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	<title>Blog de Psicanálise</title>
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	<description>Conheça o que é a psicanálise lendo o blog da psicanalista Ana Laura Moraes Martinez. Discussões de filmes, livros e temas que gerem reflexão e auto conhecimento!</description>
	<lastBuildDate>Tue, 27 Dec 2022 13:57:29 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Preconceito e estigma contra mulheres sem filhos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Aug 2020 14:59:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres que não desejam filhos]]></category>
		<category><![CDATA[procriação]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[tabu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O texto faz reflexões a respeito do desejo de procriar e de não procriar, este último tendo crescido nas últimas décadas, buscando compreender os motivos sociais e psicológicos de ambos. </p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-procriacao/">Preconceito e estigma contra mulheres sem filhos</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img decoding="async" class="alignleft wp-image-2071 size-thumbnail" src="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2020/08/download-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" />O número de mulheres que escolhe não procriar tem aumentado nas últimas décadas. Dizem delas que são egoístas, vazias e incompletas e, jocosamente, vislumbram-nas na velhice como a &#8220;louca dos gatos&#8221;, que é uma forma de dizer que amam mais os bichos que os humanos.</p>
<p><span id="more-2069"></span></p>
<p>Tais reações preconceituosas levam a refletir porque, afinal, a escolha pela não maternidade continua a ser tão incomodativa para muitos de nós, sendo disso que procuraremos tratar.</p>
<h3>A procriação</h3>
<p>Procriar ou não é uma escolha individual com significados diferentes para cada um. Ela pode ser feita com maturidade, mas também na mais absoluta inconsciência.</p>
<p>Mulheres procriam incidentalmente ou pressionadas por expectativas sociais, da mesma forma que em ficam psiquicamente estéreis por conflitos inconscientes não elaborados. Aqui a procriação ou sua recusa são vividas na total inconsciência, não se tratando, portanto, de escolha.</p>
<p>Muito diferente é a decisão refletida e amadurecida de procriar ou não, onde o sujeito assume plenamente o seu desejo e as consequências, sabidas e não sabidas, dele.</p>
<p>Responsabilizar-se por decisão de tal ordem é sinal de grande maturidade psicológica.</p>
<p>Alguns aspectos que tornam particularmente dramático o fato da procriação são: a incompatibilidade entre o tempo biológico e o tempo psicológico em que a mulher se sente preparada para ser mãe bem como o caráter irrevogável da decisão, além das altas expectativas internalizadas sobre o papel materno.</p>
<p>Há uma pequena consciência de tal drama nos e nas que dizem que não se deve pensar muito sobre ter filhos, sob o risco de não tê-los nunca.</p>
<p>Isso pode ser significar tanto um modo disfarçado de dizer que não se quer filhos, mas também receio em pensar mais profundamente sobre o assunto.</p>
<p>Em psicanálise, entende-se que tornar uma criança um filho é um processo complexo que envolve aceitação e reconhecimento global de sua pessoa por parte dos pais, o que inclui seu sexo, suas possíveis deficiências e sua personalidade própria, processo a ser construído na filiação biológica e na adotiva.</p>
<p>Isso significa dizer que filhos biológicos e não biológicos precisam ser reconhecidos em sua alteridade na mente dos pais, o que necessita de pais saudáveis psicologicamente.</p>
<h3>A escolha pela não procriação</h3>
<p>Decidir não procriar é uma escolha difícil, pois o ato de procriar é um imperativo categórico solidamente internalizado no humano.</p>
<p>Assim, mulheres que decidem não ter filhos com frequência se sentem em débito com a sociedade por descumprirem o que se espera delas, o que não ocorre com as que querem mas não conseguem engravidar.</p>
<p>Inconscientemente, mulheres que optam por não procriar são vistas como criminosas contra a natureza, pois cabe a ela gerar e dar a vida. Decorre daí que não procriar é renegar vida a alguém.</p>
<p>Não procriar por escolha evidencia outro ponto delicado: mostra que, no humano, procriar transcende a dimensão puramente instintual.</p>
<h3>Instinto de procriação</h3>
<p>Instintos são padrões comportamentais de espécie pré-programados para operar em ciclos periódicos.</p>
<p>Na fêmea humana, como em outras, o instinto procriador condiciona à busca pela cópula com fins reprodutivos e à dedicação ao cuidado da prole.</p>
<p>Daí ser o instinto procriador um artefato da natureza para que a espécie se perpetue e que, na humana, regula-se por sua fisiologia hormonal.</p>
