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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 12 Apr 2021 13:49:10 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Um olhar sobre a injustiça social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 23 Mar 2021 16:09:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[justiça social]]></category>
		<category><![CDATA[preconceito]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O artigo aborda aspectos subjetivos que perpetuam a injustiça social e o preconceito acerca da pretensa inferioridade do pobre em relação ao rico.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/um-olhar-sobre-a-injustica-social/">Um olhar sobre a injustiça social</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-2315 size-full" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2021/03/download-1.jpg" alt="" width="279" height="180" /></strong>Para Freud (1930), não há civilização sem justiça social, sendo aquela compreendida como o conjunto de sanções que a protege contra a ganância e voracidade do indivíduo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span id="more-2314"></span>Daí ser justo o Estado que limita o poder dos poderosos e auxilia os desprivilegiados a se reerguerem, o avesso da situação em que os ricos são privilegiados em detrimento dos pobres. Realidade crônica no Brasil, que a pandemia só fez ressaltar. Restando-nos indagar o porquê isso ocorre.</p>
<h3><strong>Pobreza como destino </strong></h3>
<p>Culpabiliza-se o destino do pobre por argumento ideológico, a saber, por sua pretensa “natureza&#8221; preguiçosa e indolente.</p>
<p>Natureza pretensamente muito diferente da dos homens &#8220;esforçados e de bem&#8221;, do lado do qual os vitoriosos e bem-sucedidos se colocam. Tal ideia explica-se pela visão capitalista para quem homem de sucesso é aquele que produz bastante e acumula patrimônio.</p>
<p>Nesse aspecto, a caricatura do pobre representando tudo aquilo que o homem de sucesso mais abomina e despreza, com sua preguiça, falta de ambição e espírito servil.</p>
<h3>Ambição e ganância</h3>
<p>Aqui, a ambição por dinheiro, poder e status revela sua face mais monstruosa na voracidade desenfreada e sem limites, agora aceita e tornada banal.</p>
<p>Em nome dela, faz-se qualquer negócio. Desde corromper o sistema político a seu favor, roubando comida e escola dos pobres, à ludibriar pessoas com discursos mentirosos. Sem nunca se satisfazer com os ganhos.</p>
<p>A premissa cínica de que todo homem tem um preço, basta saber qual, destrói a necessária crença em um Ideal, a saber, de que há homens e mulheres imunes ao pecado escandaloso da ganância sórdida. Nesse aspecto, Ideal não sendo algo inatingível, mas qualidade rara e superior à grande massa de miséria humana.</p>
<p>O argumento falacioso de que se todos fazem, porque não fazer, pode ser refutado pela ideia de que se deve mirar nos melhores e não nos iguais ou piores que si.</p>
<p>Enquanto isso, a classe média trabalhadora (Mills, 1979) segue confusa, julgando-se muito mais rica do que de fato é, a mostrar  que ninguém está imune ao espírito de soberba.</p>
<p>Tal confusão obstaculiza uma visão mais clara do real problema da desigualdade social, já que, no Brasil, apenas 0,1% da população brasileira acumula 30% do PIB nacional (Cavalcante, 2020). O que significa que não são muitos os multimilionários.</p>
<p>Educar bilionários, ricos e classe média para a prática da solidariedade e conscientizar empresários à boas práticas sociais (vagas para negros, estímulo ao empreendedorismo já existente nas favelas, etc.) são parte da solução coletiva para a erradicação da miséria no longo prazo.</p>
<p>Vejamos agora o tratamento desigual de acordo com a classe social.</p>
<h3><strong>Tratamento diverso de acordo com a classe</strong></h3>
<p>Weber (1974) designou classe como número de pessoas que comungam, em suas oportunidades de vida, de contingências parecidas ou iguais.</p>
