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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 30 Apr 2024 21:03:16 +0000</lastBuildDate>
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		<title>O que eu refleti vendo a morte de perto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Nov 2023 14:13:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A autora reflete sobre o medo que os seres humanos têm da morte a partir de uma experiência pessoal de internação</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-que-eu-refleti-vendo-a-morte-de-perto/">O que eu refleti vendo a morte de perto</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-21-at-14.07.16-2.jpeg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-2831 size-thumbnail" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-21-at-14.07.16-2-150x150.jpeg" alt="" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-21-at-14.07.16-2-150x150.jpeg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2023/11/WhatsApp-Image-2023-11-21-at-14.07.16-2-120x120.jpeg 120w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Minha internação de urgência na noite de 26 de outubro de 2023 devido a uma infecção grave por bactéria nos rins, que chegou a atingir o sangue, foi o mais próximo que estive até hoje de experimentar um risco real de morrer.  </span></p>
<p><span id="more-2823"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Descobri depois que muitas mulheres são internadas diariamente por pielonefrite com sepse (quando a bactéria atinge o sangue), sendo esta uma das maiores causas de internações e óbitos em UTI´s. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo esta experiência infeliz, descobri que estar prestes a morrer dá muito medo, apesar de nenhum ser humano admiti-lo abertamente, já que falar sobre a morte é um tabu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não sei se um velho tem menos medo do instante da morte por já ter vivido mais, mas desconfio que não. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pois, o que entendi do instante final é que o aterrorizante desta situação é simplesmente deixar de existir, o que deve envolver algum tipo de enorme capacidade de desapego egóico, que nas filosofias orientais se costuma exercitar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso obviamente só vale para os que morrem</span> em estado de plena consciência, o que não deve valer para os hospitalizados graves que, quase sempre, morrem sedados e inconscientes da sua situação.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">A propósito, rimos à beça disso, eu e um enfermeiro muito engraçado, que me dizia que </span><i><span style="font-weight: 400;">viúvo mesmo é quem vai, </span></i><span style="font-weight: 400;">o que eu entendi como a vida terminando mesmo só para quem morre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pensei sobre isso ser mesmo compreensível um viúvo ou viúva sentir alívio por não ser ele ou ela o morto, sentimento egoísta que só parece ser superado no amor por um filho. Mas nunca do filho pelos pais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra coisa que aprendi dessa experiência é que o instinto de autoconservação é tão forte em nós que suportamos o inimaginável em termos de procedimentos médicos dolorosos, se isso significar a esperança de um dia voltarmos a ficar minimamente bem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi o que aprendi observando o seu Manoel, que conheci na interminável semana que tive que ir ao hospital três vezes por dia tomar antibiótico endovenoso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Olhando-o de fora, pensava como esse homem suportava a desgraça de sua vida com tão alto-astral e bom humor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto ele próprio me explicava que, afinal, tomar mais quarenta e cinco dias de antibióticos pela rejeição da placa de titânio em seu ombro, não era nada perto das oito cirurgias que já tinha feito. O que ocorreu por ter sido atropelado por um carro, em sua moto, quando ia trabalhar lavando vidros.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou então, D. Marisa, uma aristocrática senhora com quem dividi quarto em minha internação, que suportava com uma elegância estóica sua bolsa de colostomia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vendo-os, senti uma admiração profunda pela coragem e bravura dos homens e pensei que a doença e a morte só nos degrada, subtraindo-nos a meros corpos, humilhados por bactérias, cheiro de fezes, pus e células cancerosas que não deviam existir. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso minha enorme dificuldade de acreditar em Deus. </span>E minha convicção, agora já absoluta, de não haver nenhuma dignidade na morte.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lembro-me que, no dia em que cheguei a este pensamento, a angústia foi quase insuportável, e só cessou um pouco quando ouvi Noturno em Fá menor Op. 9 No. 1 de Chopin, o que me ajudou a me libertar, por alguns instantes, daquele corpo debilitado e fraco, imaginando-me como um pássaro e um balão que coincidentemente voavam, leves e lindos no céu, bem de frente à minha vidraça. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Disto, compreendi muito melhor a ideia grega de que, sem alguma transcendência, a realidade concreta e primitiva dos nossos corpos, com suas necessidades peremptórias e decadência inevitável, nos humilha e apequena, sendo o ser humano muito mais do que isso. Daí não podermos condenar ninguém por seus vícios. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, praticamente todas as religiões e doutrinas filosóficas orientais como o budismo e o hinduísmo, por exemplo, propõem algum tipo de transcendência e superação em relação ao que significa estar aprisionado num corpo, que se degrada a cada dia e caminha paulatinamente para o fim.