<p>Tal instinto, dito materno, é reforçado em nossa cultura e ligado à figura da mulher, embora em culturas aborígenes, por exemplo, o cuidado das crianças pequenas seja função de homens e não de mulheres (Mead, 1946).</p>
<p>No humano, é o  trabalho do instinto que torna o bebê um objeto eroticamente tão prazeroso para sua mãe e para muitas mulheres, embora não para todas.</p>
<p>Já o fenômeno de mulheres, inférteis ou não, que tratam animais como bebês mostra como é difícil para uma mulher renunciar a tal instinto, sobretudo se este é forte nela.</p>
<h3>Mulheres que não desejam procriar</h3>
<p>Mulheres que não desejam procriar ou não possuem um forte instinto procriador ou o têm, mas optam por sublimá-lo até onde se sentirem capazes, sopesando racionalmente os prós e contras da maternidade. Donde indaga-se até que ponto a sublimação completa do instinto reprodutor é possível na humana.</p>
<p>Nestes casos, pode-se justificar o não desejo por filhos racionalizando-se motivos lúcidos tais como: a superpopulação mundial, a decadência ética da humanidade ou o alto custo financeiro de uma criança.</p>
<p>O que faz pensar sobre o porquê uma mulher precisar de justificativas &#8220;racionais&#8221; para explicar a si mesma o fato de não querer ser mãe.</p>
<h3>Mudanças de comportamento em curso</h3>
<p>Mudanças sociais significativas raiam no horizonte próximo, com analisandas jovens tendo sido capazes de sustentar que não serão mães porque não têm vontade.</p>
<p>Através delas, elabora-se o peso da tradição para melhor superá-la, tendo como um de seus resultados visíveis a ideia de haver muitas formas de se contribuir positivamente para o mundo, sendo a procriação somente uma delas.</p>
<p>O sentimento de habitar num mundo cada vez mais complexo e rápido em transformações culminando numa desconcertante incerteza sobre o futuro traz a estas novas gerações a urgência por um senso de corresponsabilidade, e que se traduz num olhar menos romantizado sobre o assunto.</p>
<p>Isso explica o senso de urgência destes jovens em realizarem escolhas que façam mais sentido para eles e para o mundo que habitam, denunciando o fracasso nisso, das gerações que os antecederam.</p>
<p>Daí considerarem egoístas as pessoas que têm filhos para serem aceitas socialmente ou para compensarem seus próprios fracassos pessoais; ou ainda, para não ficarem sós no futuro.</p>
<p>Tal reflexão aponta, curiosamente, para o fato de que o desejo de procriar não está isento de motivos egoístas, como já havia apontado Freud em seu texto sobre o narcisismo (1914).</p>
<p>Esperamos que o aumento do número de pessoas que optam por não procriar possa significar um amadurecimento da sociedade acerca do sentido ético da procriação.</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/reflexoes-sobre-a-procriacao/">Preconceito e estigma contra mulheres sem filhos</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Artigo científico publicado na revista Estudos de Psicologia (PUCCAMP) 2011</title>
		<link>https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-publicado-na-revista-estudos-de-psicologia-puccamp-2011/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 04 Oct 2017 17:23:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos científicos publicados]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[homoafetividade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Acesse o meu artigo científico intitulado A experiência da maternidade em uma família homoafetiva feminina, publicado na revista Estudos de Psicologia da PUCCAMP em 2011, escrito em parceria com a Profa. Dra. Valéria Barbieri (FFCLRP-USP). Referência: MARTINEZ, A. L. M. &#38; BARBIERI, V. A experiência da maternidade em uma família homoafetiva feminina. In: Estudos de psicologia (PUCCAMP. Impresso), &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-publicado-na-revista-estudos-de-psicologia-puccamp-2011/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Artigo científico publicado na revista Estudos de Psicologia (PUCCAMP) 2011</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-publicado-na-revista-estudos-de-psicologia-puccamp-2011/">Artigo científico publicado na revista Estudos de Psicologia (PUCCAMP) 2011</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download-1.jpg"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-1010 size-thumbnail" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2014/07/download-1-150x150.jpg" alt="download (1)" width="150" height="150" /></a>Acesse o meu artigo científico intitulado <em><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-166X2011000200005">A experiência da maternidade em uma família homoafetiva feminina</a>, </em>publicado na revista Estudos de Psicologia da PUCCAMP em 2011, escrito em parceria com a Profa. Dra. Valéria Barbieri (FFCLRP-USP).</p>
<p>Referência: MARTINEZ, A. L. M. &amp; BARBIERI, V. A experiência da maternidade em uma família homoafetiva feminina. In: <em>Estudos de psicologia (PUCCAMP. Impresso), v. 28, p. 175-185, 2011. </em></p>
