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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Wed, 26 Sep 2018 11:34:50 +0000</lastBuildDate>
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		<title>O ser poético na modernidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Sep 2018 14:59:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[Baudelaire]]></category>
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		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Partindo de um curso intitulado Filosofia e intuição poética na modernidade ministrado pelo Prof. Franklin Leopoldo e Silva, a autora apresenta uma sintetização do que pôde aprender acerca do ser poético e suas crises na modernidade para, em seguida, traçar alguns paralelos entre o poeta e o psicanalista, ambos como guardiões na função simbólica. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-ser-poetico-na-modernidade/">O ser poético na modernidade</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1933 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/charles_pierre_baudelaire_by_mephistopheies-d59tjqh-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />As articulações produzidas neste texto são fruto de um curso que acabo de acompanhar com o Prof. Franklin Leopoldo e Silva intitulado Filosofia e Intuição Poética na Modernidade, disponível na <a href="https://www.youtube.com/watch?v=9a9kWxpnjWk">internet</a>.</p>
<p>Nele, pensando no ser poético ou na identidade do poeta, o filósofo nos instiga com as seguintes questões: na medida em que um dos traços fundantes da modernidade é a degradação e a perda dos valores estéticos e éticos, como pode o poeta viver num mundo sem poesia? Ou, colocado de outro modo, como poderia o poeta continuar a fazer poesia em um mundo sem ideal? Haveria ainda alguma poesia possível para este mundo?</p>
<p><span id="more-1932"></span></p>
<p>Nestas indagações de uma aparência singela, algo de brutal e terrível está posto que é a própria crise identitária vivida pelo ser poético em um mundo no qual os valores que definiriam seu ser não existem mais.</p>
<p>O dramático neste contexto é que o próprio ser do poeta é colocado em xeque, passando ele a estar como que exilado de si mesmo, numa espécie de terra do nunca da não existência. Neste curso, o professor Franklin toma o poeta Baudelaire como um modelo da manifestação pura deste não lugar, sendo por isso talvez ele ter ficado conhecido como “o poeta maldito”. Mas, não pensemos que Baudelaire, moderno por excelência, respondeu à sua maldição refugiando-se em nostalgias e romantizações dos ideais passados.</p>
<p>Segundo nos informa o professor Franklin, Baudelaire, vivendo à moda de um profundo espírito nietzschiano, nunca recusou o tempo em que viveu, ainda que tenha personificado em sua própria vida a precariedade de seu tempo. Ao contrário. Conta-nos o professor que ele insistia na possibilidade de integrar em sua existência tudo aquilo que também lhe faltava, algo que Franklin associa a uma posição fortemente existencial e heroica diante da vida.</p>
<p>Além disso, Baudelaire repudiava em seu tempo, seja dentro ou fora da arte, condutas classicistas em que o antigo era idealizado e o moderno denegrido. Em seu texto “O pintor da vida moderna”, ele ironiza o frequentador de museu que rejeita as obras de seu tempo consideradas por ele de menor valor e enaltece um Rafael ou um Michelangelo, como se estas obras tivessem valor <em>per si</em>. Para o poeta maldito, este falso erudito equivoca-se em sua avaliação ao se esquecer de que cada época produz seus próprios artistas, frutos do seu tempo, e que Rafael também foi moderno para os seus contemporâneos. Além disso, para ele, estas pessoas que vivem ansiando viverem um tempo que não o seu fazem um desserviço à humanidade, na medida em que deixam de reconhecer no presente os valores que estão para ser descobertos ou inventados por eles mesmos.</p>
<p>A perspectiva do poeta, nesse sentido, parece ser a de que ao invés de nos evadirmos para um passado idealizado e sonhado como um tempo liso, que correria sem atritos e sem dissonâncias, o valor da atitude moderna seria a de encarnarmos com uma positividade aberta o tempo presente que é o único que efetivamente podemos viver.  Seria a partir desta perspectiva que o poeta teria algo a nos dizer.</p>
<p>Mas para indagarmos o que o poeta moderno tem a dizer, antes devemos indagar que mundo é esse que não o escuta mais e no qual ele não tem mais lugar.</p>
<p>Trata-se do mundo utópico desenhado pelo Iluminismo em que o homem dominaria o mundo pelas suas ideias e competências racionais.</p>
<p>Este admirável mundo novo incorporado pela revolução burguesa exaltou o sujeito em sua dimensão positiva e livre e instigou nele um desejo permanente de progresso e desenvolvimento ilimitado; produziu também, como o avesso desta experiência, um mundo massificado e prosaico constituído por uma multidão indiferenciada que deseja toda ela o mesmo desejo, alienada por sua vez no vozerio unívoco do pretenso discurso livre. Será sob o pano de fundo deste mal-estar perene – aquele da multidão alienada de si mesma, e do poeta que ao mesmo tempo observa e participa deste mundo impossível – que o poeta encontrará formas de sobreviver.</p>
<p>Ele será, segundo o professor Franklin, uma espécie de testemunha viva das ambiguidades, do vazio existencial e do tédio que marcam o nosso tempo. Sua existência, ainda que impermanente, só é possível não porque aqueles que estão na multidão desejam ser acordados de seu sonho pelo poeta, mas porque neste, e só dentro deste, algo segue desencaixado, fora de lugar, clamando por existir e ser pensado. A este algo que pede por um reconhecimento existencial Kierkegard chamou de “a singularidade de um indivíduo”.</p>
<p>E aqui tocamos num pontos mais nevrálgicos e irresolvíveis da questão: na medida em que o poeta, para existir, necessita do reconhecimento de seu semelhante, de seu leitor, e este lhe recusa, lhe rejeita, escarnece dele, por onde ele buscará este olhar que lhe é negado?</p>
<p>Para o professor Franklin, aqui tanto o poeta quanto sua arte só poderão existir resistindo a um mundo que lhes é absolutamente hostil. Poeta e sua arte, uma vez colocados fora das categorias do tempo moderno (tempo da produtividade) e da racionalidade, irão buscar como fonte de criação poética não mais os belos feitos do herói, em um mundo onde os valores ainda tinham algum significado, mas na própria banalidade e na indigência do cotidiano, buscando o sentido e o valor pelo seu aspecto negativo, ou seja, ali onde eles não existem mais.</p>
<p>Por isso o interesse de Baudelaire por indigentes, prostitutas, boêmios, etc. Estes heróis de Baudelaire não eram heróis porque inventaram novos e belos valores, mas porque resistiram, ainda que inutilmente, aos valores vigentes. Através deles, o poeta canta, portanto, o colapso completo dos valores que marcará a passagem da modernidade até os nossos dias.</p>
