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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 29 Jul 2014 21:36:41 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 08 Jul 2014 16:39:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[bebês]]></category>
		<category><![CDATA[coragem]]></category>
		<category><![CDATA[Melanie Klein]]></category>
		<category><![CDATA[mundo interno]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p> Em virtude dos comentários interessantíssimos que recebi sobre o meu último texto, A coragem nossa de cada dia, resolvi escrever novamente sobre este tema, que me parece central à vida humana.   Vou sistematizar os comentários que recebi para depois propor um diálogo com eles, a partir da perspectiva que já é incorporada no meu modo &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia-parte-ii/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia-parte-ii/">A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"> <a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-1027 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1-150x150.jpg" alt="download" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download1.jpg 225w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a>Em virtude dos comentários interessantíssimos que recebi sobre o meu último texto, <i>A coragem nossa de cada dia</i>, resolvi escrever novamente sobre este tema, que me parece central à vida humana.</p>
<p style="text-align: justify;">  Vou sistematizar os comentários que recebi para depois propor um diálogo com eles, a partir da perspectiva que já é incorporada no meu modo de interpretar o mundo e a minha presença nele, ou seja, a psicanálise.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-948"></span></p>
<p style="text-align: justify;">  Comentando sobre o conteúdo do texto, algumas pessoas disseram o seguinte:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Que, diante de uma conquista, costumam se sentir muito culpadas e que este sentimento incômodo surge quando elas se dão conta de que há muitas pessoas que nunca terão aquilo que elas têm. Por exemplo: se a pessoa se sente afortunada por morar em uma casa confortável, fica imaginando quantas pessoas não têm casa para morar, são pobres e sem recursos materiais. Ou, se a pessoa reconhece a sua inteligência e competência profissional, sente-se culpada por imaginar quantas pessoas não têm condição, sequer, de compreender um texto lido.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><!--more--></p>
<p style="text-align: justify;">Esta questão levantada pelas pessoas, conforme observo em minha clínica, são muito recorrentes quando se trata de sustentar internamente o sucesso ou a conquista obtida na vida. Por isso, achei que valia a pena aprofundá-las aqui.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a questão colocada, parece-me que este é um sentimento comum às pessoas que nasceram com mais recursos internos que outras. Vou explicar melhor o que quero dizer com isso.</p>
<p style="text-align: justify;">Mantendo uma visão bem corajosa sobre a vida, notaremos que os seres humanos são muito diferentes entre si. Isso parece uma coisa óbvia mais não é. <span style="text-decoration: underline;">Assim como do ponto de vista físico somos diferentes, do ponto de vista mental também.</span> Assim diz Nietzsche sobre isso:</p>
<p style="text-align: right;"><em><strong>De onde surgiu a lógica na cabeça humana? Com certeza foi da não lógica, cujo reino na origem há de ter sido descomunal. A tendência preponderante a tratar o semelhante como igual (uma tendência ilógica, pois não há nada em si igual) foi a primeira a criar todos os fundamentos em que se assenta a lógica</strong>&#8220;</em></p>
<p style="text-align: justify;"> Se vocês observarem bem a realidade, verão que há seres humanos que são mais competentes e se saem melhor quando o assunto é amar a vida e a si mesmos. Isso se concretiza, obviamente, em maior sucesso e felicidade. Quem mais nos ajuda a compreender esta questão é Melanie Klein.</p>
<p style="text-align: justify;">Esta psicanalista considerou que cada ser humano nasce (ou seja, isso é inato!) com potencial para amar e para odiar. Dito em termos mais simplistas: cada um de nós nasce com potencial para investir na vida, para construir e também para destruir. Isso faz parte da nossa condição instintual. Esta questão pode ser bem visualizada em bebês.</p>
