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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Thu, 10 Sep 2020 15:42:12 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A fuga do Negão</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 May 2019 12:55:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[adoção afetiva]]></category>
		<category><![CDATA[Beleza]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[plenitude]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A pequena crônica apresenta um instante poético vivido pela narradora e um cachorro vira-lata chamado Negão. Frente ao desejo de fuga do cachorro, a narradora reflete sobre o seu também anseio de liberdade, sobre o amor e sobre o sentimento de plenitude. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-fuga-do-negao/">A fuga do Negão</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-1998" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/05/índice-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />Vivi um momento poético hoje. Voltava pra casa de bicicleta ouvindo meu <em>jazz </em>favorito, e eis que encontro pelo caminho, andando rápido e com olhar baixo, o cachorro Negão: um bonito e simpático vira-lata que foi adotado por uns vizinhos nossos, a Ana e o Ângelo.</p>
<p><span id="more-1997"></span></p>
<p>Logo percebi que tinha fugido, pois andava com pressa, como alguém que tem algo muito importante e inadiável a fazer.</p>
<p>Deixei rapidamente a bicicleta no chão, pois estava contentíssima em vê-lo.</p>
<p>Já ele, enquanto me abanava o rabo em sinal da nossa velha e firme amizade, pedia, com olhos piedosos, pelo amor de Deus, que não o levasse de volta. Foi de partir o coração!</p>
<p>Confesso que por milésimos de segundos me passou pela cabeça deixá-lo seguir adiante. Afinal, eu sei bem como é amar a liberdade.</p>
<p>Mas foi uma fita azul, uma linda e singela fita azul, que envolvia o seu pescoção, que me fez desistir de ser cúmplice em sua fuga.</p>
<p>Olhei para aquela fita e me dei conta de quanto amor e dedicação havia  nela: de como o Negão havia chegado magricela e doente e de como agora estava lindo e forte; de como a vida na rua, apesar de livre, pode ser dura e cruel; e de como é bom termos uma Ana pra nos amar e colocar lindas fitas em nós.</p>
<p>E foi assim que eu e o Negão terminamos pacificando os nossos dois corações vagabundos.</p>
<p>Sentados lado a lado, ficamos um tempão olhando o horizonte, o que deve ter sido uma cena estranhíssima para os passantes: uma mulher e seu cão olhando em silêncio para o &#8220;nada&#8221;.</p>
<p>Mas não importa. É difícil mesmo um amante da liberdade ser compreendido por inteiro, pois a consciência da liberdade assusta os que ainda dormem para si mesmos.</p>
<p>Mas eu sabia que aquele episódio estava me ajudando a elaborar algo muito profundo sobre a verdadeira liberdade que eu pensei então ser aquela que se experimenta  intimamente.</p>
<p>Diz-se que livre é o homem que faz o que quer,  mas eu aprendi neste dia com meu amigo Negão que livre mesmo é o homem (e o cão) que procura viver sendo fiel a si mesmo.</p>
<p>Acho que foi a fidelidade do Negão ao seu próprio desejo que me fez achar aquela cena tão bonita e inspiradora na ocasião.</p>
<p><iframe title="Coração Vagabundo - Caetano" width="660" height="495" src="https://www.youtube.com/embed/6v9UZdglk2Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-fuga-do-negao/">A fuga do Negão</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>O voo de Miréia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Sep 2018 18:26:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[segurança]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Trata-se de uma pequena crônica que descreve a saga da galinha Miréia em busca de sua liberdade, vivida em meio à temores, inseguranças e a ajuda do humano Pedro. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-voo-de-mireia/">O voo de Miréia</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/IMG-20180725-WA0003.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1917 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/IMG-20180725-WA0003-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/IMG-20180725-WA0003-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/IMG-20180725-WA0003-300x300.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/IMG-20180725-WA0003-768x768.jpg 768w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/IMG-20180725-WA0003-1024x1024.jpg 1024w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/IMG-20180725-WA0003.jpg 1280w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Ela se chamava Miréia. Ou melhor, este fora o nome que Pedro lhe dera depois de encontrá-la numa gaiola minúscula em uma sala escura, órfã de pai, mãe e irmãos. A cena daquela galinhazinha que nunca pisara em grama, piando freneticamente, como que pedindo para ser adotada, fez vibrar alguma corda insondável do bom coração de Pedro que imediatamente, como para salvar uma alma do hiato da não existência, pegou a galinha, enfiou-a no carro e a levou para casa.</p>