<p>Identificado a estes personagens marginais que vivem numa espécie de hiato entre a existência e a não existência completa, o poeta encontraria aí alguma ancoragem para si. Assim como eles, o poeta encarna esta marginalidade quando se recusa a se identificar com os discursos normativos vigentes, recusando assumir qualquer posição que seja, o que já significaria tomar partido. Nesse sentido, Baudelaire foi acusado por nunca se manifestar publicamente sobre qualquer assunto, embora seu silenciamento se desse não por alienação, mas por fidelidade à complexidade do real, conforme explicou o professor.</p>
<p>Ora, se o sentido e a beleza, dos quais o poeta depende visceralmente para viver, não podem mais ser encontrados no olhar de seu semelhante e vida comum, de onde eles vêm agora?</p>
<p>Vem da transfiguração do real. Ou seja, do dom que tem o poeta de, ao observar os fatos, dar-lhe sempre outro sentido, sonhado e imaginado e, portanto, mais rico e polissêmico que o real em si.</p>
<p>É a partir daí que o poeta poderá reencontrar o sentido e a beleza que a tecnicização da vida tomaram dele. Observando aquilo que é, o poeta sonha, escuta outro texto, enxerga outra cena, que os olhos e ouvidos do leitor ou do espectador não poderiam acessar. Na feiura e na maldade do mundo, os olhos do poeta buscarão os últimos vestígios soterrados da beleza e da bondade. É deste anseio estético de encontrar a beleza soterrada no mal que se trata o título de um de seus livros “As flores do mal”, conforme explica o professor Franklin.</p>
<p>Para que possa transfigurar o real, o poeta desrespeita o uso utilitário que se dá à palavra. Torce os sentidos, destrói a naturalidade pretensa que existiria entre palavras e coisas, perverte-as, agita-as em seu tubo de ensaio mágico, faz deslizar os sentidos, metaforiza.  Com este seu truque, produz sentidos ambíguos, deslocados da significação convencional e escandaliza. O leitor, confrontado com este poeta em crise, será convidado a se desalojar de seu lugar confortável, mantido ao custo da hipocrisia. Assim, diz Baudelaire ao leitor:</p>
<p>“<em>Tu conheces, leitor, o monstro delicado.</em></p>
<p><em> &#8211;  Leitor hipócrita, meu semelhante, meu irmão.”</em></p>
<p>O leitor é hipócrita porque acredita que está fora da crise existencial dramaticamente encarnada pelo poeta e que ela é apenas aparente, e não lhe afeta de modo algum. Mas, Baudelaire, o lembra de que ele conhece o monstro delicado do qual tenta em vão se evadir. Diz-lhe ainda que, neste saber, ambos estão irmanados e ligados pelo monstro, sendo ambos afetados por ele. Com isso, esvazia o lugar de saber do poeta com o qual o leitor não mais pode mimeticamente aprender a ser. Constrói, de outro lado, um saber poético pautado na ambiguidade, tal como um espelho ambíguo que refletirá do leitor sempre mais e sempre menos do que aquilo de si que ele projeta.</p>
<p>Esta posição singular do poeta é arriscada, como lembra o professor Franklin e ele deve estar preparado para assumir os riscos dos segredos que serão revelados em sua transfiguração do real, assim como os efeitos inesperados que esta revelação trará, para os outros e para ele. Além disso, como outra característica heroica do ser poético, ele deverá pagar o preço de sua posição ambivalente com relação aos limites que, ao mesmo tempo, estão aí para ser superados, mas que, uma vez superados, lançam-no em um mundo sem chão e sem parâmetros definidos <em>a priori</em>. Ainda, o poeta deverá renunciar ao se deixar ir, que é como faz a multidão, pagando esta renúncia com o preço da exclusão que ele vive externa e internamente.</p>
<p>Ou seja, na constituição da singularidade heroica do poeta ele será acompanhado por emoções oscilantes difíceis de serem suportadas; vazio e angústia, medo e incerteza, ira e ironia, solidão e desterro sendo algumas das que podemos nomear. Assim, quando Baudelaire escreve “Sou a ferida e a faca” podemos ouvi-lo colocar em palavras o impasse que é sermos humanos, impasse que o poeta encarna visceralmente em seu próprio ser.</p>
<p><strong>Articulações possíveis entre o ser poético e o ser analítico</strong></p>
<p>A riqueza destas articulações para o psicanalista está no fato de que o ser poético, tal como ricamente descrito pelo professor Franklin, guarda muitas semelhanças com o ser analítico.</p>
<p>Pretendo trabalhar o que penso terem um ponto de contato com o ser analítico em outro texto, mas só para citar algumas teríamos:</p>
<p><strong>1)</strong> O lugar ocupado pelo ser analítico representado pelo analista na sala de análise é ambíguo como o ser poético visando fazer cair as mistificações sintomáticas do Eu, para que possa emergir a verdade do sujeito.</p>
<p><strong>2)</strong> A necessidade de que o outro ocupe o seu lugar, para se constituir também é compartilhada por ambos. Assim como não existe poeta sem leitor, não existe analista sem analisando. Na ausência deste lugar complementar, poeta e analista vivem uma crise identitária dramática que lhes afetam desde dentro, ou seja, no seu próprio ser.</p>
<p><strong>3)</strong> Assim como o poeta, o ser analítico questiona tomando a si mesmo como mote a visão racionalista do sujeito autônomo e auto engendrado.</p>
<p><strong>4)</strong> Poeta e analista são suportes testemunhais da ambiguidade irresolvível que marca a existência humana.</p>
<p><strong>5)</strong> Ambos operam fora das categorias de tempo e de espaço propostas pela racionalidade moderna, sendo isso o que Freud pretendeu articular com sua noção de inconsciente.</p>
<p><strong>6)</strong> Ambos encarnam em si, ainda que ao custo de uma perda de onipotência do Eu, uma dura fidelidade à complexidade do real. Daí que nenhuma articulação vinda do poeta ou do analista pode comportar qualquer tipo de certeza consoladora.</p>
<p><strong>7)</strong> Assim como poeta, o fazer do analista consiste em transfigurar o real, sonhá-lo em nome de uma vida com sentido. Um e outro não o fazem por uma escolha. Trata-se de uma necessidade vital. Poeta e analista não veriam sentido em continuarem vivos em uma realidade na qual não pudessem transfigurar.</p>
<p><strong>8)</strong> Poeta e analista pagam o preço desta transfiguração com uma dura abstinência no que se refere à satisfação de necessidades imaginárias, ambos funcionando como uma espécie de guardião do simbólico.</p>
<p><strong>Indicações de leituras feitas durante o curso:</strong></p>
<p>Baudelaire, C. (1863). <em>O pintor da vida moderna.</em></p>
<p><em>            </em>Benjamin, W. (1989). <em>Baudelaire: um lírico no auge no capitalismo. </em></p>
<p>Berman, M. (1982). <em>Tudo o que é sólido se desmancha no ar.</em></p>
<p>Novaes, A. (2005). <em>Poetas que pensaram o mundo.</em></p>
<p>Kant, I. (1973). <em>Resposta à pergunta: o que é o iluminismo? </em></p>
<p>Sartre, J. P. (1947). <em>Baudelaire. </em></p>