<p style="text-align: justify;"> Há bebês que, dotados de uma alta capacidade de amar a vida e investir nela, toleram melhor as frustrações da mãe (ter que esperar por ela, por exemplo, na hora da mamada) e rapidamente a perdoam, pegando mais rapidamente o seio e mamando com satisfação. Outros demoram mais para perdoar as falhas da mãe e, às vezes, tomados por um intenso ódio pela frustração sofrida, fecham a boquinha ou cospem o leite. Neste caso, em que dizemos que constitucionalmente a criança nasceu com maior intolerância à frustração, ele deverá ter tido a sorte de ter uma mãe mais paciente e compreensiva. Pois, se a mãe não suporta a expressão de ódio do bebê e devolve “na mesma moeda”, o ódio da criança se intensifica e cresce; o que torna seu investimento na vida e sua capacidade de amar paralisada pelos sentimentos de frustração e ódio.</p>
<p style="text-align: justify;">Vou dar outro exemplo acerca desta condição de amar a vida para clarear o que quero dizer.</p>
<p style="text-align: justify;">Reparem na casa das pessoas. A casa é expressão máxima do que carregamos dentro de nós! Podemos ir à casa de uma pessoa muito pobre e sem recursos materiais, mas riquíssima do ponto de vista da capacidade de amar a vida e a si mesma. Essa pessoa, por mais que sua casa seja pequena e humilde, manterá sua moradia (reflexo de si mesma) limpa e asseada. Suas roupas serão bem lavadas e cuidadas, mesmo que para isso ela tenha que fazer o maior esforço para conseguir água em um lugar distante. Pode até ser que haja uma florzinha em cima da mesa, que ela conseguiu pegar em um jardim qualquer. Ela será capaz de enxergar beleza nas pequenas coisas da vida. Isso não tem a ver com riqueza ou pobreza material! Isso é condição interna de amar a vida e investir nela. Essa pessoa terá orgulho de si mesma e de sua condição de trabalhar honestamente, de ganhar sua vida e de pagar suas contas. Não importa que seu trabalho não tenha tanto status, do ponto de vista social. Ela sente orgulho por ser quem ela é. Em termos psicanalíticos, dizemos que esta pessoa é dotada de alta condição inata de amar e ser grata pela vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Outras tantas que vivem na pobreza não tiveram a mesma sorte de nascer como esta pessoa hipotética e de contar com vínculos primordiais que pudessem ensiná-las a amar e respeitar a vida. Elas não ligarão de viver na sujeira, de fazer trabalhos ilícitos ou de depender integralmente de bolsas governamentais. Falta a estas pessoas o sentimento básico de orgulho e de amor à vida e àquilo que elas são.</p>
<p style="text-align: justify;">Na minha perspectiva, quando se discute este tipo de questão social, os sociólogos e antropólogos acabam por focalizar sua atenção somente no aspecto externo, no concreto, que, obviamente, também é importante. Mas, com isso, desconsideram que o social e o contextual só faz sentido em relação a algo que é subjetivo e, portanto, interno a cada um de nós. Se não fosse assim, porque, afinal, dois irmãos que vivenciaram mais ou menos o mesmo contexto familiar, social e cultural desenvolvem-se de formas tão diferentes? Porque dois irmãos moradores da favela se comportam de forma tão diferenciada com relação ao tráfico – um se envolve com a criminalidade, enquanto o outro luta para se desenvolver de forma honesta e íntegra? Isso é compreendido pelo que carregamos, desde muito cedo, internamente, ou seja, o que nos constitui enquanto subjetividades; nosso sentimento de riqueza ou de pobreza que determinará profundamente o modo como vivemos a nossa vida.</p>
<p style="text-align: justify;"> Pois, uma pessoa dotada de um mundo interno em que predominam sentimentos de ódio, revolta e desrespeito por si mesma, não vai poder usufruir daquilo que lhe é dado. Vai sujar e estragar as roupas que ganha, vai gastar de forma errônea o dinheiro recebido. Enfim, não vai conseguir se desenvolver, algo que, como estou mostrando, tem muito mais a ver com questões internas do que externas. É por isso que na psicanálise somos contrários à ideia de um tratamento gratuito. Porque uma pessoa para se desenvolver, necessita sentir que são os seus recursos internos que estão lhe proporcionando o crescimento (o terapeuta, neste caso, é um facilitador). Obviamente, como nos ensinou Melanie Klein, uma criança aprende a fortalecer seus sentimentos amorosos na vida por meio do intenso e árduo trabalho feito por seus pais, sobretudo por sua mãe. Mas, para que a mãe possa fazer este trabalho de maternagem, ela também necessita manter dentro de si uma visão respeitosa e amorosa sobre a vida; algo que vai sendo transmitido e sendo ensinado de geração a geração.</p>