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Também não à toa é que Deus, na figura de Cristo, só se apiedou dos homens quando experimentou, ele próprio, sentir fome, frio e dor como um deles.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De todo modo, ainda não me recuperei por completo desta visão insuportável, nauseante e odiosa do Real, que me gerou um dolorido estado depressivo, do qual eu sinto que começo a me recuperar só agora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando, uma das únicas coisas boas que esta experiência me trouxe foi a reaproximação com meu pai, uma pessoa exótica de quem eu herdei muitos traços. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Levando-me vinte e uma vezes ao hospital para tomar antibiótico na veia, o que nos rendeu rodar setecentos quilômetros em uma semana, pude sentir, afinal, como é bom ser cuidada por alguém que te ama. </span></p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/chTvivcxlqg?si=MBJbe-EOUhYG200w" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p><iframe title="Saudade de mim quando eu morrer (feat. Cláudia Ventura, Cláudio Gabriel, Juliana Linhares,..." width="660" height="495" src="https://www.youtube.com/embed/8Ljg93oF-Lo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<item>
		<title>Medo e coragem em tempos de coronavírus: reflexões à luz de uma experiência pessoal</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/medo-e-coragem-em-tempos-de-coronavirus-reflexoes-a-luz-de-uma-experiencia-pessoal/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2020 14:25:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
		<category><![CDATA[coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[doença]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexões sobre a importância de nos mantermos corajosos frente à situações difíceis. Partindo de uma vivência pessoal sua, a analista faz reflexões sobre os tempos atuais e a onda do coronavírus.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/medo-e-coragem-em-tempos-de-coronavirus-reflexoes-a-luz-de-uma-experiencia-pessoal/">Medo e coragem em tempos de coronavírus: reflexões à luz de uma experiência pessoal</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-2037 size-thumbnail" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2020/04/coronavirus-1-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />Quando padeci de um quadro fisicamente muito doloroso há alguns meses não poderia imaginar que estava, sem saber, acumulando experiência para atravessar a onda do coronavírus.</p>
<p><span id="more-2036"></span></p>
<p>Na ocasião, apesar de não ter corrido sério risco de vida, convivi por alguns meses com uma dor que me incapacitou de fazer coisas simples como caminhar ou sentar.</p>
<p>E, como tive muito tempo para pensar, refleti bastante sobre o que penso ser um jeito digno de enfrentarmos uma doença ou uma situação difícil como a de agora.</p>
<p>São estas reflexões muito pessoais que me proponho a compartilhar aqui.</p>
<p>Quando perdemos a saúde repentinamente nos damos conta de um jeito radical e desesperador que a vida pode se tornar (quase) insuportável se ficamos impedidos de fazer coisas que, quando estamos sãos, são bastante banais e corriqueiras.</p>
<p>Assim a doença física, sobretudo quando se prolonga, promove um radical redimensionamento das coisas para nós. Aquilo que é banal para o são, para o doente se torna uma dádiva. Aquilo que não tem o menor valor para o saudável, para o doente se torna alvo de inveja e cobiça.</p>
<p>Isso faz frequentemente com que a doença física seja vista por muitos como uma espécie de “caminho de regeneração do homem” ou, no pensamento animista, como uma punição por um prazer proibido consumado no inconsciente.</p>
<p>Esta visão, inclusive, tem sido muito compartilhada acerca do coronavírus. A de que após ele a humanidade passará por um profundo processo de regeneração onde finalmente viveremos em maior harmonia com a natureza.</p>
<p>Ou então, numa visão mais medieva, de que a peste do coronavírus foi lançada sobre nós (por Deus?) como uma espécie de sinal de alerta para reavaliarmos o mau caminho que temos tomado como espécie.</p>
<p>Uma terceira linha de visão ainda, de cunho mais biologicista, argumenta que todas as espécies animais, incluindo a nossa, possuem predadores e que a mortandade dos indivíduos em massa serviria ao propósito de controle populacional.</p>
<p>Ressalta-se que o mesmo argumento foi encontrado muitas vezes no passado para justificar as grandes guerras mundiais: faz-se guerra para evitar a superpopulação mundial.</p>
<p>O curioso é pensar que a abordagem de um problema real &#8211; a superpopulação humana sobre a terra &#8211; possa encontrar solução no estranho caminho de justificar a morte de milhares de nós (seja por guerras ou por pestes) e não no que seria o mais óbvio e sensato como a orientação das pessoas sobre a não necessidade de se ter mais filhos e a descriminalização do aborto, por exemplo.</p>
<p>De qualquer forma, voltando ao ponto que nos interessa aqui, fato é que, do ponto de vista psicobiológico, nossos corpos e psiquismos são regidos pela busca do prazer e fuga natural da dor, algo para o qual Nietzsche já havia alertado bem antes de Freud.</p>
<p>Nesta perspectiva, ser saudável não é querer abolir a doença já que não temos nenhum controle individual sobre ela. Ser saudável é querer, uma vez doente, melhorar o mais rápido possível para voltarmos a usufruir da vida.</p>
<p>E para isso, diz Nietzsche, é preciso coragem: a coragem de dizer sim à vida e aos pensamentos alegres não à morte e aos pensamentos sombrios que, sabemos, exercem um tremendo fascínio sobre nós.</p>
<p>Acontece também que viver é extremamente trabalhoso e conflitivo. Manter-se corajoso e com o espírito elevado frente às impermanências naturais da vida, muito mais desafiador do que ser negativista e queixoso.</p>
<p>E o que pude aprender com a minha doença, e que vejo se confirmar agora com o coronavírus, é que os liames entre a covardia e a coragem são muito tênues e que vários são os labirintos em que podemos nos perder nesta busca.</p>