<p><span id="more-1009"></span></p>
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<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/artigo-cientifico-publicado-na-revista-estudos-de-psicologia-puccamp-2011/">Artigo científico publicado na revista Estudos de Psicologia (PUCCAMP) 2011</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Os irmãos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2015 08:30:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Textos literários da autora]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[irmãos]]></category>
		<category><![CDATA[texto literário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Flávio e Pedro eram irmãos gêmeos. Disputaram desde sempre o mesmo ventre, o mesmo espaço, o mesmo amor. Nascidos, a mãe chegava a confundi-los de tão iguais que eram, exceto pelo gênio. É que Flávio era mais parecido com a mãe, segundo seus próprios dizeres e por conta disso ela o amava mais que ao &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/os-irmaos/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Os irmãos</span></a></p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/os-irmaos/">Os irmãos</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/07/maquina-de-escrever.jpg"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="alignleft wp-image-1332 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/07/maquina-de-escrever.jpg" alt="maquina de escrever" width="251" height="201" /></a>Flávio e Pedro eram irmãos gêmeos. Disputaram desde sempre o mesmo ventre, o mesmo espaço, o mesmo amor. Nascidos, a mãe chegava a confundi-los de tão iguais que eram, exceto pelo gênio. É que Flávio era mais parecido com a mãe, segundo seus próprios dizeres e por conta disso ela o amava mais que ao outro. Apesar de tal realidade evidente, isso nunca lhe chegou à consciência:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; <em>Imagina amar um filho mais que outro? Que pecado!</em></p>
<p style="text-align: justify;">Já crescidos, ambos ingressaram na Universidade. E, como o destino não deixa por menos, o inevitável aconteceu. Flávio e Pedro apaixonaram-se pela mesma moça: a linda Dulcinéia.</p>
<p>&#8211; <em>Adivinha quem ela escolheu?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8211; O Flávio. Óbvio! Ou você acha que o destino brinca em serviço?</em></p>
<p style="text-align: justify;">Pedro, enlouquecido de tanta dor, não aguentou este golpe. Ao saber da escolha de Dulcinéia, esbofeteou a cara do irmão, quebrou-lhe o nariz e desapareceu para sempre em sua dor insana. Nunca mais se soube dele.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1376"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Ao ficar sabendo do sumiço do filho, a mãe, tentando disfarçar para si mesma o alívio secreto que invadia seu peito, disse:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; <em>Coitado do Pedrinho. Sempre foi meio esquisito. Nunca entendi por que!</em></p>
<p style="text-align: justify;">Depois do sumiço do irmão, Flávio e sua mãe foram seguindo como Deus queria. Flávio casou-se com a linda Dulcinéia em parte para evitar a matriarca, cada vez mais cinza e embruxada.</p>
<p style="text-align: justify;">Sozinha em sua casa cinza, Joana foi enlouquecendo, mas era um enlouquecer difícil de ser detectado. Até a sua loucura era sorrateira, pouco honesta.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada vez mais sozinha e velha, nem morrer ela conseguia. Era arrogante demais para isso.</p>
<p style="text-align: justify;">A casa em que ela morava, caso fosse uma pessoa, pareceria uma espécie de criatura horrenda com olhos escorrendo, não se sabe se de lágrimas a quem se negou a liberdade de se deixarem chorar, ou de susto por ter que abrigar alguém de alma tão embruxada.</p>
<p style="text-align: justify;">Anos mais tarde, já bastante enlouquecida, eis que Joana tem uma visão, não se sabe se advinda de sua consciência um pouco aplacada pelo tempo ou de uma espécie de assombração saída do quinto dos infernos.</p>
<p style="text-align: justify;">Era o seu filho Pedro que retornava para casa. Seu corpo espectral estava terrivelmente branco e de sua cabeça via-se um enorme furo de onde saía uma fumaça constante e eterna.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; <em>Quem é você? </em>Joana pergunta já sabendo a resposta.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; <em>Não se lembra? Sou eu, Pedro, seu filho odiado. </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8211; E o que faz aqui?</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8211; Vim buscar-te.</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8211; Para onde? </em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>&#8211; Para lá de onde você nunca saiu.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de dizer esta última frase, em tom filosófico e profético, Pedro soltou uma risada sinistra, daquelas de arrepiar a espinha. Depois, enganchou seus braços metálicos nos braços gordos de sua mãe, cena que lembrava um casal em marcha fúnebre. Os olhos de Joana se fecharam, pela primeira vez, em tom de leve submissão e ela então <span style="line-height: 1.5;">se deixou ir. Impossível saber o que motivou este leve e tímido f</span><span style="line-height: 1.5;">echar de pálpebras: a percepção aguda da tragédia ou o frenesi por estar se casando sob os auspícios do ódio. </span></p>