<p>Sua esposa Clarice viu-o chegar com a galinha que o seguia pra lá e pra cá, cheia de orgulho por recém ter encontrado uma mãe novinha em folha para ela, e não pôde deixar de ver graça na cena. Afinal, não se sabia muito bem qual dos dois, se galinha ou Pedro, sentiam-se mais sortudos com aquele iniciozinho de amor que já prometia grandes belezas, mas também uma boa dose de dor, porque um não vem sem o outro.</p>
<p><span id="more-1916"></span></p>
<p>Assim, durante todo o mês seguinte, Pedro cuidara de Miréia com esmero de pai zeloso. Ensinara-a seus primeiros voos, aumentando o grau de dificuldade um pouco por dia, para não sobrecarregá-la demais. Passeara com ela pelo jardim ampliando bem devagarinho o raio de extensão do passeio para que ela não se assustasse com tanta imensidão. Ajudou-a perceber que era capaz de alcançar a altura do caramanchão, que logo se transformou em seu poleiro predileto para descansar pontualmente às dezoito horas de cada dia.</p>
<p>Mas, como adolescência de galinha chega rápido, depois de um mês Miréia, já forte e robusta, batia freneticamente as asas em busca de algo mais. Pedro e Clarice sabiam o que ela ansiava: queria ser galinha em toda a sua plenitude; queria regressar ao seu mundo, de onde efetivamente nunca saíra; queria simplesmente existir como uma galinha deixando para trás o parêntese humano que fora aquele jardim.</p>
<p>Mas como fazer com que ela sentisse o gosto de uma liberdade que nela só existira como pré-concepção? Como convencê-la de que os riscos de uma vida livre valiam a perda da segurança daquele aconchegante quintal? E aqueles dois corações humanos, que foram se apegando à presença da galinhazinha? Como conformá-los à ideia de que qualquer amor já é sempre um princípio de perda?</p>
<p>A sorte é que Pedro e Clarice nunca foram de muitos romantismos com a vida. Sabiam que arte de amar, qualquer coisa que seja, é uma espécie de doação sem retorno garantido. E que suas funções junto àquela galinha eram ao mesmo tempo modestas e cruciais: cruciais, porque sem aquele empurrão inicial, ela estaria condenada ao reino eterno da não galinha; modestas porque, depois de dado o empurrão, ela explodiria em toda a sua potencial de galinha, e nunca mais se lembraria do hiato vivido no jardim humano. Seria como se ele nunca tivesse efetivamente existido; como se ela tivesse nascido no exato instante em que pela primeira vez conseguiu ultrapassar os limites daquele muro outrora intransponível.</p>
<p>E o dia em que isso aconteceu foi mágico. Só foi menos mágico do que o dia em que Pedro a viu empoleirando-se pela primeira vez, junto de seu bando recém-conquistado, para passar sua primeira noite em uma árvore altíssima.</p>
<p>Foi assim: Pedro teve a brilhante ideia de atrair para o seu quintal, com milho, um bando de galinhas que morava perto de sua casa, para estimular em Miréia o seu desejo de existir por si mesma. De início, ela se assustou. Depois, repudiou a balburdia e a confusão do grupo, preferindo peremptoriamente a segurança de seu quintal humano. Além disso, o grupo era violento e competitivo e Miréia, menor que todos eles, deveria ser muito corajosa para enfrentar a violência de seus pares e lutar por comida.</p>
<p>Neste momento, venceu a arte da paciência. Todos os dias pela manhã, Pedro levava as galinhas ao quintal atraídas com milho, mostrando à Mireia que estava chegando o momento dela partir. E tudo foi acontecendo de um modo muito sutil e delicado: um dia, saía pela manhã com o bando e voltava à tarde; depois passava três dias ininterruptos paradinha no quintal, como se estivesse armazenando novas forças para a guerra que viria junto com sua liberdade recém-conquistada. Nestes momentos, Pedro caprichava com doses extras de comida porque sabia que Miréia teria um grande desafio pela frente, e que lá fora nada é dado de graça.</p>
<p>Depois, dois dias fora. Pedro e Clarice, ao escurecer iam correndo ao quintal e, felizes, constatavam que Miréia não tinha voltado para dormir naquele dia. Estava ficando mais corajosa, pensavam. Ambos, com o peito ao mesmo tempo feliz e cheio de preocupações, iam dormir cada qual pensando em silêncio consigo mesmos: onde andaria Miréia? Estaria ela protegida da chuva? Teria conseguido se alimentar em meio ao bando já constituído? Teria sido adotada por uma galinha mãe?</p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1924 size-medium" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/cocó-300x168.png" alt="" width="300" height="168" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/cocó-300x168.png 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/cocó-768x429.png 768w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2018/09/cocó.png 855w" sizes="auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px" />No outro dia, para alegria de ambos, Miréia chegava toda faceira, encostadinha em uma galinha grande que, ao que tudo indica, tinha-a a adotado finalmente. Então, o bando se punha a tomar sol no quintal, Miréia deitada ao lado de sua mãe, cheia de orgulho e alegria, exibindo suas penas de galinha toda para o sol quente e aconchegante.</p>