<p>No meu caso, a luta entre a covardia e a coragem se deu quando tentei me iludir de que meu problema poderia ser resolvido sem cirurgia, ilusão que a realidade acabou por não comprovar.</p>
<p>Ora, quando ficamos com medo de algo é natural que tentemos nos iludir. Mas quando insistimos em preferir a ilusão à verdade, para evitarmos o medo, aí é que nos tornamos covardes.</p>
<p>Decidida a operar, na ante sala do centro cirúrgico, enquanto aguardava a minha vez, pude pensar que sentir medo não nos dá o direito de nos tornarmos tiranos ou revoltados.</p>
<p>A depender de como enfrentamos as adversidades da vida, se com humildade ou com revolta, nos tornamos mais sábios ou mais patéticos e miseráveis.</p>
<p>Um senhor que seria operado antes de mim comportava-se tristemente como uma criança mimada, reclamava às enfermeiras o tempo todo que estava com fome; xingava porque a cirurgia anterior estava demorando e dizia que ia processar o hospital.</p>
<p>Era evidente que estava revoltado por estar doente e, incapaz de conter seus próprios sentimentos de medo e pânico, derramava-os em forma de raiva e de inconformismo sobre os outros. Em suma, enfrentava seu medo da maneira menos nobre e altiva possível: se acovardando e dando trabalho aos outros.</p>
<p>Fiquei triste porque pensei que ele estava perdendo uma oportunidade valiosa de aprender algo sobre a vida e sobre ele mesmo.</p>
<p>Por exemplo, que nós temos pouquíssimo controle sobre as doenças que nos acometem; e que momentos difíceis como este são ótimos para desenvolvermos a nossa capacidade de humildade e de paciência com aquilo que não podemos alterar.</p>
<p>É isso que chamo procurar enfrentar uma situação difícil com alguma nobreza e coragem. Por isso achei que estas reflexões caberiam bem no contexto do coronavírus.</p>
<p>O coronavírus trouxe, em nível mundial, a iminência de um risco de dizimação em massa de vidas humanas, seja pelo vírus, seja pela crise econômica mundial provocada por ele. Por isso é natural que tenhamos medo e até pavor de tudo o que estamos vivendo.</p>
<p>De outro lado, esta pode ser uma ótima oportunidade para cada um de nós conhecermos mais profundamente os nossos medos e de aprendermos a contê-los sem exterioriza-los, como não conseguiu fazer o senhor do hospital.</p>
<p>Também pode ser uma oportunidade valiosa de exercitarmos o espírito nietzschiano em nós, a saber, a capacidade de atravessarmos uma situação difícil como esta sem ficarmos nos lamentando nem tendo pena de nós mesmos em demasia; a capacidade de contermos os nossos pensamentos sombrios e a nossa frustração sem precisarmos destilar nossos ódios sobre os outros nem achar bodes expiatórios para as nossas desgraças.</p>
<p>Desgraças na vida acontecem aos montes. Já existiam antes e vão continuar a existir depois do coronavírus. E coisas boas também. Por isso Guimarães Rosa dizia ter mais medo de nascimentos do que de mortes. Porque viver é muito, muito mais arriscado e difícil que morrer.</p>
<p>Assim, penso que permanecermos vivos e lutarmos pelo direito que nos cabe à alegria e ao prazer pode ser tão ou mais difícil e exigente em termos de disciplina mental do que pegar coronavírus ou qualquer outra doença e, quem sabe, morrer delas. É isso o que a clínica psicanalítica sempre me mostra.</p>
<p>Porque na doença podemos nos ver justificados a nos abandonar de nós mesmos, o que frequentemente ocorre; e, na morte, tudo finalmente acaba e não há mais nada a fazer.</p>
<p>Então que, nesta quarentena, possamos sim lutar pela preservação das vidas humanas fazendo tudo o que está ao nosso alcance fazer.</p>
<p>Mas que possamos também não nos esquecer de que manter um espírito de decoro e de nobreza frente o sofrimento pode ser o ato mais inteligente que podemos ter por ora.</p>
<p>E que, se após o coronavírus sobrarem poucos de nós e se estes poucos vierem a ser visitados por alguma espécie alienígena, que a lembrança que possamos deixar aos que não puderam nos conhecer seja a de que somos seres excepcionais.</p>
<p>Porque fazemos sinfonias e sonatas, obras de arte e construções maravilhosas, descobrimos vacinas e salvamos vidas, somos generosos e ajudamos gente, adoramos samba e carnaval, somos inventivos e esperançosos sobre o futuro, fazemos muros, mas também pontes.</p>
<p>Em suma, se viemos do macaco, o deixamos para trás há muito tempo!</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia-parte-ii/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2014 16:39:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[bebês]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Melanie Klein]]></category>
		<category><![CDATA[mundo interno]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> Em virtude dos comentários interessantíssimos que recebi sobre o meu último texto, A coragem nossa de cada dia, resolvi escrever novamente sobre este tema, que me parece central à vida humana.   Vou sistematizar os comentários que recebi para depois propor um diálogo com eles, a partir da perspectiva que já é incorporada no meu modo &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia-parte-ii/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia-parte-ii/">A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"> <a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1027 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1-150x150.jpg" alt="download" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Em virtude dos comentários interessantíssimos que recebi sobre o meu último texto, <i>A coragem nossa de cada dia</i>, resolvi escrever novamente sobre este tema, que me parece central à vida humana.</p>
<p style="text-align: justify;">  Vou sistematizar os comentários que recebi para depois propor um diálogo com eles, a partir da perspectiva que já é incorporada no meu modo de interpretar o mundo e a minha presença nele, ou seja, a psicanálise.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-948"></span></p>