<p style="text-align: justify;"> O fato é que nunca mais se soube dela. A casa permanece fechada até hoje condenada a um choro eterno que nunca foi chorado. As boas línguas dizem que é mal assombrada.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Pelo direito de sentir medo.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 23 Jan 2015 12:02:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Reflexões sobre o cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[estórias de medo]]></category>
		<category><![CDATA[ética]]></category>
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		<category><![CDATA[infância]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Esta semana foi noticiada uma reportagem que eu achei bastante curiosa. Colônias de férias de crianças estão sendo proibidas, pelos pais, de contarem estórias de medo. O argumento dado por eles, segundo a reportagem, é que este tipo de estória pode traumatizar ou amedrontar as crianças desnecessariamente. O curioso é que, na matéria, o discurso &#8230; <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/pelo-direito-de-sentir-medo/" class="more-link">Continuar lendo <span class="screen-reader-text">Pelo direito de sentir medo.</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><a href="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/01/images.jpg"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft wp-image-1290 size-full" src="http://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/wp-content/uploads/2015/01/images.jpg" alt="images" width="282" height="179" /></a>Esta semana foi noticiada uma reportagem que eu achei bastante curiosa.</p>
<p style="text-align: justify;">Colônias de férias de crianças estão sendo proibidas, pelos pais, de contarem estórias de medo. O argumento dado por eles, segundo a reportagem, é que este tipo de estória pode traumatizar ou amedrontar as crianças desnecessariamente. O curioso é que, na matéria, o discurso dos pais era corroborado por um dos donos da colônia, que disse:</p>
<p style="text-align: justify;">&#8211; É um período de férias, de curtição. Então, a gente só deve falar de “coisas alto-astral, só coisas pra cima” (sic).</p>
<p style="text-align: justify;">O que podemos pensar sobre isso?</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-1289"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro, penso que há um sentimento de terror e de fragilidade generalizado nos pais e mães atuais. Acompanho com frequência em meu consultório o quanto os pais da atualidade têm se sentido frágeis psiquicamente para atender as demandas emocionais de seus filhos. Confundem compreensão e empatia com mimos, limites com rigidez, amor com chantagem. Não é incomum que os pais busquem um psicólogo ou analista para pedir conselhos, para ouvir do “especialista” se o que estão fazendo é certo ou errado. Sentem-se, eles próprios incapazes de se confrontarem com as dúvidas e angústias naturais e inevitáveis da difícil tarefa de cuidar de uma criança. Vão em busca de respostas prontas, mas, na verdade, precisam do auxílio do profissional para que se sintam mais fortes e confiantes para suportarem as dúvidas e incertezas que são inevitáveis ao próprio viver humano. Por isso Nietzsche disse certa vez que a resposta é a desgraça da pergunta. A graça da vida não está em respondermos às nossas perguntas, mas em podermos aguentar ficar com as dúvidas, com o mistério e com a incerteza inerente à vida. Uma criança precisa sentir que seus pais aguentam as incertezas da vida sem desmoronarem.</p>
<p style="text-align: justify;">Não é a toa que um dos filmes indicados ao Oscar para este ano – Boyhood: da infância à adolescência – retrata exatamente o desenrolar do desenvolvimento de um menininho em uma família comum, com pais cheios de dúvidas, que acertam e erram, exatamente como é a vida. Acho que o gosto do público para este tipo de filme pode refletir uma carência das pessoas para aquilo que é a “vida como ela é”, feita por pessoas comuns, por seres humanos, cheios de dúvidas e falhas.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas, voltemos agora à questão do medo.</p>