<p>Como Pedro era enorme em sua arte da paciência, todas as noites seguia o bando que dormia empoleirado em uma árvore alta perto de sua casa, para que pudessem se proteger dos predadores.</p>
<p>E eis que certo dia, Clarice recebe uma mensagem extasiada de Pedro. Miréia tinha finalmente conseguido vencer a última e mais difícil etapa de seu crescimento: subir com suas asas agora robustas na árvore altíssima para dormir com seu bando. Finalmente, tornara-se uma galinha plena e a missão de Pedro estava terminada.</p>
<p>A cena, depois Pedro contara a Clarice, fora linda e emocionante: sendo a última a subir, como se ainda brigassem dentro dela o medo e o desejo, Miréia ensaiou, ensaiou, ensaiou, olhou para cima, pensou em desistir, mas – como sempre há de ser – seu instinto falou mais alto. E então, ela abriu suas asas em plena potencialidade de voo e jogou seu corpo de uma vez por todas para dentro do reino insondável da natureza.</p>
<p>De vez em quando, ela passa pela casa deles. Não para visitá-los – a natureza não tem destas idiossincrasias. Mas ambos gostam de pensar que dentro daquela galinhazinha algo de seu quintal humano ficara, ainda que soterrado para sempre no reino dos sonhos.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://www.youtube.com/embed/XgHqBeQE9Es" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-voo-de-mireia/">O voo de Miréia</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Qual o preço a ser pago pela liberdade? E pela não liberdade?</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/qual-o-preco-a-ser-pago-pela-liberdade-e-pela-nao-liberdade/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Dec 2012 10:39:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Alienação]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[Liberdade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Resistência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que faz reflexões sobre a dificuldade em mantermos o espírito livre nos dias atuais </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/qual-o-preco-a-ser-pago-pela-liberdade-e-pela-nao-liberdade/">Qual o preço a ser pago pela liberdade? E pela não liberdade?</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-661 " title="Pensar" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/12/Pensar-234x300.jpg" alt="" width="168" height="215" />Para iniciar minhas reflexões sobre a liberdade inspiro-me no pensamento incrível proferido por Nelson Mandela, homem que lutou bravamente pela liberdade na África do Sul, ao ser preso: “<em>Vocês podem tirar tudo de mim. Menos a minha liberdade de pensar”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Mandela referia-se à liberdade mais incrível que um ser <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">humano</a> pode acessar (ao contrário de todos os outros animais) que é a consciência de si mesmo, de sua condição histórica e social, pois, só homens têm uma consciência política de sua existência!</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-657"></span>Mas, por que me sinto tão <em>blasé </em>falando de consciência política nos dias atuais? Mandela infelizmente estava sendo otimista quando dizia que não é possível aprisionarem nossa capacidade de pensar, radicalizando a ideia de liberdade individual. Afinal, não foi Marx que nos ensinou que a alienação (impossibilidade do homem pensar e dar sentido à sua existência) pode sim ser gerada por um dado sistema econômico? Ou seja, para ele, nós não somos seres livres e determinados pelas nossas vontades, mas fruto de manipulações do capital sobre o desejo.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Tempos de guerra:</h2>
<p style="text-align: justify;">A meu ver vivemos hoje em tempos de guerra. Não me refiro às guerras feitas com armas, às guerras contra a fome e contra a miséria&#8230; Todas elas existem, sem sombra de dúvida. Mas, me refiro aqui a outra guerra, silenciosa, que age de forma subterrânea em nossas mentes fazendo-nos correr riscos terríveis: risco de perdermos de vista quem nós somos; risco de pararmos de nos perguntar por que eu faço isso ou aquilo. Enfim, corremos sérios riscos de nos bestializarmos. Já perceberam como nada mais nos abala? Mais um massacre nos Estados Unidos? Ah, vamos discutir a política do desarmamento. Não vejo discussão mais tola que essa. Sabem por quê? Porque esta discussão passa longe do problema estrutural que vivemos hoje não só nos Estados Unidos, mas no mundo todo, sobretudo na cultura ocidental. O problema terrível do individualismo, exacerbado e potencializado pela perversão do consumo. Se eu quero ter uma arma, o que é que o Estado tem a ver com isso? Quem é o Estado, a comunidade ou a nação para cercear o MEU desejo?</p>
<h2 style="text-align: justify;">Conhecimento = co-nascimento:</h2>