<p style="text-align: justify;">É neste sentido que a educação deveria ser pensada: educação para ajudar as pessoas a desenvolverem recursos de vida, de fortalecimento no amor à vida e de respeito à verdade! O problema é que se costuma pensar educação somente do ponto de vista formal e externo à subjetividade do indivíduo. Por exemplo: não basta ensinar às pessoas educação financeira. É preciso discutir a fundo questões como capacidade de diferenciar desejo e realidade, respeito à verdade e à realidade, honestidade e desonestidade, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, retomando a questão e, levando-se em conta que somos todos diferentes em nossas capacidades de amarmos a vida e sermos gratos por ela, como podemos pensar o comentário feito pelas pessoas que me escreveram?</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, como podemos elaborar este terrível sentimento de culpa por percebermos que há inúmeras pessoas que não tiveram a mesma competência e sorte, de terem nascido com alta capacidade de amar a vida, com inteligência e terem sido criados por pais que, a despeito de suas falhas, terem lhe dado o essencial? Em suma, como podemos nos dar o direito de sermos felizes, bem sucedidos e satisfeitos em um mundo tão cheio de misérias e pobrezas (interna e externa)?</p>
<p style="text-align: justify;">Encontrei uma saída para isso em Nietzsche.</p>
<p style="text-align: justify;">Tenho aprendido com Nietzsche que nós não escolhemos quem nós somos. É uma ilusão acharmos que somos competentes, felizes e inteligentes porque escolhemos ser assim. Nós não escolhemos!</p>
<p style="text-align: justify;">Quando nascemos, não pedimos a alguém no céu que queríamos ser assim ou assado. Aliás, nem temos condição nem de escolher se queremos viver ou não. Por isso, Guimarães dizia que tinha mais medo de nascimentos do que de mortes! Nós nascemos e pronto. Sem escolha. Afinal, se pudéssemos escolher, obviamente escolheríamos ser felizes, capazes de amar, inteligentes, etc. Mas, não é assim que acontece.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada um é como é: mais ou menos limitado em termos de inteligência, mais ou menos corajoso, mais ou menos invejoso, mais ou menos capaz de amar a vida.  Não consigo apreender que um ser humano escolha ser mau, assassino, muito invejoso ou infeliz. Infelizmente, faltam-lhe recursos internos e encontros amorosos capazes de fazê-los investir mais amorosamente na vida. A vida é misteriosa nesse sentido – nós nunca vamos poder compreender a fundo o que vai à alma de outro ser humano; que tipo de situações catastróficas vive alguém que precisa matar para não ser morto! Qualquer ser humano em contato com o misterioso da vida não ousaria fazer previsões nem querer explicar, por meio de rótulos e categorias, o comportamento de seu semelhante.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, há outra coisa a ser dita sobre o comentário: o fato de nos sentirmos culpados por haver pessoas que nunca vão ser tão desenvolvidas quanto nós não faz com que estas pessoas, magicamente, se tornem melhores e mais felizes. Se isso pudesse acontecer, até concordo que este sentimento valeria a pena: nós ficaríamos culpados e tristes com aqueles que não são tão afortunados quanto nós e eles mudariam e passariam a ser mais felizes, mais competentes, etc. Isso, aliás, é muito comum de vivermos com nossos familiares. Suponhamos que você foi mais longe que seu irmão ou irmã e que sente muita culpa por isso. É fundamental questionarmos isso que diz Nietzsche: você não escolheu ter mais recursos internos que seu irmão ou irmã, mas, uma vez o tendo, isso faz de você mais responsável pelo seu crescimento. A responsabilidade de ir até o máximo que puder. Esta seria sua retribuição à humanidade por ter nascido com maiores recursos! Este, para mim, é o sentido máximo da passagem bíblica: “A quem muito foi dado, muito será exigido”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que quero questionar é o seguinte: as pessoas não mudam porque nós nos sentimos mais culpadas ou infelizes. O mundo vai continuar como é, ou seja, as pessoas vão continuar a ser aquilo que elas são, mesmo que nós estraguemos os nossos recursos nos culpando ou ficando tristes. Porque as pessoas são o que são. Este é um modo onipotente de pensar e que é compreensível. Afinal, quem não gostaria de ter o poder de mudar sua realidade, de ajudar as pessoas que sofrem inutilmente? Mas, nós não temos este poder de transformar as pessoas.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa única responsabilidade (e isso já não é pouco) é com nós mesmos. É a de podermos cuidar bem daquilo que nos foi dado generosamente pela vida!</p>
