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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Preconceito e estigma contra mulheres sem filhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2020 14:59:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres que não desejam filhos]]></category>
		<category><![CDATA[procriação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[tabu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexões a respeito do desejo de procriar e de não procriar, este último tendo crescido nas últimas décadas, buscando compreender os motivos sociais e psicológicos de ambos. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-procriacao/">Preconceito e estigma contra mulheres sem filhos</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-2071 size-thumbnail" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2020/08/download-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />O número de mulheres que escolhe não procriar tem aumentado nas últimas décadas. Dizem delas que são egoístas, vazias e incompletas e, jocosamente, vislumbram-nas na velhice como a &#8220;louca dos gatos&#8221;, que é uma forma de dizer que amam mais os bichos que os humanos.</p>
<p><span id="more-2069"></span></p>
<p>Tais reações preconceituosas levam a refletir porque, afinal, a escolha pela não maternidade continua a ser tão incomodativa para muitos de nós, sendo disso que procuraremos tratar.</p>
<h3>A procriação</h3>
<p>Procriar ou não é uma escolha individual com significados diferentes para cada um. Ela pode ser feita com maturidade, mas também na mais absoluta inconsciência.</p>
<p>Mulheres procriam incidentalmente ou pressionadas por expectativas sociais, da mesma forma que em ficam psiquicamente estéreis por conflitos inconscientes não elaborados. Aqui a procriação ou sua recusa são vividas na total inconsciência, não se tratando, portanto, de escolha.</p>
<p>Muito diferente é a decisão refletida e amadurecida de procriar ou não, onde o sujeito assume plenamente o seu desejo e as consequências, sabidas e não sabidas, dele.</p>
<p>Responsabilizar-se por decisão de tal ordem é sinal de grande maturidade psicológica.</p>
<p>Alguns aspectos que tornam particularmente dramático o fato da procriação são: a incompatibilidade entre o tempo biológico e o tempo psicológico em que a mulher se sente preparada para ser mãe bem como o caráter irrevogável da decisão, além das altas expectativas internalizadas sobre o papel materno.</p>
<p>Há uma pequena consciência de tal drama nos e nas que dizem que não se deve pensar muito sobre ter filhos, sob o risco de não tê-los nunca.</p>
<p>Isso pode ser significar tanto um modo disfarçado de dizer que não se quer filhos, mas também receio em pensar mais profundamente sobre o assunto.</p>
<p>Em psicanálise, entende-se que tornar uma criança um filho é um processo complexo que envolve aceitação e reconhecimento global de sua pessoa por parte dos pais, o que inclui seu sexo, suas possíveis deficiências e sua personalidade própria, processo a ser construído na filiação biológica e na adotiva.</p>
<p>Isso significa dizer que filhos biológicos e não biológicos precisam ser reconhecidos em sua alteridade na mente dos pais, o que necessita de pais saudáveis psicologicamente.</p>
<h3>A escolha pela não procriação</h3>
<p>Decidir não procriar é uma escolha difícil, pois o ato de procriar é um imperativo categórico solidamente internalizado no humano.</p>
<p>Assim, mulheres que decidem não ter filhos com frequência se sentem em débito com a sociedade por descumprirem o que se espera delas, o que não ocorre com as que querem mas não conseguem engravidar.</p>
<p>Inconscientemente, mulheres que optam por não procriar são vistas como criminosas contra a natureza, pois cabe a ela gerar e dar a vida. Decorre daí que não procriar é renegar vida a alguém.</p>
<p>Não procriar por escolha evidencia outro ponto delicado: mostra que, no humano, procriar transcende a dimensão puramente instintual.</p>
<h3>Instinto de procriação</h3>
<p>Instintos são padrões comportamentais de espécie pré-programados para operar em ciclos periódicos.</p>
<p>Na fêmea humana, como em outras, o instinto procriador condiciona à busca pela cópula com fins reprodutivos e à dedicação ao cuidado da prole.</p>
<p>Daí ser o instinto procriador um artefato da natureza para que a espécie se perpetue e que, na humana, regula-se por sua fisiologia hormonal.</p>
<p>Tal instinto, dito materno, é reforçado em nossa cultura e ligado à figura da mulher, embora em culturas aborígenes, por exemplo, o cuidado das crianças pequenas seja função de homens e não de mulheres (Mead, 1946).</p>
<p>No humano, é o  trabalho do instinto que torna o bebê um objeto eroticamente tão prazeroso para sua mãe e para muitas mulheres, embora não para todas.</p>
<p>Já o fenômeno de mulheres, inférteis ou não, que tratam animais como bebês mostra como é difícil para uma mulher renunciar a tal instinto, sobretudo se este é forte nela.</p>
<h3>Mulheres que não desejam procriar</h3>
<p>Mulheres que não desejam procriar ou não possuem um forte instinto procriador ou o têm, mas optam por sublimá-lo até onde se sentirem capazes, sopesando racionalmente os prós e contras da maternidade. Donde indaga-se até que ponto a sublimação completa do instinto reprodutor é possível na humana.</p>
<p>Nestes casos, pode-se justificar o não desejo por filhos racionalizando-se motivos lúcidos tais como: a superpopulação mundial, a decadência ética da humanidade ou o alto custo financeiro de uma criança.</p>
<p>O que faz pensar sobre o porquê uma mulher precisar de justificativas &#8220;racionais&#8221; para explicar a si mesma o fato de não querer ser mãe.</p>
<h3>Mudanças de comportamento em curso</h3>
<p>Mudanças sociais significativas raiam no horizonte próximo, com analisandas jovens tendo sido capazes de sustentar que não serão mães porque não têm vontade.</p>
<p>Através delas, elabora-se o peso da tradição para melhor superá-la, tendo como um de seus resultados visíveis a ideia de haver muitas formas de se contribuir positivamente para o mundo, sendo a procriação somente uma delas.</p>
<p>O sentimento de habitar num mundo cada vez mais complexo e rápido em transformações culminando numa desconcertante incerteza sobre o futuro traz a estas novas gerações a urgência por um senso de corresponsabilidade, e que se traduz num olhar menos romantizado sobre o assunto.</p>
<p>Isso explica o senso de urgência destes jovens em realizarem escolhas que façam mais sentido para eles e para o mundo que habitam, denunciando o fracasso nisso, das gerações que os antecederam.</p>
<p>Daí considerarem egoístas as pessoas que têm filhos para serem aceitas socialmente ou para compensarem seus próprios fracassos pessoais; ou ainda, para não ficarem sós no futuro.</p>
<p>Tal reflexão aponta, curiosamente, para o fato de que o desejo de procriar não está isento de motivos egoístas, como já havia apontado Freud em seu texto sobre o narcisismo (1914).</p>
<p>Esperamos que o aumento do número de pessoas que optam por não procriar possa significar um amadurecimento da sociedade acerca do sentido ético da procriação.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-procriacao/">Preconceito e estigma contra mulheres sem filhos</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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