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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>Um príncipe em crise: o homem por trás do mito em um episódio de The Crown.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Apr 2021 13:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Astronautas que pisaram na Lua]]></category>
		<category><![CDATA[comentário The Crown]]></category>
		<category><![CDATA[Episódio Poeira Lunar]]></category>
		<category><![CDATA[Príncipe Philip]]></category>
		<category><![CDATA[Rainha Elizabeth]]></category>
		<category><![CDATA[Terceira temporada The Crown]]></category>
		<category><![CDATA[The Crown]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O post faz reflexões sobre o episódio Poeira Lunar, da Terceira Temporada da série The Crown. Nele, a autora investiga a crise depressiva vivida pelo príncipe Philip a partir de um vértice psicanalítico e social.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/um-principe-em-crise-o-homem-por-tras-do-mito-em-um-episodio-de-the-crown/">Um príncipe em crise: o homem por trás do mito em um episódio de The Crown.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><em><img decoding="async" class="alignleft size-thumbnail wp-image-2029" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2019/12/the-crown-tobias-menzies-como-principe-philip-1535453057718_v2_900x506-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />* O artigo está sendo republicado em homenagem à morte do príncipe Philip, em 09 de abril de 2021.</em></p>
<p>No episódio “Poeira Lunar” da nova temporada de The Crown, o príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth, deprime. Sem que se dê conta, vai ficando desanimado e insatisfeito com sua vida quotidiana, queixoso e entediado.</p>
<p><span id="more-2028"></span></p>
<p>Ocorre que, de repente, Philip começou a duvidar do valor de tudo aquilo que vinha sendo e fazendo. Seu modo de viver organizado, responsável e estável passou a não ter mais valor aos seus olhos. E tudo o que antes lhe dava prazer em fazer deixou de dar.</p>
<p>No âmbito de suas responsabilidades como príncipe, começou a colocar em xeque o valor das tarefas burocráticas e administrativas que realizava com êxito para ajudar sua esposa, a rainha.</p>
<p>Vivendo uma espécie de “crise do macho alfa”, agravada pelo envelhecimento, Philip se ressente por se sentir à sombra. Com isso, perde a motivação e o sentido em continuar vivo. Em suma, perde a fé.</p>
<p>Neste estado frágil, começa a pensar que seria realizando algum feito significativo que poderia recuperar o sentido das coisas. Sua tese é que agindo no mundo é que o homem recupera a fé.</p>
<p>E é por um acaso que encontra os personagens perfeitos em quem mirar seus anseios insatisfeitos de realização.</p>
<p>Trata-se dos três astronautas norte-americanos que haviam acabado de pisar pela primeira vez em solo lunar. Assim, de repente, eles se tornam o ideal de eu de Philip.</p>
<p>Neles, o príncipe projeta todos os seus anseios não atendidos pela realidade. Desejo de liberdade e de aventura, de uma vida emocionante e de autoafirmação; tudo isso se torna, para ele, o pote de ouro atrás do arco-íris.</p>
<p>Mas Philip era um homem esperto e sensível. Além disso, tinha a seu favor uma subjetividade construída na solidez não metafísica da tradição inglesa. Por isso, não tardará a se desfazer da ilusão. E para isso bastará um encontro presencial.</p>
<p>Mas antes disso, é comovente ver como o príncipe se prepara para o encontro com seus mitos. Na verdade, o que ele quer saber é se estes três rapazes encontraram respostas satisfatórias sobre o sentido da vida quando avistaram, da Lua, o nosso lindo planeta azul.</p>
<p>No encontro ele não demora a perceber que nenhuma reflexão existencial foi feita por eles. Na verdade, nota que estes jovens são bastante tolos e medianos e se irrita por eles terem desperdiçado a chance de evoluírem com esta experiência única.</p>
<p>Para um psicanalista, pode ficar evidente que os astronautas se defenderam da experiência estética com manobras obsessivas. Ao serem indagados sobre o que aprenderam com a experiência respondem de modo pobre que estavam tão cansados e tinham tantos protocolos a seguir que não puderam pensar em nada.</p>
<p>Philip fica com raiva. Provavelmente pensa que reflexões maravilhosas ele próprio poderia ter feito se tivesse sido tido a chance de ir à Lua, com sua maturidade e capacidade de pensamento profundo.</p>