<p style="text-align: justify;">Esta é uma visão profunda sobre a vida que tenho adquirido: a de que nosso poder de transformação da realidade e de outros seres humanos é quase nulo; exceto se eles próprios sentirem a necessidade pela mudança. E este anseio vem de dentro e não de fora! Isso faz de nós seres profundamente limitados e impotentes diante do imponderável da vida. É contra esta percepção que nos rebelamos. Foi isso que compreendeu Sófocles, na figura de Édipo em Colono, quando este disse: “Quer dizer que quando não sou nada, sou homem?”</p>
<p style="text-align: justify;">Assim diz Nietzsche sobre isso:</p>
<p style="text-align: right;"><strong><i>“O que é mais útil ao outro? Saltar imediatamente em sua direção e ajudá-lo – o que ocorre só muito superficialmente – ou, formando a partir de si mesmo algo que o outro vê com prazer: um belo, tranquilo jardim fechado em si mesmo, que tem altos muros contra tempestades e poeiras da estrada, mas também um portão hospitaleiro?”</i></strong></p>
<p style="text-align: justify;"> Trocando em miúdos: Nietzsche nos ensina que a melhor coisa que podemos fazer pelo outro é podermos ser os mais felizes e realizados que pudermos, pois, é por meio de exemplos, muito mais do que palavras que o humano aprende e se transforma. Ver alguém feroz e corajoso lutando pela vida é muito mais estimulante do que “ganhar de mão beijada”.</p>
<p style="text-align: justify;">Poder avistar alguém que se respeita, assim como à vida, que cuida de seus pequenos tesouros internos como se fossem pérolas, que busca a verdade e a compaixão sem grandes arroubos de onipotência é, para Nietzsche, a grande contribuição que podemos fazer à humanidade.</p>
<p style="text-align: justify;">E há ainda mais. Segundo ele, existe uma espécie de vício humano a exagerar a dor e a infelicidade, enquanto se cala a respeito da alegria e do bem viver. É como se houvesse, dentro de cada ser humano, uma espécie de olhar viciado e maldoso sobre si mesmo e sobre a vida que tende a valorizar muito mais o sofrimento do que a alegria do viver. Assim ele diz:</p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>&#8220;Quer-me parecer que de dor  e de infelicidade sempre se fala com exagero, como se fosse uma questão de arte de bem viver exagerar nisso. Em contrapartida, cala-se obstinadamente que contra a dor há um sem número de meios de alívios. Uma perda, por exemplo, dificilmente continua sendo uma perda por uma hora. De algum modo, com ela, também um presente nos caiu da vida: uma nova força, por exemplo. E mesmo que seja apenas uma nova ocasião para reencontrarmos a força.&#8221; </em></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sendo assim, resta-nos sentirmos felizes com a sorte de termos nascidos com mais capacidade para amar do que para destruir e O MAIS IMPORTANTE – nos responsabilizarmos por esta dádiva que ganhamos. E irmos tão longe quanto pudermos!</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/coragem-nossa-de-cada-dia-parte-ii/">A coragem nossa de cada dia &#8211; parte II</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>A verdadeira riqueza humana.</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-verdadeira-riqueza-humana/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Apr 2013 15:23:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Acúmulo de bens materiais]]></category>
		<category><![CDATA[Capacidade para amar]]></category>
		<category><![CDATA[Dinheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Melanie Klein]]></category>
		<category><![CDATA[mundo mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O que é realmente essencial para sermos felizes? Hoje gostaria de fazer algumas reflexões sobre algo que venho pensando muito nos últimos tempos. Trata-se da seguinte questão: o que é realmente essencial para que um ser humano possa transitar por esta vida com algum prazer? A partir das minhas reflexões, respondo que a maior riqueza &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-verdadeira-riqueza-humana/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A verdadeira riqueza humana.</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto.jpg"><img decoding="async" class="alignleft wp-image-735 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-150x150.jpg" alt="texto" width="150" height="150" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-120x120.jpg 120w" sizes="(max-width: 150px) 100vw, 150px" /></a></p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O que é realmente essencial para sermos felizes?</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Hoje gostaria de fazer algumas reflexões sobre algo que venho pensando muito nos últimos tempos. Trata-se da seguinte questão: o que é realmente essencial para que um ser humano possa transitar por esta vida com algum prazer?</p>
