto é demonstrar como a presença de neurose em cada um dos membros de um casal pode impactar negativamente a relação conjugal e, muitas vezes, inviabilizá-la. Para tanto utilizarei como estímulo para refletir sobre o tema o filme “A difícil arte de amar”, lançado em 1986 sob a direção do norte-americano Mike Nichols e estrelado por Meryl Streep e Jack Nicholson.</p>
<p style="text-align: justify;">A história, aparentemente banal, começa com Rachel (Meryl Streep) flertando em um casamento com Mark (Jack Nicholson). Ela se apresenta como uma mulher independente, cabelos curtos, roupa elegante e sóbria. Trabalha como escritora de matérias culinárias na agitada cidade de Nova York. Durante a cerimônia, toma a dianteira no flerte, olha para ele, visivelmente mais velho que ela, pelo espelho da maquiagem. Ele, galante e com histórico de mulherengo (o solteiro mais famoso da cidade), devolve o olhar.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1681"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Ainda na cerimônia, várias mulheres choram, inclusive a terapeuta de grupo de Rachel, enquanto Mark cochila. Curiosamente Rachel não chora o que faz o espectador pensar que esta mulher, diferente de outras, arranjou-se em outra posição que não a de mulher romântica. Mas isso não vai se mostrar sustentável ao longo da trama, como veremos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem. A história segue e, na festa, Rachel mais uma vez faz-se de ousada: ele a convida para tomar um drink em outro lugar e ela prontamente aceita. Passam a noite juntos. Depois do ato sexual, ela cozinha para ele um macarrão à carbonada. Ela diz: “Espero que você não me ache muito moderna cozinhando pra você logo na primeira noite”. Ele a defende, sedutor: “Não, não. Este é o melhor macarrão que já comi na minha vida. Quero comê-lo toda semana pelo resto da minha vida”. Nem um pedido de casamento como este logo na primeira noite de sexo vindo do “solteiro mais famoso da cidade” faz Rachel desconfiar.</p>
<p style="text-align: justify;">Ela segue, embalada pelo seu sonho dourado e logo marcam a data do casamento. Neste dia ela chora. Vestida de noiva e, com todos os convidados a esperando, além do noivo, diz que não vai se casar, que não acredita em casamento, que seus pais nunca foram felizes juntos, o que parece ter sido verdade. O pai de Rachel confirma: sua mãe era “louca”, leia-se frágil e ele próprio, um homem que nunca conseguiu ser fiel.</p>
<p style="text-align: justify;">Este é, portanto, o modelo de relação conjugal internalizado por Rachel: uma mãe frágil e um pai mulherengo. Não continuarei descrevendo a trama já que o meu objetivo é centrar-me neste modelo de pais internalizados para discutir a neurose de Rachel e de Mark. Só adianto que a história termina mal. Eles se casam, Rachel engravida e vai se abandonando. Mark a trai durante longo tempo com outra mulher. Ela descobre e, no início, tem dificuldade para se posicionar. Finalmente, ela consegue se separar e tudo indica que retorna de onde saiu: da casa de seu pai viúvo em Nova York. A menina por trás da mulher comparece o que me faz levantar a hipótese da presença de uma neurose não elaborada.</p>
<h2 style="text-align: justify;"><strong>O que é uma neurose para a psicanálise?</strong></h2>
<p style="text-align: justify;">Freud designou que neurose é uma situação em que pessoa permaneceu fixada em alguma vivência emocional do passado à qual repete incessantemente em sua vida presente. Mas à qual situação emocional a pessoa que tem uma neurose ficou “presa”?</p>
<p style="text-align: justify;">Para ser bem direta, ela ficou presa ao amor infantil que sentiu, no passado, pelos pais. A este amor apaixonado e sensual Freud nomeou “Complexo de Édipo”, que acontece de forma diferente na menina e no menino. No caso de Rachel, a hipótese que levanto é a de que ela permaneceu presa ao amor apaixonado que sentia pelo pai, situação que a fez buscar um homem bem mais velho que ela e mulherengo como o pai. Isso explica porque Rachel, mesmo adulta, ainda morava com ele e também porque ela se comportou como uma menina amedrontada no dia do casamento, que era o dia em que ela teria que se desligar do pai para ir morar em outra cidade com o marido. O problema é que como uma neurótica Rachel escolhe inconscientemente um homem parecido com o pai (modelo não muito interessante de se buscar como marido!) sendo que ela própria, identificada com a mãe, comporta-se como uma mulher frágil e abandonada de si mesma no casamento, fazendo com que o destino deste casal se torne inviável, exatamente como aconteceu com os pais.</p>