<p>E é neste momento, em que se compara com os seus mitos, de perto tão ordinários, que eu tenho a impressão que ele volta a sentir amor e respeito por si mesmo. E assim encontra a porta de saída para sua crise.</p>
<p>Talvez ele tenha se dado conta naquele instante que ter uma personalidade profunda e não superficial é uma grande sorte na vida. E que seria uma grande tolice se comparar e invejar a vida de outras pessoas, sobretudo daquelas que ainda têm ainda tanto a aprender.</p>
<p>Podemos pensar que Philip e os astronautas representam dois estados de mente potenciais em nós, embora qualitativamente muito distintos entre si; o primeiro representando a experiência da interioridade e os segundos da exterioridade.</p>
<p>No primeiro, filiado a uma tradição filosófica socrática, o sentido da existência encontra-se na verdade introspectiva a ser buscada dentro do próprio homem, algo que no filme é representado, por exemplo, pelo esforço filosófico e espiritual dos padres de olharem para dentro de si mesmos.</p>
<p>No segundo, é a experiência que excita os sentidos e as trocas imediatas que imprimem significado à vida, sendo a identidade do sujeito designada pelo olhar de um outro indiferenciado e movido a paixões voláteis. Um exemplo disso no filme é a relação dos astronautas com seus fãs (fã = fanático).</p>
<p>Trata-se de dois<em> ethos</em> que entraram em choque com a paulatina modernização do mundo onde se deu a passagem da aristocracia ao capitalismo burguês, da tradição à inovação, do discurso religioso ao científico, e onde valores como transmissão e ordem foram sendo substituídos pelo foco na experiência e na autonomia.</p>
<p>Nesse sentido, seria muito interessante pensar se e em que medida o homem é capaz de desenvolver um senso de interioridade quando ele próprio passa a ser a medida de todas as coisas, posição que obviamente dificulta o colocar-se em perspectiva.</p>
<p>Outro aspecto é até que ponto a hipertrofia do pensamento, decorrência direta da supremacia de Descartes no mundo moderno, tem contribuído ou atrapalhado o contato do homem consigo mesmo, algo que a clínica com obsessivos e a febre do &#8220;autoconhecimento&#8221;  dos tempos atuais nos leva a problematizar.</p>
<p>E se é verdade que o homem se empobrece se perde contato consigo mesmo, fica a questão de saber por onde e de forma, nos tempos atuais, este contato poderá ser retomado. Acreditamos que a psicanálise caminha no sentido desta restauração.</p>
<p>Há ou haverá ainda lugar no mundo para um homem como Philip? Ou estará ele fadado à extinção? Para um jovem empreendedor da bolsa de valores, Philip talvez será um homem fraco e submisso, frustrado em suas realizações pessoais.</p>
<p>Cogitará se não seria melhor ele se divorciar da rainha para fazer “carreira solo” de modo que ela não o ofusque mais.</p>
<p>E isso porque o valor deste novo homem estará todo em seus projetos pessoais, que ele acredita ilusoriamente ter conseguido sem o auxílio de ninguém.</p>
<p>Encontramos então a tendência cada vez maior de mitificação do próprio homem, do homem tornado o ideal de si mesmo, o que explica sua vida ser vivida agora predominantemente na exterioridade.</p>
<p>Assim, penso que é o predomínio da vida em exterioridade do homem contemporâneo uma das grandes fontes de seu tédio.</p>
<p>Entretanto, não se trata de adotarmos uma atitude pessimista ou nostálgica frente ao nosso tempo.</p>
<p>Trata-se de refletir de que modos poderemos reconstruir nosso seu senso de interioridade em meio a uma crise moral sem precedentes.</p>
<p>Como reflexão, eu apontaria que as recentes preocupações climáticas bem como o anseio pelo retorno a um modo de vida mais natural que temos visto em muitos movimentos atuais, pode significar uma tentativa de reencontro consigo mesmo.</p>
<p>De qualquer modo, o eco da voz de Philip, a indicar que as respostas para as inquietações humanas estão dentro do próprio homem continuará a nos inspirar porque são belas e verdadeiras.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/um-principe-em-crise-o-homem-por-tras-do-mito-em-um-episodio-de-the-crown/">Um príncipe em crise: o homem por trás do mito em um episódio de The Crown.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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