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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Fri, 11 Apr 2025 18:23:47 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Reflexões sobre a melancolia e o tédio em Felicidade Conjugal, de Liev Tolstói</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jan 2025 15:01:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[tédio]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artigo reflete sobre o tema da melancolia e do tédio presentes na novela Felicidade Conjugal, de Liev Tolstói</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-melancolia-e-o-tedio-em-felicidade-conjugal-de-liev-tolstoi/">Reflexões sobre a melancolia e o tédio em Felicidade Conjugal, de Liev Tolstói</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><img decoding="async" class="alignleft" src="https://static.wixstatic.com/media/d61ae6_d12cfcc4076448f3b02b6cd12afb4b14~mv2.jpg/v1/fill/w_1000,h_749,al_c,q_90,usm_0.66_1.00_0.01/d61ae6_d12cfcc4076448f3b02b6cd12afb4b14~mv2.jpg" alt="" width="203" height="152" />Em Felicidade Conjugal, de Liev Tolstói, encontramos um estudo profundo sobre a melancolia e o tédio, que pode ocorrer em qualquer fase da vida, embora costume se agravar com a chegada da meia idade.</span></p>
<p><span id="more-3122"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos para isso é que, enquanto o jovem percorre seus sonhos e desejos com obstinada empolgação, o homem e a mulher de meia idade começam a perceber que há muito de ilusório nestas ambições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que os obriga, ao chegar à meia idade, a rever e aprofundar seus valores. Daí Nelson Rodrigues dizer aos jovens que, por favor, envelheçam. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, por exemplo, a mulher e o homem que sonharam ser pais, com os filhos mais velhos, podem se decepcionar com o que estes se tornaram, e que o tempo maravilhoso em que eram pequenos não volta mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já aqueles que dão muito valor ao trabalho, podem, na meia idade, começar a se entediar com o que passaram seus últimos vinte ou trinta anos fazendo. Ou, então, a perceber que só se cansaram e não chegaram a lugar algum.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse aspecto, a possibilidade de salvar-se do tédio e da melancolia passará por um aprofundamento no olhar sobre as coisas e uma revisão honesta sobre as rotas tomadas, o que nunca é fácil. </span></p>
<h2>Felicidade conjugal</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">É este aprofundamento de valores do homem que sabe envelhecer que encontramos em Serguei Mikháilitch, marido da protagonista Macha, na novela Felicidade Conjugal de Liev Tolstói. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, em dado momento em que ela está profundamente entediada com a vida familiar e conjugal, e fica caçando briga com o marido só para sair da pasmaceira e da angústia em que se encontra, acusa-o de ser um bobo e estar sempre satisfeito com tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ele lhe explica sobre isso é que sua insatisfação juvenil fazem-na desdenhar de uma vida tranquila, quando na verdade, ter paz é tudo o que importa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algo que ele obviamente só pôde aprender depois de já ter sido jovem e ter perdido bastante tempo sendo bobo. Daí não se poder condenar os jovens por sua tolice, que faz parte do seu amadurecimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse aspecto, ser feliz na maturidade poderá  significar ser capaz de enxergar beleza nas pequenas alegrias diárias da vida. Como regar uma planta, cultivar velhos hábitos, dormir uma boa noite de sono, ter o intestino regular e nenhuma doença grave à vista. O que não significa que, de vez em quando, não se será assaltado pelo tédio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já para a jovem Macha ser feliz era ir à bailes, ser cortejada pelos homens e admirada pelas mulheres, e estar sempre em busca de novidades.</span></p>
<h2>Rotina x novidade</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim penso que Macha e Serguei representam duas dimensões da condição humana que conflitam em nós a vida toda, sendo elas, respectivamente, a busca por novidade e mudança versus o prazer na estabilidade e na rotina, tendo ambas o seu valor, desde que na medida certa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre isso, erroneamente se associa o desejo por novidades à juventude e o gosto pela estabilidade aos adultos e velhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Prova-se o preconceito desta visão no fato de ser muito comum adultos de meia idade serem assaltados por um desejo louco e irrefreável por mudança, que pode levá-los, por exemplo, à se divorciar repentinamente, abandonar suas carreiras e largar tudo, mudar de estilo de vida ou de cidade ou mesmo envolver-se em casos extraconjugais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daí ser crucial não moralizar o sentimento de insatisfação nem o gosto por rotina, tudo dependendo da dose e de se ter um espaço de reflexão, antes de se tomar qualquer decisão.