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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>O monstro por trás do armário: elitismo e preconceito nas instituições psicanalíticas.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Mar 2022 23:35:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade]]></category>
		<category><![CDATA[elitismo]]></category>
		<category><![CDATA[instituições psicanalíticas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artigo faz reflexões sobre o valor exorbitante do treinamento para o ofício de psicanalista à luz de vetores como o preconceito e a desigualidade social. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-monstro-atras-do-armario-elitismo-e-preconceito-nas-instituicoes-psicanaliticas/">O monstro por trás do armário: elitismo e preconceito nas instituições psicanalíticas.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;"><img decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-2521" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-150x150.png" alt="preconceito social" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-150x150.png 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-120x120.png 120w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></span><span style="font-weight: 400;">Como objeto histórico, as instituições psicanalíticas reforçam e aprofundam em seu dinamismo interior mazelas sociais que elas próprias pretendem combater no nível do discurso e das ações pontuais, como tem sido o caso recente das cotas para indígenas e negros poderem treinar-se como analistas. </span></p>
<p><span id="more-2520"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, sua estrutura intrinsecamente elitista e mercadológica continua a mesma, por não ser do menor interesse discuti-la e alterá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O argumento falacioso usado para tornar o treinamento analítico impagável para os pobres porventura vocacionados e sacrificial para os obstinados da classe média é astuto e mascara bastante bem temores e interesses que estão por trás disso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Justifica-se o custo exorbitante do treinamento analítico dizendo tratar-se de prática nobre e exigente para o profissional que a empreende, no caso o analista didata, que exigiu dele muitos anos de investimento.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por trás de tal discurso está o fato de que tornar-se analista didata é por vezes a única forma de recuperar o enorme dispêndio financeiro feito, sendo a análise didática um grande quinhão para se ganhar dinheiro dentro dos institutos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Distorção que pode acabar por desvirtuar a função, que deveria ser formar bons analistas e não acumular dinheiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O argumento falacioso de que ofícios nobres merecem ser muito bem remunerados cai por terra quando se compara o ganho de um analista e de um enfermeiro, por exemplo, não se vendo porque um seja mais nobre que outro.  </span></p>
<h4>Elitismo nos meios psicanalíticos</h4>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto presente neste argumento é o preconceito de classe inconscientemente arraigado que vê na caricatura do pobre “sem cultura” séria ameaça ao elevado </span><i><span style="font-weight: 400;">status cultural </span></i><span style="font-weight: 400;">no qual se insere a psicanálise.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesta fantasia preconceituosa, aceitar pobres porventura vocacionados para treinamento analítico significaria fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">cair o nível </span></i><span style="font-weight: 400;">da formação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo argumento de quando se discutia a entrada dos pobres por cotas nas universidades públicas, temor que não se mostrou justificável. </span></p>
<p>Em se tratando da psicanálise, aprender a dissociar traços de caráter e classe econômica torna-se fundamental, pois há pobres e ricos tolos, assim como pobres e ricos interessantes; aspectos que dependem mais da pessoa que de sua origem social.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos impactos sinistros dessa indissociação é o psicanalista rico ter uma visão caricatural do pobre.   </span></p>
<h4>Democratizar a psicanálise</h4>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suma, democratizar de fato o treinamento analítico implicaria em tornar mais justo e realista o seu valor, sem prescindir da qualidade, o que não é vantajoso nem em termos monetários, nem simbólicos: no primeiro, porque implicaria em aceitar ganhar menos; no segundo, porque democratizar o ofício do psicanalista significa perder status, poder e, principalmente, mercado. </span></p>
<p>Este é outro motivo para dificultar muito o acesso: criar a ideia de quem está dentro é especial e superior em relação aos demais.</p>
<h4>Efeitos sobre a classe média</h4>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro impacto sinistro do elitismo mercadológico que se vê nos institutos de treinamento analítico afeta em cheio pessoas da classe média, cuja definição é aquela que odeia ser equiparada aos pobres e sonha um dia ser aceita entre os ricos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São jovens psicólogos, psiquiatras e afins que se formam com dificuldade e consomem vorazmente seus cursos, simpósios, colóquios e palestras para se sentirem próximo dos “eleitos”, enquanto eles mesmos sonham um dia sê-lo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendendo a se alienar mais que os pobres, tais pessoas julgam que quanto mais caro algo for, melhor deve ser, o que as fará não medirem esforços para consumirem coisas que as tornem </span><i><span style="font-weight: 400;">chiques</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo uma destas a psicanálise. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nestes meios, portanto, será </span><i><span style="font-weight: 400;">chique</span></i><span style="font-weight: 400;"> dizer aos colegas que se faz análise ou supervisão com x ou y, o que significará dizer que</span> <span style="font-weight: 400;">estão com os analistas mais cobiçados, invejados e caros do mercado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estas pessoas, caso aceitas para treinar-se, não medirão esforços para pagar o valor exigido, chegando a trabalhar dez ou onze horas por dia para pagar o equivalente a uma casa, ainda que ela própria e sua família não tenham uma. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fatos que revelam a brutal distorção de valores nas quais a psicanálise e o treinamento analítico passam a ser objetos de consumo cujos signos revelam ao Outro sinal de </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;">, cobiça e ascensão social, a tal ponto está nossa decadência como sociedade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nada mais longe do que Freud propôs como o modo como um analista deve procurar viver: com modéstia, discrição e não acumulando para si somas estratosféricas de dinheiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao descrito aqui, nenhum esboço de mudança parece se avizinhar. Enquanto isso, sonha-se com o dia em que, tal como sonhou Saramago em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ensaios sobre a lucidez</span></i><span style="font-weight: 400;">, nenhum eleitor compareça à eleição, pondo os políticos de cabelo em pé. </span></p>
<p><em>*O artigo evidencia, em particular, o cenário de formação psicanalítica da cidade de Ribeirão Preto, na qual a autora reside, muito embora o elitismo na psicanálise seja um problema nacional, reflexo das desigualdades sociais estruturais em nosso país. </em></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-monstro-atras-do-armario-elitismo-e-preconceito-nas-instituicoes-psicanaliticas/">O monstro por trás do armário: elitismo e preconceito nas instituições psicanalíticas.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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