<p style="text-align: justify;">O medo é um sentimento inerente à nossa condição humana. Nós temos medo de coisas reais, mas temos muito mais medo das coisas que se passam dentro da nossa mente, do que desejamos e não sabemos. Temos medo do nosso desejo de que nosso pai desapareça para ficarmos com a nossa mãe ou temos medo de desejar que o nosso irmãozinho ou irmãzinha morra para termos toda a atenção da mamãe. Temos medo de realizarmos nossos arroubos de paixão infantil e perdermos o nosso pênis. Ou temos medo de já termos realizado nosso desejo e já termos perdido o nosso tão inestimável pênis. Temos medo do nosso desejo de ter um bebê com nosso pai. Temos medo de sermos punidos severamente por desejarmos tudo isso. Isso só para citar alguns dos temores que habitam nosso psiquismo.</p>
<p style="text-align: justify;">Pois bem, e o que fazem as estórias de medo?</p>
<p style="text-align: justify;">Elas ajudam os seres humanos a elaborarem, a colocarem em imagens e narrativas estes medos que sentimos não ter nome (pelo menos, do ponto de vista da lógica racional).</p>
<p style="text-align: justify;">Os sonhos fazem o mesmo trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Por que sonhamos à noite? E por que precisamos das estórias de medo? E por que precisamos do mito, do cinema, da arte?</p>
<p style="text-align: justify;">Por que todas elas são formas que o ser humano encontrou de colocar em imagens, de contar uma estória sobre o que nós desejamos e não compreendemos, sobre o que nós sentimos e não conseguimos representar.</p>
<p style="text-align: justify;">Freud diz: “Os sonhos vestem psiquicamente o inconsciente”. Sem o sonho, sem as estórias de medo o contato com o inconsciente fica insustentável, insuportável porque o desejo é sempre algo da ordem do biológico, do puro pulsional, do irrepresentável.</p>
<p style="text-align: justify;">As crianças gostam tanto de estórias de medo exatamente por isso. Inclusive, pedem para que sejam repetidas muitas e muitas vezes, sobretudo se o adulto conta com paixão e entusiasmo. Porque elas dão uma cara, uma feição àquilo que as crianças sentem, mas não conseguem expressar.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, por meio das estórias de medo as crianças fazem uma espécie de treino e preparação emocional para lidarem com seus medos internos e externos. Sem estes recursos, assim como o adulto sem o recurso do sonho, a criança fica fragilizada psiquicamente porque se sente à mercê dos seus temores e fantasias mais terrificantes. Penso na tragédia que é estarmos criando crianças despreparadas internamente para dançarem de perto com seus medos. Afinal, ao contrário do que diz rapaz na reportagem, a vida não é feita só de experiências &#8220;alto-astral&#8221;. Quem tem bastante coragem de olhar para a vida perceberá logo que a vida humana é muito difícil: temos que nos confrontar com perdas, com expectativas frustadas, com a morte e a finitude e com os nossos limites vários. Tudo isso faz da vida humana um grande e heroico desafio. Tudo isso faz a vida humana dar muito medo. Guimarães Rosa disse certa vez: &#8220;A vida é coisa que espanta.&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Por tudo isso o homem precisa da cultura, assim como precisa do sonho para poder sobreviver psiquicamente.</p>
<p style="text-align: justify;">Há ainda outro elemento a ser sublinhado com relação às estórias de medo. Freud disse nos “Três ensaios” (1905) que o medo é uma fonte de grande excitação sexual para a criança, obviamente quando este medo não é muito excessivo, nem representa um perigo real para a mesma. Resumindo: as crianças sentem prazer sexual frente aquele “medinho”, aquele “frio na barriga” que vivenciam nas estórias de medo e suspense. Este é outro motivo para que elas peçam incessantemente para ouvir este tipo de estória.</p>
<p style="text-align: justify;">Em suma, nós, como humanos, temos o direito de aprender a lidar com os nossos medos e desejos mais atávicos com estes recursos narrativos criados milenarmente. A sorte é que o humano é plástico. E se os pais não estão dando conta de seus próprios medos não elaborados – porque, no fundo, é esta a questão – a criança dará outro jeito de encontrar meios de simbolizar seus terrores, seja na brincadeira, com pais de coleguinhas que eles sentem mais disponíveis ou mesmo em uma análise.</p>
<p style="text-align: justify;">Podemos compreender com isso que os pais atuais têm se sentido traumatizados, ou seja, com uma mente excitada pelos excessos: de medos não metabolizados, de informações destituídas de sentido e valor, de exigências superegóicas severas que retiram deles o prazer lúdico de aprender com uma criança e de achar graça de si mesmo por estar em dúvida ou confuso sobre o que fazer com aquela criaturinha que tanto depende de você, mas que um dia irá descobrir que você também sabe tão pouco e sente tanto medo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Em parte penso que isso é reflexo de um contexto social perverso que destitui a importância do papel da tradição e dos valores, substituindo-os pelo papel do sujeito individual, cada vez mais solitário e perdido com suas próprias questões e demandas. O que quero dizer é que nossa sociedade tem se individualizado cada vez mais, as pessoas estão cada vez mais solitárias nas cidades, os pais e mães não conversam entre si, não observam o outro, não ligam para um amigo para compartilhar suas angústias, não aprendem com a experiência alheia, seja ela de seus próprios pais ou de seus pares e – o que é pior – sentem poder jogar fora recursos míticos e narrativos tão tradicionais como as estórias, que foram criadas exatamente para nos tranquilizar um pouco do susto do viver.</p>
