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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
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		<title>O tempo é um monstro que engole tudo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Dec 2014 22:56:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[Ano Novo]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Nietzsche]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O tempo é um monstro que engole tudo. Esse foi o pensamento que me ocorreu hoje, logo pela manhã, sobre o qual me coloquei a pensar seriamente. Por que esta frase, categórica, enfática, povoa minha mente justo nesta terça-feira, dia 02 de dezembro, às sete da manhã? Penso na proximidade do final de ano. Data &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-tempo-e-um-monstro-que-engole-tudo/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">O tempo é um monstro que engole tudo.</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/o-tempo-e-um-monstro-que-engole-tudo/">O tempo é um monstro que engole tudo.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-1259 size-medium" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/salvador-dali-thumb-600x426-30442-300x213.jpg" alt="imagem sobre tempo - salvador dali" width="300" height="213" srcset="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/salvador-dali-thumb-600x426-30442-300x213.jpg 300w, https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/12/salvador-dali-thumb-600x426-30442.jpg 563w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" />O tempo é um monstro que engole tudo. Esse foi o pensamento que me ocorreu hoje, logo pela manhã, sobre o qual me coloquei a pensar seriamente. Por que esta frase, categórica, enfática, povoa minha mente justo nesta terça-feira, dia 02 de dezembro, às sete da manhã? Penso na proximidade do final de ano. Data ingrata, sinistra, que sempre mobiliza angústias intensas, atávicas. O ser humano transita entre dois pólos, a vida toda. Busca estabilidade e busca mudança, transformação.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1250"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Os analistas estão habituados a esta luta infindável: o paciente nos procura em busca de transformação, porque aquilo que ele é – consequência de um jogo complexo de defesas, que o enrijecem e o protegem, frente ao susto de viver, frente à passagem do tempo &#8211; torna sua vida insustentável. Impede o balanço necessário à vida. Mas, à medida que o trabalho analítico progride e ele abandona suas defesas protetoras, vê-se às voltas com o abismo de dentes abissais do desconhecido, daquilo que ele não controla, do imponderável da vida, do tempo que passa e não volta.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso Nietzsche dizia que o homem é uma corda atada entre o abismo e o mais-além. Ou seja, para se abrir ao máximo à sua experiência vital, o homem necessita se deparar com o abismo, com o desconhecido. E isso o angustia e muito. A angústia deriva do fato de que temos fortes limitações para representar psiquicamente a realidade, seja interna, seja externa.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltando à minha frase: O tempo é um mostro que engole tudo. Ocorreu-me que a proximidade do final do ano nos traz algo de sinistro. Já repararam como a contagem regressiva para o ano novo guarda semelhanças com o misterioso nascimento de uma criança? Cinco, quatro, três, dois, um&#8230; Mas, onde há nascimento, há também morte. Quando nascemos, deixamos de não ser. Assim como quando morremos, deixamos de ser. Tudo na vida e na natureza é dialético, processual. Nesta relação do nosso ser com o tempo, só o que permanece é ele – o tempo é Absoluto, Infinito.</p>
<p style="text-align: justify;">Diante desta constatação trágica, como sobreviver? Como continuar investindo na vida que passa a despeito do tempo que se foi e não volta mais? Como continuar amando a vida e as pessoas mesmo quando não se é mais aquela criança cheia de esperança frente aos presentes embrulhados em papel vibrante, sentindo a doçura cálida da proteção familiar frente ao desamparo radical que nos marca desde sempre?</p>
<p style="text-align: justify;">A saída que encontro é o desapego. Para sobrevivermos ao sentimento melancólico que pode nos assolar nestes períodos – e que carrega consigo sempre o sentimento de “saudade da aurora da minha vida, da minha infância querida” (“Meus oito anos” de Casemiro de Abreu) – é preciso se desapegar. É preciso deixar os mortos, o passado e a criança que nós fomos um dia ir embora. É preciso enterrá-los, fazer o luto por eles e seguir adiante.</p>
