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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 29 Jul 2014 21:32:44 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Angústias de Natal e de Ano Novo e a necessidade de comprar presentes.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2012 11:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[Ano Novo]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que faz breves reflexões sobre a necessidade de comprar presentes em datas festivas de final de ano. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/angustias-de-natal-e-de-ano-novo-e-a-necessidade-de-comprar-presentes/">Angústias de Natal e de Ano Novo e a necessidade de comprar presentes.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignleft  wp-image-652" title="consumismo" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/12/consumismo2-300x203.jpg" alt="" width="223" height="151" />Não precisamos fazer muito esforço para perceber, com a proximidade das datas de Natal e Ano Novo, o predomínio nas pessoas de um funcionamento que chamamos na Psicanálise de estado maníaco. Explico-me. Segundo<a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br"> Melanie Klein</a>, defesas maníacas (tentativa de controle sobre o objeto) têm como propósito a evitação do contato com angústias depressivas que derivam do sentimento de perda de algo.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-644"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Experimente ir a um shopping-center neste período e notará o clima de excitação e agitação no ar. Pessoas enlouquecidas correndo de um lado para o outro PRECISANDO comprar presentes. Não importa o que e nem para quem será o presente. O ato de comprar importa mais do que o presentar em si.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">psicanalítico</a>, precisar fazer algo de forma compulsiva corresponde a uma necessidade peremptória de realizar uma ação (neste caso o ato de comprar) para evitar que a mente seja invadida por sentimentos desprazerosos. Trata-se, portanto, de uma ação de evitação, ou, para falar psicanaliticamente, de uma evitação fóbica. Eu compro bastante para evitar ficar triste&#8230; É por isso que é tão comum ouvirmos pessoas se queixarem de que no final do ano ficam mais tristes e deprimidas.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas, porque o FINAL de ano ativa em nós angústias depressivas?</h2>
<p style="text-align: justify;">Eu não disse anteriormente que a angústia depressiva está ligada ao sentimento subjetivo de perda de algo?  Mas o que é que sentimos estar perdendo nesta época do ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste período, que envolve as festividades de Natal e de Ano Novo, somos impelidos a entrarmos em contato com sentimentos ligados aos ciclos de vida e morte, que são expressos, respectivamente, pelo nascimento do menino Jesus e pela morte do ano velho.</p>
<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-647" title="00colonn" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/12/00colonn1-223x300.jpg" alt="" width="223" height="300" />Não sei se já pararam para pensar nisso, mas tanto no nascimento quanto na morte há perdas significativas que precisamos tolerar. No primeiro caso, há a perda do útero e o trauma do nascimento e todo o esforço que nós tivemos que fazer para sobreviver, na condição frágil de um bebê, em um mundo hostil e desconhecido. No segundo caso, há a perda da vida, do nosso corpo e vitalidade. É por isso que nos sentimos tão identificados com o bebê menino Jesus na manjedoura. Por que em nossos inconscientes, todos nós sabemos o que é vivenciar a condição de um bebê frágil e perseguido (pelo seu mundo interno).</p>
<p style="text-align: justify;">Então, acredito que nestes períodos revivemos, de forma coletiva, <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">angústias</a> primitivas deste tipo que ficaram inscritas em nosso inconsciente de maneira atávica.</p>
<p style="text-align: justify;">Como medidas fóbicas, ou seja, de evitação da irrupção destas angústias de perda, temos um rol de coisas que fazemos nesta época: 1)reunir-nos em grupo &#8211; em grupo o bicho papão fica sempre um pouco dissipado, pois, podemos terceirizar em algum grau a nossa angústia. Quem nunca ouviu uma tia te dizer na noite de Natal que você estava com uma carinha triste, quando na verdade você estava ótima?  2)comprar presentes – que é o que estamos tratando aqui; 3)embebedar-se até não saber mais quem você é; 4) soltar fogos de artifício, pois, com aquele barulho todo quem é que vai conseguir ouvir o que está dizendo a sua cabeça?</p>
<p style="text-align: justify;">Como nosso tema é o ato compulsivo de comprar, é importante sabermos que esta não é a única maneira que temos de lidar com nosso bicho-papão interno. Aliás, todas estas medidas que eu elenquei são medidas, às vezes necessárias, é verdade, mas pobres, porque em nenhuma delas eu posso de fato viver o que está se passando dentro de mim. São todas formas de me evadir do que eu estou sentindo.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas de que outra forma isso pode ser vivido?</h2>
<p style="text-align: justify;">Na medida em que a mente do indivíduo tem maiores condições de conter angústias depressivas, esta época pode ser propícia para balanço e reflexões. Neste caso, a pessoa poderá se deixar penetrar sim pela beleza dos enfeites e das luzes, sentindo com isso uma espécie de enlevo e paz interior. E poderá, inclusive, rever qual o sentido de dar um presente para esta ou aquela pessoa, fazendo isso por um ato consciente de vontade e não por um impulso que visa aplacar angústias intoleráveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo irá depender, portanto, da capacidade de contenção e acolhimento destas angústias depressivas naquele momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero ter conseguido transmitir a ideia que pretendia: não sou contrária ao ato de presentear alguém, algo que pode ser extremamente prazeroso. Mas, o que tentei discutir é que a necessidade compulsiva por comprar presentes nesta época do ano pode, na verdade, estar ao serviço do aplacamento de angústias profundas das quais o sujeito não se dá conta.</p>
<p style="text-align: justify;">De minha parte, acho este período do ano uma delícia. Não para me meter em um shopping, mas para olhar as luzes, rever escolhas, fazer projetos&#8230; Enfim, para renovar, como diria Carlos Drummond de Andrade:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,</p>
<p>a que se deu o nome de ano,</p>
<p>foi um indivíduo genial.</p>
<p>Industrializou a esperança</p>
<p>fazendo-a funcionar no limite da exaustão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Doze meses dão para qualquer ser humano</p>
<p>se cansar e entregar os pontos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez</p>
<p>com outro número e outra vontade de acreditar</p>
<p>que daqui para diante vai ser diferente&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/angustias-de-natal-e-de-ano-novo-e-a-necessidade-de-comprar-presentes/">Angústias de Natal e de Ano Novo e a necessidade de comprar presentes.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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