<p style="text-align: justify;">  Comentando sobre o conteúdo do texto, algumas pessoas disseram o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Que, diante de uma conquista, costumam se sentir muito culpadas e que este sentimento incômodo surge quando elas se dão conta de que há muitas pessoas que nunca terão aquilo que elas têm. Por exemplo: se a pessoa se sente afortunada por morar em uma casa confortável, fica imaginando quantas pessoas não têm casa para morar, são pobres e sem recursos materiais. Ou, se a pessoa reconhece a sua inteligência e competência profissional, sente-se culpada por imaginar quantas pessoas não têm condição, sequer, de compreender um texto lido.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">Esta questão levantada pelas pessoas, conforme observo em minha clínica, são muito recorrentes quando se trata de sustentar internamente o sucesso ou a conquista obtida na vida. Por isso, achei que valia a pena aprofundá-las aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a questão colocada, parece-me que este é um sentimento comum às pessoas que nasceram com mais recursos internos que outras. Vou explicar melhor o que quero dizer com isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mantendo uma visão bem corajosa sobre a vida, notaremos que os seres humanos são muito diferentes entre si. Isso parece uma coisa óbvia mais não é. <span style="text-decoration: underline;">Assim como do ponto de vista físico somos diferentes, do ponto de vista mental também.</span> Assim diz Nietzsche sobre isso:</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>De onde surgiu a lógica na cabeça humana? Com certeza foi da não lógica, cujo reino na origem há de ter sido descomunal. A tendência preponderante a tratar o semelhante como igual (uma tendência ilógica, pois não há nada em si igual) foi a primeira a criar todos os fundamentos em que se assenta a lógica</strong>&#8220;</em></p>
<p style="text-align: justify;"> Se vocês observarem bem a realidade, verão que há seres humanos que são mais competentes e se saem melhor quando o assunto é amar a vida e a si mesmos. Isso se concretiza, obviamente, em maior sucesso e felicidade. Quem mais nos ajuda a compreender esta questão é Melanie Klein.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta psicanalista considerou que cada ser humano nasce (ou seja, isso é inato!) com potencial para amar e para odiar. Dito em termos mais simplistas: cada um de nós nasce com potencial para investir na vida, para construir e também para destruir. Isso faz parte da nossa condição instintual. Esta questão pode ser bem visualizada em bebês.</p>
<p style="text-align: justify;"> Há bebês que, dotados de uma alta capacidade de amar a vida e investir nela, toleram melhor as frustrações da mãe (ter que esperar por ela, por exemplo, na hora da mamada) e rapidamente a perdoam, pegando mais rapidamente o seio e mamando com satisfação. Outros demoram mais para perdoar as falhas da mãe e, às vezes, tomados por um intenso ódio pela frustração sofrida, fecham a boquinha ou cospem o leite. Neste caso, em que dizemos que constitucionalmente a criança nasceu com maior intolerância à frustração, ele deverá ter tido a sorte de ter uma mãe mais paciente e compreensiva. Pois, se a mãe não suporta a expressão de ódio do bebê e devolve “na mesma moeda”, o ódio da criança se intensifica e cresce; o que torna seu investimento na vida e sua capacidade de amar paralisada pelos sentimentos de frustração e ódio.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou dar outro exemplo acerca desta condição de amar a vida para clarear o que quero dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Reparem na casa das pessoas. A casa é expressão máxima do que carregamos dentro de nós! Podemos ir à casa de uma pessoa muito pobre e sem recursos materiais, mas riquíssima do ponto de vista da capacidade de amar a vida e a si mesma. Essa pessoa, por mais que sua casa seja pequena e humilde, manterá sua moradia (reflexo de si mesma) limpa e asseada. Suas roupas serão bem lavadas e cuidadas, mesmo que para isso ela tenha que fazer o maior esforço para conseguir água em um lugar distante. Pode até ser que haja uma florzinha em cima da mesa, que ela conseguiu pegar em um jardim qualquer. Ela será capaz de enxergar beleza nas pequenas coisas da vida. Isso não tem a ver com riqueza ou pobreza material! Isso é condição interna de amar a vida e investir nela. Essa pessoa terá orgulho de si mesma e de sua condição de trabalhar honestamente, de ganhar sua vida e de pagar suas contas. Não importa que seu trabalho não tenha tanto status, do ponto de vista social. Ela sente orgulho por ser quem ela é. Em termos psicanalíticos, dizemos que esta pessoa é dotada de alta condição inata de amar e ser grata pela vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras tantas que vivem na pobreza não tiveram a mesma sorte de nascer como esta pessoa hipotética e de contar com vínculos primordiais que pudessem ensiná-las a amar e respeitar a vida. Elas não ligarão de viver na sujeira, de fazer trabalhos ilícitos ou de depender integralmente de bolsas governamentais. Falta a estas pessoas o sentimento básico de orgulho e de amor à vida e àquilo que elas são.</p>
<p style="text-align: justify;">Na minha perspectiva, quando se discute este tipo de questão social, os sociólogos e antropólogos acabam por focalizar sua atenção somente no aspecto externo, no concreto, que, obviamente, também é importante. Mas, com isso, desconsideram que o social e o contextual só faz sentido em relação a algo que é subjetivo e, portanto, interno a cada um de nós. Se não fosse assim, porque, afinal, dois irmãos que vivenciaram mais ou menos o mesmo contexto familiar, social e cultural desenvolvem-se de formas tão diferentes? Porque dois irmãos moradores da favela se comportam de forma tão diferenciada com relação ao tráfico – um se envolve com a criminalidade, enquanto o outro luta para se desenvolver de forma honesta e íntegra? Isso é compreendido pelo que carregamos, desde muito cedo, internamente, ou seja, o que nos constitui enquanto subjetividades; nosso sentimento de riqueza ou de pobreza que determinará profundamente o modo como vivemos a nossa vida.</p>