<p style="text-align: justify;">A partir das minhas reflexões, respondo que a maior riqueza que um ser humano pode ter está no que ele é capaz de sentir e não no que ele é capaz de acumular em termos de bens materiais.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-734"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Dito de outro modo, a maior riqueza que um ser humano pode conquistar para si é a sua capacidade de sentir bons sentimentos. Em termos teóricos, foi Melanie Klein quem mais desenvolveu esta ideia quando considerou que é a introjeção de um bom seio que nos permite amar, sentir gratidão e usufruir da vida. Trata-se, para ela, de uma equação que será feita muito cedo na vida de um bebê, mais especificamente até os seis meses de vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Muito se engana quem pensa que a vida de um bebezinho é fácil e plácida. A Psicanálise descobriu, através de seu acurado método clínico de investigação, que a vida de um recém-nascido é cheia de angústias inomináveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele se sente invadido por terrores de toda ordem: terror pelo medo iminente de morrer, já que sua constituição é ainda muito frágil e sua dependência do meio é total e absoluta. Além disso, o bebê vivencia temores e angústias derivadas das frustrações do seio, que são sentidas por ele como ataques. Por outro lado, se o seio é eficiente em acudir as angústias e intensas projeções do bebê, ele ainda terá que lidar com os sentimentos invejosos despertados pela sua percepção tênue de que o seio é capaz de lhe prover de algo que ele sozinho ainda não consegue.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Equipados com o essencial:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo isso, a vida de um recém-nascido não é nada fácil, assim como não é fácil a vida de um ser humano. O que se modifica com o tempo, se tudo correr bem, é que o bebê irá, através de suas boas experiências com o seio, desenvolver e fortalecer o seu ego para fazer frente a tantas angústias e frustrações que a vida lhe reserva.</p>
<p style="text-align: justify;">E com isso, o ser humano, criança, adolescente ou adulto, estará equipado com o que lhe é essencial para enfrentar todas as adversidades que a sua existência terá. Trata-se, do “aparelho” que lhe permitirá amar e manter uma atitude respeitosa, íntegra e consiste com sua própria existência e com o que realmente é importante para si.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>Para Melanie Klein:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1.jpg"><img decoding="async" class="size-full wp-image-736 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1.jpg" alt="texto 1" width="160" height="160" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1.jpg 160w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1-150x150.jpg 150w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto-1-120x120.jpg 120w" sizes="(max-width: 160px) 100vw, 160px" /></a>Mas, retomando a questão inicial, para Melanie Klein, a introjeção de um bom seio irá depender basicamente de duas coisas: 1) de as experiências satisfatórias com o seio materno terem superado as experiências frustrantes; 2) de o bebê ser provido, em termos constitucionais, de uma maior capacidade de amar do que de odiar.</p>
<p style="text-align: justify;">É importante frisar que por “seio materno” compreende-se em Psicanálise não o seio concreto, mas a experiência emocional intensa vivenciada por uma mãe e seu bebê. Funciona mais ou menos assim: eu não disse que o bebezinho humano nasce atormentado por angústias inomináveis? Então, como ele ainda não tem mente suficiente para dar conta de todas as suas angústias e emoções intensas de ódio e de inveja, ele as projeta na mãe, fazendo-a sentir o que ele próprio está vivenciando.</p>