<p style="text-align: justify;">Mark também sofria de uma neurose. Sua síndrome de Don Juan me faz pensar na dificuldade que ele encontrou em fundir na mesma mulher a corrente terna e sensual de sua libido, situação que também revela de sua parte uma fixação na mãe. Vale lembrar que foi logo depois que Rachel teve a filha que ele começou a traí-la. Ou seja, depois que ele passou a vê-la como mãe, viu-se impossibilitado de vê-la também como objeto sexual, situação que revelaria de muito perto o desejo real do seu inconsciente de ter relações sexuais com a mãe.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltando à Rachel sua neurose comparecia ainda de outra maneira, muito frequente entre as mulheres. Tratava-se do seu desejo incontrolável de entregar-se nas mãos do objeto amado. Em uma linguagem lacaniana, fazer do Outro o falo dela. Fazendo uma extensão da posição fálica de Freud, Lacan teoriza que neste período é o Falo o objeto de investimento sexual da criança. Para o menino, o falo é a mãe. É com ela que ele quer se excitar e ter uma relação sexual, impossível do ponto de vista do eu. Já para a menina, que não é possuidora do Falo-pênis (refiro-me à falo como símbolo de poder e não como o órgão pênis), sua meta é ter o Falo-amor. Seu anseio por completude neste período advém da fantasia de entregar-se toda ao objeto amoroso pai. Era isso o que acontecia com Rachel. Frente ao substituto paterno ela acreditou no engodo de que todo o amor que ele lhe daria bastaria a ela. Com isso, ficaria completa, não faltante. Por esta ilusão de completude, pagou um preço alto: o preço de sua autonomia como sujeito do próprio desejo.</p>
<p style="text-align: justify;">A resolução do Complexo de Édipo, tanto no menino quanto na menina, consiste na constatação de que a realização do desejo sexual incestuoso é impossível, assim como é impossível a satisfação plena em qualquer relação sexual (“A relação sexual não existe”, Lacan). Nós resolvemos nossa neurose na medida em que aceitamos a castração, ou seja, a impossibilidade de realizarmos o desejo incestuoso, sobretudo, no caso do neurótico, pela via do sintoma. Neste árduo processo, nem Rachel nem Mark foram bem-sucedidos. Em seu inconsciente, Rachel acalentava o anseio de ser plenamente preenchida de amor-falo e de, nesta situação, nada mais lhe faltaria. O desejo, em sua visão infantil, estaria para sempre aniquilado. Por esta fantasia, pagou o preço da perda de sua autonomia como sujeito desejante. Em termos edipianos, a menina Rachel nunca pôde abrir mão de seu pai, avistando na concretização deste desejo algo do impossível. Já Mark, fazendo-se de falo sedutor, prometia algo que não podia cumprir. Prometia ser um homem viril. Mas pela sua neurose não podia sustentar tal posição no casamento com a esposa. Sua virilidade era aparente, mais encenada do que real. Em termos edipianos, era a imagem da mãe que ele avistava em seu inconsciente a cada vez que se deparava com a mulher grávida. Daí a impossibilidade de se satisfazer sexualmente com ela.</p>
<p style="text-align: justify;">Antes de finalizar, queria sinalizar só mais um aspecto desta questão. Freud foi enfático ao dizer que a neurose infantil é construída com permissão do inconsciente dos pais. Ou seja, o inconsciente dos pais também está implicado na fixação no desejo incestuoso da criança. Esta questão fica evidente no filme. Logo que Rachel descobre a traição do marido, vai à casa do pai como uma menina frágil. A resposta do pai é curiosa. Diz-lhe indiretamente que ela mande de volta a filha de Rachel para Mark e que fique lá com ele. Curiosamente, ele não a trata como uma adulta dizendo-lhe, por exemplo: “Filha, seus problemas com seu casamento devem ser resolvidos na sua casa! Volte para lá e os resolva como mulher. ” Ao contrário! Ele endossa e reforça nela sua posição infantil possivelmente extraindo disso também algum prazer incestuoso. Concluindo, Rachel pode ter se tornado neurótica, em parte pela intensidade de seus desejos, mas também pela carência de um modelo feminino e masculino mais efetivos. Este é, penso eu, o aspecto transgeracional da neurose que vai sendo transmitido de pais para filhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Tais considerações psicanalíticas sobre os conflitos conjugais ou, sobre “a difícil arte de amar” são fundamentais na medida em que explicações racionalizantes e externas tendem a predominar nestes casos. Diz-se, por exemplo, para endossar este tipo de problema neurótica coisas do tipo: “Todo homem trai” ou “Toda mulher é frágil”, generalizações estas que empobrecem o nosso olhar e tornam inacessíveis as considerações sobre o complexo fenômeno do mundo interno e das manifestações do inconsciente. A psicanálise vai na contramão disso e chama o próprio sujeito a se indagar sobre o seu sofrimento causado, em última instância, por ele mesmo. Se Rachel tivesse visitado o divã de um analista antes de “escolher” seu segundo marido certamente seria confrontada com sua “escolha”: “Por que este homem, como seu pai? ”ou “Por que frágil, como sua mãe?”</p>
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