<p style="text-align: justify;"> Pois, uma pessoa dotada de um mundo interno em que predominam sentimentos de ódio, revolta e desrespeito por si mesma, não vai poder usufruir daquilo que lhe é dado. Vai sujar e estragar as roupas que ganha, vai gastar de forma errônea o dinheiro recebido. Enfim, não vai conseguir se desenvolver, algo que, como estou mostrando, tem muito mais a ver com questões internas do que externas. É por isso que na psicanálise somos contrários à ideia de um tratamento gratuito. Porque uma pessoa para se desenvolver, necessita sentir que são os seus recursos internos que estão lhe proporcionando o crescimento (o terapeuta, neste caso, é um facilitador). Obviamente, como nos ensinou Melanie Klein, uma criança aprende a fortalecer seus sentimentos amorosos na vida por meio do intenso e árduo trabalho feito por seus pais, sobretudo por sua mãe. Mas, para que a mãe possa fazer este trabalho de maternagem, ela também necessita manter dentro de si uma visão respeitosa e amorosa sobre a vida; algo que vai sendo transmitido e sendo ensinado de geração a geração.</p>
<p style="text-align: justify;">É neste sentido que a educação deveria ser pensada: educação para ajudar as pessoas a desenvolverem recursos de vida, de fortalecimento no amor à vida e de respeito à verdade! O problema é que se costuma pensar educação somente do ponto de vista formal e externo à subjetividade do indivíduo. Por exemplo: não basta ensinar às pessoas educação financeira. É preciso discutir a fundo questões como capacidade de diferenciar desejo e realidade, respeito à verdade e à realidade, honestidade e desonestidade, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, retomando a questão e, levando-se em conta que somos todos diferentes em nossas capacidades de amarmos a vida e sermos gratos por ela, como podemos pensar o comentário feito pelas pessoas que me escreveram?</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, como podemos elaborar este terrível sentimento de culpa por percebermos que há inúmeras pessoas que não tiveram a mesma competência e sorte, de terem nascido com alta capacidade de amar a vida, com inteligência e terem sido criados por pais que, a despeito de suas falhas, terem lhe dado o essencial? Em suma, como podemos nos dar o direito de sermos felizes, bem sucedidos e satisfeitos em um mundo tão cheio de misérias e pobrezas (interna e externa)?</p>
<p style="text-align: justify;">Encontrei uma saída para isso em Nietzsche.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho aprendido com Nietzsche que nós não escolhemos quem nós somos. É uma ilusão acharmos que somos competentes, felizes e inteligentes porque escolhemos ser assim. Nós não escolhemos!</p>
<p style="text-align: justify;">Quando nascemos, não pedimos a alguém no céu que queríamos ser assim ou assado. Aliás, nem temos condição nem de escolher se queremos viver ou não. Por isso, Guimarães dizia que tinha mais medo de nascimentos do que de mortes! Nós nascemos e pronto. Sem escolha. Afinal, se pudéssemos escolher, obviamente escolheríamos ser felizes, capazes de amar, inteligentes, etc. Mas, não é assim que acontece.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada um é como é: mais ou menos limitado em termos de inteligência, mais ou menos corajoso, mais ou menos invejoso, mais ou menos capaz de amar a vida.  Não consigo apreender que um ser humano escolha ser mau, assassino, muito invejoso ou infeliz. Infelizmente, faltam-lhe recursos internos e encontros amorosos capazes de fazê-los investir mais amorosamente na vida. A vida é misteriosa nesse sentido – nós nunca vamos poder compreender a fundo o que vai à alma de outro ser humano; que tipo de situações catastróficas vive alguém que precisa matar para não ser morto! Qualquer ser humano em contato com o misterioso da vida não ousaria fazer previsões nem querer explicar, por meio de rótulos e categorias, o comportamento de seu semelhante.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, há outra coisa a ser dita sobre o comentário: o fato de nos sentirmos culpados por haver pessoas que nunca vão ser tão desenvolvidas quanto nós não faz com que estas pessoas, magicamente, se tornem melhores e mais felizes. Se isso pudesse acontecer, até concordo que este sentimento valeria a pena: nós ficaríamos culpados e tristes com aqueles que não são tão afortunados quanto nós e eles mudariam e passariam a ser mais felizes, mais competentes, etc. Isso, aliás, é muito comum de vivermos com nossos familiares. Suponhamos que você foi mais longe que seu irmão ou irmã e que sente muita culpa por isso. É fundamental questionarmos isso que diz Nietzsche: você não escolheu ter mais recursos internos que seu irmão ou irmã, mas, uma vez o tendo, isso faz de você mais responsável pelo seu crescimento. A responsabilidade de ir até o máximo que puder. Esta seria sua retribuição à humanidade por ter nascido com maiores recursos! Este, para mim, é o sentido máximo da passagem bíblica: “A quem muito foi dado, muito será exigido”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que quero questionar é o seguinte: as pessoas não mudam porque nós nos sentimos mais culpadas ou infelizes. O mundo vai continuar como é, ou seja, as pessoas vão continuar a ser aquilo que elas são, mesmo que nós estraguemos os nossos recursos nos culpando ou ficando tristes. Porque as pessoas são o que são. Este é um modo onipotente de pensar e que é compreensível. Afinal, quem não gostaria de ter o poder de mudar sua realidade, de ajudar as pessoas que sofrem inutilmente? Mas, nós não temos este poder de transformar as pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa única responsabilidade (e isso já não é pouco) é com nós mesmos. É a de podermos cuidar bem daquilo que nos foi dado generosamente pela vida!</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma visão profunda sobre a vida que tenho adquirido: a de que nosso poder de transformação da realidade e de outros seres humanos é quase nulo; exceto se eles próprios sentirem a necessidade pela mudança. E este anseio vem de dentro e não de fora! Isso faz de nós seres profundamente limitados e impotentes diante do imponderável da vida. É contra esta percepção que nos rebelamos. Foi isso que compreendeu Sófocles, na figura de Édipo em Colono, quando este disse: “Quer dizer que quando não sou nada, sou homem?”</p>
