Já escrevi em outro texto como Minas Gerais me desperta impressões ambíguas e hiperbólicas.
Desta vez fui à Capitólio e à Serra da Canastra. Dois lugares onde a natureza grandiosa, dramática e eloquente hipnotiza o olhar com suas águas jorrantes, minérios e chapadões a perder de vista.

Para Freud (1930), não há civilização sem justiça social, sendo aquela compreendida como o conjunto de sanções que a protege contra a ganância e voracidade do indivíduo.
Viver só tem sentido quando somos capazes de olhar para além de nós mesmos e dos nossos interesses particulares.
O número de mulheres que escolhe não procriar tem aumentado nas últimas décadas. Dizem delas que são egoístas, vazias e incompletas e, jocosamente, vislumbram-nas na velhice como a “louca dos gatos”, que é uma forma de dizer que amam mais os bichos que os humanos.
Uma mulher não passará pela vida sem experimentar algumas vezes o desprezo e o ódio de um homem por ela.
Quando padeci de um quadro fisicamente muito doloroso há alguns meses não poderia imaginar que estava, sem saber, acumulando experiência para atravessar a onda do coronavírus.
Milton Nascimento tem razão. Minas Gerais tem uma melancolia poética bonita demais. Estive visitando Inhotim e Ouro Preto e voltei cheia de reminiscências, desejosa de poder expressar um sentimento evanescente difícil de ser posto em palavras.
Vivi um momento poético hoje. Voltava pra casa de bicicleta ouvindo meu jazz favorito, e eis que encontro pelo caminho, andando rápido e com olhar baixo, o cachorro Negão: um bonito e simpático vira-lata que foi adotado por uns vizinhos nossos, a Ana e o Ângelo.
Há uma beleza dolorida na cena que deve ter se repetido em muitos lares do mundo todo neste último domingo de Páscoa: mulheres, por vezes idosas, cansadas e com dores pelo corpo todo, cozinhando para seus filhos, netos e, quem sabe, bisnetos.