<p style="text-align: justify;">É preciso seguir pela travessia da vida somente com a bagagem essencial à viagem: nós mesmos e as nossas boas lembranças, às quais poderemos sempre recorrer nos momentos mais difíceis. É preciso compreender que o passado, as pessoas (pais, filhos, maridos e esposas) não são nossas posses. Não nos pertencem. Ao contrário. Nós todos é que pertencemos a este fluxo infindável de mutações a que batizamos Vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Com relação ao monstro do tempo, se reagirmos a ele, se desejarmos que ele estacione, que tudo fique estático e imutável, perderemos. A nossa vida perderá. Porque viver é passagem, transição, travessia. Não é ponto de paragem, lugar onde nos hospedamos confortavelmente para nunca mais sair, para nunca mais mudar.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, o meu encontro sinistro com este pensamento em pleno início de dezembro. A cidade se acende, repleta de luzes bonitas e vibrantes, como para nos acalentar dizendo: “Calma, há esperança na vida. O menino Jesus vai nascer” Mas, em seguida, há o corte abissal, o se lançar no desconhecido de um novo ano que, a meu ver, representa o ciclo de morte-e-vida. Aquilo que Bion chamaria de cesura.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é a toa que muitas pessoas se deprimem nesta época. Para fazer frente às angústias primordiais despertadas nesta época, agarram-se a projetos, a mandingas, a rituais de passagem. Tudo para poderem construir um kit mínimo de sobrevivência para se confrontar, no dia 31 de dezembro, com o monstro que engole tudo: o temível tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">De minha parte, neste meu embate interno com o sinistro monstro do tempo, (re) encontro mais uma vez minhas lembranças, minhas fotos, meus Natais vividos. Mas, sobretudo (re) encontro o hoje que, no final das contas, é tudo o que temos pra ser vivido.  Reconecto-me mais uma vez com a passagem do tempo – percepção turbulenta que está sempre sendo perdida para depois ser reencontrada. Usando uma linguagem teórica, especialmente utilizada pelo casal Botella (2002), reencontro, mais uma vez, dentro de mim a possibilidade de representar psiquicamente meus objetos internos, os quais – estes sim – são imperecíveis à passagem do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">É por isso que certa vez disse Rubem Alves: “Nunca cometa a bobagem de querer revisitar lugares especiais do seu passado. Você não os encontrará mais. O tempo os varreu. Eles não mais existem. Fique com as suas lembranças e você se dará melhor”.</p>
<p style="text-align: justify;">Sábio Rubem Alves, sábia vida&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então, que venha o Natal e que venha o Ano Novo. Que venham as luzes e que venha a esperança. E que depois venha a cesura, a ruptura, o salto no desconhecido. Porque isso sim é vida!</p>
<p style="text-align: justify;">* Em outra ocasião, dedicarei alguns textos à apresentação do interessante pensamento de César e Sara Botella que, a meu ver, representam o que de mais avançado há na produção psicanalítica atual. O pensamento destes psicanalistas encontra-se sistematizado em: Botella, C. e S. (2002). <em>Irrepresentável: mais além da representação. </em>Porto Alegre: Sociedade de Psicologia do Rio Grande do Sul: Criação Humana.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Angústias de Natal e de Ano Novo e a necessidade de comprar presentes.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Dec 2012 11:00:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[angústia]]></category>
		<category><![CDATA[Ano Novo]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[Natal]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que faz breves reflexões sobre a necessidade de comprar presentes em datas festivas de final de ano. </p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignleft  wp-image-652" title="consumismo" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/12/consumismo2-300x203.jpg" alt="" width="223" height="151" />Não precisamos fazer muito esforço para perceber, com a proximidade das datas de Natal e Ano Novo, o predomínio nas pessoas de um funcionamento que chamamos na Psicanálise de estado maníaco. Explico-me. Segundo<a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br"> Melanie Klein</a>, defesas maníacas (tentativa de controle sobre o objeto) têm como propósito a evitação do contato com angústias depressivas que derivam do sentimento de perda de algo.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-644"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Experimente ir a um shopping-center neste período e notará o clima de excitação e agitação no ar. Pessoas enlouquecidas correndo de um lado para o outro PRECISANDO comprar presentes. Não importa o que e nem para quem será o presente. O ato de comprar importa mais do que o presentar em si.</p>
<p style="text-align: justify;">Do ponto de vista <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">psicanalítico</a>, precisar fazer algo de forma compulsiva corresponde a uma necessidade peremptória de realizar uma ação (neste caso o ato de comprar) para evitar que a mente seja invadida por sentimentos desprazerosos. Trata-se, portanto, de uma ação de evitação, ou, para falar psicanaliticamente, de uma evitação fóbica. Eu compro bastante para evitar ficar triste&#8230; É por isso que é tão comum ouvirmos pessoas se queixarem de que no final do ano ficam mais tristes e deprimidas.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas, porque o FINAL de ano ativa em nós angústias depressivas?</h2>