<p>*<em>Não tenho palavras para agradecer ao Prof. Franklin Leopoldo e Silva pela generosidade com que ensina filosofia e à iniciativa da TV Unifesp, que disponibilizou o conteúdo online e me possibilitou acesso a este rico material.  </em></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Colóquio Freud: Filosofia e Psicanálise na UFSCAR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 May 2015 13:46:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[Colóquio Freud]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[metapsicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nos dias 12, 13 e 14 de maio acontecerá na Universidade Federal de São Carlos um interessante Colóquio sobre Freud: Filosofia e Psicanálise, que está sendo organizado pelo Departamento de Filosofia e Metodologia das Ciências. Este evento é uma comemoração aos 100 anos da publicação dos escritos metapsicológicos freudianos. Vejam a programação completa aqui: O &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coloquio-freud-filosofia-e-psicanalise-na-ufscar/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Colóquio Freud: Filosofia e Psicanálise na UFSCAR</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/download.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1309 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/05/download.jpg" alt="download" width="219" height="160" /></a>Nos dias 12, 13 e 14 de maio acontecerá na Universidade Federal de São Carlos um interessante Colóquio sobre Freud: Filosofia e Psicanálise, que está sendo organizado pelo Departamento de Filosofia e Metodologia das Ciências.</p>
<p style="text-align: justify;">Este evento é uma comemoração aos 100 anos da publicação dos escritos metapsicológicos freudianos.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam a programação completa <a href="http://www.dfmc.ufscar.br/uploads/documents/553fe06140271.pdf">aqui</a>:</p>
<p style="text-align: justify;">O evento contará com participação de psicanalistas e filósofos, estudiosos incansáveis do pensamento freudiano.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1307"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Para maiores informações e inscrições, entre em contato pelo telefone: (16) 3351-8368 ou pelo email: filosofiaepsicanalise2015@gmail.com</p>
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		<title>A morte é um borrão na natureza.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Dec 2014 19:05:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[envelhecimento]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Trabalhadores do Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Hugo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em “Os trabalhadores do mar”, de Vitor Hugo, diz o narrador sobre o desespero de Gilliatt, diante do risco de sua própria morte:             O homem diante da noite reconhece-se incompleto. O céu negro é o homem cego. Com a noite o homem abate-se, ajoelha-se, arrasta-se para um buraco ou procura asas. Quase sempre quer &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/morte-e-um-borrao-na-natureza/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A morte é um borrão na natureza.</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/download.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-1278 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/download.jpg" alt="download" width="300" height="168" /></a>Em “Os trabalhadores do mar”, de Vitor Hugo, diz o narrador sobre o desespero de Gilliatt, diante do risco de sua própria morte:</p>
<p style="text-align: justify;">            <em>O homem diante da noite reconhece-se incompleto. O céu negro é o homem cego. Com a noite o homem abate-se, ajoelha-se, arrasta-se para um buraco ou procura asas. Quase sempre quer fugir a essa presença informe do desconhecido. Pergunta: O que é; treme, curva-se, ignora; às vezes, quer ir lá. Todo o número é zero diante do infinito. Dessa contemplação solta-se um fenômeno sublime: o crescimento da alma pelo assombro. Mas, este prodígio universal não se realiza sem atritos e os atritos é o que chamamos de Mal. O Mal desconcerta a vida, que é uma lógica. Faz devorar a mosca pelo pássaro e o planeta pelo cometa. O Mal é um borrão na natureza.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1277"></span></p>
<p style="text-align: justify;">De que nos fala Vitor Hugo nesta bela passagem?</p>
<p style="text-align: justify;">O que quer dizer ele com: O Mal é aquilo que atrita este prodígio universal chamado vida? Ou ainda, o Mal desconcerta a vida, que é uma lógica. O Mal é um borrão na natureza.</p>
<p style="text-align: justify;">Para refletir sobre esta questão, partirei de algo que estou vivendo neste momento. Tenho acompanhado de perto uma pessoa da família com diagnóstico de câncer.</p>
<p style="text-align: justify;">Penso que é deste Mal que nos fala Vitor Hugo. Ele não fala do mal que o homem causa, consciente ou inconscientemente, a si mesmo por causa de sua própria miopia. Vitor Hugo, na voz de Gilliatt fala do Mal que vem bagunçar a lógica e a estética da vida, sobre o qual nós não temos nenhum controle: a doença, a nossa impotência diante da força da natureza (por exemplo, nas grandes catástrofes naturais), a fome, a morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Para começar, o homem anseia deste sempre a perfeição e a imortalidade. Freud chegou a dizer que para o inconsciente o tempo não existe. Por isso olhamos com tanto estranhamento e até um pouco de desdém a desgraça dos outros, o envelhecimento dos outros, a morte dos outros. Lá no fundo de nossas almas nós pensamos: isso nunca vai acontecer comigo! Eu nunca vou ficar doente! Eu nunca vou envelhecer. Certo dia uma pessoa já velha me disse com pesar que sentia que seus filhos a desprezavam, algo que ela relacionava com o fato dela própria estar velha e próxima da morte. Acho que ela está certa em sua percepção. Nós seres humanos não gostamos da velhice e da doença porque ela nos sinaliza a proximidade da nossa própria morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, Vitor Hugo não nos ensina somente que o Mal – estas coisas que nos acontecem sobre as quais não temos o menor controle – atrita a lógica da vida. Ele nos ensina mais. Fala que diante do Mal o homem tem pelo menos duas saídas: ou ele se ajoelha e se arrasta para o buraco, acovardando-se em sua luta, ou ele cria asas. Se ele pode criar asas e ficar frente a frente com o desconhecido, algo sublime acontece: sua alma cresce pelo assombro.</p>
<p style="text-align: justify;">Voltemos agora a esta pessoa diagnosticada com câncer. O que ela pode fazer diante deste Mal, deste borrão da natureza, deste atrito que vem retirar dela a ilusão narcísica de que com ela isso nunca aconteceria, de que ela tinha um tempo infinito para realizar-se como ser humano?</p>
<p style="text-align: justify;">Acompanhando Vitor Hugo, ela pode ajoelhar-se e meter-se em um buraco negro e sombrio. Estamos aqui no campo dos sentimentos depressivos e melancólicos, que tem como raiz a revolta, filha do ódio. Em termos poéticos, neste caso a dor se transformou em ódio, como nos ensinou Guimarães Rosa na voz de Riobaldo. O desconhecido é evitado e nada de sublime acontecerá. Sua alma não crescerá e não poderá aprender nada sobre a vida pelo assombro.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, há outra saída. Diante do Mal-borrão-da-natureza, sua mente pode criar asas. Esta pessoa pode, em um casamento profundo com as forças de vida, dançar de perto com o abismo, repensar sua própria vida, fazer um balanço, reencontrar novos sentidos, transformar-se profundamente. É verdade que para isso é preciso ter muita coragem. É verdade que para isso é preciso já se ter alguma familiaridade com esta lógica ilógica que é a vida-morte. Caso contrário, o choque é muito grande e talvez ela não possa sobreviver a ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Se ela pode criar asas e perceber que, na natureza, a mosca é devorada pelo pássaro (não há violência nem intencionalidade nisso) e que o nosso planeta pode, a qualquer momento, ser destruído por um cometa qualquer, ou seja, que somos poeira cósmica diante do infinito, sua mente se torna também infinita e aberta para pensar pensamentos nunca antes sonháveis. Eis aqui o milagre!</p>
