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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 11 Apr 2023 13:42:43 +0000</lastBuildDate>
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		<title>A velhice</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Feb 2023 10:30:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Simone de Beauvoir]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexões sobre a velhice a partir do olhar da autora sobre o tema</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-velhice/">A velhice</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2023/02/a014bcd27aee1d339a4fcf97163fef5a-book-storage-painting-art.jpg"><br />
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<p><span style="font-weight: 400;">Isso significa, por exemplo, que o desejo de prolongar em demasia a vida é quase sempre do moço, mas nunca do velho, conhecedor íntimo da sua degradação, da qual evidentemente nunca poderá falar. Daí talvez não haver nada mais deprimente e tristonho que um velho otimista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span id="more-2739"></span><span style="font-weight: 400;"> Diz-se a ele que se mova, quando tudo já lhe dói; que seja otimista, com os filhos infelizes; que ame a vida, quando todos já se foram; e que seja grato, quando lhe falta dinheiro. A tal ponto se mente em nossa sociedade sobre tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos sinais de que se mente sobre os velhos são os altos índices de suicídio entre eles, podendo isso significar: tanto a última tentativa de um homem reaver sua dignidade, quanto o desespero de não encontrar quem lhe reconheça a dor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conclui-se daí que, encorajando-se a um olhar objetivo sobre a velhice, ver-se-á que ser velho é muito difícil, ainda mais quando se é pobre. O que corresponde, no Brasil, à 70 % da população velha, que vive apenas com um salário mínimo por mês. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendência preocupante que acompanha muitos países do mundo, graças ao aumento da longevidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Destes, muitos vivem na miséria ou são obrigados a continuar trabalhando, frequentemente para ajudar os filhos, muitos destes vivendo com eles.  </span></p>
<h3><b>O mito dos filhos como amparo aos pais na velhice</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal realidade desmorona o mito pessoal de muitas pessoas que ainda insistem na ideia ultrapassada de que filhos significam amparo financeiro e afetivo na velhice.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ora, observando velhos da minha convivência e psicanalisado alguns outros, tenho observado que, na prática, filhos adultos constituem fonte de preocupação e transtorno para pais velhos, muito mais do que amparo e proteção para eles. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo amparo e fonte de proteção outros fatores tais como: ter uma boa saúde, residência para morar, contar com uma boa fonte de renda, um companheiro de quem se goste, amigos, atividades diárias que lhe dêem sentido e algum dinheiro para viajar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Filhos não são boas fontes de amparo para os pais na velhice porque: gastam-lhes as míseras aposentadorias, torcem para que morram logo para venderem-lhes os imóveis e gastarem a herança, fazem empréstimos consignados em seu nome, divorciam-se e voltam a morar com eles, e lhes dão desgosto e tristeza por serem maus pais. Negligência e sofrimento dos netos que os avós nunca conseguem suportar sem intervir.</span></p>
<p>E quando se tornam bons filhos, vão viver e lutar pelas próprias vidas. Que é como se deve ser.</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conclui-se daí que tal mito não se comprova na realidade, e só parece persistir na mente das pessoas como forma de buscarem algum tipo de reconhecimento, nos filhos, pelo extenuante trabalho que significou criá-los.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desejo até bem compreensível e  justo, porém ilógico, já que, além de ter ou não um filho ser escolha dos pais, nada garante a gratidão daquele em relação a estes. </span></p>
<h3><b>Familismo e religião no Brasil</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda nesse aspecto, no Brasil, em que o familismo e religião impõem rígidas normas sociais, reprova-se severamente filhos que se distanciam dos familiares e “negligenciam” seus velhos pais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal situação culmina em um aparente menor estado de solidão entre os membros familiares, já que se forçam a ficarem juntos para: manter as aparências, evitarem o julgamento alheio e, sobretudo, o implacável sentimento de culpa que sentirão, caso infringam tão sagrada lei: a de amar incondicionalmente pais e irmãos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo, nesse aspecto, para Freud, o sentimento de culpa um dos maiores agregadores dos agrupamentos humanos, dentre eles a família.</span></p>
