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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Não se adoece mentalmente por estresse! Contribuições de Freud para o entendimento do padecer mental</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 30 Dec 2015 16:46:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Pergunte ao psicanalista]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[estresse]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[hereditariedade]]></category>
		<category><![CDATA[medicina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu objetivo neste texto é problematizar uma concepção recorrente: a de que causas banais e atuais da vida quotidiana provocam o que em psicanálise chamamos de neuroses e outras desordens mentais. Uma pessoa procura um analista e lhe diz na entrevista, quando indagada sobre o que ela pensa a respeito das motivações que a fizeram &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/nao-se-adoece-mentalmente-por-estresse-contribuicoes-de-freud-para-o-entendimento-do-padecer-mental/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Não se adoece mentalmente por estresse! Contribuições de Freud para o entendimento do padecer mental</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/nao-se-adoece-mentalmente-por-estresse-contribuicoes-de-freud-para-o-entendimento-do-padecer-mental/">Não se adoece mentalmente por estresse! Contribuições de Freud para o entendimento do padecer mental</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2012/01/download-9.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1111 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2012/01/download-9-150x150.jpg" alt="download (9)" width="150" height="150" /></a>Meu objetivo neste texto é problematizar uma concepção recorrente: a de que causas banais e atuais da vida quotidiana provocam o que em psicanálise chamamos de neuroses e outras desordens mentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma pessoa procura um analista e lhe diz na entrevista, quando indagada sobre o que ela pensa a respeito das motivações que a fizeram produzir determinados sintomas, que é por causa do estresse no trabalho ou por algum trauma vivido recentemente, ou ainda, por um dissabor no trabalho ou no casamento ou a perda de um ente querido.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O que o analista pensa disso?</h2>
<p>Ele pensa que esta pessoa está somente parcialmente do lado da verdade. Vejamos o porquê.</p>
<p><span id="more-1690"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em “A hereditariedade e a etiologia das neuroses” (Freud, data) ele é enfático ao dizer que há três classes de causas que produzem uma neurose: as <u>pré-condições </u>que é a carga hereditária de uma pessoa para desenvolver determinada neurose; as <u>causas concorrentes</u> que são as motivações atuais que levam à eclosão dos sintomas (estresse, dissabor emocional, trauma, etc.) e as <u>causas específicas</u>, que são as únicas que verdadeiramente importam ao psicanalista. Por causas especificas ele compreende a vida sexual infantil que continua a ser reeditada nas relações atuais deste indivíduo.</p>
<p style="text-align: justify;">Acontece que é corrente o pensamento que apregoa que são os males da vida moderna que levam o homem a produzir sintomas. Não é incomum encontrarmos teorias psicológicas que advogam que são as condições sociais que levam o ser humano a adoecer psiquicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">A psicanálise não compartilha desta visão! Se assim fosse, como explicar o fato de duas pessoas submetidas à mesma experiência traumática (por exemplo, a morte do pai) em que uma desenvolve neurose e outra não. Como explicar isso sem recorrer à teorias psicologizantes?</p>
<p style="text-align: justify;">Para dar continuidade ao meu raciocínio, peguemos esta mesma pessoa que perdeu o pai. Suponhamos que depois disso ela desenvolveu sintomas obsessivos e fóbicos. Mais especificamente ela não consegue mais sair às ruas, pois teme que algo de mal lhe aconteça. Por exemplo, teme ser assaltada e morta em seguida. Esta cena – a do assalto seguido de morte – não lhe sai mais da mente como um pensamento intrusivo que aparece a qualquer momento do dia ou da noite.</p>
<p style="text-align: justify;">Ora, explicações psicologizantes que expliquem tais sintomas pela via do trauma pela perda ou pelo excesso de violência real na vida quotidiana não seriam suficientes nem tão pouco eficientes para ajudar o paciente a se desvencilhar do seu padecer. Também não seria eficiente a explicação de que esta pessoa tem uma tendência hereditária ao desenvolvimento de neurose.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Que hipótese levantará o analista frente a escuta de tais sintomas?</h2>