<p style="text-align: justify;">Penso, portanto, que Vitor Hugo nos alerta para algo crucial na vida: o corpo que envelhece, adoece só é sentido como prisão quando o que se está aprisionada é a mente. Uma mente dotada de asas não se abate diante do perecimento do corpo. Ela se solta, deixa ir quando for a hora. Ela aceita que tudo que é vivo, perece; que nós estamos morrendo sempre um pouco por dia.</p>
<p style="text-align: justify;">Para isso é preciso ter alma antiga, algo que não depende da idade cronológica, mas do quanto já se pôde crescer pelo espanto!</p>
<p style="text-align: justify;">Há uma música linda feita por Raul Seixas que diz assim:<em> </em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Eu sei que determinada rua que eu passei</em><br />
<em>Não tornará a ouvir o som dos meus passos</em><br />
<em>Tem uma revista que eu guardo há muitos anos</em><br />
<em>E que nunca mais eu vou abrir.</em><br />
<em>Cada vez que me despeço de uma pessoa</em><br />
<em>Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez</em><br />
<em>A morte, surda, caminha ao meu lado</em><br />
<em>E eu não sei em que esquina ela vai me beijar.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Com que rosto ela virá?<br />
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?<br />
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?<br />
Na música que eu deixei para compor amanhã?<br />
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?<br />
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,<br />
E que está em algum lugar me esperando<br />
Embora eu ainda não a conheça?</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Vou te encontrar vestida de cetim,<br />
Pois em qualquer lugar esperas só por mim<br />
E no teu beijo provar o gosto estranho<br />
Que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar<br />
Vem, mas demore a chegar.<br />
Eu te detesto e amo morte, morte, morte<br />
Que talvez seja o segredo desta vida<br />
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Qual será a forma da minha morte?<br />
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.<br />
Existem tantas&#8230; Um acidente de carro.<br />
O coração que se recusa a bater no próximo minuto,<br />
A anestesia mal aplicada,<br />
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida<br />
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,<br />
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio&#8230;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Oh morte, tu que és tão forte,<br />
Que matas o gato, o rato e o homem.<br />
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar<br />
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva<br />
E que a erva alimente outro homem como eu<br />
Porque eu continuarei neste homem,<br />
Nos meus filhos, na palavra rude<br />
Que eu disse para alguém que não gostava<br />
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite&#8230;</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Vou te encontrar vestida de cetim,<br />
Pois em qualquer lugar esperas só por mim<br />
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo, mas tenho que encontrar<br />
Vem, mas demore a chegar.<br />
Eu te detesto e amo morte, morte, morte<br />
Que talvez seja o segredo desta vida<br />
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Paradoxalmente ou não, Raul Seixas morreu jovem, pelo menos em termos cronológicos. Morreu dormindo. Ou seja, a vida foi generosa com ele e lhe enviou a morte vestida em uma bonita roupa. Enquanto vivo Raul parece ter podido dançar de perto com o abismo, com o desconhecido, algo que sempre traz um imenso prazer, mas também uma imensa dor. Para ele, o véu do Real se descortinou e ele pôde olhar para aquilo que cega, de tanta beleza, de tanta dor, de tanto assombro.</p>
<p style="text-align: justify;">É neste universo mítico, representado pelo mar em Vitor Hugo, e pela &#8220;metamorfose ambulante&#8221; de Raul Seixas que encontramos o inconsciente, o pulsional, aquilo que está além ou aquém da representação, fonte de energia criativa e de angústia, pela proximidade com o inanimado. Neste caos mítico, o mergulho é silencioso, profundo e alto, denso, escuro, sinistro, criativo e doloroso como um parto. Deste mergulho, nunca sabemos bem o que irá nascer. É espantosa a transformação.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/morte-e-um-borrao-na-natureza/">A morte é um borrão na natureza.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>O tempo é um monstro que engole tudo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2014 22:56:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Ano Novo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tempo é um monstro que engole tudo. Esse foi o pensamento que me ocorreu hoje, logo pela manhã, sobre o qual me coloquei a pensar seriamente. Por que esta frase, categórica, enfática, povoa minha mente justo nesta terça-feira, dia 02 de dezembro, às sete da manhã? Penso na proximidade do final de ano. Data &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-tempo-e-um-monstro-que-engole-tudo/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">O tempo é um monstro que engole tudo.</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-tempo-e-um-monstro-que-engole-tudo/">O tempo é um monstro que engole tudo.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1259 size-medium" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/salvador-dali-thumb-600x426-30442-300x213.jpg" alt="imagem sobre tempo - salvador dali" width="300" height="213" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/salvador-dali-thumb-600x426-30442-300x213.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/salvador-dali-thumb-600x426-30442.jpg 563w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" />O tempo é um monstro que engole tudo. Esse foi o pensamento que me ocorreu hoje, logo pela manhã, sobre o qual me coloquei a pensar seriamente. Por que esta frase, categórica, enfática, povoa minha mente justo nesta terça-feira, dia 02 de dezembro, às sete da manhã? Penso na proximidade do final de ano. Data ingrata, sinistra, que sempre mobiliza angústias intensas, atávicas. O ser humano transita entre dois pólos, a vida toda. Busca estabilidade e busca mudança, transformação.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1250"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Os analistas estão habituados a esta luta infindável: o paciente nos procura em busca de transformação, porque aquilo que ele é – consequência de um jogo complexo de defesas, que o enrijecem e o protegem, frente ao susto de viver, frente à passagem do tempo &#8211; torna sua vida insustentável. Impede o balanço necessário à vida. Mas, à medida que o trabalho analítico progride e ele abandona suas defesas protetoras, vê-se às voltas com o abismo de dentes abissais do desconhecido, daquilo que ele não controla, do imponderável da vida, do tempo que passa e não volta.