<p style="text-align: justify;">Eu não disse anteriormente que a angústia depressiva está ligada ao sentimento subjetivo de perda de algo?  Mas o que é que sentimos estar perdendo nesta época do ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Neste período, que envolve as festividades de Natal e de Ano Novo, somos impelidos a entrarmos em contato com sentimentos ligados aos ciclos de vida e morte, que são expressos, respectivamente, pelo nascimento do menino Jesus e pela morte do ano velho.</p>
<p style="text-align: justify;"><img decoding="async" class="alignleft size-medium wp-image-647" title="00colonn" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/12/00colonn1-223x300.jpg" alt="" width="223" height="300" />Não sei se já pararam para pensar nisso, mas tanto no nascimento quanto na morte há perdas significativas que precisamos tolerar. No primeiro caso, há a perda do útero e o trauma do nascimento e todo o esforço que nós tivemos que fazer para sobreviver, na condição frágil de um bebê, em um mundo hostil e desconhecido. No segundo caso, há a perda da vida, do nosso corpo e vitalidade. É por isso que nos sentimos tão identificados com o bebê menino Jesus na manjedoura. Por que em nossos inconscientes, todos nós sabemos o que é vivenciar a condição de um bebê frágil e perseguido (pelo seu mundo interno).</p>
<p style="text-align: justify;">Então, acredito que nestes períodos revivemos, de forma coletiva, <a href="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/">angústias</a> primitivas deste tipo que ficaram inscritas em nosso inconsciente de maneira atávica.</p>
<p style="text-align: justify;">Como medidas fóbicas, ou seja, de evitação da irrupção destas angústias de perda, temos um rol de coisas que fazemos nesta época: 1)reunir-nos em grupo &#8211; em grupo o bicho papão fica sempre um pouco dissipado, pois, podemos terceirizar em algum grau a nossa angústia. Quem nunca ouviu uma tia te dizer na noite de Natal que você estava com uma carinha triste, quando na verdade você estava ótima?  2)comprar presentes – que é o que estamos tratando aqui; 3)embebedar-se até não saber mais quem você é; 4) soltar fogos de artifício, pois, com aquele barulho todo quem é que vai conseguir ouvir o que está dizendo a sua cabeça?</p>
<p style="text-align: justify;">Como nosso tema é o ato compulsivo de comprar, é importante sabermos que esta não é a única maneira que temos de lidar com nosso bicho-papão interno. Aliás, todas estas medidas que eu elenquei são medidas, às vezes necessárias, é verdade, mas pobres, porque em nenhuma delas eu posso de fato viver o que está se passando dentro de mim. São todas formas de me evadir do que eu estou sentindo.</p>
<h2 style="text-align: justify;">Mas de que outra forma isso pode ser vivido?</h2>
<p style="text-align: justify;">Na medida em que a mente do indivíduo tem maiores condições de conter angústias depressivas, esta época pode ser propícia para balanço e reflexões. Neste caso, a pessoa poderá se deixar penetrar sim pela beleza dos enfeites e das luzes, sentindo com isso uma espécie de enlevo e paz interior. E poderá, inclusive, rever qual o sentido de dar um presente para esta ou aquela pessoa, fazendo isso por um ato consciente de vontade e não por um impulso que visa aplacar angústias intoleráveis.</p>
<p style="text-align: justify;">Tudo irá depender, portanto, da capacidade de contenção e acolhimento destas angústias depressivas naquele momento.</p>
<p style="text-align: justify;">Espero ter conseguido transmitir a ideia que pretendia: não sou contrária ao ato de presentear alguém, algo que pode ser extremamente prazeroso. Mas, o que tentei discutir é que a necessidade compulsiva por comprar presentes nesta época do ano pode, na verdade, estar ao serviço do aplacamento de angústias profundas das quais o sujeito não se dá conta.</p>
<p style="text-align: justify;">De minha parte, acho este período do ano uma delícia. Não para me meter em um shopping, mas para olhar as luzes, rever escolhas, fazer projetos&#8230; Enfim, para renovar, como diria Carlos Drummond de Andrade:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,</p>
<p>a que se deu o nome de ano,</p>
<p>foi um indivíduo genial.</p>
<p>Industrializou a esperança</p>
<p>fazendo-a funcionar no limite da exaustão.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Doze meses dão para qualquer ser humano</p>
<p>se cansar e entregar os pontos.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez</p>
<p>com outro número e outra vontade de acreditar</p>
<p>que daqui para diante vai ser diferente&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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