<p style="text-align: justify;">A mãe que está ligada emocionalmente ao seu bebê capta esta comunicação e “digere” tais sentimentos, devolvendo-os a ele de forma menos tóxica. Trata-se exatamente daqueles momentos em que o bebê encontra-se em estado de desespero e mãe consegue acalmá-lo com seu tom de voz suave e seu estado emocional equilibrado e firme. Ocorre também que se a criança nascer dotada de uma forte intolerância à frustação, mesmo que a mãe consiga realizar este trabalho de desintoxicação das emoções, a criança poderá encontrar maiores dificuldades para manter bons sentimentos dentro de si. Digo isso para frisar que este delicado processo não depende nem só da mãe nem só da criança, mas de cada dupla específica que se forma, com suas personalidades correspondentes.  É por isso que, para a Psicanálise, independente da corrente teórica adotada, a relação inicial mãe – criança é tão fundamental para entendermos o psiquismo humano.</p>
<p style="text-align: justify;">É esta complexidade de coisas que irá definir, embora não determinar para sempre, a capacidade humana para sentir bons sentimentos que estão ligados à capacidade de amar e de sentir gratidão pela vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Amar ser quem se é, responsabilizando-se integralmente pelos seus atos, sentir gratidão pela vida concedida pelos pais, amar a própria história, perdoar-se pelo que não se é, mantendo uma atitude amorosa com quem se pode ser, valorizar as próprias ideias numa postura de respeito por si mesmo, respeitar a história e o passado, pois, sem passado não há presente nem futuro, tudo isso é derivado da capacidade de amar.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>O acúmulo de bens materiais:</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">O acúmulo de bens materiais pode trazer muito prazer, desde que venha associado a esta capacidade interna para amar. Vamos pegar dois exemplos para ilustrar o que eu quero dizer:</p>
<p style="text-align: justify;">1): uma criança pobre brinca e no seu brincar cria a sua própria realidade. Ela constrói um barco com um pedaço de papel que encontrou pelo chão e com ele desbrava novos mares. Com ele, ela é um corajoso marinheiro que enfrenta feras e grandes perigos do mar, saindo vitoriosa desta difícil batalha. Neste fantasiar, seus olhos se iluminam, seu rosto é puro prazer. Naquele momento, ela ama a si mesma e mantém uma atitude respeitosa com suas próprias fantasias;</p>
<p style="text-align: justify;">2): um adulto rico e bem sucedido, “brinca” com o seu iate. Ele não sente prazer algum em navegar por aqueles mares, parece lhe faltar sempre algo que ele não sabe o que é. Sua vida, apesar de todo o dinheiro que conseguiu acumular, não lhe parece ter o menor sentido. Suas viagens ao exterior são todas sem graça e ele sempre volta o mesmo ou se sentindo ainda mais empobrecido. Seus olhos não são brilhantes e ele parece não ter prazer em viver. Sua vida é sentida como monótona e chata.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem. Os melhores amigos do nosso colega hipotético, dono do iate, irão lhe dizer para não pensar nestas coisas e concentrar sua atenção na próxima viagem, embora nada disso resolva sua vida porque não toca no âmago da questão: ele não sente prazer porque sua capacidade de amar e viver de forma criativa estão prejudicadas, por algum motivo que não podemos saber se não no contexto da análise.</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto2.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-737 alignleft" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2013/04/texto2.jpg" alt="texto2" width="160" height="110" /></a>Espero ter transmitido a ideia central das minhas reflexões: o acúmulo, a aquisição de bens é algo que pode ser muito prazeroso quando se tem mente para usufruir daquilo que se conquista. Não acho que devemos fazer voto de pobreza para sermos felizes ou para não nos sentirmos culpados por aqueles que não têm. Ao contrário, acredito que o dinheiro quando atrelado à capacidade de amar e de viver criativamente pode nos proporcionar coisas incríveis.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que as coisas que podemos comprar com o dinheiro não proporcionam prazer por si mesmas. É o mesmo que um bebê sugando o seio só para não morrer de fome, mas incapaz de brincar e de sentir um imenso prazer com aquele momento. É o mesmo que ter uma relação sexual só para descarregar a tensão sexual sem se envolver criatividade naquele ato e por aí vai.</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo que posso observar em minha realidade quotidiana, sinto que a nossa sociedade como um todo, embora isso não seja uma regra, tem priorizado muito o acúmulo de dinheiro e a aquisição de bens materiais, esquecendo-se do que me parece essencial para a vida. Acho curioso, por exemplo, constatar como em minha região há uma expansão, a meu ver exagerada, de espaços de shopping-center comparada à expansão de parques, praças e espaços que nos coloquem em contato direto com a natureza.</p>