<p style="text-align: justify;">Na academia e nos bancos escolares a coisa não é diferente porque tudo hoje passa pela lógica do mercado. Eu quero que você produza conhecimento para mim, dê mais aulas, produza mais. Triste ver como os bancos universitários estão se esquecendo de que conhecimento, segundo a minha querida <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">Psicanálise</a>, tem a ver com nascimento e para haver nascimento, de qualquer ideia que seja, é necessário que se suporte alguma dor. E quem é que está interessado em falar de dor nos dias de hoje? Dias em que se toma remédio para tudo? Em que se busca solução imediata para qualquer dor da alma?</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, vamos produzindo (na família, na escola, nas empresas) pessoas incapazes de suportar qualquer dor / frustração, que funcionam como crianças vivendo sob a égide do princípio do prazer. Você não serve para mim? Eu te troco. Não fez o que eu mandei? Deleto você do meu registro mental.</p>
<p style="text-align: justify;">Sei que estou sendo um pouco pessimista e sei também (e isso me alivia muito) que há ainda muitos nichos de resistência. Pessoas firmemente apegadas à realidade. Pessoas que não acreditam que o mundo vai acabar em dezembro de 2013 e que suportam a percepção de que há sempre muito, muito trabalho a ser feito. E, que como dizia o próprio Mandela, depois de uma montanha, há muitas outras a serem escaladas.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Qual o preço a ser pago por ser livre? E por não ser?</h2>
<p style="text-align: justify;">No título do artigo falo sobre o preço a ser pago pela liberdade e gostaria de retomar esta questão. Por que nos desalienarmos, processo que a meu ver é função preciosa de uma análise, é tão caro? Em todos os sentidos? Caro no sentido de valoroso, mas também de custoso, não só no sentido financeiro, mas, sobretudo emocional.</p>
<p style="text-align: justify;">E a resposta mais simples que eu consigo dar é: por que tentarmos manter uma existência livre (vejam que digo tentarmos, não digo que vamos conseguir porque aqui o que importa é mais o estado de espírito do que o resultado final) é custoso para a mente humana.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Luta entre vida e morte, entre pensamento e paralisia:</h2>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-662" title="Freud" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/12/Freud.bmp" alt="" />Penso que quando<a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/"> Freud</a> nos ensinou lindamente sobre o a luta ferrenha que habita em nós entre as pulsões de vida (Eros) e de morte (Tanatos) ele estava falando exatamente disso. Do ponto de vista conceitual, Eros pode ser compreendido como um impulso de ligação, de agregação. Já Tanatos representa as forças pulsionais de desligamento, ou seja, que tendem a levar o sujeito de volta à inércia, ao estado zero de tensão, que em última instância corresponde à morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Desta forma, <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">Freud</a> chama a atenção que dentro de cada um de nós há uma luta ferrenha e constante entre o desejo de construir, de agregar e o desejo de retorno à inércia ou ao estado nirvânico, como ele chama. A questão é que pensamentos verdadeiros que nascem de uma alma que se deseja livre só podem ser gestados pela pulsão de vida e não pela pulsão de morte. Por isso é que estamos sempre às voltas com sentimentos de esperança e de desesperança, com os quais temos que lutar internamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Somado a isso temos outros desafios que precisamos suportar: percepção da nossa consciência mortal e finita; percepção da nossa fragilidade, da fragilidade do nosso corpo e dos nossos vínculos. Ufa, é coisa demais para a mente suportar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">E quando mais livre (menos anestesiada) a pessoa vive, mas ela tem que suportar estas pressões internas e externas. Penso que é por isso que a passagem bíblica, que me parece tão verdadeira diz: “A quem muito foi dado, muito será exigido”.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, a liberdade nos cobra um alto preço, é verdade. Mas, eu pergunto a vocês. E a não liberdade? Qual o preço que pagamos por ela? Qual o preço que pagamos por não vivermos com paixão? Por vivermos levando com a barriga, tocando a vida “como Deus quer”? Sem sombra de dúvida, eu posso garantir a vocês que o preço a ser pago quando se vende a alma é muito, muito mais caro. Por aí, paga-se com a vida, com a mente, com a alma. E isso, meu caro, é tudo o que temos para fazer a vida valer a pena.</p>
<p style="text-align: justify;">Sem alma, sem paixão, sem luta, não há motivação para a vida. Há só a morte – morte em vida.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão é que estamos sempre tendo que fazer esta escolha: arcar com o custo da liberdade ou com o custo ainda maior da ausência dela. Qual você vai escolher hoje?</p>
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