<h3><b>Outras culturas</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em outras culturas, em que elementos como liberdade de escolha e individualidade são preferidos em relação ao espírito de rebanho, enfrenta-se o problema da velhice com outros recursos, por exemplo, criando-se condomínios ou prédios de velhos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Situação que implica, de um lado, em vínculos familiares mais fracos e  pessoas mais solitárias e, de outro, em menos expectativas frustradas por parte dos velhos e menos culpabilidade nos filhos. </span></p>
<p>Tal observação comprova o vínculo diretamente proporcional entre dedicação parental e expectativa de cuidado na velhice, onde quanto mais os pais &#8220;se dedicam&#8221; aos filhos, mais esperam ser cuidados por estes. E quanto menos se dedicam à eles, menos esperam em troca.</p>
<h3>Solidão ou culpa?</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabe nesse aspecto a cada país, cultura e indivíduo escolher o que lhe faz mais sentido na própria velhice: ter a companhia dos filhos instaurando-lhe culpa ou assumir sua solidão radical sem chantagear ninguém. Não havendo situação em que se pode ganhar tudo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, cultura que conheço mais, o imperativo social de que filhos devem sacrificar tudo em nome dos pais, culmina, sobretudo se estes se tornaram um fardo na velhice, em enormes conflitos e impasses. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por exemplo, desejo que os velhos pais morram logo, brigas conjugais e entre irmãos, de quem se acusa, velada ou diretamente, um ao outro qual se é “melhor, mau filho ou egoísta”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem citar o afastamento permanente da vida produtiva por parte do cuidador, frequentemente a filha mulher, de quem se espera o cuidado dos velhos (assim como das crianças). Única saída possível quando não se tem dez mil reais por mês para gastar com cuidadores, e lhes repugnam os asilos. </span></p>
<h3><b>Pequenos avanços no Brasil</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, mudanças de paradigma timidamente se iniciam nesse sentido, as famílias começando a aceitar as casas de idosos e estas mesmas deixando de serem aqueles horrorosos asilos de antigamente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo menos é o que caso de onde se instalam (ou são instalados) velhos ricos ou os que acumularam algum patrimônio, imóveis e rendas, ao longo da vida, dos quais agora poderão se valer para pagar seus altos custos, sem precisar onerar nem depender dos filhos. </span></p>
<h3>A boa velhice</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Conclui-se disso tudo que uma boa velhice, na modernidade, dependerá, dentre outras coisas, da capacidade de cada pessoa de planejar e poupar dinheiro ao longo da vida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Práticas infelizmente ainda muito mal vistas pelo brasileiro comum. Alguém que frequentemente gosta de parecer mais rico do que, de fato, é e chama “turco, mão de vaca ou avaro”, o homem previdente e poupador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Costumes que o farão gastar tudo ou quase tudo o que recebe ao longo do mês, a fim de manter seu <em>status</em>. Sem restar-lhe nada para a velhice.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando, aprender com outras culturas, tão bem descritas por Simone de Beauvoir em “A velhice”, nas quais o velho retira-se para morrer por compreender já ter tido o suficiente da vida, quase sempre tão generosa, pode sinalizar um razoável amadurecimento no enfrentamento de tão delicado tema. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Dedico este texto às mulheres velhas da minha vida, Cora, Sueli, Rosa e Maria, que me encorajaram, direta ou indiretamente,  a  pensar nestas coisas.</span></i></p>
<ul>
<li>No dia 28 de março de 2023, fui convidada a falar deste artigo no Fórum de Biodireito, bioética e gerontologia, organizado pela Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. Segue o vídeo completo para quem se interessar:</li>
</ul>
<p><iframe title="Webinar: “A BOA VELHICE: IDEOLOGIA, RELIGIÃO E FAMÍLIA”" width="660" height="371" src="https://www.youtube.com/embed/RcrCtvtBNi8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