<p style="text-align: justify;">Seguindo à risca o que nos legou Freud, esta pessoa desenvolveu sintomas neuróticos porque a morte do pai fez reavivar nela conflitivas edípicas infantis que estavam latentes no seu inconsciente. O psicanalista sabe que a morte do pai faz reacender no inconsciente do indivíduo a chama do desejo parricida e incestuoso (matar o pai para finalmente possuir a mãe) que habita o inconsciente de todos nós. Se esta pessoa for homem provavelmente se sentirá culpada por ter concretizado, na realidade, o seu desejo inconsciente de matar o pai e ter sua mãe para si. Estamos, portanto, dentro do drama hamletiano de Shakespeare.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale lembrar que o inconsciente não discrimina desejo e realidade. Ou seja, para ele pouco importa que não fui eu quem matou meu pai, mas sim o câncer ou um acidente de carro.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, a culpa pelo desejo parricida realizado é sempre atuante no psiquismo e deriva dos imperativos supernegócios, o que explica por exemplo a necessidade de leis religiosas também imperativas como “honrarás pai e mãe e não desejará a mulher do próximo (do pai)”.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda no nosso exemplo hipotético, o pensamento obsessivo de ser assaltado e morto na rua pode ser explicado pelo viés da culpa e da necessidade de expiação pelo desejo parricida. Assim diz o inconsciente do pobre paciente: “Se você matou seu pai e agora finalmente pode deitar-se com sua mãe, nada mais justo que você seja punido por estes seus desejos abjetos pagando com sua própria vida”.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrevendo agora sobre isso acabo de me lembrar que no filme Amadeus (1984) que retrata a vida e obra de Amadeus Mozart fica bastante claro que após a morte de seu pai, por quem nutria uma profunda admiração e rivalidade edipiana, Mozart encontrou dificuldade em manter sua produção criativa, envolvendo-se cada vez mais com bebidas e situações bizarras; situação que o levou prematuramente à doença e à morte.</p>
<p style="text-align: justify;">A figura aterrorizadora do pai castrador e assassinado é, inclusive, o mote da ópera Don Giovanni ou o Libertino Punido, criada logo após a sua perda.  Resumidamente a trama se centra nas peripécias amorosas do libertino Don Giovanni, um nobre que seduz donzelas prometendo-lhes casamento, ainda que no final às abandone. Don Giovanni se engraça com Donna Anna, cujo pai era o Comendador. Por fim, este é assassinado por Don Giovani em uma situação em que ele tentava proteger a filha das investidas amorosas do sedutor incorrigível. Ao final da peça, Don Giovanni é arrastado para o inferno pelas mãos do Comendador que volta do mundo dos mortos para exigir vingança.</p>
<p style="text-align: justify;">Nota-se como a presença da temática da triangulação edipiana está presente na peça. Nela Mozart revela seus anseios parricidas com relação ao pai &#8211; Comendador e seu desejo sexual desmedido com relação à mãe &#8211; Donna Anna. Levando-se em conta que a peça foi escrita logo após a morte do pai de Mozart podemos hipotetizar que nela o compositor realiza sua necessidade de expiação para sua culpa inconsciente pela morte do pai e pelos desejos libertinos dirigidos à mulher. É a vingança do pai pela libertinagem do filho que Mozart realiza em sua obra magistral.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero ter conseguido demonstrar que para a psicanálise o evento traumático e atual – a morte do pai, por exemplo – não tem qualquer importância pelo fato em si. Sua importância para o psicanalista reside na significação fantasmática que ele evoca, ou melhor, no desejo inconsciente ao qual ele responde ou faz reavivar.</p>
<p style="text-align: justify;">Explicações psicologizantes, nesses casos, apesar de oferecerem algum conforto momentâneo ao ego do indivíduo não têm qualquer eficácia real. Diz-se, por exemplo, ao nosso sujeito hipotético: “Não fique assim. É natural você estar deprimido. Afinal seu pai morreu!” Mas o próprio sujeito sabe, e o psicanalista também, que este tipo de placebo para a alma tem vida curta e nenhuma eficácia real para o seu padecer. É como querer tratar um câncer com água com açúcar ou benzedeiras.</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda seguindo Freud a única saída realista para o sujeito que sofre com seus sintomas é que alguém minimamente corajoso (espera-se que o psicanalista o seja) possa ajudá-lo a se confrontar com seus próprios desejos. Estes mesmos desejos sexuais que a humanidade reluta em aceitar em si mesma, por considerá-los abjetos e imundos, mas que são parte inerente da nossa natureza; estes mesmos desejos sexuais que, quando negados, podem tornar a vida humana degradante e miserável, mas que também são motor para as realizações humanas mais sublimes e nobres, como é o caso da arte.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde Freud há uma tentativa do discurso médico, disseminado na cultura, de sobrevalorizar os aspectos orgânicos e hereditários e de subestimar os aspectos subjetivos e psíquicos do adoecimento mental. A presença da psicanálise no meio cultural humano há pouco mais de um século tem modificado esta perspectiva, trazendo novo e ricos elementos para o homem interpretar e compreender o seu sofrimento não com base em fatores externos e, portanto, alheios ao seu poder de ingerência, mas voltando-se para si mesmo. Para a psicanálise a máxima socrática Conhece-te a ti mesmo nunca deixará de ser atual.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Referência bibliográfica</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong>Freud, S. (1996). A hereditariedade e a etiologia das neuroses. In. Freud, S. <em>Obras psicológicas completas de Sigmund Freud edição standard brasileira. </em>Vol. III. Pp. 141 – 158. Rio de Janeiro: Imago. (Artigo original publicado em 1896.)</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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