<p style="text-align: justify;">Este vazio é ocupado de forma perversa pelo discurso “científico” que se acredita imbuído do poder de dizer às pessoas o que elas devem ou não fazer, como devem ou não pensar. Destitui-se a responsabilidade do sujeito por si mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Vocês já repararam quantos programas existem na TV em que “especialistas” se colocam na duvidosa posição de “orientar” pessoas sobre como cuidar de crianças, sobre como emagrecer, sobre como ser feliz, como dormir e comer bem, como fazer sexo bem, etc. A vida se transforma em uma grande performance para ser exibida nas reuniões de condomínio, nos shoppings e nas festas infantis.</p>
<p style="text-align: justify;">Com isso, o sujeito se vê desresponsabilizado frente à sua própria vida, frente às suas próprias angústias. Acredita, tal como uma criança ou um crente, que o especialista terá a resposta que irá mudar definitivamente a sua vida.</p>
<p style="text-align: justify;">Reivindiquemos, portanto, o direito de sentir medo. De sermos frágeis, de termos dúvidas, de não sabermos para onde ir, de não termos uma opinião a dar. Para que o sentido mais profundo desta palavra –humano – não acabe indo tão logo parar em um museu.</p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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		<title>Jornada O casal e a família no divã.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ana Laura]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Sep 2012 20:56:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Eventos e textos psicanalíticos]]></category>
		<category><![CDATA[casal]]></category>
		<category><![CDATA[família]]></category>
		<category><![CDATA[jornada]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Texto que apresenta a jornada "o casal e a família no divã"</p>
<p>Esse post <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br/jornada-o-casal-e-a-familia-no-diva/">Jornada O casal e a família no divã.</a> foi publicado inicialmente em <a href="https://www.ribeiraopretopsicologia.com.br">Blog de Psicanálise</a>.</p>
<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img loading="lazy" decoding="async" class="alignleft  wp-image-617" title="cartaz_346" src="http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br/blog/wp-content/uploads/2012/09/cartaz_346-212x300.jpg" alt="" width="176" height="249" />A configuração familiar especifica de cada sujeito e o casal parental internalizado que compõe a personalidade de cada um são elementos centrais à Psicanálise.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse sentido, quando um sujeito busca análise, o trabalho analítico será povoado não somente  pelas fantasias inconscientes do paciente,  expressas no par analítico, mas sobretudo por suas tramas inconscientes transgeracionais, algo que, ao mesmo tempo, o constitui e o transcende.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-615"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Sendo assim, um dos trabalhos do analista é ajudar o paciente a conhecer e a nomear repetições familiares inconscientes que vêm sendo transmitidas de geração em geração, aprisionando os sujeitos envolvidos.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, sabemos que a família vem sofrendo grandes transformações nas últimas décadas. Ela se tornou mais variada em sua forma e muito mais complexa do que a família da época de Freud.</p>
<p style="text-align: justify;">Atualmente temos uma infinidade de configurações familiares, cada qual com  sua  dinâmica e especificidade. Dentre elas, podemos citar as famílias monoparentais, as recompostas e as homoparentais.</p>
<p style="text-align: justify;">Por todos estes motivos, considero de extrema importância uma jornada como esta cuja proposta é colocar o casal e a família no divã.</p>
<p style="text-align: justify;">Por isso, vale a pena participar!</p>
<p>Para maiores informações sobre a jornada, acesse: <a href="http://www.sbprp.org.br/sbprp/eventos.asp?categoria=23">http://www.sbprp.org.br/sbprp/eventos.asp?categoria=23</a></p>
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<p>Acesse também o site da autora Ana Laura Moraes Martinez http://www.psicologiaribeiraopreto.com.br</p>
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