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso Nietzsche dizia que o homem é uma corda atada entre o abismo e o mais-além. Ou seja, para se abrir ao máximo à sua experiência vital, o homem necessita se deparar com o abismo, com o desconhecido. E isso o angustia e muito. A angústia deriva do fato de que temos fortes limitações para representar psiquicamente a realidade, seja interna, seja externa.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltando à minha frase: O tempo é um mostro que engole tudo. Ocorreu-me que a proximidade do final do ano nos traz algo de sinistro. Já repararam como a contagem regressiva para o ano novo guarda semelhanças com o misterioso nascimento de uma criança? Cinco, quatro, três, dois, um&#8230; Mas, onde há nascimento, há também morte. Quando nascemos, deixamos de não ser. Assim como quando morremos, deixamos de ser. Tudo na vida e na natureza é dialético, processual. Nesta relação do nosso ser com o tempo, só o que permanece é ele – o tempo é Absoluto, Infinito.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante desta constatação trágica, como sobreviver? Como continuar investindo na vida que passa a despeito do tempo que se foi e não volta mais? Como continuar amando a vida e as pessoas mesmo quando não se é mais aquela criança cheia de esperança frente aos presentes embrulhados em papel vibrante, sentindo a doçura cálida da proteção familiar frente ao desamparo radical que nos marca desde sempre?</p>
<p style="text-align: justify;">A saída que encontro é o desapego. Para sobrevivermos ao sentimento melancólico que pode nos assolar nestes períodos – e que carrega consigo sempre o sentimento de “saudade da aurora da minha vida, da minha infância querida” (“Meus oito anos” de Casemiro de Abreu) – é preciso se desapegar. É preciso deixar os mortos, o passado e a criança que nós fomos um dia ir embora. É preciso enterrá-los, fazer o luto por eles e seguir adiante.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso seguir pela travessia da vida somente com a bagagem essencial à viagem: nós mesmos e as nossas boas lembranças, às quais poderemos sempre recorrer nos momentos mais difíceis. É preciso compreender que o passado, as pessoas (pais, filhos, maridos e esposas) não são nossas posses. Não nos pertencem. Ao contrário. Nós todos é que pertencemos a este fluxo infindável de mutações a que batizamos Vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Com relação ao monstro do tempo, se reagirmos a ele, se desejarmos que ele estacione, que tudo fique estático e imutável, perderemos. A nossa vida perderá. Porque viver é passagem, transição, travessia. Não é ponto de paragem, lugar onde nos hospedamos confortavelmente para nunca mais sair, para nunca mais mudar.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, o meu encontro sinistro com este pensamento em pleno início de dezembro. A cidade se acende, repleta de luzes bonitas e vibrantes, como para nos acalentar dizendo: “Calma, há esperança na vida. O menino Jesus vai nascer” Mas, em seguida, há o corte abissal, o se lançar no desconhecido de um novo ano que, a meu ver, representa o ciclo de morte-e-vida. Aquilo que Bion chamaria de cesura.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é a toa que muitas pessoas se deprimem nesta época. Para fazer frente às angústias primordiais despertadas nesta época, agarram-se a projetos, a mandingas, a rituais de passagem. Tudo para poderem construir um kit mínimo de sobrevivência para se confrontar, no dia 31 de dezembro, com o monstro que engole tudo: o temível tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">De minha parte, neste meu embate interno com o sinistro monstro do tempo, (re) encontro mais uma vez minhas lembranças, minhas fotos, meus Natais vividos. Mas, sobretudo (re) encontro o hoje que, no final das contas, é tudo o que temos pra ser vivido.  Reconecto-me mais uma vez com a passagem do tempo – percepção turbulenta que está sempre sendo perdida para depois ser reencontrada. Usando uma linguagem teórica, especialmente utilizada pelo casal Botella (2002), reencontro, mais uma vez, dentro de mim a possibilidade de representar psiquicamente meus objetos internos, os quais – estes sim – são imperecíveis à passagem do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que certa vez disse Rubem Alves: “Nunca cometa a bobagem de querer revisitar lugares especiais do seu passado. Você não os encontrará mais. O tempo os varreu. Eles não mais existem. Fique com as suas lembranças e você se dará melhor”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sábio Rubem Alves, sábia vida&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então, que venha o Natal e que venha o Ano Novo. Que venham as luzes e que venha a esperança. E que depois venha a cesura, a ruptura, o salto no desconhecido. Porque isso sim é vida!</p>
<p style="text-align: justify;">* Em outra ocasião, dedicarei alguns textos à apresentação do interessante pensamento de César e Sara Botella que, a meu ver, representam o que de mais avançado há na produção psicanalítica atual. O pensamento destes psicanalistas encontra-se sistematizado em: Botella, C. e S. (2002). <em>Irrepresentável: mais além da representação. </em>Porto Alegre: Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul: Criação Humana.</p>
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		<title>A bondade e a maldade humana.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Sep 2014 18:33:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[bondade]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[maldade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em uma entrevista exibida em meados de 2012 a atriz Camila Morgado que, na época ensaiava a peça “Palácio do Fim”, dirigida por José Wilker, conta sua difícil e dolorosa experiência nos ensaios. Sua tarefa era encarnar a figura de Lynndie England, uma das onze militares julgadas e condenadas pela corte marcial dos Estados Unidos, &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-bem-sempre-vence-o-mau/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A bondade e a maldade humana.</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f2/Abu-ghraib-leash.jpg/220px-Abu-ghraib-leash.jpg" alt="Abu-ghraib-leash.jpg" width="220" height="186" />Em uma entrevista exibida em meados de 2012 a atriz Camila Morgado que, na época ensaiava a peça “Palácio do Fim”, dirigida por José Wilker, conta sua difícil e dolorosa experiência nos ensaios.</p>
<p style="text-align: justify;">Sua tarefa era encarnar a figura de Lynndie England, uma das onze militares julgadas e condenadas pela corte marcial dos Estados Unidos, em 2005, pelas violentas e atrozes torturas cometidas contra prisioneiros em Abu Ghraib (Bagdá), durante a ocupação do Iraque.</p>