<p style="text-align: justify;">Assim diz Nietzsche sobre isso:</p>
<p style="text-align: right;"><strong><i>“O que é mais útil ao outro? Saltar imediatamente em sua direção e ajudá-lo – o que ocorre só muito superficialmente – ou, formando a partir de si mesmo algo que o outro vê com prazer: um belo, tranquilo jardim fechado em si mesmo, que tem altos muros contra tempestades e poeiras da estrada, mas também um portão hospitaleiro?”</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"> Trocando em miúdos: Nietzsche nos ensina que a melhor coisa que podemos fazer pelo outro é podermos ser os mais felizes e realizados que pudermos, pois, é por meio de exemplos, muito mais do que palavras que o humano aprende e se transforma. Ver alguém feroz e corajoso lutando pela vida é muito mais estimulante do que “ganhar de mão beijada”.</p>
<p style="text-align: justify;">Poder avistar alguém que se respeita, assim como à vida, que cuida de seus pequenos tesouros internos como se fossem pérolas, que busca a verdade e a compaixão sem grandes arroubos de onipotência é, para Nietzsche, a grande contribuição que podemos fazer à humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">E há ainda mais. Segundo ele, existe uma espécie de vício humano a exagerar a dor e a infelicidade, enquanto se cala a respeito da alegria e do bem viver. É como se houvesse, dentro de cada ser humano, uma espécie de olhar viciado e maldoso sobre si mesmo e sobre a vida que tende a valorizar muito mais o sofrimento do que a alegria do viver. Assim ele diz:</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>&#8220;Quer-me parecer que de dor  e de infelicidade sempre se fala com exagero, como se fosse uma questão de arte de bem viver exagerar nisso. Em contrapartida, cala-se obstinadamente que contra a dor há um sem número de meios de alívios. Uma perda, por exemplo, dificilmente continua sendo uma perda por uma hora. De algum modo, com ela, também um presente nos caiu da vida: uma nova força, por exemplo. E mesmo que seja apenas uma nova ocasião para reencontrarmos a força.&#8221; </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sendo assim, resta-nos sentirmos felizes com a sorte de termos nascidos com mais capacidade para amar do que para destruir e O MAIS IMPORTANTE – nos responsabilizarmos por esta dádiva que ganhamos. E irmos tão longe quanto pudermos!</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia-parte-ii/">A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>A coragem nossa de cada dia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Jun 2014 21:27:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Guimarães Rosa]]></category>
		<category><![CDATA[medo]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[pulsão de morte]]></category>
		<category><![CDATA[pulsão de vida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Você já percebeu como ousar realizar um sonho pode ser muito perigoso para nós, seres humanos? Experimente contar que você está realizando um sonho há muito acalentado para ver a reação que irá provocar nas pessoas. A miríade de possibilidades é imensa. Algumas dirão que todo o sacrifício que você está fazendo em prol deste &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A coragem nossa de cada dia</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia/">A coragem nossa de cada dia</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1027 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1-150x150.jpg" alt="download" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1.jpg 225w" sizes="auto, (max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Você já percebeu como ousar realizar um sonho pode ser muito perigoso para nós, seres humanos?</p>
<p style="text-align: justify;">Experimente contar que você está realizando um sonho há muito acalentado para ver a reação que irá provocar nas pessoas. A miríade de possibilidades é imensa. Algumas dirão que todo o sacrifício que você está fazendo em prol deste sonho não vale a pena.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-924"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Afinal – se o sonho a ser realizado for a compra de um terreno ou de uma casa, por exemplo – você tem filhos, constrói uma casa imensa. Para que? Indagam os amargurados. Depois eles crescem, casam-se e partem. Depois, o que resta é só você e o seu marido (algo que normalmente é dito em tom de desprezo por algumas mulheres, como se o marido fizesse parte do entulho que sobrou junto com a casa enorme!).</p>
<p style="text-align: justify;"> Ouvindo isso eu imediatamente me pergunto: Mas, uma casa não deveria servir para o nosso próprio prazer? Para que a unidade do ser humano, ou seja, o par possa gozar de seus momentos de intimidade juntos e consigo mesmos? Na minha casa imaginária, eu já imagino um lindo e imenso jardim com pés de jabuticabas. Em dias ensolarados, colocarei, bem ao lado do meu marido (pode ser que já estejamos velhinhos, não importa) uma cadeira confortável e me espreguiçarei ao sol, em um domingo qualquer, de um ano qualquer. Lerei Guimarães Rosa enquanto ele se especializa em seus esportes favoritos, que pode ser corrida ou natação. Juntos, ouviremos uma linda música clássica, que pode ser Bach ou Mozart. Não é isso que é felicidade? Filhos, se vierem, devem mais é partir mesmo, preferencialmente entre os dezoito e vinte anos. Sua partida será a prova máxima de que fizemos um bom trabalho em conjunto, eu e meu companheiro. E no final, estaremos a sós, cada um fazendo companhia a si mesmo e ao outro, com nossos gatos, nossos livros, nossas músicas, nossos poucos e fiéis amigos&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Outros, tomados por uma inveja terrível, colocarão milhares de defeitos no seu sonho ou, então &#8211; o que é pior &#8211; mal terminarão de te ouvir falar para contar, ele próprio, seu sonho e para reafirmar, categoricamente, como este lhe saiu caro, não deu certo ou muito lhe causou frustração.</p>