<p>A contingência mais controlável para se subir de classe social é a educação, sendo as outras: o trabalho árduo, o talento, a corrupção e a sorte. Ainda que só o trabalho árduo, sem educação, sorte ou talento, não enriqueça ninguém, sendo este um dos grandes engodos do capitalismo.</p>
<p>Já a educação é propulsora interessante por outros aspectos. Primeiro, porque (a depender de como é feita) desaliena e gera autoestima. E segundo, por ser fonte de status e prestígio social, principalmente em algumas profissões.  Daí ter um filho “doutor” na família continuar a ser o sonho de muitos.</p>
<p>Na contramão disso, jovens pobres evadem cedo das escolas, por estas não serem atrativas, e por terem de trabalhar cedo. O que diminui suas chances de mobilidade social.</p>
<p>De outro lado, pela dureza da vida, desenvolvem habilidades de sobrevivência valiosas, que jovem ricos não possuem. Tornando-se com isso pequenos empreendedores de sucesso, ativistas sociais, youtubers e rappers talentosos. Sendo ainda outras saídas da pobreza, o sonho de tornar-se um craque do futebol ou a carreira no crime.</p>
<h3>Dinheiro e poder</h3>
<p>Trata-se melhor o rico que o pobre porque dinheiro traz poder. Nesse aspecto, ricos sendo muito mais poderosos e influentes que pobres. Sobretudo na política onde o rico influencia a feitura de leis e acordos que beneficiam seus negócios em troca de pagamentos e/ou vantagens aos políticos.</p>
<p>Tal círculo vicioso entre poder e política gera injustiça social porque mantém a classe política desinteressada em proteger os interesses dos mais pobres, já que estes não têm nada de valor a lhes oferecer, exceto votos.</p>
<p>A levar-se em conta que política e poder são inextrincáveis, sendo utópico o interesse do político aos miseráveis, apresenta-se como saída possível que empresários  estimulem e invistam no enorme potencial consumidor e empreendedor dos mais pobres, em troca de algum lucro. O que curiosamente faz pensar que é pelo capitalismo consciente que se sai da miséria.</p>
<h3><strong>Compaixão e solidariedade </strong></h3>
<p>Demonstra a realidade que qualidades humanas como compaixão e solidariedade tendem a ser mais encontrada entre os pobres que entre os muito ricos. Embora haja exceções quanto a isso.</p>
<p>Sendo um dos motivos para isso que a falta de proteção do Estado força-os a criarem redes de ajuda mútua (Fonseca, 2000), possibilitando entre eles a criação de um elevado senso de comunidade.</p>
<p>Outro, é que a dureza da vida força à humildade e à aceitação da ajuda dos outros para sobreviver, e, portanto, à gratidão.</p>
<p>Experiência que os mais ricos não têm por não saberem o que é fome, nem desemprego crônico, nem moradia em barracos, nem falta de escola para os filhos.</p>
<p>A solidariedade entre os mais humildes pode significar vizinhos intervirem no homem que, bêbado, espanca mulher e filhos. Ou em mulheres que cuidam dos filhos das vizinhas para que se possa trabalhar. O que não tende a ocorrer nos bairros de elite onde o senso de propriedade, o individualismo e a alta moralidade tendem a operar.</p>
<p>A rígida moral que tende a reger as famílias mais ricas, por exemplo, torna necessário esconder e não compartilhar os problemas psíquicos que acometem seus membros (alcoolismo, abuso físico e sexual, etc.). O que faz os pobres parecerem mais desestruturados e problemáticos que os ricos, por falarem e se exporem mais.</p>
<p>Outra diferença é que distúrbios psíquicos, nos ricos, serão casos psiquiátricos e nos pobres, caso policiais graças à brutal criminalização que se faz dos mais pobres.</p>
<p>A maior severidade moral com que se julga o pobre em detrimento do rico pode explicar o medo consciente ou inconsciente deste, de vir a empobrecer.</p>
<p>Assim, a bancarrota de uma família rica não tenderá a despertar solidariedade entre os vizinhos, mas desejo de pechincha dos bens perdidos a preços irrisórios. É o famoso “bom negócio”, que se traduz na desvalorização de um bem ou serviço alheio com o propósito sórdido de lucrar.</p>
