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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Reflexões sobre a relação do terapeuta com o dinheiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Jan 2016 08:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Dúvidas frequentes sobre o atendimento]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Dinheiro]]></category>
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		<category><![CDATA[prostituição]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[psicoterapia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Meu objetivo neste texto é elaborar algumas reflexões a respeito do fator monetário na relação terapêutica. Falando mais claramente minha proposta é refletir sobre o modo como o terapeuta lida com o fato de receber dinheiro para cuidar de seus pacientes e de como paga, ou não, o preço pelo gozo que isso lhe traz. &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-relacao-do-terapeuta-com-o-dinheiro/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Reflexões sobre a relação do terapeuta com o dinheiro</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-relacao-do-terapeuta-com-o-dinheiro/">Reflexões sobre a relação do terapeuta com o dinheiro</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2016/01/download.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1702 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2016/01/download-150x150.jpg" alt="download" width="150" height="150" /></a>Meu objetivo neste texto é elaborar algumas reflexões a respeito do fator monetário na relação terapêutica. Falando mais claramente minha proposta é refletir sobre o modo como o terapeuta lida com o fato de receber dinheiro para cuidar de seus pacientes e de como paga, ou não, o preço pelo gozo que isso lhe traz.</p>
<p style="text-align: justify;">Partirei para tanto de uma primeira imagem, provocadora: um analista se encontra com seu paciente algumas vezes por semana, que podem ser três ou quatro. O paciente se deita em um divã e o analista se coloca o mais confortavelmente possível atrás dele. Ambos estarão envolvidos durante os cinquenta minutos de encontro em uma tarefa altamente libidinal (leia-se prazerosa): associar livremente.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1701"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quem já viveu esta experiência, seja como paciente ou como analista, sabe a quão prazerosa pode ser uma sessão de análise sobretudo quando as catexias libidinais estão a serviço do trabalho, algo que costuma ocorrer em fases mais adiantadas do trabalho. Diante disso, pergunto: É pertinente estabelecer algum paralelo possível entre o que faz um analista com seu paciente e o que faz a prostituta com seu cliente?</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui façamos uma pausa.</p>
<p style="text-align: justify;">O que faz a prostituta? Ela assume o seu gozo em fazer-se causa do desejo do outro, gozo pelo qual ela cobra um valor. Para o seu gozar, e o gozar do outro, empresta seu corpo por um tempo limitado. Penso que esta profissão, uma das mais antigas da humanidade, é condenada pela moralidade, exatamente porque nela a prostituta tenta realizar a totalidade do gozo sexual incestuoso com o qual o neurótico tanto sonha. Digo tenta porque a realização plena do desejo sexual é da ordem do impossível, embora no inconsciente todos nós ansiemos por ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Em termos mais simplistas: a prostituta realiza aquilo com o qual a dona de casa sonha à noite; sonho que lhe cobra um preço, se for neurótica – o de manter obstinadamente limpa e asseada sua casa, se tiver uma tendência à neurose obsessiva, ou, apaixonar-se castamente pelo novo padre da paróquia, caso tenha uma tendência à histeria. Em termos estruturais, a prostituta tenta realizar perversa ou psicoticamente aquilo com que o neurótico sonha.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem. E o psicanalista? Transferencialmente ele também não se empresta todo, ainda que temporariamente, para revestir-se da libido de seu paciente? Só que diferentemente da prostituta, se o psicanalista não é perverso ou psicótico (o que significaria ele vir a ter relações sexuais com seu paciente), ele empresta não o seu corpo, mas a sua mente.</p>
<p style="text-align: justify;">Que mente é esta que ele empresta como modelo ao seu paciente? Diferentemente da prostituta, o analista sabe, uma vez tendo passado pela castração, que se deve abdicar da ilusão do gozo absoluto, pois isso significaria a morte do eu.  O prazer que ele propõe ao paciente é um prazer sublimado, parcial, que é o único possível ao ser humano inserido na cultura. Trata-se na análise, propriamente, do prazer da fala que representa o ingresso no mundo simbólico. É a isso que Freud se referiu quando dizia que a análise deve se passar em um clima de abstinência de ambos os lados.</p>
<p style="text-align: justify;">O analista, diferentemente da prostituta, sabe-se castrado e, portanto, sabe o quanto é da ordem do impossível o gozo absoluto do qual ele abriu mão no passado, não sem relutância, para poder pertencer à cultura humana. E é este o convite que ele fará ao seu paciente.</p>