<p style="text-align: justify;">Ah, como são raras as pessoas que tem a nobreza de fazer companhia a seus próprios sonhos e aos sonhos alheios. Respeitá-los como se fossem pequenas pérolas ou pétalas de rosa, delicadas, miraculosas, frágeis, e muito, muito especiais.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois, sem sonhos não somos nada mais do que pó. Matéria morta perambulando pela vida como zumbis. Eu não quero deixar nunca de acalentar meus pequenos-grandes sonhos e de partir em busca de cada um deles. Quando deixar de pulsar pelos meus desejos, de sentir frio na barriga diante de cada plateia nova, de vibrar com cada novo projeto, diante de cada nova página em branco, prefiro a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Só que para sonhar e acalentar os nossos sonhos-bebês é preciso muita dose de coragem, pois facilmente nós os deixamos mofarem, estragarem, azedarem. Isso acontece porque, para haver condição interna de sonhar (que é o mesmo que desejar e arcar com o custo do próprio desejo) é preciso haver condição de hospedarmos, dentro de nós próprios, uma miríade de sentimentos que o desconhecido provoca. O que quero dizer é o seguinte: quando ficamos no conhecido, ou seja, somente falando sobre os nossos sonhos e desejos sem nunca ter a coragem de concretizá-los, de realiza-los, estamos em terreno conhecido. O reclamar, o se queixar é conhecido e tolerável para a mente, por mais paradoxal que isso pareça.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, quando acalentamos um sonho e o levamos a sério; quando buscamos concretizar um desejo, um anseio, um sonho há muito acalentado, temos que nos a ver com uma série de sentimentos incômodos que a situação desconhecida provoca. Primeiro porque não sabemos se vamos conseguir realizar aquilo ou não. Segundo porque, caso consigamos, temos que suportar entrar em contato com o sucesso, algo que costuma provocar muita turbulência na mente uma vez que evoca sentimentos invejosos, tanto na pessoa que se realiza quanto naqueles que estão a sua volta.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma máxima que deveria ser levada muito a sério: é preciso ter mente para suportar o bom, o crescimento, o sucesso, o prazer, a vitória.</p>
<p style="text-align: justify;">Porque vocês acham que muitas pessoas falham na hora H, tremem nas bases, amarelam, fazem gol contra? Ou, o que é ainda pior, passam grande parte da vida reclamando?</p>
<p style="text-align: justify;">Porque existe uma espécie de intuição (mesmo que as pessoas não se deem conta disso) de que, havendo sucesso, haverá trabalho mental a ser feito para que ele possa ser sustentado e não estragado.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista teórico, é isso que Freud descobriu em 1920.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTjh67qMgp3QmtvcRVnkFvMSNv33EZbp1LQEaxAuLEbPblZmZeGPg" alt="" width="129" height="176" />Até então, ele havia considerado que a pulsão tem como finalidade última a busca pelo prazer e a evitação do desprazer. Mas, investigando a brincadeira de seu netinho que insistia em repetir a situação traumática, por meio de um carretel, da separação de sua mãe, e também das pessoas que adoeciam por traumas de guerra, Freud concluiu que, ao lado da pulsão que busca o prazer, a ligação, o crescimento (que ele cunhou de pulsão de vida), existe uma pulsão que visa à desagregação, a ruptura, o retorno ao inanimado e à inércia (chamou isso de pulsão de morte).</p>
<p style="text-align: justify;">Então, funciona da seguinte maneira: a mente necessita fazer um trabalho constante para manter-se investindo na vida. Este investimento pulsional, que na vida diária comparece sob a forma dos nossos sonhos, desejos e projetos de vida, é sempre contrabalanceada por uma força contrária que visa desinvestir, desagregar estes mesmos objetos, sonhos e desejos. Em termos práticos, surge então aquele terrível dilema que todos nós já sentimentos inúmeras vezes: Depois de conseguir dar um passo adiante, vem aquela voz que diz: “Deixa isso pra lá. Não vai dar certo mesmo! É melhor você desistir agora. Vai ser muito difícil conseguir isso que você está querendo.”</p>
<p style="text-align: justify;">Neste sentido, um dos trabalhos mais fundamentais de um analista é ajudar o seu analisando a não destruir o seu próprio potencial, seus sonhos e desejos pelas suas pulsões destrutivas. Dito em termos mais simplistas: o trabalho do analista (um deles) é ajudar o analisando a (re)conhecer a atuação de suas partes más, destrutivas e invejosas, partes estas que devem ser contidas pelos sentimentos amorosos e mais positivos.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez que a pessoa reconhece estes sentimentos desagradáveis e de muito mau gosto em si mesmo, fica mais fácil a pessoa reconhecer (e se defender) destes mesmos sentimentos nos outros. Pois, uma vez que podemos reconhecer que, depois de um enorme sucesso ou de uma importante conquista, vem aquele desânimo (que em termos psicanalíticos significa a eclosão da inveja na mente), também podemos reconhecer este gesto maldoso no outro também.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste caso, há um agravante que precisa ser levado em conta: o ataque maldoso de alguém que se depara com uma pessoa que está tendo coragem de sonhar e realizar seus sonhos tem uma dupla função. Primeiro, ataca-se o próprio objeto invejável (o trabalho, o terreno, a conquista, etc.). Segundo, ataca-se o próprio ato heróico e corajoso da pessoa que, a despeito do temor e do medo, ousou desejar e se responsabilizar pelo próprio desejo. Pois, se ninguém ousa sonhar e viver de forma intensa e pulsante ao meu lado, não há porque eu me sentir ameaçada e nem me lamentar pelos sonhos que foram maldosamente assassinados por mim. Mas, uma vez que eu me deparo com a coragem de alguém se realizando bravamente na vida, surge a incômoda comparação: se ele está fazendo, porque é que eu não faço também?</p>