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<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-velhice/">A velhice</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Comentários sobre o filme Aos olhos de Ernesto</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/comentarios-sobre-o-filme-aos-olhos-de-ernesto/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Jan 2021 14:24:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Filmes comentados]]></category>
		<category><![CDATA[Aos olhos de Ernesto]]></category>
		<category><![CDATA[morte]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O post faz algumas reflexões sobre a velhice e a morte a partir do filme Aos Olhos de Ernesto.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/comentarios-sobre-o-filme-aos-olhos-de-ernesto/">Comentários sobre o filme Aos olhos de Ernesto</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-2293 size-thumbnail" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2021/01/download-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />O filme da diretora Ana Luiza Azevedo (2020) é um convite para enxergar a vida pelos olhos de Ernesto. Um homem na faixa dos setenta anos, parcialmente cego.</p>
<p><span id="more-2291"></span></p>
<p>Além de fotógrafo sensível, ex-militante e exilado político que teve que deixar sua terra natal, o Uruguai, por causa da ditatura.</p>
<p>Retrata a luta de Ernesto por manter-se autônomo, apesar das horrendas limitações da velhice, piorada pela cegueira.</p>
<p>Autonomia interior vivida em sua paixão pelos livros, pelas músicas e pelas memórias de luta na juventude, compartilhadas com a amiga e antiga namorada Lucía, com quem troca cartas.</p>
<p>O gabinete de leitura, que tranca a chaves, representando nesse aspecto aquilo que de mais sagrado existe para ele: conhecimento, privacidade e autonomia. Experiências cada vez mais ameaçadas com sua degenerescência física.</p>
<p>O filho, por amor ou por desconhecer a natureza indômita do pai, quer levá-lo para morar com ele; algo de que Ernesto se horroriza. Não quer “<em>depositar sobre os ombros do filho o fardo de sua velhice</em>”.</p>
<p>Lembra neste aspecto a tradição dos orgulhosos e autossuficientes povos esquimós onde os velhos iam morrer sozinhos nas montanhas quando já não eram mais úteis à comunidade.</p>
<p>O contraponto dele é Javier: seu velho vizinho que, perdendo a esposa, não suporta a solidão e vai morar com a filha. Dois modelos de velhice distintos. O de Ernesto talvez carecendo de uma força interior muito maior, que nem todos tenham. Talvez uma pequena minoria.</p>
<p>Ter vivido intensamente a vida e cultivado um mundo interior rico, como é o caso de Ernesto, parecendo ser crucial para esta vida interior forte. Que se traduz em temer menos a solidão e a morte, nos anos finais de vida. O que não exclui o horror de uma velhice incapacitante e de uma morte dolorosa e solitária.</p>
<p>Por afinidade, Ernesto se liga à Bia, uma jovem de vinte e três anos, cuidadora de cães, com quem estabelece uma bonita relação de enriquecimento mútuo.</p>
<p>Ele dá a ela estabilidade, cama e comida. Ela o ensina a mexer no celular e a não ser tão formal. Lê e escreve as cartas à Lucía para ele, estimulando-o a retomar a paixão interrompida no passado. Para ambos, a vida devendo ser vivida com paixão até enquanto se está vivo.</p>
<p>Extraem esta paixão compartilhada pela vida da língua, das letras e dos livros que amam. Ela o leva a uma roda de poesia, onde ele declama lindamente um poema do poeta e ensaísta uruguaio Mario Benedetti, intitulado <em>Porque cantamos?</em>.</p>
<p>Ora, encontrar afinidades é uma sorte. Não podia ser Bia sua filha?</p>
<p>Mas de outro lado a filiação é um peso. E Bia se assusta ao perceber o desejo de Ernesto.</p>
<p>Só que ele é um homem excepcional e não quer ser infantilizado, como os velhos costumam ser, sobretudo pelos familiares.</p>
<p>Quer continuar adulto e preservar sua dignidade até o fim. Isso não significando nem falta de amor à família, nem misantropia.</p>
<p>Por isso, Ernesto, em ato de profunda coragem, despede-se em carta do filho, deixa o apartamento para Bia e parte para viver o último capítulo de sua vida.</p>
<p>Retorna à cidade natal para viver (e morrer) na companhia de Lucía.</p>