<p style="text-align: justify;"><em><strong>A verdadeira riqueza humana: capacidade para amar e sentir prazer.</strong></em></p>
<p style="text-align: justify;">De qualquer forma, sem a capacidade de amar a vida e vivê-la de maneira prazerosa (algo que está ligado a processos muito primitivos e precoces), bens materiais são vazios, estéreis. Viajar pode ser extremamente prazeroso e nos permitir expansão e crescimento, acúmulo de experiências novas, mas também pode nos permitir nada mais do que voltarmos exatamente do jeito que fomos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se assim for, talvez valha mais a pena você investir o seu dinheiro em uma instigante e corajosa viagem ao interior. Não ao interior de Minas Gerais (que também pode ser incrível, com sua arte barroca e povo acolhedor), mas ao interior da sua própria mente. Quem sabe não está lá o que você procurou a vida toda em apartamentos, iates, viagens e restaurantes maravilhosos, mas nunca encontrou?</p>
<p style="text-align: justify;">Abraços e até a próxima.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-verdadeira-riqueza-humana/">A verdadeira riqueza humana.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>O amor está em extinção?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Aug 2012 21:23:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Amor]]></category>
		<category><![CDATA[contos de fadas]]></category>
		<category><![CDATA[Melanie Klein]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Psicologia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que faz reflexões sobre o amor na atualidade. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-amor-esta-em-extincao/">O amor está em extinção?</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<h2 style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-605" title="casal Shrek" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/08/images.jpg" alt="" width="273" height="185" /></h2>
<p style="text-align: justify;">Outro dia falava sobre o amor em sala de aula e fiquei surpresa com a descrença de meus jovens alunos neste sentimento tão sublime e belo. Perguntavam-me eles se o amor ainda existe porque em suas concepções, o amor, principalmente entre os casais, é item em extinção.</p>
<p style="text-align: justify;">Tranquilizei-os dizendo que o amor existe sim entre casais, mas, acrescentei, que para experimentá-lo é preciso tolerância, maturidade e muito amor.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-604"></span></p>
<h2 style="text-align: justify;">Para amar é necessário&#8230;.amor:</h2>
<p style="text-align: justify;">Pode parecer redundante dizer que para experimentar o sentimento amoroso numa relação a dois é necessário muito amor, mas não é. Vejo hoje muitos casais desistindo facilmente de uma relação, sobretudo nos momentos em que o outro “não corresponde exatamente aquilo que eu desejo”. Este é um grande problema e é por isso que este sentimento tão sublime é difícil de ser atingido e requer uma alta dose de maturidade emocional.</p>
<p style="text-align: justify;">O fato é que não existe nenhuma relação, e isso inclui uma relação amorosa, em que o outro vai corresponder exatamente às minhas expectativas e não vai me frustrar nunca. Acredito que existe uma grande idealização em torno de uma relação amorosa e, sobretudo, do casamento. Acho que muitas pessoas imaginam que, ao se casarem ou ao construírem uma relação estável com alguém, nunca mais se sentirão sós, inseguras ou incompletas. Elas passam a acreditar numa espécie de ilusão – a de que se eu tiver alguém sempre ao meu lado, nunca mais terei que me deparar com estes sentimentos humanos tão incômodos.</p>
<h2 style="text-align: justify;">A nossa incompletude é inerente à condição humana:</h2>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-607" title="incompletude humana" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/08/imagesCA9YYL8M1.jpg" alt="" width="118" height="89" />O problema (e isso nem é um problema) é que estes “sentimentos incômodos” são constitucionais de todos nós e o casamento, uma amizade ou mesmo filhos não podem ser vistos como antídotos que vão, finalmente, nos fazer ficar livre destas dores.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que muitas vezes podemos cair na armadilha de buscar uma parceira amorosa, um filho, uma amizade ou um trabalho para evitarmos nos deparar com quem de fato somos – com nossas incompletudes, imperfeições, frustrações e limitações e aí fica fácil porque passamos a culpar o outro por tudo o que nos falta.</p>