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois, se a insatisfação é o que nos leva a mudar situações ruins, em excesso, pode tornar uma pessoa exigente e incapaz de valorizar o que possui. Cita-se sobre isso o exemplo de pessoas que, tomadas por um ímpeto de tédio e insatisfação, divorciam-se de casamentos felizes, e depois se arrependem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma forma que gostar da rotina diária e ser organizado pode significar sabedoria e capacidade de ser feliz com coisas simples, apegar-se em excesso à rotina e à estabilidade pode tornar uma pessoa excessivamente medrosa, controladora, acomodada e despreparada para lidar com mudanças inevitáveis da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Nesse aspecto, entendo que o tédio pode ser expressão de um desejo incipiente por mudanças e transformações que brotam de dentro. Desejos, que, se bem entendidos, podem culminar em verdadeiros pontos de virada na vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro destino ao tédio, infelizmente muito comum, é a pessoa não fazer nada a respeito e passar o resto da vida reclamando.    </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, como psicanalista, considero muito seriamente o tédio e a melancolia em meus pacientes como podendo ser a expressão de verdadeiros desejos por mudança ainda não muito bem formulados pela própria pessoa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Princípio de um longo e doloroso processo de desalienação no qual a pessoa começará a se indagar, por exemplo, se valeu tanto assim a pena ter sido o filho ou os pais perfeitos, o trabalhador ou o aluno obcecado com a perfeição de suas tarefas ou o amigo que nunca expôs o que sentia.</span></p>
<p>Outros fatores que parecem gerar tédio são o excesso de conforto material e ausência de desafios e dificuldades a serem superadas e a ação massiva do ódio na mente.</p>
<h2>O amadurecimento de Macha</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando, vemos na novela Macha encaminhar-se para um amadurecimento e aprofundamento do seu olhar. Assim, por exemplo, aprende que o amor inflamado e febril que experimentou pelo marido nos primeiros tempos de casamento, afinal, não poderia durar para sempre, já que “</span><i><span style="font-weight: 400;">cada tempo tem seu amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais madura, também aprende a enxergar beleza nas pequenas coisas singelas da vida como os pezinhos do filho e a rotina de chá com o marido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suma, terminada a crise, a ingênua e insatisfeita Macha deixará de desprezar o marido por seu jeito simples e fácil de ser feliz, finalmente descobrindo que ninguém escapa em alguma medida à monotonia e ao tédio da vida, que pode ter lá sua grande beleza. </span></p>
<p style="text-align: right;">* <em>Não é imprescindível que o leitor conheça a novela para acompanhar o artigo. Mas, se quiser se deleitar com a leitura deste clássico, <a href="https://drive.google.com/file/d/171lqB2f3jS0uxQOH2b0C36nPR8mQTL8_/view?usp=drive_link" target="_blank" rel="noopener">clique aqui para baixar o livro Novelas Completas &#8211; Liev Tolstói</a>.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>** O uso do termo melancolia no presente artigo não corresponde ao conceito estritamente freudiano conforme descrito em Luto e Melancolia (1915), mas à presença de sentimentos de tristeza, apatia e desânimo que se experimenta ao longo da vida.</em></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-melancolia-e-o-tedio-em-felicidade-conjugal-de-liev-tolstoi/">Reflexões sobre a melancolia e o tédio em Felicidade Conjugal, de Liev Tolstói</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Hoje estou de luto.</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/hoje-estou-de-luto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Sep 2017 17:03:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[incêndio em mata]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[riqueza]]></category>
		<category><![CDATA[tédio]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexões sobre o individualismo do sujeito contemporâneo a partir de narração de uma situação de incêndio. Também faz um contraponto destas condutas humanas contrastando-a com a generosidade e o heroísmo que podemos encontrar entre os outros animais. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/hoje-estou-de-luto/">Hoje estou de luto.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/09/images.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1835 size-medium" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/09/images-300x151.jpg" alt="" width="300" height="151" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/09/images-300x151.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2017/09/images.jpg 316w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" /></a>Hoje estou de luto por alguns de meus vizinhos que, perplexos, me perguntaram por que eu chorava se minha casa estava protegida do incêndio que devorou por dois dias ininterruptos a mata e matou milhares de vidas mais honestas que a nossa.</p>
<p>Estou de luto pela falta de paixão de algumas das pessoas vestidas de vermelho que foram enviadas para nos ajudar, mas que se mostraram terrivelmente presas nas malhas da inércia. Desalmadas e carcomidas no ser por um salário miserável e por um Município que não as valoriza como salvadoras que em tese são, mostraram-me o quão triste é um coração sem alma, desacreditado de sua própria importância no mundo.</p>