<p>Motivam-lhe o fato de não querer ser um peso para o filho mas também o desejo de experimentar amizade e afeto numa relação de iguais. Como é a que se vive entre marido e mulher. Algo que os filhos não podem oferecer.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="André Morais | Por que cantamos | Poesia de Mario Benedetti" width="660" height="371" src="https://www.youtube.com/embed/x-4RDyrxhUE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/comentarios-sobre-o-filme-aos-olhos-de-ernesto/">Comentários sobre o filme Aos olhos de Ernesto</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
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		<title>A angústia de envelhecer e o ódio do jovem com a velhice.</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-angustia-de-envelhecer-e-o-odio-do-jovem-com-a-velhice/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 13 Mar 2015 15:16:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[dificuldade para envelhecer]]></category>
		<category><![CDATA[Minhas tardes com Margueritte]]></category>
		<category><![CDATA[ódio à velhice]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[resistência ao aparelho auditivo]]></category>
		<category><![CDATA[velhice]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Caro leitor, façamos um exercício imaginativo. Imagine esta cena: Você está bem velhinho, talvez com 80 ou 90 anos de idade. Todo o seu corpo dói. Ele não responde mais aos seus comandos cerebrais. Você quer que sua perna se movimente rapidamente, mas ela é mais lenta que uma tartaruga. Sua visão é opaca e &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-angustia-de-envelhecer-e-o-odio-do-jovem-com-a-velhice/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">A angústia de envelhecer e o ódio do jovem com a velhice.</span></a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/03/download.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1304 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/03/download.jpg" alt="download" width="259" height="194" /></a>Caro leitor, façamos um exercício imaginativo. Imagine esta cena:</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Você está bem velhinho, talvez com 80 ou 90 anos de idade. Todo o seu corpo dói. Ele não responde mais aos seus comandos cerebrais. Você quer que sua perna se movimente rapidamente, mas ela é mais lenta que uma tartaruga. Sua visão é opaca e borrada. Não pode mais enxergar a beleza das flores ou o rosto do seu netinho com nitidez. A única memória que possui da beleza da vida são aquelas que lhe restaram dentro da cabeça, já bastante desmemoriada. Além de tudo, você está apavorado com a proximidade da morte: o maior temor de todos os seres humanos viventes. Ela está para chegar, e o mais terrível é que você não tem a menor ideia de quando ela virá: se hoje, amanhã ou no ano que vem. O seu estado de incerteza é absoluto. Sua audição está péssima. Sente-se o tempo todo mergulhado em uma piscina funda. Não pode mais ouvir o barulho da chuva ou o riso do seu neto ou o canto dos passarinhos, que sempre alegram o coração humano, mesmo daqueles mais amargurados com a vida.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1303"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Diante de tanta catástrofe, o que resta fazer? </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Frente a esta pergunta tenebrosa, você responde que a única coisa que deseja ardentemente é que a morte chegue rápido, o mais rápido possível, para lhe tirar deste tormento que é o final de sua vida. Ao seu redor, você raramente encontra jovens – seus filhos e netos – sensíveis às suas dores de alma. Eles se queixam, irritados e raivosos, que você não está escutando mais, que está completamente surdo. Eles não têm paciência de repetir inúmeras vezes a mesma pergunta e vão deixando você cada vez mais sozinho e isolado em seu próprio mundo: o mundo do silêncio e da morte. Isso fere o seu coração, pois você pensa que eles não deviam tratar tão mal alguém que lhes deu a vida, mas não há o que ser feito. Você pensa que cada um está isolado e trancado em sua própria dor, em sua própria revolta. Diante deste quadro tenebroso e solitário, tudo o que você quer é morrer o mais rápido possível.</em></p>
<p style="text-align: justify;">O que você sentiu ao ouvir esta pequena história, que pode muito bem ser a sua daqui há 10, 20 ou 30 anos?</p>
<p style="text-align: justify;">Se você respondeu que sentiu angústia, está correto, corretíssimo em seu sentir. Se você não sentiu nada ou sentiu raiva do velhinho, que será você mesmo, sugiro que repense seus valores.</p>
<p style="text-align: justify;">Escrevi este texto porque os jovens se esquecem de que eles também ficarão velhos. O ser humano é mestre em negar a passagem do tempo e a realidade inexorável da morte. Por isso têm-se tão pouca paciência com os velhos.</p>