<p>Os que caem de nível social passarão agora para “o outro lado”, podendo ser tolerados com piedade no círculo social antigo ou paulatinamente recusados nos eventos sociais. Daí ser a perda da riqueza pesadelo inconfesso de todo rico.</p>
<p>Mas não é só o rico que teme empobrecer. O pobre também sonha enriquecer. Ou pelo menos conquistar alguns privilégios no mundo dos privilegiados.</p>
<p>Assim, o porteiro de um condomínio de luxo tenderá a bajular os moradores na esperança de melhorar de nível, destacar-se entre os colegas ou ganhar boas gorjetas. Daí ser elitista e ingênua a ideia do pobre como subserviente (Fonseca, 2000).</p>
<p>De outro lado, a imagem do pobre como alguém tolo, pueril e coitado motiva o assistencialismo dirigido a ele. É a mulher rica que faz bazares beneficentes para livrar-se do tédio da própria vida e sentir-se em paz com a consciência.</p>
<h3>Injustiça e insegurança social</h3>
<p>A caricatura do pobre pelo rico, ora como esperto ora como coitado, explica também o sentimento permanente de ameaça social que há nos últimos quanto aos primeiros.</p>
<p>E que aparece como medo de ser furtado, enganado, sequestrado ou morto por um pobre, sobretudo, se este for homem, jovem e negro. Daí ser a insegurança pública de um povo expressão direta de sua desigualdade e abandono social dos menos favorecidos. Pois, dignidade toma-se por bem ou por mal.</p>
<p>Assim, em casas ricas a culpa pelo sumiço de algum pertence ou valor quase sempre recairá sobre as empregadas, cozinheiras, babás, motoristas, jardineiros e piscineiros. Por vezes denunciados à polícia sem provas.</p>
<p>Os quais, caindo no sistema de justiça, tenderão a ser mais severamente julgados. Primeiro, pela falta de acesso a bons advogados. Segundo porque juízes, sobretudo se nascidos ricos, tenderão a replicar seus preconceitos de classe em seus julgamentos.</p>
<p>No avesso disso, têm-se a maternagem e erotismo ameaçando a rígida estrutura de classes.</p>
<p>Com crianças pequenas amando suas babás e empregadas domésticas como se fossem mães.</p>
<p>E adolescentes, tendo-as como suas primeiras e vigorosas amantes. O que aponta para o caráter extraordinariamente anárquico e não convencional da sexualidade e dos afetos humanos.  Avesso à quaisquer convenções e distinções artificiais entre os homens por sua cor ou nível social.</p>
<h3>Considerações finais</h3>
<p>Esperamos ter demonstrado que a injustiça social aos mais pobres perpetua-se pela associação naturalizada entre dinheiro e poder, culminando em descaso e abandono das elites econômicas e políticas para com eles.  Descaso que corrói e erode gravemente o tecido social.</p>
<p>Conscientizar-se de que ser privilegiado é mais sorte que mérito (bastaria nascer-se em uma favela para saber disso) podendo ser uma saída modesta contra a soberba desmedida.</p>
<p><strong> </strong><strong>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</strong></p>
<p>Cavalcante, Pedro (2020). <em>A questão da desigualdade no Brasil: como estamos, como a população pensa e o que precisamos fazer.</em> Disponível em: <a href="http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/10263/1/td_2593.pdf">http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/10263/1/td_2593.pdf</a></p>
<p>Freud, S. (1930/1996). Mal-estar na civilização. In: <em>Obras psicológicas completas. </em>v XXI, pp. 67-150.</p>
<p>Fonseca, Cláudia.  (2000). <em>Família, Fofoca e Honra. </em>UFRGS Editora: Porto Alegre.</p>
<p>Mills, Charles Wright (1979). <em>A nova classe média.</em> Rio de Janeiro: Zahar Editores.</p>
<p>Weber, Max. (1905/2004). <em>A ética protestante e o espírito do capitalismo.</em> São Paulo: Companhia das Letras.</p>
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<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/um-olhar-sobre-a-injustica-social/">Um olhar sobre a injustiça social</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
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