<p style="text-align: justify;">Questionada sobre qual estava sendo sua maior dificuldade durante os ensaios, ela descreve seus sentimentos da seguinte forma:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1223"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>                <strong>Ao encenar aquilo, que eu sabia ter sido real, eu tentava, de alguma forma desesperada, encontrar alguma bondade naquela pessoa, algum motivo para ela ter feito aquelas terríveis atrocidades. Era como se eu não pudesse ficar perto de todo aquele mau. Acho que fazia isso porque assim conseguia algum tipo de identificação com a personagem. Mas, o Zé (José Wilker), disse-me algo que eu nunca mais esqueci. Ele me disse que eu não podia fazer isso porque aquela seria eu. Assim eu estava colocando algo de mim na personagem. Aquele olhar bondoso, compreensivo era meu e não dela. O que eu tinha que fazer era tentar me aproximar ao máximo da realidade daquela situação, ficar em contato com a pura maldade expressa naqueles atos terríveis sem “dourar a pílula”. Estes foram tempos muito difíceis para mim</strong>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Esta “necessidade de dourar a pílula” de que nos fala Camila pode ser vista, de forma geral, em quase todo tipo de produção artística humana, de filmes a histórias infantis (pelo menos nas mais modernas). Estou me referindo à situação, que muito nos acalma e alivia, de que no final, o mocinho sempre vence o bandido, o bem sempre vence o mau. Com isso, nós podemos ir embora felizes e aliviados, nutridos pela esperança de que, no final, a bondade prevalecerá sobre a maldade.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas, será que é assim mesmo?</h2>
<p style="text-align: justify;">O mal-estar de Camila nos dá pistas neste sentido. Para os seres humanos – sobretudo para aqueles que desconhecem as forças demoníacas que habitam o seu mundo interno &#8211; ficar em contato direto com a maldade humana, que está dentro de cada um de nós e também no outro, é algo muito indigesto e incômodo. Provoca angústia, mal estar, revolta e dor mental. Daí a necessidade da atriz de “dourar a pílula”, emprestando à sua personagem sanguinária, algo de sua própria bondade.</p>
<p style="text-align: justify;">É como se ela dissesse a si mesma, com maior ou menor consciência disso: “É insuportável para mim enxergar o que há de pior no ser humano. A pura maldade, o gozo sádico com a tortura de um ser humano sobre outro, teoricamente seu igual é algo que minha mente não pode conceber.”</p>
<p style="text-align: justify;">No mês passado fui dar aulas a uma classe de psicólogos, em um curso de pós-graduação. Papo vai, papo vem, caímos nesta indigesta questão: a de que somos, em essência, seres cruéis, violentos e sádicos – uns mais que outros. Uma das alunas, ainda precisando se defender desta visão tão dolorosa, comentava, de modo revoltado e sofrido, sobre sua indignação frente a pais assassinos, displicentes e violentos com seus filhos. Esta, provavelmente, é uma das verdades mais dolorosas para nós: a de que pais e mães podem ser profundamente cruéis com suas crianças. Não é assassinato mental o que Laio e Jocasta cometeram contra Édipo? E a madrasta da Branca de Neve? Porque será que ela não pôde comparecer na história como sendo a mãe da jovem menina? Seria isso chocante demais para nós? Acho que sim. Penso que isso é provavelmente tão doloroso para cada um de nós por que nos faz considerar que não fomos só amados por nossos pais e mães, mas, em muitos momentos odiados por eles.</p>
<p style="text-align: justify;">Infelizmente a filosofia, desde Aristóteles, tendeu a discutir esta questão moral de um modo insípido e inodoro. Aristóteles, por exemplo, acreditava que a bondade era aprendida pelo hábito. Dizia ele: “Quanto mais um ser humano praticar o bem, melhor ele será. E quanto mais ele praticar o mal, mais vicioso será”.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista pragmático e fenomenológico, esta afirmativa está co<a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/09/download-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1224 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/09/download-4-150x150.jpg" alt="download (4)" width="150" height="150" /></a>rreta, mas ela nos leva a um beco sem saída, pois deixa em aberto a questão fundamental: De onde vem a bondade? E, de onde vem a maldade? De onde vem o amor? E, de onde vem o ódio?</p>
<p style="text-align: justify;">De onde vem aquele sentimento maléfico que sentimos no olhar ou no tom de voz de alguém comentando que “sua roupa é muito bonita e você está super bem”? De onde vem o ódio expresso pela boca daquela torcedora, chamando de macaco, com gozo e ardor, o jogador negro? De onde vem o prazer irresistível da fofoca? E, de forma ainda mais grave, de onde vem o prazer sádico de se torturar e matar alguém?</p>
<p style="text-align: justify;">A psicanálise aponta: Vem de dentro. Nós nascemos, constitucionalmente, dotados da capacidade de amar e de odiar. Alguns são mais dotados de capacidade de amar que outros. Estes acabam por sucumbir aos prazeres mortíferos do ódio e da destrutuvidade (sim, há prazer nisso!).</p>
<p style="text-align: justify;">Shakespeare, em uma passagem belíssima de “Rei Lear”, buscando compreender o mistério desta profunda questão – a de porque alguns seres humanos são predominantemente bons e outros maus – diz:</p>
<p style="text-align: justify;">                <strong><em>Deve ser por causa das estrelas a diferença de temperamento dos seres humanos. Pois, mesmo entre dois irmãos, gerados pelo mesmo pai e pela mesma mãe, quanta diferença há.</em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Este trecho é lindíssimo porque nos lança diretamente no misterioso da questão: de onde vem o temperamento humano? De onde vem a capacidade de perdoar? E porque algumas pessoas nunca conseguirão experimentar isso na vida?</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQSpFn_--b_nlkhqFHm82ycPpjPwVmzuHkw_-VGnLtDabhakLzZNw" alt="" width="275" height="183" />No caso da peça, porque a amorosa Cordélia, mesmo tendo sido renegada pelo pai em sua necessidade de demonstração falsa de afeto, ainda assim o perdoa e cuida dele em sua loucura e velhice? E porque suas duas outras irmãs, consumidas pelo ódio e pela fúria narcísica, enredadas pelas seduções e pelas ilusões da bajulação e da cobiça, não respeitam a sagrada velhice do pai (que representa, em última instância, a sabedoria humana atingida na aurora da vida) e, ao final, se matam envenenadas pelo próprio ódio?</p>
<p style="text-align: justify;">São questões para as quais, conforme aprendemos com Shakespeare, não há respostas lógicas. Trata-se de algo misterioso, vindo das estrelas. Penso que é disso que deriva nossa condição humana: deste quantum de mistério e de enigmático que cada ser humano carrega dentro de si.</p>
<p style="text-align: justify;">E para terminar, arremato com a reflexão: o bondade é mais poderosa, mais potente que a maldade humana?</p>
<p style="text-align: justify;">É possível educarmos (utopicamente) todas as crianças de modo que elas aprendam a amar e respeitar o seu semelhante? É possível, pela psicanálise, em todos os casos, superar o ódio pelo amor?</p>