<p style="text-align: justify;">A realidade é que alguns jovens com pouca condição de enxergar a realidade odeiam velhos, sobretudo seus próprios pais. Isso acontece por uma série de motivos. Tentarei elencar alguns:</p>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong>Os pais velhos relembram os filhos que a morte existe. Ele, com sua morte iminente, é a prova viva disso. E os filhos não gostam de ser lembrados que também ficarão velhos e morrerão.</strong></li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong>Os pais lhes deram a vida, situação que implica uma dívida de gratidão. E seres humanos não gostam de se sentirem em dívida, sobretudo em dívida emocional. Frequentemente se esquecem de estes velhos que eles julgam rabugentos foram os mesmos que limparam por anos suas fezes, sua urina, que os alimentaram e os nutriram. E nisso não importa se eles foram pais mais ou menos equilibrados, mais ou menos felizes, mais ou menos impacientes. O fato é que nós devemos muito aos nossos pais e mães.</strong></li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong>O velho faz o jovem se deparar com situações intoleráveis para ele. Por exemplo: o velho não escuta mais, realidade que é impensável ao jovem saudável e cheio de vida.</strong></li>
</ul>
<ul style="text-align: justify;">
<li><strong>Suponhamos que este velho tenha que colocar um aparelho auditivo. O jovem poderá não ter paciência com os medos e temores deste velho ao ter que usar uma prótese; temor este que é absolutamente natural uma vez que a prótese é a comprovação social, para o velho, de que ele está perdendo suas funções vitais. Usar aparelho auditivo causa muita resistência porque com ele o velho explicita para a sociedade sua falência, a falência de sua capacidade de ouvir. Obviamente se as pessoas não negassem para si mesmas, ao longo de toda uma vida, a realidade de sua finitude e morte (que todos nós ficaremos cegos ou surdos ou dementes ou incapazes fisicamente na velhice), aceitariam isso com mais resignação. Acontece que a natureza humana é uma natureza narcísica. Nós gostamos de nos imaginar perfeitos e eternos. O antídoto que eu tenho contra isso é pensar todo dia um pouco na própria morte. Isso ajuda bastante a gente se lembrar de que não será eterno. Isso ajuda bastante a gente ter mais compaixão com quem já está no fim da linha.</strong></li>
</ul>
<p style="text-align: justify;">Se você convive com pessoas velhas – seus pais ou seus avós – espero que este texto ajude você a refletir sobre o sentido da sua própria vida. Lembre-se que há uma enorme chance de você ser tratado pelos seus filhos na velhice como você trata os seus pais. Isso porque na mente existe uma lógica que tende à repetição.</p>
<p style="text-align: justify;">Também, do ponto de vista filosófico, mais especificamente kantiano, existe uma regra básica que rege a vida e a ética humana: as pessoas tenderão a te tratar como você as trata. Isso é simples de entender, mas difícil de assimilar em profundidade. Esta é uma realidade para qualquer tipo de relação humana.</p>
<p style="text-align: justify;">Então, desejo a você bastante coragem para observar com compaixão e acuidade a velhice de seus pais e avós. Você poderá aprender muito com esta experiência, ao mesmo tempo sinistra e enriquecedora. Aprenderá que logo é você que precisará contar com a compaixão dos jovens para ter um olhar amoroso sobre você. Olhar que é o único que nos salva deste grande sertão que é a vida humana nessa Terra.</p>
<p style="text-align: justify;">Para brindar seus olhos e ouvidos com uma linda relação entre um jovem e um velho, sugiro que assista ao filme &#8220;Minhas tardes com Margueritte&#8221;, com Gerárd Depardieu. Lá poderá constatar que quando a alma do jovem é grande e vasta, a relação a ser construída é de respeito mútuo e aprendizagem  com o velho. Lá também poderá constatar que quando a alma do jovem é pequena e mesquinha (como era o caso da alma dos parentes de Margueritte), quase assassinatos podem acontecer. Ainda bem que no final parece que quase sempre o amor impera sobre o ódio. Isso me faz lembrar uma cena linda que vi esta semana na TV. Em uma rua horrível e sufocada de asfalto em algum lugar de São Paulo, furos foram feitos em meio ao cinza do asfalto para que lindas árvores fossem plantadas. É a esperança imperando sobre o feio e sobre a degradação humana.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/a-angustia-de-envelhecer-e-o-odio-do-jovem-com-a-velhice/">A angústia de envelhecer e o ódio do jovem com a velhice.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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