<p style="text-align: justify;">Muitos pacientes se rebelarão contra isso, negarão sua condição de seres castrados, leia-se, condenados a terem que se satisfazer com prazeres parciais, sublimados, o que significa abrir mão do desejo absoluto e pleno que a criança imagina experimentar na relação sexual incestuosa. Em um texto belíssimo de 1937 chamado “Análise terminável e interminável” Freud concluiu ser este o grande obstáculo à cura da neurose: o paciente se aferrar firmemente à ilusão de tudo poder realizar, de gozar plenamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltemos à questão do dinheiro. O que dinheiro tem a ver com gozo sexual? Tudo. Para a psicanálise, no inconsciente, o dinheiro é uma representação das fezes com as quais, no passado, a criança obteve seu quinhão de prazer anal retendo-as em seu intestino para depois soltá-las com violência e gozo.</p>
<p style="text-align: justify;">Deriva desta associação que existe entre dinheiro e prazer sexual a premissa, fortemente endossada pela cultura, de que acumular dinheiro é pecado, é feio. Seria o mesmo que a criança obstinadamente querer reservar para si todo o prazer que sente com a retenção de suas fezes. O dizer bíblico “é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus” penso que também remeta a esta significação. Por isso eu disse no início que o analista será chamado em seu ofício a responder ao gozo que obtém do benefício financeiro que lhe trazem seus pacientes, em troca do atendimento.</p>
<p style="text-align: justify;">Sempre achei muito curioso como a temática do dinheiro é evitada nos currículos de graduação e pós-graduação. Não me lembro de ter tido um professor na universidade que eu sentia tratar com liberdade o fato de que psicólogos devem sim receber dinheiro em troca do trabalho que realizam. É como se ao se adotarmos esta premissa o trabalho perdesse sua “nobreza”, fosse uma espécie de prostituição.</p>
<p style="text-align: justify;"> Parte-se, neste caso, de uma visão ingênua e idealizada da figura do terapeuta que, como um bom filantropo, humildemente dedica-se ao bem do pobre paciente, situação que revela um vínculo assentado em poder e submissão. Acho que nós profissionais da área psi ganharíamos muito mais se pudéssemos fazer uma análise profunda e corajosa das motivações mais inconscientes que nos levam à querem “cuidar” do outro. Mais revolucionário ainda seria se pudéssemos, humildemente, reconhecer que em muitas situações clínicas, se não em todas, o benefício terapêutico do contato com o paciente é igual, senão maior, para nós do que para ele. Afinal, o terapeuta que nunca esteve às voltas com uma questão pessoal que pôde ser melhor compreendida enquanto o seu paciente associava sobre o mesmo problema, que atire a primeira pedra.</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez parte do sentimento culposo que ganhar dinheiro neste ofício pode provocar em algumas situações derive exatamente daí. Acabo de me lembrar que certa vez ouvi um músico dizer que ficava muito envergonhado por fazer algo que lhe dava tanto prazer e ainda por cima ganhar dinheiro com isso, situação que revela o quanto a mente humana é frágil para conter sentimentos prazerosos e de gozo.</p>
<p style="text-align: justify;">Obviamente que se se fica numa relação parcial com o dinheiro (o dinheiro pelo dinheiro), isso é motivo de análise. Acumular pelo simples prazer de acumular pode significar, no analista, que houve uma fixação ainda não devidamente elaborada nas vivências anais. Mas não é disso que estou falando. Estou falando que o dinheiro proporciona, na sociedade em que vivemos, muitas experiências prazerosas. Viajar, comer bem, morar em um lugar bacana, ir ao cinema e ao teatro; tudo isso e muito mais que o dinheiro pode proporcionar.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, penso que a questão de base pode ser a dificuldade do profissional em assumir-se como alguém que goza com aquilo que o dinheiro lhe proporciona, algo que, como sabemos, faz despertar aspectos invejosos e superegóicos da própria mente e da mente dos outros.</p>
<p style="text-align: justify;">Por outro lado, acredito que pode ser uma perda muito grande para a dupla se o analista, por não ser capaz de sustentar em si as turbulências emocionais derivadas deste gozo.</p>
<p style="text-align: justify;">Levando a hipótese de que este tipo de negação, no analista, pode provocar na dupla sentimentos de assepsia e de esterilidade, com tendência ao paciente idealizar o terapeuta como uma pessoa que não come, não defeca, não precisa de dinheiro, não faz sexo e, finalmente, não morre porque tampouco está vivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero ter atingindo o meu objetivo neste texto e refletido sobre o quanto falar o mais aberta e honestamente possível de dinheiro com nossos pacientes pode ser salutar em uma relação de análise. Afinal de contas, tudo o que o paciente mais necessita é sentir que está na sala com outro ser humano.</p>
<p style="text-align: justify;">
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>A verdadeira riqueza humana.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Apr 2013 15:23:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Acúmulo de bens materiais]]></category>
		<category><![CDATA[Capacidade para amar]]></category>
		<category><![CDATA[Dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Melanie Klein]]></category>