<p style="text-align: justify;">Nem sempre. Acho que esta é uma visão ingênua da vida que não nos leva muito longe. Inúmeras crianças se tornarão adultos cruéis e violentos porque isso depende mais da natureza do que da educação que, em se tratando de humanos, tem sérios e profundos limites; embora também seja verdade que, sem estas instituições sociais (família, escola, sociedade) seríamos muito mais bárbaros do que somos. Inúmeras pessoas abandonarão o trabalho árduo e doloroso de busca pela verdade que a psicanálise oferece porque já foram consumidas pelas sedutoras malhas da mentira, da sedução e da arrogância. Culpa do terapeuta? Claro que não. Seria muita onipotência pensar assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma das verdades mais trágicas e dolorosas do ser humano: nós somos seres livres e dotados de livre-arbítrio, mas cada um de nós só pode ir até onde sua natureza permite. Não compartilho da ideia de que alguém é mau ou bom porque quer. Em inúmeras situações humanas, não há escolha possível, embora isso não isente as pessoas de assumirem as responsabilidades pelos seus atos, bons ou maus.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/09/download-5.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1225 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/09/download-5-150x150.jpg" alt="download (5)" width="150" height="150" /></a>Para terminar, lembro-me do comentário esperançoso de um conhecido sobre Lúcifer, o anjo caído, que foi expulso do paraíso porque, em um rompante de ódio e inveja, quis ocupar o lugar de Deus. Dizia ele, cheio de esperança: “Nunca pensei que haveria essa possibilidade &#8211; a de alguém conversar com Lúcifer para tentá-lo fazer desistir da ideia vingativa de competir e de ser Deus”. Fiquei tempos pensando sobre isso. Se, neste caso, Lúcifer vai humildemente “baixar a guarda” e se render ao amor, não sei? O que eu sei é que é preciso muita coragem para chegar, nem que seja só um pouquinho, perto dele.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Aproximações entre o pensamento de Nietzsche e a psicanálise.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 May 2014 19:26:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[mitologia]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[trágico]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O filósofo alemão Nietzsche (1879-1900) morreu exatamente no mesmo ano em que Freud publicava o seu magistral livro “Interpretação dos sonhos”. Freud certamente leu Nietzsche, mas o contrário não aconteceu. Entretanto, para aqueles que estudam Freud e começam a tomar contato com o pensamento do filósofo, logo percebem os inúmeros pontos de contato entre ambos. &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/aproximacoes-entre-o-pensamento-de-nietzsche-e-psicanalise/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Aproximações entre o pensamento de Nietzsche e a psicanálise.</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/05/download-4.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1044 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/05/download-4-150x150.jpg" alt="download (4)" width="150" height="150" /></a>O filósofo alemão Nietzsche (1879-1900) morreu exatamente no mesmo ano em que<a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php"> Freud</a> publicava o seu magistral livro “Interpretação dos sonhos”. Freud certamente leu Nietzsche, mas o contrário não aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">Entretanto, para aqueles que estudam Freud e começam a tomar contato com o pensamento do filósofo, logo percebem os inúmeros pontos de contato entre ambos. E é sobre alguns destes pontos de convergência que eu quero tratar aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-888"></span></p>
<h2 style="text-align: justify;"> Mas, quem foi Nietzsche?</h2>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista da história da filosofia, Nietzsche foi o primeiro filósofo, em pleno século XIX (século das luzes) que questionou a centralidade da racionalidade e a supremacia do pensamento humano sobre a natureza. Suas duras críticas ao pensamento socrático-platônico, que surge no século V a.C., e que marcam o início da história da filosofia, ecoam de forma contundente em todas as suas obras. Mas, antes do início da filosofia, ou seja, na era pré-socrática, o que havia?</p>
<p style="text-align: justify;">Havia os mitos: interpretações humanas sobre a origem da vida, do mundo e do próprio homem. Estes mitos, ao contrário do que aconteceu com o pensamento socrático-platônico, não tinham a pretensão de explicar e dominar a natureza ou a vida, pois, para os gregos, a vida era indomável. Ao homem que refletia sobre ela, cabia não explicar A Vida, mas vivê-la em sua plenitude, encarando seus conflitos e dilemas. Nos mitos trágicos, o homem grego refletia sua profunda consciência de sua pequenez e incapacidade para controlar as forças da natureza e da vida, que eles chamavam de <i>devir.</i></p>
<h2>O que era o <i>devir</i>?</h2>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn3.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSRc9FM7-EKoZ6YrhtBg8w3HbUICQo9uTncW-gH8z2VH3VP1_f1" alt="" width="215" height="235" /> Era a percepção que os gregos tinham de que a vida é regida por uma constante transformação, que não pode ser controlada, prevista, nem modificada pelos poderes “supremos” ou racionais do homem.</p>
<p style="text-align: justify;"> Então, o que Nietzsche critica no pensamento socrático-platônico, que irá formatar toda a constituição do homem moderno – de onde herdamos nosso modelo de compreensão do mundo – é a arrogância com que o homem se coloca no centro da natureza. Neste modelo, que predominou nas ciências e nas artes dos séculos posteriores (até chegar a nós) havia e há a crença suprema no poder do pensamento e da racionalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é utilizada, não para interpretar e dar um sentido ao mundo, como faziam os gregos, mas para dizer o que ele É! Deriva daí a ideia de liberdade e autonomia plena do sujeito. Nietzsche, ao contrário &#8211; em sua perspectiva trágica do homem &#8211; considera que os conceitos de liberdade e de autonomia são uma herança maléfica do racionalismo socrático.  O que ele quer dizer com isso é que o homem não é livre para fazer o que quiser. O homem é parte de um todo, está inserido em um sistema social, político, econômico e depende intimamente das forças tempestivas da natureza para realizar o que quer que seja. Em suma, o homem é mortal. Não controla o tempo. Está inserido nele. O tempo não tem início nem fim. Só o homem é finito, nasce e morre.</p>