<p>Estou de luto por aqueles que conseguiram chegar em casa após um dia de trabalho e ligar a TV mesmo com labaredas enormes devastando a vida e empesteando o ar a alguns metros de suas lindas e envidraçadas janelas.</p>
<p><span id="more-1833"></span></p>
<p>Estou de luto por aqueles que passaram curiosos em seus carros de luxo e, sem nenhuma bondade, mas cheios de curiosidade mórbida simplesmente levantaram o pescoço para perscrutar a desgraça alheia.</p>
<p>Estou de luto por aquelas crianças medíocres e más que vi debochando das aves que voavam desesperadas tentando salvar seus filhotes. Mas por estas eu não estou de luto!</p>
<p>Por estas, nestes dois dias difíceis que vivi, meu coração se encheu de esperança na vida. Mais uma vez pude aprender com estes meus delicados companheiros de caminhada qual o verdadeiro sentido da nossa existência neste pequeno planeta azul à deriva no meio do universo.</p>
<p>Aprendi com o heroísmo bravo e guerreiro destas lindas aves que tentavam salvar seus pequenos filhotes já devastados porque sabiam que o gesto amoroso e cuidador da vida é tudo o que importa.</p>
<p>Aprendi com a majestade estupenda das árvores frondosas que vi lutando bravamente contra o fogo e que, tenho certeza, logo ressurgirão magníficas porque, muito melhor que nós, elas sabem que a vida é um grande ciclo ininterrupto de construção e destruição do qual todos nós fazemos parte.</p>
<p>Aprendi também com meu amado marido que, depois de um ato de desespero e dor, saiu como um Hércules em busca de salvar o que ainda pudesse de nossas amadas árvores em meio ao fogo e bombeiros. Uma alma bondosa e simples, trabalhador braçal de uma das obras ao lado da nossa casa, enxergou a nobreza de sua atitude e me disse: “Ele é um homem de coragem.” Senti orgulho por ser sua esposa.</p>
<p>Minha gratidão também ao bravo e devotado Fernando que pôde nos mostrar, em toda sua simplicidade, que a tenacidade do espírito é superior à qualquer regra. Fernando e Rodrigo, bravos guerreiros da esperança, continuem a trabalhar pela vida! Também minha gratidão por alguns vizinhos que, naquela noite, nos ofereceram abrigo porque não tínhamos condição de permanecer em nossa casa.</p>
<p>Aprendo mais uma vez com esta experiência que a vida é um fluxo ininterrupto de acontecimentos e que cabe a cada um de nós aprendermos, mediante a nossa maior ou menor capacidade de dar sentido ao que nos acontece. Quanto mais podemos aprender que a vida não é justa e nem “rosinha flores” como disse certa vez o sábio Guimarães Rosa, mas uma guerra brutal, paradoxalmente marcada por desamparo e beleza, menos melindrosos nos tornamos e mais capazes de valorizar o que realmente importa: nutrir bons sentimentos e amar o belo.</p>
<p>Vivemos hoje em um tempo sinistro em que a casa vale mais que a vida, em que o valor de uma pessoa não está mais em suas ações mas nos bens que ela possui; vivemos um tempo sinistro em que as manifestações de carinho e de compreensão pela dor alheia são raras; vivemos em um tempo sinistro em que as pessoas acreditam poder se blindar em suas casas de ferro sem perceberem que o que estão matando com este isolamento egoísta são seus próprios corações e suas próprias humanidades.</p>
<p>O que sobra daí é uma existência de plástico, estéril e sem sentido. Para preencher o buraco que fica bem no meio do coração, consome-se tudo que se pode: viagens, roupas lindas, belas joias, bebês loiros, casamentos estupendos, esquecendo-se com isso da regra mais importante do bem-viver: que tudo é transitório e passageiro; que nada é nosso, mas emprestado. No fim da jornada, cada qual só terá como parceiro de balanço final a própria consciência com as boas ou más escolhas que se pôde fazer pelo caminho afora.</p>
<p>E que sorte eu tenho de poder ser relembrada disso por algumas pessoas fortes que me acompanham no caminho e que me ajudam a ser o melhor que posso, mesmo que isso me cause dor e, às vezes, alguma solidão.</p>
<p>Na noite da tormenta fui relembrada pelo meu querido pai, homem que me deu de presente parte da força selvagem que tenho, que aqueles companheirinhos que morriam, dos quais eu podia ouvir choros lamentosos porque o fogo insano os cercou impiedosamente impedindo qualquer fuga, morriam de maneira heroica: lutando e sem medo de deixar ir.</p>
<p>No reino destes nobres companheiros, relembrou meu pai, não há hipocrisia, nem fingimento, nem egoísmo, nem covardia. Há sim uma espécie de inteligência do instinto que sabe que toda vida é feita para morrer. Não há, portanto, beleza maior do que a ave que morre em pleno vôo ou do ser que morre no puro exercício de sua máxima potencialidade. Tristeza, disse ele, é morrer por covardia, por medo fraco, por não escolher ser o melhor que se pode a cada momento e até o final. Pois não há preguiça ou covardia entre as formigas. Esta é uma praga que acomete somente a raça humana, da qual às vezes eu não gosto de fazer parte.</p>
<p>Mas quando meu coração se acalma e eu retomo meu santuário repleto de luz, de calor e de belas cores, resgato o meu lugar no mundo. E relembro que cada ser vivo tem uma missão na vida. E que renegá-la, isso sim, é a pior morte que existe!</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/hoje-estou-de-luto/">Hoje estou de luto.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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