		<category><![CDATA[mundo mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que é realmente essencial para sermos felizes? Hoje gostaria de fazer algumas reflexões sobre algo que venho pensando muito nos últimos tempos. Trata-se da seguinte questão: o que é realmente essencial para que um ser humano possa transitar por esta vida com algum prazer? A partir das minhas reflexões, respondo que a maior riqueza &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-verdadeira-riqueza-humana/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A verdadeira riqueza humana.</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-735 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-150x150.jpg" alt="texto" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-120x120.jpg 120w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O que é realmente essencial para sermos felizes?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje gostaria de fazer algumas reflexões sobre algo que venho pensando muito nos últimos tempos. Trata-se da seguinte questão: o que é realmente essencial para que um ser humano possa transitar por esta vida com algum prazer?</p>
<p style="text-align: justify;">A partir das minhas reflexões, respondo que a maior riqueza que um ser humano pode ter está no que ele é capaz de sentir e não no que ele é capaz de acumular em termos de bens materiais.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-734"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Dito de outro modo, a maior riqueza que um ser humano pode conquistar para si é a sua capacidade de sentir bons sentimentos. Em termos teóricos, foi Melanie Klein quem mais desenvolveu esta ideia quando considerou que é a introjeção de um bom seio que nos permite amar, sentir gratidão e usufruir da vida. Trata-se, para ela, de uma equação que será feita muito cedo na vida de um bebê, mais especificamente até os seis meses de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito se engana quem pensa que a vida de um bebezinho é fácil e plácida. A Psicanálise descobriu, através de seu acurado método clínico de investigação, que a vida de um recém-nascido é cheia de angústias inomináveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele se sente invadido por terrores de toda ordem: terror pelo medo iminente de morrer, já que sua constituição é ainda muito frágil e sua dependência do meio é total e absoluta. Além disso, o bebê vivencia temores e angústias derivadas das frustrações do seio, que são sentidas por ele como ataques. Por outro lado, se o seio é eficiente em acudir as angústias e intensas projeções do bebê, ele ainda terá que lidar com os sentimentos invejosos despertados pela sua percepção tênue de que o seio é capaz de lhe prover de algo que ele sozinho ainda não consegue.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Equipados com o essencial:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo isso, a vida de um recém-nascido não é nada fácil, assim como não é fácil a vida de um ser humano. O que se modifica com o tempo, se tudo correr bem, é que o bebê irá, através de suas boas experiências com o seio, desenvolver e fortalecer o seu ego para fazer frente a tantas angústias e frustrações que a vida lhe reserva.</p>
<p style="text-align: justify;">E com isso, o ser humano, criança, adolescente ou adulto, estará equipado com o que lhe é essencial para enfrentar todas as adversidades que a sua existência terá. Trata-se, do “aparelho” que lhe permitirá amar e manter uma atitude respeitosa, íntegra e consiste com sua própria existência e com o que realmente é importante para si.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Para Melanie Klein:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-736 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1.jpg" alt="texto 1" width="160" height="160" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1.jpg 160w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1-120x120.jpg 120w" sizes="(max-width: 160px) 100vw, 160px" /></a>Mas, retomando a questão inicial, para Melanie Klein, a introjeção de um bom seio irá depender basicamente de duas coisas: 1) de as experiências satisfatórias com o seio materno terem superado as experiências frustrantes; 2) de o bebê ser provido, em termos constitucionais, de uma maior capacidade de amar do que de odiar.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante frisar que por “seio materno” compreende-se em Psicanálise não o seio concreto, mas a experiência emocional intensa vivenciada por uma mãe e seu bebê. Funciona mais ou menos assim: eu não disse que o bebezinho humano nasce atormentado por angústias inomináveis? Então, como ele ainda não tem mente suficiente para dar conta de todas as suas angústias e emoções intensas de ódio e de inveja, ele as projeta na mãe, fazendo-a sentir o que ele próprio está vivenciando.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe que está ligada emocionalmente ao seu bebê capta esta comunicação e “digere” tais sentimentos, devolvendo-os a ele de forma menos tóxica. Trata-se exatamente daqueles momentos em que o bebê encontra-se em estado de desespero e mãe consegue acalmá-lo com seu tom de voz suave e seu estado emocional equilibrado e firme. Ocorre também que se a criança nascer dotada de uma forte intolerância à frustação, mesmo que a mãe consiga realizar este trabalho de desintoxicação das emoções, a criança poderá encontrar maiores dificuldades para manter bons sentimentos dentro de si. Digo isso para frisar que este delicado processo não depende nem só da mãe nem só da criança, mas de cada dupla específica que se forma, com suas personalidades correspondentes.  É por isso que, para a Psicanálise, independente da corrente teórica adotada, a relação inicial mãe – criança é tão fundamental para entendermos o psiquismo humano.</p>