<p style="text-align: justify;"> <img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTi2riIqOM3tYKA6Rv0HoWbqniTsn4HF-K6KsnQ6iBaQla6AGKX1Q" alt="" width="276" height="183" /> Outra consequência deste pensamento é a seguinte: nós não somos o que somos por causa do nosso desejo e vontade. Pensar assim seria uma grande onipotência! Nossas potencialidades – por exemplo, a minha habilidade para escrever ou dar aulas – não foi uma escolha minha (eu não teria poder para isso), mas algo dado a mim pela minha própria natureza. No meu caso, por exemplo, eu gostaria muito de ter sido bailarina, ou seja, trabalhar com arte, mas não tinha habilidade para isso. Desde pequena fui pouco flexível em termos corporais. Eu não escolhi ser pouco flexível, assim como não escolhi ter habilidade com as palavras, falada ou escrita. Ou seja, grande parte do que nos constitui não é escolhido por nós. Resta-nos aprender a fazer algo com aquilo que somos e aceitar aquilo que não podemos ser. Esta visão, ao contrário do que pode parecer, não é de resignação diante da vida, mas de potência e de plena responsabilidade para com aquilo que eu sou.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro exemplo: em nossa interpretação antropocêntrica do mundo (o homem no centro), um homem aguarda meses suas férias que serão em uma belíssima na praia. Chegando lá, chove a semana toda. O que este homem moderno diz? Tinha que ser comigo! É só eu sair de férias que chove. Ora, o fato de chover não tem nada a ver com as suas férias. Trata-se de um fenômeno da natureza, completamente alheio à nossa vontade. O que diz Nietzsche sobre isso? Ele diz que nós, homens modernos, interpretamos as coisas assim porque sentimos medo e pavor de perceber que nós não temos qualquer controle sobre eventos climáticos, sobre a economia, sobre o fato de adoecermos de um vírus ou não e sobre a nossa morte. Todos estes são eventos são absolutamente incontroláveis. OK. Nós fazemos vacinas, manipulamos a genética para vivermos mais, mas, ainda assim a morte, as doenças, a chuva, o frio, o calor, tudo isso vai continuar existindo porque independe da nossa vontade. Em uma linguagem psicanalítica, dizemos que o homem é um ser desamparado, frágil e extremamente limitado.</p>
<h2>Mas, diante de tantas determinações, o que faz o homem? Senta e espera? Não.</h2>
<p style="text-align: justify;"> Para Nietzsche, a potência do homem está em sua capacidade de tolerar o conflito, inerente à vida, e de se colocar nesta adotando a postura de um soldado forte e corajoso. Para Nietzsche, humildade, resignação e bondade excessiva são características dos fracos.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, a radicalidade do pensamento de Nietzsche está em sua capacidade de se distanciar de todas as “Verdades” que a filosofia vinha construindo, de seus dogmas e modelos de pensamento, para questionar o próprio pensamento e a sua centralidade na vida humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Nietzsche não se pergunta qual filósofo tinha a verdade. Ele se pergunta: o que é a verdade? Quem determina o que é a verdade? É verdade para quem? E por quem? Exatamente aí reside a beleza e profundidade de suas reflexões filosóficas.</p>
<p style="text-align: justify;">Aprofundando esta questão, Nietzsche chega à doutrina religiosa judaico-cristã e afirma que esta é um platonismo para o povo. O que ele quer dizer com isso? Quer dizer que as noções de céu e inferno, bom e mau, pecado e culpa, certo e errado foram construídas como Verdades com um propósito muito específico: dominar e domesticar os pobres. Deixar o ser humano bem domesticado e incapaz de questionar o que é verdade e por quem ela foi construída.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo ele, estas noções são nocivas à vida porque matam no humano sua vontade de potência, seu poder de transformação no aqui-agora de sua vida. Nesta perspectiva, o foco está na felicidade que será atingida em outra vida, ou em um futuro longínquo. A felicidade no hoje é pecado. Com isso, o homem não pode gozar sua vida no aqui-e-agora. Ou, se goza, o faz com culpa e sentimento de autocomiseração. Não é isso mesmo que dizem as religiões? Que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus? Que se deve amar o inimigo? Ora, não há nada mais antinatural do que isso. Não há nada mais contrário à natureza instintiva e primitiva humana do que amar aquilo que não lhe é prazeroso ou lhe traz algum tipo de ganho!</p>
<p style="text-align: justify;">Com este modelo de Verdade, o homem segue matando e abafando suas forças dionisíacas – forças vitais e pulsionais, que nos lembram de que somos seres da natureza (somos bicho), submetidos às suas poderosas manifestações.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Não é exatamente isso que diz <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php">Freud</a>?</h2>
<p style="text-align: justify;">Quando ele teoriza que o id é constituído de pulsões, sexuais e agressivas, e que a meta do ego é mediar este constante fluxo de energia instintual com a realidade, não é exatamente às forças dionisíacas de Nietzsche a que ele se refere? Assim também, ele considera que para o id não há moralidade, certo, errado, bom e mau. No id, os desejos são absolutos, inexoráveis. É por isso que diz Lacan, um dos maiores leitores e estudiosos de Freud: ao sujeito em análise, cabe se responsabilizar única e exclusivamente pelos seus próprios desejos. Tornar-se, por si mesmo, um sujeito desejante no mundo, aceitando sua condição de ser desamparado.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesta perspectiva, e também na nietzschiana, o sujeito (trágico, por excelência) vive quando se responsabiliza pelos próprios desejos, pelo próprio inconsciente, o que lhe configura uma nova posição no mundo: a posição de um sujeito ético. Na perspectiva racionalista socrático-platônica, que apregoa o ideário de felicidade absoluta, de gozo ilimitado e de liberdade e autonomia plena, há um apagamento do outro e do contexto em que se está inserido. Busca-se, neste modelo, a eternização, o vencer a morte e as doenças, o apagamento e anulação dos conflitos que são inerentes à vida. Pois, se ao sujeito é imputada liberdade absoluta, ele merece tudo: ser feliz, gozar sem responsabilidade, tornar-se imortal.</p>
<p style="text-align: justify;">Hoje, Deus está morto (como havia apregoado Nietzsche), mas há um endeusamento do próprio homem e de uma busca incessante e obsessiva pela felicidade absoluta, pelo gozo pleno e ilimitado. O próprio homem se endeusou.</p>
<p style="text-align: justify;">Nietzsche e a <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/abordagem-teorica-em-psicanalise.php">psicanálise</a> vêm lembrar ao sujeito, com toda pertinência e propriedade, que os conflitos são inerentes à nossa existência, que a dor, a frustração, a perda, a morte fazem parte do pacote de sermos humanos e que a potência transformadora do sujeito pode ser buscada em sua luta diária, travada consigo mesmo e com as dificuldades e labutas da vida. O poder de potência do homem está em sua capacidade de transformar a si mesmo, aceitar a imponderabilidade da vida, a falta de controle e de ingerência sobre os outros (cada um é responsável por si mesmo) e, mais importante de tudo, a sua responsabilidade por si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft" src="https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRu0F3DjcqlZ2FLCx5zLqcbGuT0C2HwjtvWTzFgZ47woyl7ucyusA" alt="" width="194" height="259" />Paradoxalmente, ao avistar este conhecimento trágico sobre a vida, o homem conquista um incrível sentimento de liberdade e quietude interior: não a liberdade idealizada e narcísica, de gozo absoluto; mas, a liberdade sábia da maturidade, que olha para o mundo e não se choca mais tanto com as tortuosidades humanas, pois, sabe-se que o homem é feito disso tudo: matéria vil e nobre; tal como a consciência profunda adquirida por Édipo em Colono. Assim foi, é e será. Enquanto habitarmos este planetinha azul.</p>
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