<p style="text-align: justify;">Este é, para mim, um dos atos mais heróicos que um ser humano pode realizar: o de se tornar responsável por seu próprio desejo e, na medida do possível, não deixar que ninguém (nem suas partes más e invejosas) destrua aquilo que é precioso para ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma coisa que devia ser ensinada nas escolas, aos pequenos: não se envergonhem de serem realizados, felizes, bem estabelecidos. Não se envergonhem de suas competências, atributos e sucessos. Vão tão longe quanto puderem ir, mas não se traiam. Não sejam menos do  que aquilo que vocês podem ser, pois nunca irão se perdoar por isso. E o que é pior: passarão o resto de suas vidas punindo os seus parceiros e impedindo-os de irem tão alto quanto puderem ir. Pois, se eu não fui, você também não vai!</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQ6_a9K6xCcOrQld25w_35P4oMbgSuKk6dTpj6qHM11lR_4q2iHdg" alt="" width="261" height="193" />Gostaria que todos os seres humanos pudessem ter a coragem do nobre guerreiro que prefere morrer na batalha a nunca ter guerreado por um algo em que acredita! Gostaria que vivêssemos até o limite do que pudéssemos viver, inteira e intensamente. Tudo isso devia ser ensinado nas cartilhas e pensado seriamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês já pensaram o quanto mães e pais felizes e realizados na vida poderiam facilitar a vida de seus filhos? Quanta culpa pessoas carregam pelo fato de seus pais, tios, avôs e avós não terem tido a coragem necessária de bancarem seus próprios desejos? Como se realizar quando seus antepassados não tiveram esta coragem? A coragem de assumirem-se felizes ou de, pelo menos, partirem em busca disso? Estas são reflexões profundas e muito sérias que todos aqueles que pretendem serem pais e mães deveriam se fazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois, como dizia Guimarães Rosa, viver é perigoso e requer muita coragem. A mesma coragem tão lindamente descrita por Gonçalves Dias em “Canção do Tamoio”:</p>
<p style="text-align: center;"><em>Não chores, meu filho;</em><br />
<em>Não chores, que a vida</em><br />
<em>É luta renhida:</em><br />
<em>Viver é lutar.</em><br />
<em>A vida é combate</em><br />
<em>Que os fracos abate,</em><br />
<em>Que os fortes, os bravos</em><br />
<em>Só pode exaltar.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Um dia vivemos!</em><br />
<em>O homem que é forte</em><br />
<em>Não teme da morte:</em><br />
<em>Só teme fugir;</em><br />
<em>No arco que entesa</em><br />
<em>Tem certa uma presa,</em><br />
<em>Quer seja tapuia,</em><br />
<em>Condor ou tapir.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>O forte, o cobarde</em><br />
<em>Seus feitos inveja</em><br />
<em>De o ver na peleja</em><br />
<em>Garboso e feroz;</em><br />
<em>E os tímidos velhos</em><br />
<em>Nos graves concelhos,</em><br />
<em>Curvadas as frontes,</em><br />
<em>Escutam-lhe a voz!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Domina, se vive;</em><br />
<em>Se morre, descansa</em><br />
<em>Des seus na lembrança,</em><br />
<em>Na voz do porvir.</em><br />
<em>Não cures da vida!</em><br />
<em>Sê bravo, sê forte!</em><br />
<em>Não fujas da morte,</em><br />
<em>Que a morte há de vir!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>É pois que és meu filho,</em><br />
<em>Meus brios reveste;</em><br />
<em>Tamoio nascente,</em><br />
<em>Valente serás.</em><br />
<em>Sê duro, guerreiro,</em><br />
<em>Robusto, fragueiro,</em><br />
<em>Brasão dos tamoios</em><br />
<em>Na guerra e na paz.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Teu grito de guerra</em><br />
<em>Retumbe aos ouvidos</em><br />
<em>D´inimigos transidos</em><br />
<em>Por vil comoção;</em><br />
<em>E tremam d´ouvi-lo</em><br />
<em>Pior que o sibilo</em><br />
<em>Das setas ligeiras,</em><br />
<em>Pior que o trovão</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>E a mão nessas batas,</em><br />
<em>Querendo calados</em><br />
<em>Os filhos criados</em><br />
<em>Na lei do terror;</em><br />
<em>Teu nome lhes diga,</em><br />
<em>Que a gente inimiga</em><br />
<em>Talvez não escute</em><br />
<em>Sem pranto, sem dor!</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Porém se a fortuna,</em><br />
<em>Traindo seus passos,</em><br />
<em>Te arroja nos laços</em><br />
<em>Do inimigo falaz!</em><br />
<em>Na última hora</em><br />
<em>Teus feitos memora,</em><br />
<em>Tranquilos nos gestos,</em><br />
<em>Impávido, audaz.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>E cai como o tronco</em><br />
<em>Do raio tocado,</em><br />
<em>Partido, rojado</em><br />
<em>Por larga extensão;</em><br />
<em>Assim morre o forte!</em><br />
<em>No passo da morte</em><br />
<em>Triunfa, conquista</em><br />
<em>Mais alto brasão.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>As armas ensaia,</em><br />
<em>Penetra na vida:</em><br />
<em>Pesada ou querida,</em><br />
<em>Viver é lutar.</em><br />
<em>Se o duro combate</em><br />
<em>Os fracos abate,</em><br />
<em>Aos fortes, aos bravos,</em><br />
<em>Só pode exaltar.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia/">A coragem nossa de cada dia</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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