<h2 style="text-align: justify;">O que significa, verdadeiramente, amar alguém?</h2>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltando à questão do amor, o que significa verdadeiramente amar alguém? Segundo Klein, o verdadeiro sentimento de amor deriva da capacidade de suportarmos ficar na posição depressiva que nada mais é do que percebermos que aquela mesma pessoa que nos frustra é aquela que nos traz imensas alegrias.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro aspecto inerente à posição depressiva liga-se à possibilidade de a pessoa poder se responsabilizar pelos seus próprios sentimentos, inclusive, os sentimentos de raiva e de ódio. Isso implica numa grande conquista em termos do desenvolvimento porque, conquistada esta condição, eu não preciso mais dizer que é o outro que esta estragando o meu dia, mas eu posso dizer que são os meus sentimentos (o meu ódio, a minha raiva, a minha dor) que está estragando tudo naquele momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Vale ressaltar que esta condição interna “sublime” não é conquistada e nunca mais perdida, mas, é perdida e (re) conquistada a cada momento da nossa vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, eu acredito que poder amar verdadeiramente alguém implica, em primeiro lugar, em reconhecer que aquela pessoa que eu amo e que me alegra o dia irá, inevitavelmente, me frustrar em outro momento. Ou seja, implica em não idealizar esta relação. Em segundo lugar, amar alguém (não como criação minha, mas como alguém diferente – uma alteridade) implica em eu poder me responsabilizar “pela dor e pela delícia” de ser quem eu sou.</p>
<p style="text-align: justify;">Outro dia, só para me distrair, estava assistindo a um filme estilo comédia romântica americana chamado “Não sei como ela consegue”. A estória é simples e banal: uma mulher moderna casada com um homem compreensivo e amoroso, bem sucedida e com dois filhos. Está no auge da carreira e exatamente por isso imensamente culpada e dividida entre família e trabalho. Eis que ela conhece seu novo chefe: um homem jovem, belo e SOLTEIRO. Ou seja, representação de tudo o que ela almejava naquele momento, simplesmente porque era completamente diferente de sua realidade familiar caótica e cheia de conflitos.</p>
<h2 style="text-align: justify;">A escolha de Sofia:</h2>
<p style="text-align: justify;">Esta é a escolha de Sofia – escolherá ela, iludida pelo aceno de uma vida perfeita e feliz, pelo prazer de estar ao lado de um homem jovem, belo e solteiro? Ou conseguirá perceber que esta escolha se trata muito mais de uma ilusão já que, na medida em que este homem perfeito, belo e solteiro virar seu namorado ou marido, grande parte dos conflitos vividos anteriormente vão ressurgir porque assim é a vida?</p>
<p style="text-align: justify;">Ainda bem que o autor foi coerente e permitiu à mocinha escolher a realidade e não uma ilusão. Deve ser por isso que todos os contos de fada terminam exatamente no momento em que o príncipe encontra a princesa – linda, penteada e cheirosa – e a estória termina com um belo FELIZES PARA SEMPRE.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Felizes para sempre?</h2>
<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft size-full wp-image-606" title="contos de fadas" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/08/download.jpg" alt="" width="186" height="139" />Mas, será que se a estória continuasse, esta ilusão conseguiria se manter? Penso que não. Penso que aí teríamos que nos deparar, inevitavelmente com uma princesa com olheiras, cansada e às vezes muito estressada e um príncipe que às vezes ronca, às vezes solta pum e outras tantas adora ver o futebol no momento em que a princesa quer discutir a relação.</p>
<p style="text-align: justify;">Poderíamos começar a pensar em reivindicar estórias infantis com finais mais reais ou pelo menos começar a discutir com nossas crianças que a realidade é muito diferente dos contos de fadas, pois, aí, com certeza, teríamos adultos muito mais preparados para lidar com a realidade, que é sempre &#8220;mais ou menos daquilo que nós queremos, pois, só nós somos iguais a nós próprios, como diria Fernando Pessoa.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-amor-esta-em-extincao/">O amor está em extinção?</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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