<p style="text-align: justify;">É esta complexidade de coisas que irá definir, embora não determinar para sempre, a capacidade humana para sentir bons sentimentos que estão ligados à capacidade de amar e de sentir gratidão pela vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Amar ser quem se é, responsabilizando-se integralmente pelos seus atos, sentir gratidão pela vida concedida pelos pais, amar a própria história, perdoar-se pelo que não se é, mantendo uma atitude amorosa com quem se pode ser, valorizar as próprias ideias numa postura de respeito por si mesmo, respeitar a história e o passado, pois, sem passado não há presente nem futuro, tudo isso é derivado da capacidade de amar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O acúmulo de bens materiais:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">O acúmulo de bens materiais pode trazer muito prazer, desde que venha associado a esta capacidade interna para amar. Vamos pegar dois exemplos para ilustrar o que eu quero dizer:</p>
<p style="text-align: justify;">1): uma criança pobre brinca e no seu brincar cria a sua própria realidade. Ela constrói um barco com um pedaço de papel que encontrou pelo chão e com ele desbrava novos mares. Com ele, ela é um corajoso marinheiro que enfrenta feras e grandes perigos do mar, saindo vitoriosa desta difícil batalha. Neste fantasiar, seus olhos se iluminam, seu rosto é puro prazer. Naquele momento, ela ama a si mesma e mantém uma atitude respeitosa com suas próprias fantasias;</p>
<p style="text-align: justify;">2): um adulto rico e bem sucedido, “brinca” com o seu iate. Ele não sente prazer algum em navegar por aqueles mares, parece lhe faltar sempre algo que ele não sabe o que é. Sua vida, apesar de todo o dinheiro que conseguiu acumular, não lhe parece ter o menor sentido. Suas viagens ao exterior são todas sem graça e ele sempre volta o mesmo ou se sentindo ainda mais empobrecido. Seus olhos não são brilhantes e ele parece não ter prazer em viver. Sua vida é sentida como monótona e chata.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem. Os melhores amigos do nosso colega hipotético, dono do iate, irão lhe dizer para não pensar nestas coisas e concentrar sua atenção na próxima viagem, embora nada disso resolva sua vida porque não toca no âmago da questão: ele não sente prazer porque sua capacidade de amar e viver de forma criativa estão prejudicadas, por algum motivo que não podemos saber se não no contexto da análise.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-737 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto2.jpg" alt="texto2" width="160" height="110" /></a>Espero ter transmitido a ideia central das minhas reflexões: o acúmulo, a aquisição de bens é algo que pode ser muito prazeroso quando se tem mente para usufruir daquilo que se conquista. Não acho que devemos fazer voto de pobreza para sermos felizes ou para não nos sentirmos culpados por aqueles que não têm. Ao contrário, acredito que o dinheiro quando atrelado à capacidade de amar e de viver criativamente pode nos proporcionar coisas incríveis.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que as coisas que podemos comprar com o dinheiro não proporcionam prazer por si mesmas. É o mesmo que um bebê sugando o seio só para não morrer de fome, mas incapaz de brincar e de sentir um imenso prazer com aquele momento. É o mesmo que ter uma relação sexual só para descarregar a tensão sexual sem se envolver criatividade naquele ato e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo que posso observar em minha realidade quotidiana, sinto que a nossa sociedade como um todo, embora isso não seja uma regra, tem priorizado muito o acúmulo de dinheiro e a aquisição de bens materiais, esquecendo-se do que me parece essencial para a vida. Acho curioso, por exemplo, constatar como em minha região há uma expansão, a meu ver exagerada, de espaços de shopping-center comparada à expansão de parques, praças e espaços que nos coloquem em contato direto com a natureza.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>A verdadeira riqueza humana: capacidade para amar e sentir prazer.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, sem a capacidade de amar a vida e vivê-la de maneira prazerosa (algo que está ligado a processos muito primitivos e precoces), bens materiais são vazios, estéreis. Viajar pode ser extremamente prazeroso e nos permitir expansão e crescimento, acúmulo de experiências novas, mas também pode nos permitir nada mais do que voltarmos exatamente do jeito que fomos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se assim for, talvez valha mais a pena você investir o seu dinheiro em uma instigante e corajosa viagem ao interior. Não ao interior de Minas Gerais (que também pode ser incrível, com sua arte barroca e povo acolhedor), mas ao interior da sua própria mente. Quem sabe não está lá o que você procurou a vida toda em apartamentos, iates, viagens e restaurantes maravilhosos, mas nunca encontrou?</p>
<p style="text-align: justify;">Abraços e até a próxima.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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